sexta-feira, 28 de julho de 2006

Descanso do guerreiro (act.)

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Férias à porta. O blogue continuará activo, mas lacónico, espaçado e sobretudo despreocupado. Levo comigo umas duas mil páginas para ler (já agora: A Possibilidade de uma ilha de Michel Houellebecq, À Primeira vista de Nicholas Sparks, Shallimar o palhaço de Salman Rushdie e O Pequeno amigo de Donna Tartt). Só ficção. À porta da livraria, vi um rosto que devo ter conhecido noutra vida: às vezes, há hiatos que evidenciam a alma (e eu que não sou nada de fantasmas…). Deixo as metaescritas, deixo as análises do mundo, deixo quase tudo para trás. Levo também um bloco-notas vazio e esqueço-me em casa do portátil. Espero entrar, de vez em quando, num cibercafé para pregar partidas e regressarei à base, intermitentemente, uma e outra vez. A rota vai ser inesperada, imprevisível, por definir. Até já.
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Próximas crónicas "Blogues e Meteoros" (no Expresso on-line): de 14/8 a 16/8 e de 30/8 a 1/9 com destaque na homepage e, a qualquer altura, no link "opinião". Atenção, pois irei aconselhar como leitura de praia cerca de trinta blogues nessas próximas duas crónicas.

O clero, o povo e a nobreza

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Maria João Pires foi-se embora de Portugal, porque não gosta de certos malefícios lusos e do impacto de Morangos com açúcar. Na sua nova terra, na Bahia, uma coisa é certa: ali nunca houve, nem há qualquer vestígio de telenovela.

A indignação de seda pura


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Monitorizado e fiel a um conjunto bastante estável de “personalidades”, tem persistido ao longo do tempo em Portugal um micro-espaço público que os próprios dizem ser votado à indignação. Já lá vai o tempo em que a causa foi particularmente sensível ao defunto Conselho Mundial (e brejneviano) para a Paz e para a Cooperação. Seguindo as névoas da história, os alvos seguintes passaram a identificar-se mais com a “cultura” e não tiveram em boa conta, nem certos escritos de Maria Filomena Mónica, nem, claro está, os excessos dos “americanos” após o 09/11. É evidente que a guerra sempre inundou a noblesse desta lustrosa indignação. Bastante menos em certos casos, como aconteceu com a Chechénia, com o Congo, com os Balcãs ou com Darfur (há dias de menor atenção!), mas muito (com lágrimas e faixas brancas de linho) no compreensível caso da Indonésia vs. Timor e, sobretudo, no magno e antigo troféu de estimação: Israel. Há dias, cerca de sessenta personalidades lá subscreveram o esperado abaixo-assinado. Em nome da paz, é evidente. É como sorvete em tempo de Verão. Tal como nas perfumadas prosas de Chomsky, sabe bem e oculta desígnios mais finos e delicados. Este micro-espaço público, bem estudadinho, até dava um óptimo romance. Talvez vivido em ambiente de policial ali pelas vielas que ligam o S. Carlos e o S. Luís ao Chiado. O que a liberdade dá a ver!

O mito de Katsouranis

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Para um bom benfiquista como eu, aquele golão do grego Katsouranis salvou-me o dia (e o jogo). Coisa mitológica, não achas Carla?

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Um artigo do escritor Amos Oz

