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sábado, 31 de Março de 2007

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O Simplex e o exclusivo das Bond Girls

DNS
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No Expresso online desde hoje
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Um dos aspectos que porventura mais irá mudar em Portugal, nos próximos anos, é a transformação da nossa burocracia secular num brevíssimo e descontraído suspiro. Daqui a uns anos, António Barreto poderá incluir este feito num novo “Retrato Social” do país e articulá-lo-á decerto com a palavra “rede” (na estreia da actual série, a palavra “internet” foi apenas referida por uma vez). Mas o cenário pode falhar, se a inércia das secretarias continuar a boicotar o novíssimo “homem novo” lusitano que nenhuma ideologia, felizmente, se encarregou de programar. Nada melhor do que um exemplo para me explicar.
Um dia destes tive necessidade de uma “Certidão de Teor” e deparei-me com duas hipóteses para a obter: ou ia aos habituais balcões da Conservatória ou recorria ao “Simplex”. Ponderei, decidi e foi no dia 8 de Março (a escolha não aspirou a conotações aventurosas) que acabei por me sentar ao computador e explorei, pela primeira vez na vida, o chamado “Portal do Cidadão”.
Em menos de cinco minutos, consegui introduzir os dados relativos a um pequeníssimo terreno situado num local recôndito do país e paguei com cartão de crédito quer a Certidão, quer os portes do correio. No entanto, ao contrário do que acontece com uma Caderneta Predial (que se pode imprimir em casa e na hora), este tipo de Certidão só pode ser emitido pela Conservatória onde o terreno está registado, o que significa que o pedido feito através da rede acaba, neste caso, por ser tratado pelos serviços locais. Mau augúrio, pensei.
Com efeito, ao fim de dez dias de espera, vi-me forçado a enviar um mail aos serviços do “Portal do Cidadão”. A resposta foi personalizada e instantânea: “O seu pedido já foi despachado há alguns dias, cabendo agora à Conservatória o envio da Certidão pelo correio”. Passadas duas semanas sobre o Dia Internacional da Mulher, esgotados os meus prazos e a paciência, decidi ir directamente à Conservatória. Quando a senhora ouviu o meu nome, pressenti que o nervoso lhe pairava no olhar. Ouvia-a então a soletrar: “Conheço esse processo, conheço esse processo”.
Levantou-se, dirigiu-se a uma secretária vazia e trouxe até mim a tão desejada Certidão. E concluiu: “Já devia ter sido enviada, é verdade, mas… a colega que o devia ter feito… adoeceu”.
Moral da história: qualquer “brevíssimo e descontraído suspiro” continua a ser um exclusivo das Bond Girls. O que já não é nada mau.


sexta-feira, 30 de Março de 2007

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Portuenses... (act.)

SRV
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Há certas coisas em que sou pela centralização à D. João II. As Conferências de Serralves ("Crítica do Contemporâneo") são uma delas. Gostava de as ter à mão, em Campo de Ourique, ou mesmo aqui no meu outro território: o da ameixoeira alentejana.
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Mais uma razão!


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Mini-entrevistas/Série II – 146


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Sandra Ferrás, técnica de estudos de mercado, 34 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Um mundo, um universo, a palavra a quem a quer ter, a anarquia para o bom e para o mau. A liberdade para tantos, um corte com a solidão, um aprofundar da solidão. Isolamento, socialização. O universo de todas as contradições.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Já deixei de acompanhar há algum tempo o universo dos blogues. Descobri este "mundo", algures em 2001, com a passagem de uma conhecida Israelita por Lisboa. Fazia do blogspot o seu diário de viagens. Acompanhei alguém próximo que nessa altura resolveu ingressar no mundo, ainda em embrião (pelo menos por cá) dos blogues. Foi o primeiro blog nacional que conheci. O Silêncio apareceu em 2003, pelas mãos da mesma pessoa, que me arrastou para ele e acabou por ficar nas minhas mãos. Começou um pouco depois a loucura da descoberta, com meia dúzia de blogues a dar nas vistas. Deve ter sido nessa altura que mais acompanhei a onda. Alguns acontecimentos politicos faziam-me procurar alguns blogues esporadicamente (Guterres, Barroso, Santana.....). Hoje em dia apenas vejo os daqueles que me são mais próximos. Ganho com isso. São bons. Há demasiada palha, gerou-se demasiada palha e eu deixei de querer ter tempo para procurar as agulhas.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O Silêncio chegou a ser quase um fórum com posts a terem perto de 100 comentários. Foi um escape numa época profissional especialmente má, e numa reviravolta da minha vida pessoal. Foi muito importante para a minha sanidade na altura :)E tive um saldo extremamente positivo, que se reflecte na minha vida todos os dias - conheci por ele quase todos os que hoje me são queridos e próximos. Tem graça que todos eles hoje tenham blogues. O nosso universo, mesmo espalhado por vários pontos dentro destas linhas de fronteira, está sempre ali do outro lado do ecrã, alimentando os dias em que comboios ou estradas não tornam as distâncias mais pequenas que os bits e bytes.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito sim, como disse acima, para o bom e para o mau. Todos dizem o que querem com os limites impostos apenas pelo que a sua consciência e respeito ao próximo ditam. E o anonimato pode ser a ferramenta que ajuda a derrubar/ignorar até esses limites. A sensação de se passar impune a tudo dá a liberdade para dizer o que se quer - defendendo uma verdade ou uma mentira.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira, João Espinho, Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos, Adolfo Mesquita Nunes, João Paulo Sousa, Pedro Ludgero, João Tunes, Miguel Cardina, Paula Cordeiro, Edgar, André Azevedo Alves e Inês Amaral, David Luz, Saboteur, João Miguel Almeida, O Impensado, Hugo Neves da Silva, Paula Capaz e João Pinto e Castro. Hoje: Sandra Ferrás.


quinta-feira, 29 de Março de 2007

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Primavera = Design na blogosfera

SFC
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José Manuel Bártolo vai desenvolver no blogue Reactor um projecto de entrevistas sobre design. Serão feitas três séries: "Uma com pessoas de diversas áreas, outra com designers profissionais portugueses e uma terceira com designers estrangeiros". Cabe ao escriba do Miniscente responder ao inquérito no próximo dia 2 de Abril. Posso testemunhar que a abordagem é exigente e que irá decerto criar, no final, um banco de dados muito interessante acerca daquilo que (pelo menos aparentemente) ainda designamos como sendo o molde da nossa cultura. Eu hoje acredito que o design é muito mais do que um simples molde; que fique então aqui registada a tentação do Teaser: "O design sucede hoje à crença do mesmo modo que, para Nietzsche, a gramática pretendeu suceder a Deus. O design é, na contemporaneidade, o apogeu de uma história que passou a ser vivida sem clímax nem desenlace".


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Mini-entrevistas/Série II – 145


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é João Pinto e Castro, 56 anos, docente universitário e consultor de gestão.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Foi um original espaço público de liberdade de expressão que se abriu, algo de valor ímpar num país como o nosso, ainda tão marcado pelo temor reverencial e pela inibição perante o debate. Foi uma forma inovadora de pôr o país a falar consigo mesmo sem papas na língua, que, se não erro, abriu também as portas à revitalização e ao enriquecimento da língua. No que toca ao meu envolvimento pessoal, direi que é a coisa mais divertida que se pode fazer sem ter que tirar a roupa.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Não houve nenhum acontecimento que tivesse seguido apenas ou sequer principalmente através dos blogues. Os únicos acontecimentos que os blogues cobrem em exclusivo são as eminentemente dispensáveis tricas entre bloggers. Todavia, noto agora que o blogue do Pedro Magalhães (Margens de Erro) é a principal fonte de informação a que recorro para me manter a par das sondagens de opinião em Portugal e no estrangeiro. E é capaz de haver outras situações similares.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Reencontrei pessoas que perdera de vista, por vezes há décadas. Reatei velhas amizades e fiz outras novas. Descobri personalidades fascinantes. Entusiasmei-me com a qualidade da escrita de muita gente. Maravilhei-me com a generosidade que anima a grande maioria dos bloggers. Aprendi muita coisa com muita gente. Creio que escrevo hoje melhor, embora me tenha tornado mais crítico em relação ao resultado dos meus esforços.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Absolutamente. Penso mesmo que se trata de um dos poucos casos em que a palavra liberdade se aplica com inteira propriedade.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira, João Espinho, Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos, Adolfo Mesquita Nunes, João Paulo Sousa, Pedro Ludgero, João Tunes, Miguel Cardina, Paula Cordeiro, Edgar, André Azevedo Alves e Inês Amaral, David Luz, Saboteur, João Miguel Almeida, O Impensado, Hugo Neves da Silva e Paula Capaz. Hoje: João Pinto e Castro.


quarta-feira, 28 de Março de 2007

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Desviver-se

PTD
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Porquê este lenço preto na cabeça da militar Faye Turney? Num rapto, não há refém que não seja convidado a desviver-se. Contudo, a humilhação corresponde já a uma "fase seguinte". E, às vezes, é bom pensar que nem todo o inferno habita em Guantánamo. Assim é, quer na ficção, quer na realidade. Quem o diz sabe do que fala.


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Holy Corner (com objectividade)

Estavas bem melhor na Luz, Tiago!
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O jogo de Belgrado: fazer descansar Meireles e Quaresma; fazer correr Simão e Petit. Eis a estratégia. Mesmo assim não correu mal: nenhum deles partiu as pernas e até o próprio Nuno Gomes acabou por dar algumas cartas.


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Mini-entrevistas/Série II – 144


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Paula Capaz.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
É uma palavra que entrou há pouco tempo no meu vocabulário, mas que, neste momento, habita o meu quotidiano. Parece-me querer significar uma qualquer ideia de universalidade, comunidade, encontro entre pessoas que “giram em volta de uma mesma esfera”, quer no que diz respeito a conteúdos, quer a formas de sentir, pensar e divulgar questões diversas sobre os mais diversos mundos.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
O recente referendo ao aborto. Li, com alguma frequência, as tomadas de posição dos “bloguistas” que visito diariamente, mas optei por não abordar o assunto no meu blog.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Os blogues permitem um acesso rápido à informação e, ao mesmo tempo, ao lazer e ao humor que, confesso serem ingredientes procurados no meu quotidiano. Constituem um canal de partilha de opiniões de pessoas ligadas a uma mesma rede. É um espaço de troca.
Quando criei os meus momentos, fi-lo por mera curiosidade informática. Foi, de início, uma experiência solitária. Com o tempo alguns amigos foram comentando e foi crescendo o entusiasmo que hoje se traduz numa agradável rotina. Confesso-me “presa” às postagens diárias. Ainda não sei se esta prática continuará a ser um prazer ou, pelo contrário, se tornará uma obrigação. No momento em que sentir que passei do prazer à obrigação, deixarei a “blogosfera”, por considerar que só faz sentido enquanto estiver sem qualquer tipo de pressão.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito que a blogosfera é uma forma absolutamente livre de expressão, com tudo o que isso tem de bom e de mau. O anonimato pode constituir algum risco. A falta total de filtro nas postagens e nos comentários permite a intrusão de alguns indivíduos com menos bom senso. Digamos que se democratizou a criação e isso leva-nos a conhecer espaços de muita qualidade, bem como aqueles que visitamos apenas uma vez.
O facto de ser uma forma livre de expressão, possibilita também a apresentação a público de pessoas que gostam de escrever e que, de outra forma, não teriam oportunidade de publicar o seu trabalho.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira, João Espinho, Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos, Adolfo Mesquita Nunes, João Paulo Sousa, Pedro Ludgero, João Tunes, Miguel Cardina, Paula Cordeiro, Edgar, André Azevedo Alves e Inês Amaral, David Luz, Saboteur, João Miguel Almeida, O Impensado e Hugo Neves da Silva. Hoje: Paula Capaz.


terça-feira, 27 de Março de 2007

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A estranha obsessão da Ota - 3 (act.)


PLC
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O "Prós e Contras" de ontem deu a ver ao país a nata da engenharia portuguesa. Para mim, ao contrário de muitos outros, este era – e é – um mundo razoavelmente desconhecido.
Há três aspectos que terão sobressaído nas duas horas televisivas do programa (muitas vezes uma ostensão bem mais cenográfica do que polémica):

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1 - A ausência de perspectivas. Ao contrário de outras actividades, os engenheiros referem relatórios, dados e inevitabilidades matemáticas e enunciam-no entre algumas aporias e a afirmação determinada e fáustica da sua capacidade transformadora. Mas, no fio do discurso, raramente cabe a figura do horizonte, enquanto metáfora que invariavelmente reencaminham para políticos, decisores e estrategas.
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2 - O sorriso seráfico do poder. Na ala direita do palco, em frente de dois engenheiros
já citados – e bem – aqui no Miniscente, Luís Pinto Leite e José Manuel Viegas, estava sentado o poder: de um lado, um sorriso redentor e iluminado que há muito parecia ter substituído o espírito rebelde do debate pelo determinismo consumado da decisão; do outro lado, um rosto retirado do Painel do Infante que espelhava, através de silêncio grave e austero, o altar não menos irrevogável do dogma.
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3 - A corporação. A auto-imagem da engenharia constituiu a abordagem mais unânime ao longo de toda a discussão. As palmas não se pouparam quando o bastonário acentuou o facto, embora a sua intervenção final radiografasse (como nenhuma outra) a paixão em afirmar um argumento e o seu contrário, num jogo mais poético do que centrado num ditirambo à física dos materiais.