LA Times
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No passado, o movimento israelita pela paz tem criticado inúmeras vezes as operações militares de Israel. Desta vez não. Desta vez não se trata de expansão ou colonização israelitas. Não há território libanês ocupado por Israel. Não há disputas territoriais de qualquer dos lados.O Hezbollah lançou um ataque, malicioso e não provocado, em território Israelita. Foi também um ataque à autoridade e integridade do governo libanês eleito porque, ao atacar Israel, o Hezbollah sequestrou a prerrogativa do governo libanês de controlar o seu território e de tomar decisões de guerra e paz.O movimento israelita pela paz opõe-se à ocupação e colonização da Cisjordânia. Opôs-se à invasão israelita do Líbano em 1982 porque ela se destinou a distrair o mundo do problema palestiniano. Desta vez, Israel não está a invadir o Líbano. Está a defender-se de tormentos e bombardeamentos diários a dezenas das nossas cidades e vilas, tentando esmagar o Hezbollah onde quer que ele se esconda.O movimento israelita pela paz deve apoiar a tentativa de autodefesa de Israel, pura e simplesmente, enquanto o alvo desta operação for o Hezbollah e ela poupar, o quanto for possível, a vida de civis libaneses (o que não é uma tarefa fácil, porque os lança mísseis do Hezbollah usam muitas vezes os civis como escudos de protecção).Não pode haver uma equivalência moral entre o Hezbollah e Israel. Os alvos do Hezbollah são civis israelitas, onde quer que eles se encontrem, enquanto o alvo de Israel é o Hezbollah. Os mísseis do Hezbollah são fornecidos pelo Irão e pela Síria, inimigos jurados de todas as iniciativas de paz para o Médio Oriente.A verdadeira batalha devastadora destes dias não é entre Beirute e Haifa, mas entre uma coligação de países que procuram a paz – Israel, Líbano, Egipto, Jordânia e até a Arábia Saudita – e um islamismo fanático alimentado pelo Irão e pela Síria.Se, como todos nós esperamos – “falcões” e “pombas” israelitas da mesma forma – o Hezbollah for derrotado em breve, Israel e o Líbano serão os vencedores. Além do mais, a derrota de uma organização fundamentalista islâmica apostada no terror pode aumentar grandemente as possibilidades de paz para a região.
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Tradução de Nuno Guerreiro.

Uma guerra em tempo real?

LA Times
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Ontem, o José Pimentel Teixeira do saudoso Ma-Schamba fazia eco, em comentário aqui no Miniscente, que tinha crescido entre “a venda do Moshe Dayan (lendária, pelo menos a venda, talvez a personagem) e o lenço do Arafat (menos lendário o adereço)”. Escrevia depois, com a sua habitual graciosidade estilística, que se lembrava “do telejornal (ainda do globo a circular no genérico a preto-e-branco)” que via em casa do seu avô paterno. Por ter nascido em 1954, acompanho em pleno o fio desse cronograma algo nostálgico: Nasser, Golda Mair, as gordas do Século e do Diário de Notícias (ninguém pronunciava “DN”), os “locutores” que, na televisão e na “telefonia”, respiravam as palavras uma a uma, os heroísmos, a saga da Guerra Fria e a ordem dicotómica do mundo (apenas no backstage). Entre a magnitude da emissão e a apertada normalização do auditório havia uma distância imensa, a maior parte das vezes povoada pela imaginação, pela dúvida pouco metódica, pelo solilóquio anónimo, pelo folclore, pelas “Melodias de sempre”, pela deriva passiva e, em alguns meios restritos (fica mal dizer isto em certos sectores), pelo agir político - e pelo rock. Não é inteiramente verdade que esta minha geração (existirá tal coisa?) tenha sido apenas - e redutoramente - uma escrava do salazarismo, do marxismo e da posterior ditatura do entertainment. Muita ‘terra de ninguém’ foi, pelo meio, fazendo o sentido que as coisas hoje têm, de tal modo que, vistos retrospectivamente, a revolução, o marcelismo, o salazarismo, os eighties e o high-tech contemporâneo constituem, nos nossos dias, territórios cumulativos que se equivalem e que acbam por perspectivar, de modo (aparentemente) pouco abismado, o presente.
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No entanto, na última década fez-se sentir uma diferença fundamental: a interacção. Não apenas a emissão perdeu a sua magnitude e se pluralizou, como os auditórios se aproximaram e, por vezes, passaram a coincidir com a própria emissão (quando aqui escrevi, entre Abril e Junho, “O Tom dos Blogues”, referi-me com assiduidade a este aspecto nevrálgico). Os blogues são interfaces que estão na linha da frente da nova interactividade global, de tal modo que há já quem diga que a guerra em curso no Médio-Oriente é “The most blogged war”. Vale a pena dar uma volta pelos blogues portugueses, que se mantêm particularmente activos neste momento, para verificar esta realidade e esta tendência. Não é a discussão que ‘resolve’ a guerra e nos devolverá a paz, embora, tal como outras linguagens noutros conflitos e épocas acabaram por ter influência no decorrer dos acontecimentos (Vietname, por exemplo), também o ‘agora-aqui’ que os blogues veiculam - instante a instante – possa vir a ter impactos hoje ainda pouco antecipáveis. Seja como for, a interactividade, a disputa de argumentos, a discussão aberta e livre mesmo em condições difíceis (no teatro da guerra) são instrumentos de uma novo tipo de democracia que está a germinar no mundo. Já lá vai o tempo dos heróis e das causas que quebravam estriadamente a sociedade em dois rostos petrificados. Os novos maniqueísmos tendem já a conter em si sementes de dúvida, de pluralidade e de inquietação (com excepção, talvez, para os fanatismos religiosos). No velho noticiário que dava a ver “o globo a circular no genérico a preto-e-branco” estavam ainda à mostra as raízes de uma sociedade que sonhava e falava através da espessura das tradições orais. A guerra, nesse tempo, era ainda um diferido distante que ancorava nas lendas e narrativas. A guerra hoje passou a ser um vórtice, ou uma estesia tecnológica, que está dentro da nossa casa (e que está dentro do frémito compulsivo do nosso corpo).