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Conclusão final: um debate oco, de polifonia previsível e onde foi óbvia – é esse o facto político fundamental a reter – a escassíssima margem de manobra para pôr em causa um processo viciado, pesado e com décadas de história.
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Para um cidadão comum, bom pagador de impostos e interessado na coisa pública, continua a não se entender a oposição entre uma decisão política (aparentemente irreversível) e um amplo rol de factos de natureza técnica que, quer se queira quer não, a contrariam.
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Recebi da arquitecta MJR (MJR, arqª) a seguinte mensagem, hoje mesmo enviada à RTP. Pelo interesse que tem, passo a publicá-la:
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"À RTP1:
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Assisti ao “Prós e Contras” (P&C) de ontem onde o tema (OTA - Debate Técnico) foi anunciado pela RTP deste modo: “Depois do debate político, têm a palavra os engenheiros. (…) O “Prós e Contras” reúne os engenheiros portugueses para o maior debate técnico sobre a Ota.”
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Ignoro se este programa conduzido pela jornalista FCF é idealizado por uma equipa multidisciplinar. Todavia, no site da RTP verifico que ele é considerado “um fórum de debate alargado, com especialistas e decisores”, onde “A discussão parte de uma sondagem da UCP”, sendo o programa “ilustrado por reportagens” e contando “com a participação dos correspondentes da RTP no estrangeiro”.
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Apesar de ter em grande consideração o profissionalismo do actual Bastonário da Ordem dos Engºs (OE) que, nesta, como noutras intervenções na RTP, se esforçou por utilizar um discurso cordato, venho lamentar que a própria ‘ideia’ do tema deste P&C tenha sido atingida, desde logo, por uma falta de transdisciplinaridade que é imperdoável no actual panorama cultural global.
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Esta falta originou a interpelação exclusiva à classe do eng.ºs como detentora de uma (suposta) autoridade para responder a todas as questões (erradamente classificadas como técnicas) implicadas na decisão sobre a localização do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL).
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Neste debate foram escandalosamente ignorados urbanistas de origem diferente da dos eng.ºs, como, entre outros, arquitectos e geógrafos. Foram também afastados do debate economistas e gestores, sociólogos e peritos em demografia, para apenas falar das áreas profissionais que o grande público conhece.
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Foram igualmente esquecidos responsáveis de organismos do Estado, fulcrais no debate e na decisão de todas as questões relacionadas com o NAL e inevitavelmente envolvidos nesta matéria, como, entre outros, os da DGOTDU, das autoridades militares e das relações internacionais e ibéricas.
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As questões do desenvolvimento geoestratégico de Portugal (que neste P&C pareciam resumir-se à rivalidade aeroportuária entre Lisboa e Madrid) não foram sequer mencionadas e, mesmo as referências à supremacia espanhola foram afectadas pelos habituais e vulgares sorrisos que ocultam problemas endémicos de falta de cooperação, que classificaria como monumentais erros de alcance europeu e global
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Mini-entrevistas/Série II – 143


LC
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Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Hugo Neves da Silva, 28 anos (a desenvolver uma tese sobre a importância dos weblogs).
o
- que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Para mim, por um lado blogosfera é um espaço onde milhões de pessoas partilham livremente as suas ideias, pensamentos, reflexões, desabafos e/ou devaneios, reforçando o papel da web como o maior repositório de conteúdos, onde qualquer pessoa pode participar. Por outro lado, a blogosfera é uma enorme conversa entre milhões de pessoas sobre os mais variados assuntos, onde as trocas de ideias e pontos de vista se vão multiplicando exponencialmente. Assim, será que não se deveria falar em blogospaço em vez de blogosfera!?
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Não existe um acontecimento que eu tenha seguido mais intensamente. Costumo seguir alguns acontecimentos pelos blogues, sobretudo acontecimentos com pouca ou mesmo nenhum visibilidade nos media tradicionais, como normalmente é o caso dos lançamentos da Apple ou os anúncios mais importantes da Microsoft, ou algumas conferências nas quais não posso estar presente como foi o caso da Reboot 8.0, no passado mês de Junho (de 2006).
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
É uma pergunta bastante complicada de responder. Ao nivel mais pessoal penso que sobretudo foi ter ganho a noção de que, apesar de os blogues não poderem ser considerados jornalismo, em muitas áreas profissionais estes são a melhor forma de nos mantermos devidamente informados sobre o que de mais actual se pensa e se escreve numa determinada área. Esta tomada de consciência, fez com que, mesmo utilizando agregadores/leitores de conteúdos, passasse a dispender bastante tempo a ler o que pelo mundo se diz sobre as áreas que mais me interessam.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Em teoria, penso que sim, afinal qualquer um, de uma forma fácil, gratuita e rápida pode publicar livremente o que lhe apetecer. No entanto, na prática muitas vezes acaba por não ser verdadeiramente livre.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira, João Espinho, Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos, Adolfo Mesquita Nunes, João Paulo Sousa, Pedro Ludgero, João Tunes, Miguel Cardina, Paula Cordeiro, Edgar, André Azevedo Alves e Inês Amaral, David Luz, Saboteur, João Miguel Almeida e O Impensado. Hoje: Hugo Neves da Silva.


segunda-feira, 26 de Março de 2007

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La vie en rose

APT
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Num mundo em que - de repente - todos somos emissores e auditório ao mesmo tempo, é, por vezes, engraçado ver o modo superior como alguns bloggers olham o mundo: como se fosse um aquário lá do quintal, uma minúscula bizarria rodeada por alforrecas, uma caixa de vidro partida e já sem peixes nem algas, um vestígio mais ou menos abjecto a que apenas restam vestígios de mediocridade. Após a expiação e respectivo post, o sujeito sente-se melhor, coloca a gravata, trata a ingnição do carro por tu, diz para si os chavões do dia (coisas imediatas de que se fala) e vai à vida.


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Mini-entrevistas/Série II – 142


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é O Impensado.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Preferiria "bloglaxia" ou "bluglosa" - as esferas provocam-me claustrofobia, mesmo vistas de fora e apesar da música das ditas imagino-as mudas. Nas galáxias e nebulosas há ruídos de fundo e murmúrios desencontrados.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Comecei pela bulha da Coluna Infame e segui, angustiado, o seu fim. Depois comecei a seguir tudo, desde a guerra do Irão aos desabafos dos blogs mais confessionais - os que fingem que são, que a tradição não é de confessionalismos. Agradam-me, sobremodo, as bulhas pessoais e os insultos soezes.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Havia aquele tempo morto entre as 11h 30m e o meio-dia e meia e algumas horas duras de roer à noite. Agora não há.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito. Por mim, aplico-me uma feroz censura que, creio, me tem tornado mais sensato.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira, João Espinho, Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos, Adolfo Mesquita Nunes, João Paulo Sousa, Pedro Ludgero, João Tunes, Miguel Cardina, Paula Cordeiro, Edgar, André Azevedo Alves e Inês Amaral, David Luz, Saboteur e João Miguel Almeida. Hoje: O Impensado.


domingo, 25 de Março de 2007

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Curiosidades dominicais

AFE
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Só no final do século XIX é que o templo romano de Évora deixou de ser um imenso açougue para passar a ser catalogado como "monumento" e, hoje, como "maravilha". Ainda dizem mal das tentações da carne.


sábado, 24 de Março de 2007

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Não há machado que corte

e
Depois... o pobre do guarda-redes belga é que é o mau da fita. Já dizia também, e com toda a razão, o "verdadeiro hooligan".


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Pré-publicações - 23


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Concerto das Artes, Organização: Kelly Basílio, Mário Jorge Torres, Paula Morão e Teresa Amado; Coordenação: Kelly Basílio; Campo das Letras, Porto, 2007.
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Pré-publicação (excerto da "Introdução da autoria de Kelly Basílio):
e
"Concebido e organizado pelo grupo «Interartes» do Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa, este livro pretende colmatar uma falha: a ausência, a nosso ver, de estudos suficientemente abrangentes, em português, no domínio das artes. E isto, no preciso momento em que o interesse por estas sofre um crescimento inédito, estendendo-se a um público cada vez mais vasto, que ultrapassa largamente o alvo restrito dos estudiosos da área, nomeadamente os da Literatura Comparada, na qual este campo de pesquisa desfruta justamente hoje em dia de uma plena expansão.
Testemunho da importância concedida a este domínio do saber é o facto de Concerto das Artes constituir a segunda da série de antologias projectada pelo Centro de Estudos Comparatistas com vista a estabelecer a cartografia actual desses estudos, inscrevendo-se este livro nessa série logo depois do volume genérico da área, Floresta encantada. Concerto das artes é a primeira das antologias mais específicas da colecção, sem abdicar da atitude antisectária e antidogmática própria do comparatismo de que releva e que assenta num princípio fundamental: a não crença em qualquer hierarquia das culturas ou dos seus vários domínios, neste caso, em qualquer hierarquia das artes. Reclama-se ainda este volume de um segundo princípio, que lhe diz particularmente respeito: a recusa de uma concepção “especulativa” – para usar a fórmula de Jean-Marie Schaeffer – ou seja, de uma concepção “transcendente”, da arte, sendo esta por definição, no nosso entender, autotélica.
Os textos reunidos nesta antologia são na sua maioria artigos ou capítulos de obras já publicados, cujo valor foi já comprovado ou que nos pareceram, como hoje se diz, incontornáveis para os estudiosos ou curiosos da área. Foram todos traduzidos ou revistos por membros do Centro de Estudos Comparatistas, com maior participação da equipa Interartes.
No entanto, julgámos importante acrescentar alguns ensaios, inéditos ou não, de especialistas portugueses, para dar também voz a estes e sobretudo permitir a abertura do volume a outras perspectivas ou propostas.
Concerto das Artes, na sua concepção e estrutura, reflecte as competências e os interesses dos seus organizadores. É composto, primeiro, por um preâmbulo teórico e genérico relativamente extenso, seguido pelo próprio corpo comparatista do livro. Ou seja, o preâmbulo poder-se-ia ter intitulado “A arte” e o restante do volume, “As artes”.
O que é a arte, quando é que se pode falar em arte e quais as suas fronteiras, por exemplo, as que a distinguem da estética, com a qual, embora mantenha relações essenciais, se tende por vezes a confundi-la: tais são, entre outras, as questões genéricas às quais tentam responder, ou melhor dizendo, que problematizam, os textos escolhidos para figurar na parte introdutiva.
Entra-se, seguidamente, na própria matéria do livro, a qual se divide em duas secções desiguais e que reflectem não só, como já vimos, as competências dos organizadores, mas as próprias tendências da área, já que a pesquisa e a produção relativas às relações da literatura com as artes visuais, e nomeadamente a pintura, ultrapassam de longe as que se interessam pelas outras interrelações artísticas. As razões deste estado de coisas são certamente várias e complexas e não será talvez aqui o lugar próprio para as investigar e interrogar."
e
Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Magnólia, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.


sexta-feira, 23 de Março de 2007

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A estranha obsessão da Ota - 2 (act.)

PLC
e
A frase do dia podia ser esta: "Basta identificar os proprietários dos terrenos para acabar com a nebulosa que cobre a construção do novo aeroporto" (Rui Costa Pinto). Mas a afirmação não recobre todo o problema. A questão central é (ainda) a evocada pelo governo: "Trata-se de uma decisão política". Na célebre frase de Mário Lino, há um fundo quase religioso que evita a larga maioria dos estudos técnicos (que não augura qualquer futuro para a Ota: relevo, tipo de terreno, remoção de terras, acessibilidades, tráfego aéreo, tempo de vida, etc., etc.). A súbita pressa do governo prende-se agora com os calendários e requisitos exigidos pelos fundos europeus. A chantagem vai, pois, entrar na ordem do dia. Contudo, deverá exigir-se um mínimo de racionalidade. Mais valia a opção por uma solução transitória pouco onerosa (Portela mais Montijo, por exemplo), enquanto se estudava e planificava, com alguma consistência, a chamada "decisão final". Um pouco de respeito pelos dinheiros públicos não fazia mal a ninguém.
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e
Creio que é muito negativo colocar a "Ota e o TGV" no mesmo saco. Há uma certa tendência de tipo protestatário que facilmente repete o chavão. Não concordo com esse ponto de vista. Enquanto o que está em causa na Ota é um total desacerto entre o nível de precipitação ou de "urgência política" e um vasto conjunto de dados objectivos e técnicos, já o TGV pressupõe a ligação de Portugal a uma rede estratégica (é claro que a prudência aconselha a optar apenas pelo troço que é subvencionado pela UE: o troço Madrid-Lisboa).
ee*
Actualizações:
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1 - A propósito do tema, ver aqui o artigo de Leonor Matias:
r
u
"Alcochete e Poceirão são alternativas à Ota".
e
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2 - A posição de Luís Pinto Leite:
re
Em breve, o Miniscente mostrará o Power Point "OTA2" (já aqui está!) que é assinado pelo Engº. Luís Leite Pinto. Deixo, para já, a sua apresentação:
ee
"Ultimamente a OTA voltou à baila.
É assunto desconfortável para alguns.
Para ter uma ideia mais clara e, sobretudo, mais objectiva, sem preconceitos, resolvi, em meados de Fevereiro, consultar a net e recolher a informação ali disponível.
Em boa = hora o fiz porque, hoje, tendo voltado a ir ao "site" da NAER nada encontrei.
A informação que consultara, nomeadamente o Relatório Final e seus anexos da firma Parson = FCG, assim como o próprio "site", desapareceram.
Para além de ser licenciado em engenharia civil, pelo IST de Lisboa, sou apenas especialista em estruturas pelo CHEC = de Paris.
De vias de comunicação apenas sei o que a Universidade me deu e uma dura missão no Ultramar me obrigou. Pouco mais.
No entanto, as minhas formação e experiência, assim como os dados recolhidos, permitem-me afirmar que um aeroporto na OTA é uma autêntica =barbaridade técnica.
Se não acreditam, vejam o que compilei e tirem as vossas conclusões. Não acredito, simplesmente não acredito, que o nosso governo permita a "coisa", que de obra tem a mais o que de boa engenharia tem a menos.
Como sempre, estou ao vosso dispor para qualquer esclarecimento."
e
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e
3 - A posição de Viktor Bent:
r
“Quanto à OTA, penso que é um elefante branco. Tal e qual como a renovação da linha Lisboa-Porto. Compraram-se comboios que dão 220km/h e curiosamente a viagem demora quase 3 horas. Milagre!
O Alfa Pendular atinge apenas essa velocidade numa recta perto de Oiã. Há ocasiões em que vai a 30km/h devido à linha. O mesmo acontece com o Alfa Pendular para o Algarve. Perto do Poceirão, chega-se aos 220km/h, mas apenas durante cerca de 15 minutos.
A OTA é exactamente o mesmo. Enorme investimento para uma solução imperfeita. Basta ir a Faro no Verão e ver a cadência infernal de voos. Será que há tráfego para Lisboa? Outra questão: o novo Airbus consegue aterrar na OTA?”
r*
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4 - "Última hora" no Expresso online:
"Aeroporto no Poceirão seria melhor do que Ota e Rio Frio"
f
e
Tudo aqui.
r
(em causa um estudo preliminar do Centro de Estudos Urbanos do Instituto Superior Técnico)


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Público "A" (act.)

PBC
e
Não é preciso ser Barthes para perceber qual é o punctum, não da foto, mas de toda a primeira página do Público de hoje. Menina de catorze anos? Tenista prodígio?
et
r
A concorrência com o novo DN tem destas coisas...


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As memórias do Minitempo

MetMuseum
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Acabei de publicar no Minitempo – o blogue subcutâneo do Miniscente – o post "Os Tabus da Comunicação Profética", um texto escrito na Primavera de 1993 e que mais tarde veio a integrar parte do terceiro capítulo do meu livro, Islão e Mundo Cristão (Hugin, Lisboa, 2002).


quinta-feira, 22 de Março de 2007

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Os macaquinhos do sótão português

LST
r
Crónica publicada no Expresso Online
er
Tenho recebido mails (até de amigos) horrorizados com a vitória de Salazar num programa de televisão da RTP. Há nesses mails vozes aterradas, desconsoladas e com um tal grau de revolta que a coisa me faz realmente pensar.
Para dizer a verdade, eu até achava piada que ganhasse o Salazar – ou o Cunhal – para ver como é que essa parvoíce da “auto-estima” dos portugueses entrava subitamente em estado de parafuso.
Nunca pensei que Portugal continuasse ainda hoje com medo do escuro, dividido entre canções primaveris de embalar e a terna penumbra do “Pai” ausente e apavorante. Nem sei, em boa verdade, passe o mel da provocação, o que merecerá uma maior gargalhada: se o actual “Reality Show” da TV-i, se o Salazar – ou o Cunhal, tanto faz – nesse entretenimento fugaz da RTP.
Poderá dizer-se com alguma severidade que vai ser uma “vergonha” falar-se “lá fora” da vitória de Salazar. Mas o medo de tais vergonhas parece-me um tanto ingénuo, já que o realce de uma eventual referência da CNN ao concurso televisivo português estaria ao nível daquilo que a Al-Jazíra terá dito sobre os sentimentos difusos de uma jovem e bela indiana no Big Brother de um conhecido canal inglês de televisão.
Toda a encenação deste concurso – e de tantos outros onde vamos vivendo cada vez mais – é de tal modo tosca e pacóvia (veja-se a solenidade de Maria Elisa e a produção almofadada no Palácio de Queluz) que qualquer incauto revê, com a maior das facilidades, a nudez e a idiotice do rei sem coroa. Por outras palavras ainda: toda esta agitação sem norte se resume a um permanente jogo de imagens que gera sempre novas imagens, numa voragem de ilusões que tem um único destino: a vertigem diária do esquecimento.
À excepção dos galináceos, o hipnotismo é para quem o quer. Já era assim no tempo da lanterna mágica.
Eu preferiria uma boa "Boémia" – perdoe-se-me a publicidade – a preocupar-me com essa coisa da RTP.
Já basta quando o realmente imponderável nos bate à porta.


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Pré-publicações - 22


e
Vasco Gato, Omertá, Edições Quasi, Vila Nova de Famalicão, 2007
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Pré-publicação:
e
"Falo de um homem que possuía livros de poemas. Foi talvez o único real leitor de poesia. Ele abria os livros, um livro. Escolhia um poema. Era um ritual misterioso. Porque ele raspava as letras da página, cuidadosamente, como para conservar a integridade do papel. Raspava e reunia os pedaços negros. Aquecia então água com o vagar próprio da vertigem. Uma estranha ciência de vapores.
A infusão sucedia: a escura substância do poema misturava-se mais e mais com o fervor da água, até ao ponto em que tudo aquilo era vivo. O homem bebia então o poema e o poema flutuava no sangue, atingindo todos os lugares do corpo, reclamando todos os lugares do corpo. Não era previsível o efeito do poema. Cada poema dissolvido, sorvido, feito homem, trazia consigo uma possibilidade própria. O homem crescia com o poema, crescia mais para si, mais para o poema.
O homem que possuía livros de poemas, possuía uma biblioteca em branco. Páginas e páginas de poemas arrancados sem vestígios, um crime perfeito. Era uma biblioteca poética. Uma biblioteca que podia arder."
e
***
e
"Tenho um ombro fora do sítio. Deito-me sobre ele e sinto os tendões cederem. Mas não totalmente. Concentro-me nessa dor como se à força de a sofrer ela pudesse render-se. É uma luta para toda a noite.
e
Tenho o pescoço fora do sítio. Rodo-o para um lado e para o outro em busca de uma posição. Qualquer coisa estala, qualquer coisa volta ao lugar. Mas não totalmente.
e
Esta noite adormeci agarrado aos meus gritos.
e
Todas as portas a que bati se abriram, excepto uma. Todos os silêncios que feri cicatrizaram, excepto um. Todos os corpos que aqueci sobreviveram, excepto um.
er
Não compreendo nada disto. Um homem aproximou-se de mim e disse-me vou para a Irlanda. Uma mulher olhou-me longamente através de um vidro e depois suplicou-me vai-te embora. Tudo no mesmo sítio. E eu tenho um pulso fora do sítio.
ee
Mas não totalmente. Não totalmente isto ou aquilo, mas uma espécie de alquimia geral em que tudo está suspenso de tudo e onde a qualquer momento pode sobrevir o ouro. Sinto que é isso. Sinto que essa emergência está aqui, muito perto, tão perto que por vezes... Mas não totalmente."
e
Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Magnólia, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.


quarta-feira, 21 de Março de 2007

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Dia Mundial da Poesia - 3

DNS
e
Perfume
e
Nomearás
a abelha. Do mel
só conheces
o perfume, a pálida
rosa dos favos
em botão. O gesto
suspenso à espera
da mão esquiva.
eque o sustente.
Sobre o Dia Mundial da Poesia do Miniscente, ver mais aqui.


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Dia Mundial da Poesia - 2

Um poema de Albano Martins (ver mais aqui)
e
ICC
e
Sobre os álamos, sobre
o tempo desfolhado
sobre a mesa, num livro
aberto, violado;
e
sobre o amor e a morte
deitados no nosso
leito diurno, sobre
o nosso pescoço;
e
nos nossos ombros, sobre
a noite e o dia
livre sopra, circula
o vento da alegria.
r
(1930)
e
em Assim São as Algas, Campo das Letras, Porto, 2000.


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Inédito e justificado

CBL
e
É verdade: a editora Guerra e Paz enviou o meu último romance, E Deus Pegou-me Pela Cintura, ao primeiro-ministro José Sócrates. Tudo aqui.


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Dia Mundial da Poesia - 1

AUM
e
No lançamento do meu último romance no Porto (no passado dia 13), reencontrei o meu professor de Português dos tempos do Liceu, o grande poeta Albano Martins. Não nos víamos há muito tempo. A emoção chegou a sobrepor a lógica e o encadeamento da palavra. Foi um grande momento. Hoje, Dia Mundial da Poesia, recebo pelo correio três livros seus, Frágeis são as palavras - Antologia pessoal (Asa, Porto, 2004), Com as flores do salgueiro - Homenagem a Bashô (Universidade Fernando Pessoa, Porto, 1995) e Estrelas para Albano Martins - Homenagem da Câmara Municipal e do 'Jornal do Fundão' (Fundão, 2006). Há acasos interessantes. Mas devo dizer que Albano Martins foi das pessoas que mais influiu nas minhas escolhas de vida. É claro que este tipo de conclusões se revela apenas décadas depois de tudo ter acontecido. É assim mesmo a vida: uma cascata muito leve de águas imperceptíveis. Por isso mesmo, decidi hoje dedicar o Dia Mundial da Poesia a Albano Martins. Sempre que passar aqui pelo computador, introduzirei novos dados, poemas e lembranças. Fique atento, caro leitor.


terça-feira, 20 de Março de 2007

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Quase Primavera

e
Amanhã, na Casa Fernando Pessoa, celebra-se o Dia Mundial da Poesia. Ver aqui todas as informações.


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Um cão andaluz

NSP
e
A diagonal é uma metáfora do nosso tempo: não apenas traduz um modo de ler o mundo, como indica o zapping acelerado com que olhamos as imagens à nossa volta. Para além disso, a diagonal parece encantar os fotógrafos dos nossos media (veja-se mais abaixo a primeira página do Público de hoje). Não, não é apenas estética. É que assim os factos passam a ter outra força e outra gravidade. Melhor: outra vertigem.


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Os mistérios da Arrábida

NSP
e
"Empresário" é um modo de identificar, mas "Empresário do jet set" é uma forma porventura mais genuína de identificar. E haverá ainda outras possibilidades, entre elas, por exemplo - lembro-me agora de repente -, o nome.
e
NSP
e
E houve quem, por mero acaso, até se lembrasse do nome do senhor.


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Lá fora

NSP
e
Sempre achei interessante a expressão "lá fora". Significa todo o planeta com excepção dos noventa e tal mil quilómetros quadrados (e geralmente implica, ou correntes de ar indesejáveis, ou um paraíso onde vivem trezentas mil virgens).