“Como Tito na Jugoslávia”

Kiryat Shmona (Israel), LA Times
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(Texto da autoria de Carmo da Rosa sobre a actualidade do Médio-Oriente. Expedido de Amesterdão)
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A existência de Israel é tão importante para os países do Médio-Oriente como o petróleo para os americanos.
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Por outras palavras, Israel está para o Médio Oriente, assim como Tito para a Jugoslávia. Sem Israel, então é que estaria o caldo entornado. Seria o pandemónio total entre sunitas e chiitas, entre sunitas moderados e wahabitas, entre alavitas e chiitas da linha khomeinista, salafistas e tablequistas, entre o Hamas e o Fatah.
O que faz com que haja uma ‘união’ (periclitante, muito temporária e constantemente ameaçada) entre todas estas franjas, é a existência de ‘Eretz Israel’, o inimigo comum. E em torno deste tema afirma Dirk Vlasboom que, apesar de ser communis opinio que os políticos árabes elevaram a manipulação da religião até ao último requinte, a verdade é que a religião não é no Médio Oriente propriamente o motivo, mas antes um meio de mobilização muito eficaz.
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Efraim Karsh remete para ‘o mundo das fábulas a popular opinião de que a crise no Médio-Oriente é apenas uma reacção à política do Ocidente.’ E lembra que enquanto ‘Jesus falava no Reino dos Céus, Maomé servia-se do nome de Deus para criar um Reino Terrestre.’ E que nas décadas posteriores a 1948 ‘os países árabes manipularam a questão palestina para os seus próprios objectivos. Nem o Egipto, nem a Jordânia concederam autonomia aos palestinos nos territórios da Palestina que ocuparam na altura, respectivamente a Cisjordânia e a faixa de Gaza. Os palestinos foram guardados durante anos em campos de refugiados miseráveis apenas para que a situação pudesse ser atirada à cara de Israel e, naturalmente, para alimentar o panarabismo.’
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Nasser, o presidente do Egipto, ‘foi em 1956 franco demais para um jornalista ocidental: “Os palestinos são necessários para os estados árabes”; “temos que fazer com que eles nunca se tornem muito poderosos”. Ainda em 1974 dizia o presidente da Síria Hafez el Assad que os palestinos não somente fazem parte da pátria árabe, mas incontestavelmente do sul da Síria. E até à sua morte, em 2000, nada indica que tivesse mudado de opinião. É lamentável que a esquerda pro-palestina não queira ver esta realidade

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Tragédias de uma guerra intemporal (act.)