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Estava frio ontem à noite

NSP
re
Talvez por nervosismo, o redactor de O Jogo trocou a concordância não se sabe bem pelo quê. Mas é verdade que, a 1 de Abril, o Benfica joga na Luz.


segunda-feira, 19 de Março de 2007

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Pré-publicações - 21

e
Patrícia Melo, Mundo Perdido, Campo das Letras – Editores, S.A., Porto, 2007 (lançamento a 21 de Março)
e
Pré-publicação:
e
"1
e
Sou foragido. E havia muita gente no cemitério. De onde vinham os crioulos? Fiquei aflito, nem me aproximei. Um monte de crioulos, duas mocinhas de shorts, não estou nem aí, estava escrito na camiseta de uma delas. Não gosto de tumulto. Evito ao máximo. É o meu truque. Sou foragido.
O segredo, dizia um rapaz que me escondeu quando fugi de São Paulo, o segredo, se você não quer ser preso, é não andar com mais de três. Nem sozinho. E, se estiver sozinho, enfia um jornal debaixo do braço, vão pensar que você é honesto. Para ele, não havia problema se você se metesse em trens lotados, andasse em avenidas apinhadas, se todos te vissem por aí, todo mundo é ninguém, ele falava. Multidão não tem problema, contanto que você evite estádio de futebol e baile funk, que é confusão na certa. No Brasil, ele dizia, não é nenhuma vergonha ter uma ordem de prisão contra você. Tanto faz, pobre, rico, branco, os caras lá em cima, digo, ministro, vereador, bambambã, todo mundo tem. Brasileiro é assim, escroto mesmo. Faz parte da nossa cultura roubar, sacanear. É como ser vítima de assalto, todo mundo é. E são tantos os ladrões, os corruptos, os filhos da puta, os assassinos, escroques, falsários, eles não dão conta de meter todo mundo na cadeia. Não tem espaço. Então a gente fica solto. É só não dar bandeira, ser invisível, andar numa boa, sabe como é? Não bata o carro e não fique à noite zanzando por aí com preto. Porque primeiro eles vêm atrás dos pretos. É uma tradição. E tenha sempre uma mulher com você. Ajuda muito. E, agora, o mais importante: toda manhã, ao acordar, repita em voz alta: eu sou foragido.
Sei lá se o fulano seguia as próprias regras, mas ele foi preso, me contaram. Continuei ali, de longe, debaixo do sol, vendo o coveiro enterrar a minha tia. Louco para me mandar. Não sabia que ela tinha tantos amigos. Depois, notei aliviado que os crioulos estavam lá para o enterro na cova ao lado. As mocinhas de shorts também. Apareceu ainda mais gente quando chegou o defunto, empurrado pelos familiares. Não vou aguentar, dizia uma loira, na hora que baixaram o caixão. As loiras são muito dramáticas.
O enterro da tia Rosa, de repente, ficou vazio, só cinco pessoas. Eu não conto, fico de longe, por precaução. Sou foragido. Reconheci logo a vizinha, Divani. Você deve ser o Máiquel, ela falou, no dia anterior. Eu estava na sala, mexendo na bolsa de plástico que a enfermeira tinha me dado no hospital, com as coisas da tia Rosa, Bíblia, batom novinho, carteira, documentos, porta-moedas, celular, foto três por quarto do meu primo Robinson, grampos enferrujados, agenda de endereços, cartão de encanador, uma cartela de aspirina toda fodida, porra, me deu um aperto no coração ver aquelas coisas, tudo socado dentro da bolsa. Foi nesse momento que a Divani invadiu a casa. Satisfação, ela falou, esticando a mão. Odeio isso. Gente que vai entrando. Explicou que a porta estava aberta. Por isso tinha entrado. Porra. Pelo jeito, a maluca devia entrar em tudo quanto é buraco.
Contei que minha tia morreu. Que eu estava chegando do hospital. E que o enterro seria no dia seguinte. Cuidei da sua tia antes dela ser internada, disse Divani. Dei banho nela. Limpei a casa. Rosa já não conseguia fazer nada.
Depois, ficamos ali, em silêncio, olhando para aqueles cacarecos em cima do sofá. Enfiei uma aspirina na boca e senti o gosto amargo.
A Rosa adorava o Corinthians, disse Divani. Posso ficar com esse chaveiro?
Antes da Divani ir embora, pensei em pedir para ela não sair cacarejando para as amigas que eu estava no bairro. Mas não gosto de pedir favor. De ficar devendo. As pessoas cobram. Mesmo as boas, as que dizem que cuidaram da sua tia. Devia ser nova no bairro, a Divani. Eu não lembrava dela, não era dos meus tempos. Aliás, do meu tempo não tinha ninguém entre aqueles cinco que assistiam ao enterro da tia Rosa. Sei lá quem era o casal de velhos. Também nunca vi os outros. Não reconheci ninguém.
Se eu não tivesse perdido tanto tempo com a Eunice, em Nova Iguaçu, talvez tia Rosa ainda estivesse viva na hora que cheguei em São Paulo. Você não vai pegar estrada à noite, falou Eunice, quando liguei para saber notícias da minha tia. Vai amanhã, bem cedo. Esse era o problema da Eunice, muito mandona. No início, duvidava de tudo o que eu dizia. Uma vez, chegou a arrancar o telefone da minha mão, para checar com a enfermeira a idade da tia Rosa. Expliquei milhões de vezes que eu era o único sobrevivente da família, que, depois que meu primo Robinson morreu, a tia Rosa ficou muito triste. Quer que eu comece a chorar agora ou daqui a pouco?, ela perguntava. Eunice não tinha coração.
Ali, no cemitério, me arrependi de não ter vindo antes. No fundo, a culpa era minha. Preguiça de viajar. Vou na semana que vem, eu pensava, vou na Páscoa, vou no aniversário dela. Morreu faz uma hora, disseram, quando cheguei no hospital. O que você é dela?, perguntou a enfermeira. Sobrinho. Esperei um bom tempo até que me levassem a uma sala, onde tinham posto o corpo. Tivemos que desocupar o quarto, alguém explicou. Para outro doente. Ela falava muito no senhor, disse a mulher, enquanto caminhávamos pelos corredores. Branca como cera, careca, um punhado de pele e osso. Era só o que tinha sobrado da minha família.
Depois do enterro, andei debaixo do sol pela avenida Rio Bonito até o ponto de ónibus.
Fazia quase dez anos que eu não vinha para São Paulo. Todo mundo construindo seu próprio barraco, eu vi pela janela do ónibus. Lajota, pau, lata, valia qualquer coisa. Menos tinta. Tudo cinza. O trânsito amarrado. A mesma bosta de sempre. Vê se não arranja mulher, disse Eunice, quando me levou até a porta. Você volta, não volta? Prometi que sim. Gostava dela. Na primeira vez que fodemos, ela começou a dizer que eu era educado, achei você legal porque você é muito educado. Mais tarde, quando eu já estava morando na casa dela, contou que falou isso por causa do tamanho do meu pau. Pau grande, na minha opinião, é cavalheirismo. É elegância. Vou te arrumar um emprego com meu irmão, ela tinha dito. Mas agora eu não sabia mais se ia voltar. Aquilo nem era Rio de Janeiro, era Nova Iguaçu. É tudo a mesma coisa, dizia Eunice. Mas, para mim, não era. Rio era Rio. Arromba a retina, como diz uma música que ouvi no rádio uma vez. E Nova Iguaçu não arrombava nada. Era uma cilada, isso sim. Máiquel, disse um amigo, precisamos de um homem de confiança para fazer um trabalho legal, com gente da pesada. Gente da pesada, no caso, eram policiais. O esquema é simples, explicaram. A polícia pára os caminhoneiros e leva os que estão meio fodidos para uma conversa com a gente. Negócio limpo. Os babacas só têm que pagar um pedágio, ficam de molho, num muquifo, enquanto pegamos o cartão electrónico deles, fazemos saques nas agências que tem por perto, e pronto. Você vai funcionar como zelador do muquifo. Minha função era ficar parado. Olhando. De longe. Não deixar os caras fugirem antes da hora. Logo no início, vi que não tinha profissional na jogada. Dar porrada e quebrar ossos, era disso que eles gostavam. No dia que mataram um, me mandei.
Foi aí que conheci Eunice. Fui comprar Sonho de Valsa, e ela trabalhava de caixa no supermercado, oi, ela disse. Nem achei a Eunice muito bonita. Mas eu não tinha nada para fazer, esperei ela sair do serviço. Foi assim que começou. Depois, ela me contou que o irmão levava carga para o Brasil inteiro. Que ele tinha uma carreta Scania 112 hw e vivia no Mato Grosso, Goiás, Vitória, São Paulo, na maior vida boa. Era isso mesmo que eu queria fazer. Só que eu tenho um problema. Sou foragido. Isso eu não contei para a Eunice, porque eu podia me enfiar nas estradas de terra na fronteira do Brasil com a Bolívia, quem ia me achar? O meu irmão vai te apresentar para um bom agenciador. Ele vai arranjar os documentos todos para você. Falsos, pensei. Se arruma quente, arruma frio. O irmão da Eunice estava sempre viajando. Rondônia. Rio Grande do Sul. Enquanto isso, minha tia piorava. E o tempo passava. Deu no que deu. Agora eu estava ali, tarde demais.
Saltei do ónibus. Não havia pressa, nada para fazer. O dia estava bonito, céu azul, qualidade do ar, imprópria, dizia o painel da avenida. Menos árvores, notei. Mais cachorro. Mais barulho. Mais sujeira também. A praça. O bar do Gonzaga. Será que ainda era do Gonzaga? Passei anos pensando naquele lugar. Querendo voltar. Achando que seria bom voltar. Agora, enquanto caminhava, eu pensava que essa história de lugar, na verdade, não fazia a menor diferença. Tudo era igual, ruas, casas, a cidade, quer dizer, tanto faz. Não mudava nada, estar ali. O lugar, não interessa qual, não traz nenhum tipo de paz. Cansei.
Voltei para casa, deitei no sofá, liguei a TV. Estranho ficar naquela sala, sozinho. Tudo vazio. Quer dizer, cheio. Com coisas, mas sem nada. Liquidificador, vassoura, o sofá era novinho. Mandei dinheiro para a senhora, compre um sofá novo. Ela tinha mesmo comprado, a tia Rosa.
No móvel perto da televisão, uma foto minha e da Cledir, na festa do nosso casamento. Cortando o bolo. O noivo e a noiva. E uma do Robinson, num churrasco, de sandália de dedo. O Marcão. Todos mortos. E outra da Érica, com minha filha, Samanta, no colo. Levantei, peguei o porta-retratos e voltei para o sofá. E aí, Érica, onde você se meteu, sua sequestradora de crianças? Dez anos. Dez anos sem ver minha filha. Sem saber da Érica.
De repente, senti uma coisa ruim, um gosto ruim na boca. Ódio daquela cidade, que só me fez mal. Trabalhei para eles. Cuidei daquelas pessoas. Fiz coisas muito importantes. Ganhei até troféu. E meus amigos estavam mortos. A casa vazia. Eu ali, um foragido. Gente escrota. Ódio da Érica principalmente. A Érica não podia ter feito aquilo comigo. Fugir com um pastor. Roubar minha filha. Eu andava pensando muito nisso ultimamente, ir atrás, resolver tudo de vez. E pensava sempre com mais raiva. Porque não era certo, o que ela tinha feito. Sequestrar a filha dos outros. Como seria Samanta? Onze anos e dez meses, pensei. Uma garota. De que cor seriam seus cabelos? Agora, eu estava sozinho. Por causa da Érica. Mas eu tinha uma filha. Que era minha. Estava na hora de procurar a Érica e a minha filha. Era isso que eu ia fazer. Estava decidido.

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Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Magnólia, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.


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Pré-publicações - 20

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John Katzenbach, O Psicanalista, A Esfera das Letras, Lisboa, 2007
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("A Esfera dos Livros convidou John Katzenbach, considerado como um mestre dos romances policiais, para vir a Lisboa, no dia 26 de Março, promover O Psicanalista.")
e
Pré-publicação:
e
«Um 53º aniversário muito feliz, senhor doutor. Seja bem-vindo ao primeiro dia da sua morte».
d
"O psicanalista nova-iorquino Frederick Starks acaba de receber uma misteriosa e ameaçadora carta. Sem perceber como, nem porquê, a sua vida rotineira é lançada ao caos. Encontra-se no centro de um jogo diabólico, concebido por um homem que se intitula Rumplestiltskin. Este jogo tem as suas regras: no prazo de duas semanas Starks tem que descobrir a verdadeira identidade do autor da carta e a razão da sua fúria. Se conseguir, fica livre. Se não, Rumplestiltskin destruirá, um a um, os seus parentes mais queridos, a menos que o psicanalista aceite suicidar-se."
e
Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Magnólia, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.