A (ex)posição de Israel no Médio Oriente
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Entre 2004 e a Primavera passada, várias vezes reatei o tema do 500º centenário do “Progrom” de Lisboa (o grande massacre de 1506 contra a comunidade judaica). Nunca fiz um balanço de toda essa intervenção, nem farei, pois há desígnios que não cabem nesse tipo de epílogos. Mas é curioso como o tema foi sempre um tema difícil, profundamente incómodo, em certos meios exótico e desnecessário, noutros ainda motivo para três linhas de breve e fugidia memória.
Como se Portugal não fosse parte da carne dessa diáspora que, ao mesmo tempo, partiu e por cá se disseminou com outros nomes e ecos. Há regimes que quiseram à força apagar partes da sua história e conseguiram-no. Aliás, toda a história moderna é, passe a cientificidade da causa, uma calculada sintaxe de factos que cada presente posiciona de acordo com perspectivas geralmente pouco inocentes (lembro-me da imagem de Portugal com que fui educado desde tenra idade). Os casos mais extremos dessa instrumentalização de eventos parecem sempre pertencer aos outros (a outros regimes, a outras eras, a outros países, etc.) e não a nós (imaginariamente sempre centrados sobre a nossa férrea identidade). O curioso é que, no caso do “Progrom” e da sedimentação da cultura judaica no magma português, a matéria do tabu se tornou intemporal e quase se transformou, até aos dias de hoje, num mito invisível e intocável.
Se o caso dos “mouros ocupantes” foi sendo deslindado na Academia, nas últimas duas décadas (hoje entende-se melhor o significado do Califado Omáiada ibérico nas relações entre ocidente e oriente e superou-se, de algum modo, a ideia romântica da ocupação vs. reconquista cristã), já o caso judaico se foi impondo persistentemente através de uma indiferença e de um silenciamento que, em meu entender, denotam sinais evidentes de intolerância. Existe uma clara má fé (não pronunciada, não dita, não discutida) na relação entre a auto-imagem dos portugueses e aquilo que é a sua especularidade história. Como se essa relação apenas se mantivesse sã, se depurada de alguns dos seus episódios. O pior é que, quando tais episódios são parte do próprio corpo – de uma matéria que é íntegra à cultura e à memória colectivas -, o vestígio manter-se-á vivo faça-se-lhe o que se fizer: nada o poderá eliminar. O nosso lado judaico – todos somos, de alguma maneira também, judeus (queiramo-lo ou não) – é essa parte de um corpo que a má consciência lusitana tende a remover e a elidir há séculos, de tal modo que o gesto que procede a esta insistente remoção já se tornou num gesto quase imperceptível e até involuntário.
Quando vivi na Holanda (durante uma década) e quando estive em Israel, lembro-me do modo como os judeus encaravam Portugal: uma espécie de nostalgia comovente a que faltava a carne do objecto de amor. Uma memória feita de uma experiência de séculos a que se juntavam amiúde evocações surpreendentes, sintomas de uma convivialidade perdida, indícios de uma saudade ainda pouco partilhada e até algumas marcas da língua. Este outro lado do mesmo fenómeno – um desencontro histórico que apenas uma tragédia sem explicação pode explicar – é tão revelador da intensidade da ligação entre o judaísmo e Portugal quanto o é o violento propósito de apagar e diluir parte de nós próprios.
Um estranhíssimo – e, repito, muitas vezes involuntário – incómodo persegue a conduta com que o nosso país se digladia com o seu passado de influência e ainda não de periferia. A questão judaica vive e respira precisamente aí, no coração dessa ferida: é no momento em que os judeus são ameaçados, perseguidos e expulsos que o corpo português também começa a fenecer. Uma tragédia arrastou a outra, ou foi, pelo menos, dela o sinal maior e mais gritante. Os frequentadores da sinagoga de Amesterdão, os Coutinhos, os comerciantes de Antuérpia e os fundadores de Nova Iorque sabem que assim foi. Um corpo fragmentado é sempre um corpo trágico. Do lado de cá, em Portugal, apagou-se essa imagem a pouco e pouco; do lado de lá, no mundo judaico, foi-se antes vivendo o fruto da nostalgia embora sem qualquer âncora.
Nos últimos 48 anos, sempre que Israel precisou de recorrer à guerra (desde o ‘Dia Um’ da sua independência), e apesar de todos os excessos e erros que são próprios da sobrevivência, nunca houve em Portugal um entendimento cabal e minimamente racional do facto (refiro-me ao “mainstream”). Israel foi quase sempre mal visto, foi quase sempre analisado como a parte a diabolizar, foi quase sempre percebido como a parte que constituía o problema. Afinal, já o constituía há muito, como vimos. O fenómeno, aliás, atravessa a direita e, mais recentemente com uma rara acuidade, a esquerda. Até quando?
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p.s. - Na casa dos afectos à esquerda, o Bruno Sena Martins é um caso de elevação, de raciocínio rico e de real capacidade de relativação de dados. Quando a "interpretose" se sobrepõe à "interpretação" (a guerra de Sontag), nem sempre é fácil esta atitude cuidada. Tenho acompanhado, naturalmente, os seus textos (de referir especialmente este) e as polémicas em curso no Avatares (com muitos vasos comunicantes com as que se têm revelado aqui no Miniscente). Gostava de saber o que ele pensa desta radiografia à nossa carne (quer quanto à intensidade histórica - tímica e fórica -, quer quanto às "derivas rizomáticas" da identidade). Abraço.
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p.s. - E eis como as polémicas no Miniscente se tornam em base de uma "síntese" de cariz "astrológico " (ver análise em Postais de Novalis).

terça-feira, 25 de julho de 2006

Os "raides" do caso Abrupto

Tenho aconselhado alguma razoabilidade no caso Abrupto. Ou seja, tenho-me manifestado contra o “desproporcionado” sentido de negatividade que o caso fez – e faz - despertar face ao Blogue de JPP (nuns casos, devido a uma alegada indignação excessiva do próprio; noutros casos - bem mais abundantes - devido à habitual projeccção mediana da invídia).
No entanto, o final de um
post como o que se segue apenas fará crescer (e “atiçar”, para sublinhar o “devir-animal” de Shaw) a “mediocridade da lama” (concordo). Eu sei que quem se sente é filho de boa gente, mas o boomerang, esse, também faz sempre das suas.
E é assim que a razoabilidade acaba por perder força, função e eficácia:
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Basta ler alguns blogues, entre a pura má fé, até ao enorme contentamento e festejos pela "morte" anunciada. Não terão muita sorte, mas é uma atitude reveladora do incómodo que a mera existência de um blogue como o Abrupto traz à mediocridade invejosa. O mundo para eles seria muito mais aceitável se tudo fosse medíocre, igual na lama. Compreendo bem, mas sigo a regra de George Bernard Shaw: "Never wrestle with a pig. You get dirty and besides the pig likes it".

Leituras sobre a guerra (act.)

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Sobre a relação - nem sempre linear - entre o Irão e o Hezbollah, ler este artigo de Azadeh Moaveni (na Time).
Sobre o preço a pagar por esta guerra - e as suas tão faladas proporções -, ler este artigo de Anshel Pfeffer (no The Jerusalem Post).
Independentemente dos juízos, o mundo nunca é a preto e branco. Em tempo de guerra, é difícil partir diariamente desse ponto de vista (às 16h.05, a SIC Notícias descrevia, na guerra, “o lado judaico e o lado árabe”. Este tipo de reducionismo tem acompanhado sistematicamente um outro: a separação clara, em ambos os campos, dos militares e civis no número de feridos e de vítimas).
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Recuperando vozes dos últimos comentários (post de baixo):
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"Quem é que não quer um cessar-fogo? Quem é que não quer a paz, entre os falantes? Há um mainstream que imputa a responsabilidade do que se passa (e tem passado) na região a Israel (na prática o mal é Israel). Há gente que acha que não, que não vê bons e maus simplesmente - daí a sanguinários israelitas nem um passo vai. Eu, francamente, muito me angustia esta forma de pensar." (José Pimentel Teixeira)
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"Já leram a discussão entre o (ex)ministro israelita Shlomo Ben Ami e o professor Norman Finkelstein? Vá lá, façam esse esforço. Olhem que vale a pena...Podem encontrá-la (aqui)". (Rui Mota)
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"Outro dia um judeu perguntou a um amigo comum de Utreque: "Que aconteceria se Portugal permitisse que a ETA atacasse a Espanha com mísseis e bombas a partir do território português?"
Morro de curiosidade pelas respostas." (Carmo da Rosa)
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"Uma sugestão (caso não tenham ainda visto): um debate entre "Fmr. Israeli Foreign Minister Shlomo Ben Ami Debates Outspoken Professor Norman Finkelstein on Israel, the Palestinians, and the Peace Process" (aqui)" (MP-S)
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p.s.- 1 - Toda a razão do mundo, Henrique!
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p.s.- 2 - "Em Portugal, como provavelmente noutros sítios, o ódio a Israel tem muitas causas. O ódio ao povo perde-se na noite dos tempos. O ódio ao Estado começou há 60 anos. Há nisto muito de ignorância e futilidade. Mas nem toda a gente é ignorante ou anti-semita. Argumentar com a soi disant “desproporcionalidade” não deixa de ser uma infantilidade. Insistir nessa tecla é uma forma naïf de dizer o indizível. Podiam assumir de uma vez por todas o anti-semitismo larvar." (Eduardo Pitta).
Amanhã, tentarei aprofundar este tema essencial.
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