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Mini-entrevistas/Série II – 141


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é João Miguel Almeida.
e
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
No que me diz respeito, um espaço sem limites para expor e trocar ideias. Tendo chegado à adolescência na década de 80, senti falta de uma sociabilidade intelectual que as gerações anteriores viveram em cafés, cineclubes e na militância política. Na melhor das hipóteses, a blogosfera é a versão cibernética e global das tertúlias literárias dos séculos passados. Na pior, um novo interface do veneno que antes circulava em pasquins. Não creio que a blogosfera seja apenas «velho vinho em novas garrafas». O novo meio está também a proporcionar novas formas de comunicação, combinando texto, imagem estática ou em movimento e som.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Não segui nenhum acontecimento apenas através dos blogues. Mas li-os mais intensamente durante os episódios que rodearam a nomeação de Santana Lopes como primeiro-ministro, pois a blogosfera deu-me uma ilusão de que podia não apenas seguir os acontecimentos mas também intervir neles, ao apelar a determinadas tomadas de posição. Talvez esta ilusão, no futuro, se aproxime mais da realidade.
- Qual o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Em 24 de Novembro de 2004 postei no meu obscuro blogue da altura, «E o Esplendor dos Mapas», um obscuro texto intitulado «Uma sentença para K.» Recebi um comentário anónimo: «Segundo uma expressão Sufi, “a liberdade é a ausência de escolhas”. Será que K. não era livre porque não escolhia? Será que a liberdade dele não reside no facto de ele não escolher? Qual será a tarefa mais difícil – escolher ou alcançar a liberdade aceitando a vida tal como ela é?». Vou casar com a autora do comentário.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
A blogosfera alargou as liberdades de expressão e de leitura. Entre o autor e o texto publicado são eliminados intermediários. A nova liberdade não elimina antigos constrangimentos: as da lei e a possibilidade de autores identificados serem sancionados por aquilo que escrevem. Outros constrangimentos resultam da própria dinâmica da escrita no blogue: das cumplicidades que se geram entre blogueadores, da maior responsabilidade que implica uma maior audiência e da necessidade de gerir simultaneamente o escasso tempo de uma vida pessoal e as lides blogosféricas.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira, João Espinho, Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos, Adolfo Mesquita Nunes, João Paulo Sousa, Pedro Ludgero, João Tunes, Miguel Cardina, Paula Cordeiro, Edgar, André Azevedo Alves e Inês Amaral, David Luz, Saboteur e João Miguel Almeida.


domingo, 18 de Março de 2007

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Terá Rute Monteiro tido a mesma sorte?

AP/La Repubblica
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Para a pergunta "O que são hoje as imagens?", eu responderia com uma outra pergunta: Haverá algum tipo de coleccionismo sem coleccionador?
O "rapto" é uma óptima metáfora para o nosso tempo e sobretudo para o universo de onde brotam perguntas (sem resposta) como essas duas.
"Estar" e "não estar" ao mesmo tempo é a alma do zapping, dos pixels e, em geral, do modo como as colecções de imagens nos aparecem e desaparecem em permanente vaivém global.
Hoje, foi libertado Daniele Mastrogiacomo no Afeganistão. E eu continuo sem saber o que realmente aconteceu à protagonista do meu último romance.


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Rebranding

SJB
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No fundo, o sentido é sempre uma espécie de rebranding. Só que a dimensão do homem não é transhistórica e, portanto, não a acompanha. A excepção vem justamente da publicidade e, como se sabe, é muito recente.
Agora, a ideia de recolocar o "Algarve" face à sua eventual obsolescência (e é isso, afinal, que é o rebranding), substituindo-o por "Allgarve", é uma ideia forçada, parola e tecnicamente híbrida, na medida em que mistura a imagem, o título (headline), o texto explicativo (bodycopy), a tentação da marca e até o recorte de um puro slogan. Para mais, é institucional, tutelada e paga por todos nós. Já viram o que seria o "Allentejo"?


sábado, 17 de Março de 2007

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A estranha obsessão da Ota (act.)

PLC
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A Ota é uma "questão política", diz Mário Lino. Mas o governo é incapaz de inventariar os motivos políticos da escolha. Por outro lado, todos os testemunhos técnicos autorizados (engenharia, orografia, acessibilidades, tráfego aéreo, pilotagem, tempo de construção, custos, etc.) apontam no mesmo sentido: a margem Sul. E eu pergunto: o que fará da Ota uma tal obsessão?
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Creio que há aqui terreno fértil para um forte movimento de opinião na blogosfera.
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Sobre este tema, recebi a seguinte mensagem de MJE:
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Sobre “A estranha obsessão da Ota” ocorre-me dizer o que, em 1999, referiam alguns dos especialistas (entre outras, das áreas de demografia, sociologia urbana, logística e transportes) que estudavam as propostas da Ota v. Rio Frio.
Falavam de algo que traduzirei livremente como sendo um dilema político-demográfico, mais do que logístico-técnico.
Ou seja, em termos de demografia urbana e de simbologia das escolhas turísticas - veja-se Carmelo, “Órbitas da Modernidade”, 1.6.2 e) - 'Fluxo de viajar', p116 e 1.6.3 c) – “O sujeito global entre fluxo e refluxo”, p127 – poder-se-á considerar que a implantação do aeroporto na margem norte do Tejo virá acrescentar população temporária à área norte da NUT Lisboa e Vale do Tejo e, consequentemente, à cidade de Lisboa que carece de movimento cosmopolita para contrabalançar o peso (europeu e turístico) de Madrid e poder vir a ser considerada uma metrópole europeia.
Efectivamente, na actualidade, com os apenas cerca de 600.000 habitantes residentes/nocturnos (800.000 a 1.000.000 diurnos), Lisboa tem reduzido poder de atracção, apesar do folclore urbano que lhe poderá vir a ser incutido com eventuais alterações lexicais tipo Allgarve (Llisboa, L.lisboa, e.Lisboa, Lis.Boa?)
Ao contrário, a implantação na margem sul dará origem, nesse território, a um desenvolvimento exponencial da especulação imobiliária e dos valores demográficos e diminuirá o peso institucional dos 'lugares' oficiais e simbólicos da cidade de Lisboa, que se encontram (quase) arruinados.
Quanto à localização racional para o aeroporto em termos logísticos (onde transdisciplinarmente não se poderia negar a pertinência da demografia) e técnicos, dever-se-ia optar pela margem sul num novo terreno (do Estado) que agora parece surgir em Alcochete...
MJE


sexta-feira, 16 de Março de 2007

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A caminho do Saldanha

FBK
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Era uma Lisboa de autocarros podengos com dois andares esverdeados e uma ingénua combustão de transatlântico. Era, era. Hoje é uma cidade de Shoppings e melancolias quase liofilizadas. Seja como for, estarei mais logo na Feira do Livro do Atrium Saldanha. A partir das 18.30h. Até logo.


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Mini-entrevistas/Série II – 140


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é "Saboteur", Economista, 30 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
"Blogosfera" é o um espaço gigantesco, rico, diversificado e democrático de comunicação e debate, composto por todos os blogs + todos os comentários que são deixados.
Por ser tão amplo, por vezes torna-se num espaço um pouco confuso. Cabe a cada um ir conhecendo/aprendendo os seus caminhos, espero que com espírito crítico mas, ao mesmo tempo, com abertura de espírito.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Acompanhar exclusivamente pelos Blogs? Só as vidas de amigos que foram ou estão no estrangeiro. As suas impressões, experiências… Os "acontecimentos" a que a pergunta provavelmente se refere, sigo-os através de blogs, mas também através de outro género de sites (muitas vezes a eles ligados), nomeadamente através dos próprios jornais e revistas on-line.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Mais tempo em frente a um computador, a escrever, mas sobretudo a ler. Em troca, menos tempo a ver televisão, a dormir, a trabalhar… Sem dúvida que me enriqueci mais na troca.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sim, do mais livre que conheço, nomeadamente – acrescento – se for possível participar nela (com comentários ou posts) de forma anónima. Vim agora do Brasil onde se discute legislação para impossibilitar escrever em blogs ou até abrir uma conta de mail, sem ser totalmente identificado. Acho isso castrador: Eu não escreveria muitas das coisas que escrevo se não fosse protegido pelo anonimato. Trabalhei durante 5 anos, em posição de relativa importância, num grande grupo financeiro nacional, extremamente conservador. Naturalmente não me ía expor da mesma forma, ainda para mais sabendo que o "meu público regular" são poucas dezenas de pessoas… Aliás, utilizei algumas vezes informação reservada da empresa para fazer posts meus.
Para além disso (no processo da ocupação de uma casa em Lisboa), um post meu já foi citado em tribunal por supostamente atacar o direito à propriedade privada. E também já houve ameaças graves de malta de extrema-direita… São chatices que eu pessoalmente dispenso.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira, João Espinho, Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos, Adolfo Mesquita Nunes, João Paulo Sousa, Pedro Ludgero, João Tunes, Miguel Cardina, Paula Cordeiro, Edgar, André Azevedo Alves e Inês Amaral, David Luz. Hoje: Saboteur.


quinta-feira, 15 de Março de 2007

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A cerveja do dia 15

OML
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Estive à flor do relvado. À flor da pele. E, agora, estou à flor da espuma.


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Ficção, realidade e a cintura de Deus

SIC
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Primeiro aviso:
"O jornalista italiano Daniele Mastrogiacomo e os seus dois guias afegãos desapareceram a 4 de Março no Sul do Afeganistão, havendo suspeitas de que possam ter sido sequestrados por militantes talibãs."
Segundo aviso:
"Entretanto, em Roma, o director do La Repubblica disse hoje que o jornal perdeu o contacto com o seu enviado ao Afeganistão, o jornalista Daniele Mastrogiacomo, com quem não consegue falar desde domingo."
Terceiro aviso:
"«Trata-se de uma questão muito difícil», o jornalista «foi capturado num contexto de guerra», referiu Massimo D´Alema, salientando que o assunto «exige grande discrição»."
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Mas... onde é que já se viu e leu isto?


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Pré-publicações - 19

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Teresa Ruão, Marcas e Identidades - Guia da concepção e gestão das marcas comerciais, Campo das Letras, Porto, 2007.
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Pré-publicação:
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"(...) As marcas não são uma descoberta do século XX, ao contrário do que possa pa­recer a leitores mais desatentos. Conta-se que as primeiras formas surgiram na Lídia, no ano 700 a.C., onde se instalaram muitos mercadores de forma perma­nente, colocando à porta dos seus estabelecimentos uma pessoa encarregue de atrair algum possível comprador, através da evocação sonora das características e vantagens do comerciante. Como refere Bassat (1999), seriam talvez os ante­passados dos anúncios publicitários de hoje. E há mais exemplos longínquos. Na Grécia Antiga, arautos anunciavam à viva voz a chegada de navios com uma carga de interesse especial. E para os romanos, o uso de pinturas revelou-se muito eficaz na identificação de comerciantes e mercadorias, sobretudo perante populações largamente analfabetas. Os talhos romanos exibiam, por exemplo, a figura de uma pata traseira de boi, os comerciantes de vinho colocavam na fachada dos seus estabelecimentos o desenho de uma ânfora, enquanto a figura de uma vaca indicava a existência de um vendedor de lacticínios (Pinho, 1996).
A partir daqui, inúmeros são os vestígios revelados pela investigação histó­rica, sugerindo formas de denominação e representação comercial que atravessam a Idade Média, a época renascentista e as revoluções liberais. No entanto, parece que as marcas só se tornaram realmente num assunto crítico, para os negócios e para a academia em geral, no século XX, mais concre­tamente em meados da década de 1980. Tal evolução deveu-se, em grande medida, ao reconhecimento do seu valor económico pelo sector financeiro, isto é, à aceitação formal de que as marcas produzem fluxos financeiros reais para os seus proprietários.
Actualmente, apesar do forte protagonismo assumido pelas marcas, conside­ramos que há ainda um longo caminho a percorrer no desvendar do seu modo de funcionar e potencialidades. Se pesquisarmos na literatura do marketing, encontramos as primeiras referências sistematizadas à gestão de marcas data­das de 1930 e atribuídas à Procter & Gamble. Os debates iniciais abordavam sobretudo a questão operacional da sua gestão, ou seja, apresentavam as pers­pectivas tácticas e não as análises estratégicas. E só em finais do século é que as marcas ganharam realmente visibilidade científica. Deve-se a David Aaker a publicação do primeiro texto sobre a visão moderna das marcas, em 1990, ao qual se atribuiu, finalmente, força e reconhecimento científico. Antes dele, outros autores tinham tentado o mesmo, como é o caso de Peter Farquhar, que chamou a atenção para o fenómeno em finais dos anos 1980, e Kevin Keller que só viu o seu artigo publicado no Journal of Marketing em 1993, após vários anos de espera."
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Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Magnólia, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.


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Pré-publicações - 18

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Padre Manuel Antunes (1918-1985) - Interfaces da Cultura Portuguesa e Europeia. Coordenação: José Eduardo Franco e Hermínio Rico. Prefácio: Eduardo Lourenço. Campo das Letras, Porto, 2007.
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Pré-Publicação (do Prefácio de Eduardo Lourenço)
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"A sua circunstância
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Quando acordamos para a vida como o narrador da Recherche, damo-nos conta de que temos à nossa volta todas as constelações. As mais longínquas e abstractas, as do sol e das estrelas, e as mais próximas e mais íntimas que nós mesmos, as vozes familiares. Tudo pura contingência e nem uma vida basta para a converter em destino.
A circunstância do futuro jesuíta, pensador, ensaísta, filósofo da cultura, analista político e literário Manuel Antunes foi a de um meio provincial do nosso Portugal ainda profundo, porque isolado do mundo, arcaico e sublime ao mesmo tempo e, tanto quanto me é possível adivinhá-lo, uma dessas famílias cristãs, com uma mãe devota que maior glória não desejaria para si e os seus que ter um filho ao serviço de Deus. Ele o seria plenamente depois de uma adolescência estudiosa e uma decisão, a decisão absoluta da sua vida, de entrar e ser aceite na mais exigente, e discutida pelo mundo, das nossas ordens religiosas.
O Portugal da sua formação intelectual era, pelo menos na aparência, um país política e ideologicamente conservador, hostil ao sistema de partidos do primeiro quarto do século, modernista no seu desejo de acelerar e dinamizar a nossa atrasada vida económica, dizendo-se inspirado pela doutrina social da Igreja e tendo nessa mesma Igreja a sua referência e a sua caução simbólica e cultural. Nós somos filhos e herdeiros de muitas guerras, de tradição nossa ou influência alheia, e inscrevíamo-nos então numa vasta querela europeia, ou antes, numa crise geral do sistema democrático ocidental, contestado ao mesmo tempo e com uma virulência sem exemplo pelo autoritarismo fascista e pelos totalitarismos em marcha, do nazismo e sua ideologia cultural racista ou racialista, e soviético, de referência colectivista-socialista. Nada disto o Portugal onde Manuel Antunes se formou e viria a exercer o seu magistério cultural, viveu como na outra Europa se vivia – excepto na vizinha Espanha – mas de tudo isso recebeu ecos e a tudo esteve aberto, mas “à portuguesa”, ao “ralenti”e suavemente vigiado. Pelo menos até à Guerra de Espanha que inscreveu o país vizinho e, por consequência, o nosso, numa atmosfera de cruzada, antes de nos instalar por longos anos, os anos da Guerra Fria, no paradoxal campo do “mundo livre”."
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Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Magnólia, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.


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Mircea Eliade

CAD
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Nasceu há cem anos. Foi anteontem, no singular dia 13 (estava eu embebido pela belíssima luz do Douro). No Instituto Cultural Romeno está a decorrer um colóquio sobre o autor. Ver mais nos Cadernos.


quarta-feira, 14 de Março de 2007

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Vem a caminho...

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terça-feira, 13 de Março de 2007

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Ainda a Rute Monteiro

PDV
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Desde ontem que houve pirataria da grande na minha página pessoal. É por isso, também, que o Miniscente esteve - durante horas - pálido e branquinho como o leite. Mas não é nada que não estivesse previsto nesta complexa aparição de Rute Monteiro ao mundo. Hoje, já se sabe, no El Corte Inglés de Gaia, às 18.30 (ver aqui), há mais.
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Apreciei que o pirata tivesse invadido a minha crónica de há oito dias com imagens de auto-estradas nocturnas. Não há, de facto, melhor metáfora para a minha vida.


segunda-feira, 12 de Março de 2007

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E Deus Pegou Alan pela Cintura

ECB
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"Alan Johnston, o principal correspondente da BBC em Gaza, foi sequestrado quando fazia o trajecto para o seu gabinete de trabalho. A viatura em que viajava foi interceptada na cidade de Gaza por homens armados."
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(Fonte: Público)
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Amanhã há mais: no El Corte Inglés de Gaia, às 18.30h, com o João Pereira Coutinho e os filmes da Teresa Maia Carmo. Também lá vou estar, claro.


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A nossa paródia

Artlex
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Há muitas maneiras de relacionar dois textos: alusão, plágio, citação, enxerto, epígrafe, ilustração, nota marginal, comentário, sugestão, ou ainda o recurso a tipos discursivos, modos de enunciação ou géneros literários. Haverá muitas outras, é claro. Em todas elas há um efeito paródico, mais ou menos silencioso, contido ou disfarçado, que une os dois textos. Na rede, a remissão entre textos abre-se a uma cascata que já ninguém controla. Eis o que faz a blogosfera ser seminalmente paródica.
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E o que dizer do compromisso pessoal do ministro Raul Lino sobre a Ota?


domingo, 11 de Março de 2007

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Agora no Norte!

FEUP
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Na Terça-feira, dia 13 de Março, às 18.30, no El Corte Inglés de Gaia, lançamento do meu romance, E Deus Pegou-me Pela Cintura (Guerra & Paz). Apresentação a cargo de João Pereira Coutinho.
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Serão também projectadas quatro curtas destinadas ao You Tube, tendo como base outros tantos excertos do romance (realização de Teresa Maia Carmo; ver restante ficha técnica aqui).
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(ver em baixo as crónicas do lançamento de Lisboa)


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Histórias de um lançamento - 3 e 4

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"Luzindo pela intensa estrela interior."
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por Tati (e agradeço o Madre Mia!)
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"Tem sido bonita a festa. Cinco dias, dois livros. E festa. E gente bonita. Inteligente. Simples. Lavada de afectações. Luzindo pela intensa estrela interior. Melhor – dispensando anos-luz e ficando rentes à pele e ao olhar e ao sorriso. Ao calor e à fala. Ao humor. Duas noitadas de truz. Maré-cheia de bem-estar. Ontem, foi a apresentação do livro do Luis Carmelo feita pelo editor, o Manuel da Fonseca, da editora Guerra e Paz, o O Francisco José Viegas e o autor. Despretensiosos no discurso fluido. Risonho. Isto digo remetendo o evento à primeira parte do Chelsea/Porto, que forçou o Francisco a render-se à teoria da conspiração – reterem-no longe do ecrã que transmitia o desafio, só podia ser manha da mais traiçoeira estirpe moirama. Meu querido: o menino estava um doce com o dolorido ar na face de quem subtraíram um bombom. Acrescendo ter escrito que quanto mais «crescidas» melhor, admito: Deus o conserve em tal convicção. O mesmo deve ter pensado a minha anónima vizinha de assento, que, ao ver-me regressada do beijinho apetecido, sussurrou: - “É exactamente o tipo de homem que gosto! O meus maridos e namorados eram todos parecidos com ele.” E suspirou. Sorri convenientemente. Apreciei-a melhor – «entradota» e jovial na condição. Perante plateias assim, o painel de homens deveria ter exigido contra a entrega do convite ao mulherio, electrocardiograma recente. Juro que ao olhar de soslaio a vizinha, ruminei preocupação, não caísse inanimada a dama. Uma tragédia que estragaria o brilhante discurso do Luis. “Madre mia” , que improviso pleno de subtileza e graça!"
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"Encurtei a noite. Interromper a leitura do ”E Deus Pegou-me pela Cintura” não é fácil. Como deixar a meio os contos do O Táxi que me Apanhou? Os originais em sépia das voluptuosas mulheres da Manuela Pinheiro presenteiam-me o leito. Um gole de vinho branco gelado e a leitura. Sem limite marcado, salvo o cansaço. Que escrita... Que aprazível miscelânea de sentimentos! Os instantes felizes não são assim?"
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"...muita gente bem disposta..."
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Por Luís Novaes Tito
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"A coisa não tem muito para contar.Casa cheia a rebentar pelas costuras, o homem da Origem das Espécies louco de pressa para ir ver o Mourinho a ganhar, o autor Miniscente louco de vagar para o não deixar ir, muita gente bem disposta, personagens das artes, letras e cantares, a fina flor dos blogs, o brilho charmoso das pérolas, sons regionais, petiscos da beira-mar, escritores e muitos outros ficcionistas e ficcionados.Foi festa. Gente gira. Foi bom.Falta ler o livro."


sábado, 10 de Março de 2007

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Histórias de um lançamento - 2

"Sou algo achegada a tonturas mas o tipo, o Carmelo, tinha que arranjar um sétimo andar de um prédio famoso para exportar um livro com nome de Deus."
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por Vanessa Godinho.
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“Aqui dá-se como se pode quase como se fala ainda que por tópicos que abortam desenvolvências:
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Do técnico liguei ao Fred a ver se catava uma boleia, estampei-me:
- Dou-te boleia de metro Vanessa que o meu carro está velhinho.
E lá fui de encontro ao dear Fred metro abaixo.
Aportamos no edifício El Corte Inglês, que me é de rara visita e nunca supus ter tão elevada estatura. Sou algo achegada a tonturas mas o tipo, o Carmelo, tinha que arranjar um sétimo andar de um prédio famoso para exportar um livro com nome de Deus. Fosse por Deus, fosse pela boca do Alfredo, perdi o medo. O cientista maluco disse-me certeiramente ao chegar ao sétimo:
- Na Correia do Sul (ou país que se pareça) um prédio igualzinho a este ruiu com 1500 pessoas dentro.
Tendo o condão de me explicar precisa e detalhadamente porquê.
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Mas eu ia ao encontro de uma porta com Deus dentro e, fosse a fantasia, fosse o romance, que de acordo com o autor é uma coisa com vida própria que sobeja-se pelos becos das nossas casas correndo-nos pelos membros e não aguentando segredos, lá fui a tiracolo do Alfredo, procurando imaginar que os seus olhos de lince são mais musculados do que o corpo e proteger-me-iam do prédio e das fobias todas, que nem sei muito bem se tenho, pois são pouco seguras, mas parece-me que sim que as tenho talvez, perhaps, assim-assim.
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A Clara Piçarra manda-me uma tímida mensagem avisando que estava sentada em frente à loja das sopas. Esperamos por ela no sexto andar. Implodiu de um elevador que parecia muito prenhe de indivíduos, e trazia na cara um smile amarelo com o nome anunciado em letras gordas. Literalmente. A rapariga tinha um cartaz pintado na cara. Genial! Absolutamente genial!
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Não havia como dizer, será, não será, essa rapariga de olhos claros e riso de travessa a Clara? Era ela, e revelou-se igual ao smile. Um piropo de pessoa.
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Uma vez lá em cima, no sétimo céu do romance, vimos uma Tia chic, de impecável indumentária, e perdoem-me a falta de decoro, magníficos pára-choques. A Patrícia Grade, a nossa alma de fórum, menina de modos leves e alegres, que dispõem bem qualquer momento.
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Começamos a dança do “Entramos, não entramos, entramos, não entramos”…Fred diz:
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- Stop! Stooooop que há que esperar pela Guidinha.
- E quem é a Guidinha? – Parece perguntar a Clara.
- Obviamente que a Guidinha é a mulher do Fred! – Replicamos indignadas pelo óbvio da situação que qualquer psíquica que se preze imagina. A Guidinha gente! A santa paciência em pessoa. Só assim aguenta um bando de pacóvios a falar de fóruns e diálogos, a tirar fotografias como se não houvesse amanhã e barulhando qual miúdos da primária, porque a excitação não é terreno infértil aos adultos. Essa é a Guidinha. Uma paz de alma.
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Nisto passa uma careca luzidia e bem polida.

- É o Francisco. – Diz a Patrícia, sempre à frente da nau.
- Não, não … não tem óculos! – Conclui a Clara.
- Pois, não parece ser ele. – Remato.
- É mesmo o Barão estou-vos a dizer! – Exclama a dona Pat. E contra Pat não há argumentos.
O Barão fez-se à trupe com passos serenos e sólidos. Seguro da sua bela careca e cheio de boa onda.

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Entramos todos empalhados, com ar de quem vai às batatas. Olhei e acenei.
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- Estás a acenar para quem? Afinal? Conheces aqui gente? – Pergunta a nossa Patrícia afoita, surpresa, espantada, indignada.
- Estou a acenar ao Sérgio Godinho e uns quantos comparsas que costumam tocar rabeca comigo…hummm…apenas estou a ver se chamo a atenção do Luís.
- Ah! – Respira como quem diz “ai de ti que saias daqui levas imediatamente no focinho!” (A Pat é um sossego desconfiem das minhas palavras).
- Oh! Olha o Alfredo! Já ali na conversa com o Luís e uns outros! Olha, olha! E nós?

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(desculpem, conto isto a rir e sei que a Patrícia e os restantes retratados terão o bom humor de me perdoar, pois as inverdades confundem-se por aqui com a realidade. É dessa coisa do romance do Luís que anda por aí à solta metendo-se nas realidades dos outros como se lhe pertencessem)
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O nosso professor Pardal (Alfredo) foi de conversa e entornou uns quantos copos de sumo de laranja. E nós mantivémo-nos algo compactos e contemplativos. Compramos o Livro do LC, melhor esse romance metediço, tomem cuidado que nesse preciso momento ele está a falar da vossa história anímica insuspeita.
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Assim aparece:
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Um tipo impecável de bigode bem tratado, cabelo grisalho atinadinho e óculos de bom moço. Vem tão devagar que quase não acontece. E ao passar por nós mete o nariz no meio, bem no meio de todos, arregala os olhos e pergunta como um polícia à paisana:

(- Do LEC? – Laboratório de Escrita Criativa....)
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Mas do LEC como caríssimo Nunes! Manuel Nunes. Do LEC sociedade secreta dos esventrados da memória, ou do LEC senha de passe para o clube dos poetas mordidos? (sim ouvi dizer que a poética esmagou muito boas letras) Seja lá o que for, é certo que alguém lhe respondeu à atitude sorrateira com um murmúrio insuspeito.
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- Simmmmmmmmm somos nós! Todos do LEC. – A Clara e a Patrícia, ou fui eu? Não sei. Prefiro que sejam elas. Eu quero ser a heroína da historia, segura e perfeita, se a historia é narrada por mim, posso ser quem quiser…ou não?
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Não sei. O romance do Luís anda por todo o lado, ainda me leva para os caminhos da Rute Monteiro.
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E o Manuel achegou-se ao núcleo. É quando então aparece um jovem metrosexual, de fato cinza e camisa rosa fashion, caracóis domados e bem laminados num estilo afro europeu saído da Vogue, sorriso estampado desses que não precisam de nome para ser risonho, e uma atitude muito, meus amigos, muuuuuito cool! Qual Tarantino? Qual Jhon Travolta? Qual Al Pacino Qual Robert de Niro? …qual nada para esses! Luís Carmelo meus amigos, Luís Carmelo! Uma mistura desses 4 magníficos, com pinta e tranquilidade …o senhor é um primor. A suavidade em pessoa.
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Chamou-nos a todos pelo nome, ou assim imaginei pois a hesitação foi pequena, e os poucos instantes que pôde nos dedicar foram de uma recepção calorosa e espontânea. Isso, eu sei, não imaginei, nem me disse a Rute Monteiro. Ando sedenta para ler o romance só por causa desse nome sinistro. Eu sei que deve ser alguém seu conhecido Luís mas por Cristo, Rute Monteiro é sublime! É assim robusto…com o Mauro nas canelas não consigo lhe mandar a emoção da repetição que ecoa na minha cabeça, ela é o nome do pecado!
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O evento foi muitíssimo agradável, espontaneidade a rodos, informalidade q.b e sala cheia. Falou uma antiga aluna do LC que deu o toque de abertura, entregou a palavra ao chefe da Guerra e Paz que impressionou pela ferocidade com que lançaram o livro do LC no mercado, a campanha mais agressiva da guerra e paz, depois veio o Viegas assustar-nos com os meandros loucos da feitura da coisa, os personagens confusos que sem normas domam realidades e assomam ficções, e ele só queria era ver o jogo do Porto. Plateia risonha nas suas palavras, por vezes leves, outras vezes mais densas, mas sempre focando o que de facto importava, o livro e o autor. O jovem LC quando tomou a palavra fê-la jorrar como água, falou de si, e do corpo do livro físico que escreveu, falou das polémicas com leveza e quanto a mim além de artista deveria ser o director da obra que já lhe ultrapassou há muito tempo. A obra vê-se na net, vê-se nos acontecimentos que ele contou antes do futuro que é agora, “the man is not a writer the man is a psiquic!”
Parabéns LC.

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Saímos de caminho para casa, mas num acto de aqui agora, decidimos jantar por ali, sopas e crepes, tudo acontecendo em simplicidade de momento absorvente e voluntário. Parecia que nos conhecíamos de outros jantares. A conversa caía fluida por sobre temas diversos, ainda que a comunhão tivesse sido o LEC havia muitas outras empatias.
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Estou capacitada para embebedar muito boa gente e fazer umas experiências de cozinha (que quase sempre me corre mal mas tenho coragem e afecto suficiente para a entrega).
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Um abraço"


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Histórias de um lançamento - 1

"{Este conto é uma ficção baseada em alguns factos reais (mais concretamente uma piada sobre um psicopata e uma estranguladora) e surgiu depois de alguns alunos do Laboratório de Escrita Criativa do Instituto Camões se terem encontrado no lançamento do 10º romance do Luís Carmelo. Como se deve calcular, qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência}."
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por Francisco Barão da Cunha
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Quem tramou o psicopata e a estranguladora?
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"Amarrados e vendados, o psicopata e a estranguladora acordaram fechados num porta-bagagens de um automóvel. Ao despertarem, a pouco e pouco começaram a imaginar como poderiam ter ido ali parar.
Era a primeira vez que se encontravam. O psicopata, a estranguladora, a mulher da máscara amarela, a mulher do corte de cabelo moderno, o senhor do fato completo, o homem da calvície luzidia e a sua mulher.
O pretexto tinha sido o lançamento de um livro. Ao princípio a emoção das apresentações, o nervoso dos risos e a procura de uma ligação entre as pessoas imaginadas e as reais atrapalharam um discurso mais fluido. Trocavam-se gargalhadas, olhares vivos e cumplicidades construídas na internet. Mas o psicopata e a estranguladora, cada um por si, sondavam novas vítimas. Se se proporcionasse iriam agir em conformidade com os seus fatais instintos.
O psicopata parecia amável, franco e descontraído. Mas na sua mala a tiracolo escondia a arma com a qual torturava as suas vítimas: uma gramática de holandês, forrada com uma capa de aço.
Por seu lado, a calma e a ponderação da estranguladora inspirava uma estranha confiança, que de modo nenhum contrastava com com a efusão com que costumava escrever na internet. A bondade do seu rosto dissimulava os seus longos e finos dedos mortíferos.
Ao deixar cair a máscara, a mulher da máscara amarela substitui-a por uma cara viva, de olhos brilhantes e expressivos, que se destacavam no ocasional rubor da sua face. Toda ela era luz mas seria ela capaz de enfiar no reino das trevas o psicopata e a estranguladora?
A mulher do corte de cabelo moderno irradiava energia e prestabilidade, enchendo a sala com os seus sorrisos, mas teria sido ela quem colocou uma droga sonâmbula nos sumos de laranja do psicopata e da estranguladora?
O senhor do fato completo foi o que esteve menos tempo presente, tendo sido o último a chegar e o primeiro a partir. Mas também ele poderia ter ajudado a tramar o psicopata e a estranguladora. Desconfia-se sempre de um homem de fato e gravata.
O homem da calvície luzidia (e a sua mulher) poderiam encaixar-se perfeitamente no perfil Bonnie and Clyde. Ele mais calado mas muito atento, a mulher mais faladora e curiosa. Eram a dupla perfeita para trapacearem um psicopata e uma estranguladora.
A verdade é que ambos começaram a sentir algo estranho quando o autor do livro os veio cumprimentar. Sentiram uma ligeira excitação mas que ao mesmo tempo lhes parecia algo estranhamente entorpecedor. Seria uma espécie de plenitude efusiva misturada com uma iluminação interior? Hum, mal sabiam eles que era o sumo de laranja a começar a fazer efeito.
O grupo esteve muito divertido, continuando assim após a saída do homem do fato completo e os abraços e cumprimentos ao autor do livro (que os presenteou a todos com 1 autógrafo). E muito divertido foi o jantar. Foram todos corridos a sopas e pouco mais. Mas o pouco mais tornou-se muito pela conversa, pelas risadas e principalmente pelo final da refeição.
A mulher da máscara amarela ofereceu-se para levar a casa o psicopata e a estranguladora mas antes tinha de ir buscar o namorado que se encontrava nos arredores da cidade.
E nesse momento tudo se precipitou:
— Olha que eu sou um psicopata e ela é uma estranguladora — Disse entre risos o psicopata.
— Sim, tu sabes lá quem a quem vais dar boleia — A estranguladora meteu a sua colherada. Risos no grupo.
E o psicopata continuou:— E se chegares viva ao teu namorado aposto que os dois vão estar sempre de olho em nós.— Melhor ainda! Vão-nos dar as chaves do carro para que um de nós conduza e o outro vá ao lado, vigiando-nos do banco de trás.Mais risos no grupo. E o psicopata, sem o saber, descobriu a tramóia:
— Pior do que isso, tu e o teu namorado dão cabo de nós!
Risos sonoros por toda a sala do restaurante, quase que a obrigar que as pessoas das outras mesas se virassem todas para aquele peculiar grupo. Foi por entre alguma sonolência insuspeita do psicopata e da estranguladora que todos se despediram. A mulher da máscara amarela ia levá-los no seu carro.
A partir daí tudo se tornou mais nebuloso: havia uma cidade com luzes e automóveis a circular; um engano no percurso e depois as luzes tornaram-se mais ténues e as estradas mais escuras, tão pntadas de bréu que quando o psicopata e a estranguladora acordaram deveriam ainda pensar que andavam às voltas pelos arredores da cidade. Afinal estavam amarrados e vendados. E iriam ter muito tempo para pensar em como foram ali parar."


sexta-feira, 9 de Março de 2007

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Há ópera no meu pátio


É assim a ameixoeira que canta no meu pátio: por baixo as raízes mergulham na água do poço, por cima cintila aquela voz que sabe ao requebrar das espumas da maré baixa.


quinta-feira, 8 de Março de 2007

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Ainda a Rute Monteiro

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Ver aqui as três curtas de Teresa Maia Carmo, baseadas em outros tantos excertos do meu último romance. Ficha técnica neste post.


quarta-feira, 7 de Março de 2007

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Quase primavera

OMA
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Havia no cemitério um brilho coado. O vento quase redondo: uma barcaça entre o céu e o mar sem distinção entre proa, lava ou prumo. E, no entanto, aquilo era Évora e a ameixoeira branca branquíssima levitava no meu pátio como o fazem as estrelas subterrâneas. A memória do lançamento do livro passou a ser, subitamente, uma minúscula gota de orvalho. Por lá andará, entre mármores, sombreados de ouro, ferros forjados torcidos e ecos de um ou outro sino. Até amanhã.


terça-feira, 6 de Março de 2007

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Confissão estóica

Há 25 anos, sentei-me no café Ijsbreker - em Amesterdão -, estava um dia de chuva como hoje, e comecei a escrever o meu primeiro romance (viria a chamar-se Entre O Eco do Espelho). Os romances são fatias de vida e formas de expiar a carne mais aventurosa do mundo. O segundo, Cortejo do Litoral Esquecido, ao contrário da estreia, foi feito a pensar ao longe em Portugal. Navegava eu ainda à solta com a matéria dos mitos. Depois, veio o meu No Princípio Era Veneza.
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Este terceiro romance foi sonhado em ambiente de trovoada, entre um hotel onde Ruskin viveu e uma modesta casa perto do Rialto. De repente, as cidades tornavam-se personagens na minha ficção. Nem sempre a poética sufoca o curso das histórias, há mesmo momentos em que involuntariamente as ilumina. Daí que, já em Sempre Noiva, o revivalismo acabasse por tratar por tu essa luz longínqua, mas agora em diálogo com o cenário das minhas origens alentejanas.
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Em A Falha, o registo da planície permanece, mas o enredo volta a sobrevoar a candura da universalidade. O cinema entra então em jogo, ao lado das traduções e de um número variado de edições. Há saltos que se dão, cujo sentido é difuso, obscuro, por vezes delirante ao jeito de Bataille. Mas A Falha foi, também, um momento de muito prazer no plano do vivido. O sexto romance, As Saudades do Mundo, inicia um périplo de viagens que se prolonga a O Trevo de Abel. É uma fase mais efabulatória em que a trama e o carácter cintilante do plot submergem e quase se impõem a uma certa inércia onírica.
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O oitavo e o nono romances, Máscaras de Amesterdão e Inventor de Lágrimas, são invenções envolventes - lembro sempre o limbo do Verão em que os iniciei -, mas sem, porventura, aquela engenharia que faz do leitor uma espécie de holandês voador. O tempo é um leme estranho, já se sabe, e torna difícil o olhar para as nossas coisas sobretudo quando a distância escasseia. Será o caso. O certo é que, no meu décimo romance - que é lançado daqui a cerca de duas horas, E Deus Pegou-me pela Cintura -, decidi recomeçar tudo de novo. Não só o escrevi à mão, como nele defini um tipo de montagem sem precedentes, para além de ter convertido o enredo na própria iminência da actualidade (disputando-a mesmo). É sabido que foi ainda acompanhado por um movimento performativo de antecipação ficcional e por uma sequência de filmes (para o You Tube). Um recomeço.
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Neste dia de lançamento, a minha querida tia Maria do Carmo Amaro Carmelo faleceu. Estarei daqui a pouco na cerimónia do El Corte Inglés, mas depois irei ter com ela - e com a sua memória - a Évora. Há sinais que valem pelo silêncio e pelo recato de todas as histórias. E como ela, a minha Tia Carmo, adorava o José Totentino Mendonça, termino este post com um poema seu que lhe dedico:
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A presença mais pura
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Nada do mundo mais próximo
mas aqueles a quem negamos a palavra
o amor, certas enfermidades, a presença mais pura
ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância da língua comum deixaste
o teu coração?»
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A altura desesperada do azul
no teu retrato de adolescente há centenas de anos
a extinção dos lírios no jardim municipal
o mar desta baía em ruínas ou se quiseres
os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas
as conversas ainda surpreendentemente escolares
soletradas em família
a fadiga da corrida domingueira pela mata
as senhas da lavandaria com um "não esquecer" fixado
o terror que temos
de certos encontros de acaso
porque deixamos de saber dos outros
coisas tão elementares
o próprio nome
Ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância deixaste
o coração?»
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(José Tolentino Mendonça, de A Que Distância Deixaste o Coração, Anos 90 e agora - uma antologia da nova poesia portuguesa)
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Sim, acrescentarei eu em negrito: porquê esconder a dor, num dia destes? É bom, num dia destes, ter um blogue. Tão bom como ler e provar o fausto das estrelas que cantam, ocultas, sobre o acinzentado triste do céu.


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Chegou o dia

G&P
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Hoje, às 18.30, no restaurante (último piso) do El Corte Inglés de Lisboa, lançamento do meu décimo romance, E Deus Pegou-me Pela Cintura (Guerra & Paz). Apresentação a cargo de Francisco José Viegas. Serão também projectadas quatro curtas destinadas ao You Tube, tendo como base outros tantos excertos do romance (realização de Teresa Maia Carmo; ver restante ficha técnica aqui). Vai ser um prazer receber-vos neste dia, para mim obviamente simbólico e marcante. Dez... sempre são dez!


segunda-feira, 5 de Março de 2007

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Pré-publicação - 17

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João Miguel Fernandes Jorge, Jorge Pinheiro - oferenda esquecida, Campo das Letras, Porto, 2007.
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Pré-publicação:
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Um pintor, um signo. Signo que se desenvolve em dois sentidos: na totalidade da obra que está realizada e na que virá tomar lugar no dia próximo. Primeiro, a sensação de criar um objecto por onde perpassa o que é comum, o que vai sendo comum. Não que esses objectos do pintor estejam incluídos numa mesma classe, mas somente por estarem percorridos e se moverem sob um fundo inicial, despoletador de arte. Depois, como um conceito que se inicia num ponto fixo — de luz, de sombra ou de negro — e se expande e se desenvolve em pensamento; não de palavras, mas de organizadas cores modeladas.
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Signo, conceito, qualquer coisa para a qual não há nome exacto, de onde decorre uma espécie de doutrina, arguto campo visionário cujas séries — verdadeiras categorias — são, na pesquisa das suas oposições e diferenças, parte de uma certeira linguagem pictórica. Categorias (uso o termo aristotélico e, depois, também kantiano) que conservam no mais recôndito do seu íntimo um sinal, um signo, uma profunda marca talhada qual ferida, que sempre permanece como a característica de diversos tipos de proposições; isto é, de moduladas séries.
Na arte de Jorge Pinheiro, muitas vezes uma só pintura corresponde à vastidão englobante de uma série proposicional, pois coexiste consigo um corpo de desenhos. O qual, mais do que uma prévia via para encontrar a causa (e também morada) final — espécie de conceito metafísico carregado de imagens — é em si mesmo imagens que tentam explicar imagens e que se servem de figuras para explicar figuras. Trazem consigo um limite de realização última; coisa comum, quase sempre, senão sempre, ao óleo que corporiza as várias partes ou as categorias de um pensamento acerca de pensamentos corporizados numa pintura e nos estudos desenhados que, de um modo necessário, a ela conduziram.
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Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Magnólia, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.


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Pré-publicação - 16


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Comunicação e Lusofonia - Para uma abordagem crítica da cultura e dos media. Moisés de Lemos Martins, Helena Sousa, Rosa Cabecinhas (eds.), CAMPO DAS LETRAS, EDITORES, S.A., Porto, 2007.
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Pré-publicação:
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"No dia 7 de Outubro de 2005, a Universidade do Minho, através do seu Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) e em articulação com o projecto Lusocom: Estudo das Políticas de Comunicação e Discursos no Espaço Lusófono, promoveu a I Conferência Internacional sobre Comunicação e Lusofonia.
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Este encontro reuniu investigadores de Angola, do Brasil, de Moçambique, de Portugal, de Timor-Leste e dos Estados Unidos da América. Maria Manuel Baptista, Luís Cunha, Regina Brito, Moisés de Lemos Martins, José Carlos Venâncio, Eduardo Namburete, Neusa Bastos, Benjamim Corte-Real, Joaquim Paulo da Conceição, Maria Immacolata Lopes, Benalva da Silva Vitório, Helena Sousa, Rosa Cabecinhas, César Bolaño e Joseph Straubhaar apresentaram então as suas comunicações que, a partir de hoje, temos também a oportunidade de ler.
A Conferência – que contou, na sua sessão inaugural, com a participação do Presidente da Federação Lusófona de Ciências da Comunicação, Paquete de Oliveira, e dos Reitores da Universidade do Minho e da Universidade Nacional de Timor-Leste, respectivamente António Guimarães Rodrigues e Benjamim Corte-real – desenrolou-se em três painéis plenários:
1. Lusofonia: Equívocos, Fronteiras e Possibilidades – neste painel, problematizou-se a Lusofonia, enquanto discurso e ‘cosa mentale’, e interrogou-
se a permanente reconstrução do conceito, bem como o papel da comunicação e dos media nessa reconfiguração.
2. Políticas da Língua e Identidade - num segundo momento de apresentação de comunicações e de debate, procurou-se aferir a relevância das políticas da língua no contexto do desenvolvimento de uma área cultural e comunicacional num mundo cada vez mais globalizado.
3. Os Media e a Memória Social - nesta última sessão, foram identificadas e debatidas algumas das principais estruturas de comunicação, nacionaise supranacionais, do Espaço Lusófono."
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Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Magnólia, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.


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Rute Monteiro (act.)


RCT
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Logo, entre as 19h. e as 20h., na Prova Oral da Antena 3. Ver mais aqui.


domingo, 4 de Março de 2007

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Estão convidados!

Como alguns convites não terão chegado ao seu destino, deixo este em aberto para cada leitor que por aqui passar até depois de amanhã, dia 6 (no dia 13, no El Corte Inglés de Gaia, há mais. Desta feita com o João Pereira Coutinho):
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clicar aqui para aumentar
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E ainda a estreia de três curtas destinadas ao You Tube, baseadas em outros tantos excertos deste meu décimo romance:
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Ficha Técnica
Actores principais:
Rute Monteiro - Júlia Correia
Guilherme Moutinho - António Fonseca
Realização:
Teresa Maia Carmo
Produção:
RETINAZUL
Edição:
Ricardo Sant'Ana
Câmara:
Rodrigo Lobo
Figurantes:
Aníbal Tavares, Daniel Meira, Filipa Marcelino, Francisco Gouveia, Isabel Bezelga, Simão Salomão Carmo
Agradecimentos:
Guerra e Paz, Alberto Magalhães, Jean Campiche, Miguel van der Kellen
Patrocínio:
Frontino – Turismo S.A.
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Notícia do El Corte Inglés aqui


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Grandes capas



sábado, 3 de Março de 2007

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Suave acordar

AN1
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Domingo, entre as 11 e o meio-dia, lá estarei à conversa com Pedro Rolo Duarte na Antena 1 (e tenho óptimos predecessores nesta causa: o João Gonçalves, o Paulo Pinto Mascarenhas, a Carla Quevedo, a Isabel Goulão, o Pedro Correia e o Paulo Gorjão, entre outros).


sexta-feira, 2 de Março de 2007

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Blogues e Meteoros - 19

O medo das antecipações ficcionais
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Lavazza
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No Expresso Online desde hoje
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Há dias, numa entrevista, vi-me a dizer – gosto da visualidade da expressão – que “a literatura é a bricolage de uma loucura saudável”. Nesse trecho da entrevista, reflectia sobre a antecipação ficcional do meu último romance, E Deus Pegou-me Pela Cintura, que eu e o meu editor (Manuel Fonseca da Guerra & Paz) decidimos levar a cabo desde Janeiro passado.
A operação foi simples: criou-se um jornalista virtual (Olavo Aragão) que, no seu blogue (
Freelance), deu como real um facto do enredo do romance (o rapto no Líbano de uma jornalista, a protagonista Rute Monteiro). O alarme gerado pela fractura entre a realidade vivida e a realidade do romance fez o resto. Foi fascinante, depois, seguir e perceber o que se passou – não é possível aqui dar conta dos episódios –, sobretudo se pensarmos no mundo em que vivemos.
A verdade é que, nos tempos que correm, os Reality Shows são apenas uma pequeníssima parte da mistura entre ficção e a realidade que faz o nosso mundo. Aquilo que os teóricos da comunicação designam por “meta-ocorrência” mais não é do que a transformação nos media de ocorrências reais em autênticas efabulações que dão permanentemente a volta ao mundo. Ao fim e ao cabo, vivemos todos numa espécie de Vanilla Sky. O Leviatã comunicacional da actualidade (media, cibermundo, etc.) é herdeiro directo dos antigos mitos clássicos que habitavam, também eles, num limbo entre a ficção e o real.
Embora muita gente tenha compreendido a antecipação ficcional do meu romance, houve quem não aceitasse que a ficção literária também tem direito a misturar-se com a realidade e, portanto, a sair do espaço fechado entre capa e contracapa. No fundo, continuam a entender a literatura como uma coisa sacralizada e intocável e entendem o que designam por marketing como um bicho monstruoso que tem oitenta chifres e oito escamas bicudas no peito. Os meios que descendem do que já foram os “intelectuais” têm alergia a palavras como “publicidade” e “marketing”: faz parte de um genoma com história que os próprios raramente interrogam.
É natural que possam existir confluências entre uma antecipação ficcional e a organização de uma campanha de marketing. Mas são coisas muito diversas. Reato um exemplo que dei há poucos dias: é como confundir a publicidade da Lavazza ou do Martini com arte conceptual e confesse-se que, vistas de fora e de modo descomplexado, as realidades visuais aproximam-se imenso. É um jogo de aparências, tal como é todo o jogo de imagens em que globalmente vivemos.
E é neste jogo em que irremediavelmente a ficção e a realidade andam de mãos dadas que hoje em dia todos acabamos por compreender a “bricolage saudável” do dia a dia. Ou seja, quando em Janeiro se discutia o rapto da jornalista Rute Monteiro, já se estava a discutir a realidade de alguns capítulos do meu romance. Da mesma forma que, quando se discutem hoje os melhores portugueses de sempre, já se estão sobretudo a discutir as narrativas do nosso quotidiano. Uma forma de “loucura” legitimada? Não, isso é coisa só para a literatura!


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Mini-entrevistas

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Continuam na próxima Quarta-feira, dia 7. As manhãs vão ser muito povoadas nos próximos dias.


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Do enigma para o jogo

SLB
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Depois de Costa Pereira e de José Henrique: fazer o mito sair do enigma e torná-lo em corpo que sorri. Aplaude e diz adeus quem o entende. Adeus Bento!


quinta-feira, 1 de Março de 2007

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Mini-entrevistas/Série II – 139


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é David Luz, 34 anos, investigador em ciências planetárias (http://linha-dos-nodos.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Para ir além da definição - o conjunto de blogues públicos e livremente acessíveis - sugere-me um grupo muito heterogéneo de pessoas que escolheram tornar-se visíveis, ou "audíveis", se preferir.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum (seria o equivalente a seguir um acontecimento lendo apenas as colunas de opinião da imprensa, sem ler as notícias). Mas segui através de blogues vários acontecimentos que foram tratados secundária, ou tardiamente, na imprensa (como a crise das caricaturas), e outros - como as eleições brasileiras - segui em paralelo com a imprensa.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Deram-me a conhecer uma série de vozes que não tinham lugar na imprensa escrita, muitas delas de maior talento que alguns colaboradores habituais dos jornais, regulares, cinzentos, partidários, cansados. Além disso os blogues constituem um contrapeso refrescante à estreiteza de vistas e enviesamento presentes em muita imprensa (não por serem menos enviesados, mas pela variedade que aqui se encontra).
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Em geral, não. Para algumas pessoas que já são livres, sim, mas muito poucas. O critério é, como em quase tudo, o da independência. A individualidade implica contradição, e a maioria das pessoas não aprecia ver as suas ideias postas em questão. É muito fácil falar de temas sem qualquer impacto social, ou sobre os quais muito poucas pessoas tenham opiniões vincadas. Por isso o estado de espírito diário, as fotografias, as chamadas frivolidades, alguma cultura, as mini-ficções, são tão frequentes nos blogues. No extremo oposto, mas pelas mesmas razões, é muito fácil escolher um campo com muitos apoiantes e fazer militância por ele sem olhar a argumentos contrários. É o caso de certos blogues políticos. Mas quem emite opinião sobre temas políticos ou sociais não está livre de que ela seja usada contra si mais tarde. Para obviar a isso alguns bloggers assinam com pseudónimo ou apagam os arquivos. Não considero que seja realmente livre quem o faz. Por outro lado, acredito que as pessoas apreciam quem tem coragem de falar contra o seu campo quando é preciso, quem fala guiado por princípios, mais do que por interesses ou calculismos. Esta liberdade editorial existe, mas é pouco usada por ser muito volátil.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira, João Espinho, Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos, Adolfo Mesquita Nunes, João Paulo Sousa, Pedro Ludgero, João Tunes, Miguel Cardina, Paula Cordeiro, Edgar, André Azevedo Alves e Inês Amaral. Hoje: David Luz.