domingo, 19 de novembro de 2006

sábado, 18 de novembro de 2006

Mini-entrevistas/Série II - 58


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é João Pedro Pereira (http://www.jppereira.com/engrenagem/).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
A pergunta é um pouco lata. Quando uso a palavra "blogosfera" refiro-me, evidentemente, ao conjunto de blogues na Web (ou a um conjunto específico de blogues - a blogosfera portuguesa, a blogosfera influente, a blogosfera política....). De resto, a palavra "blogosfera" tem conotações diferentes, que variam normalmente consoante quem a emprega. Há quem considere a blogosfera um palco propício a boatos, difamações e todo o tipo de informação duvidosa, há quem a considere uma nova forma de jornalismo, há quem coloque a tónica na expressão individual... Será difícil encontrar aqui consensos.Muito sucintamente, encaro a blogosfera como uma das muitas facetas de uma nova Web, caracterizada pela possibilidade de expressão e publicação ao alcance de qualquer pessoa - é o conjunto de um tipo específico de ferramentas (os blogues) que dão a possibilidade de colocar o meio Internet nas mãos dos utilizadores (se estes vão ou querem tomar as rédeas desse meio, é toda uma outra questão).
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum. Nunca usei os blogues como fonte única de informação. Não vejo as coisas em termos rígidos de "órgãos de informação tradicionais vs. blogues". Tenho fontes de informação que considero credíveis, independentemente do grupo em que se enquadrem, e sigo a actualida deatravés dessas fontes.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Sem dúvida, o facto de ter criado um, com todas as alterações de rotina que isso tem implicado.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sim. Salvo os casos em que se transgridem os limites legais, não tenho notícia de alguém que tenha tido problemas por manter um blogue. Nos EUA há alguns casos de bloggers despedidos (as razões alegadas são várias) e na Europa já se registou um ou outro caso deste tipo. Mas, por norma, os bloggers gozam (nos países onde vigora a liberdade de expressão, claro) de uma plena liberdade que lhes permite alterar o rumo dos seus blogues, encerrá-los, suspendê-los, mudar-lhes as temáticas ou o estilo.Algumas profissões poderão impôr restrições nos conteúdos produzidos (nenhum jornalista publicará no seu blogue a manchete do dia seguinte do jornal em que trabalha), mas creio que estes casos são mais de auto-imposição e simples bom senso do que de qualquer directiva explícita por parte do empregador.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira. Agenda da próxima semana (20/11 4 25/11): Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira e Leandro Gejfinbein.

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Mini-entrevistas/Série II - 57


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Altino Torres, 40 anos, Consultor (http://food-i-do.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
A palavra "blogosfera" diz-me muito, quantitativamente e qualitativamente. Porquê? Porque nestes últimos 3 anos passei a escrever muito mais, a ler muito mais, e, neste último caso, descobri uma janela enorme onde posso refrescar a minha alma através da descoberta de novos pontos de vista, novos poemas, novas emoções. Portanto e em resumo, a palavra "blogosfera" significa abrangência. Penso que não consigo encontrar significado melhor.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Bom, essa questão merece uma resposta concreta, sendo que não é possível seguir-se determinado acontecimento apenas através dos blogs. Em todo o caso posso adiantar que segui com especial interesse o último conflito Israel-Líbano nos blogs e apenas no que diz respeito ao confronto ideológico e religioso que acabou por fazer o alinhamento quase geral de todas as entradas nos blogs sobre o dito conflito.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O maior impacto que os blogs tiveram na minha vida pessoal foi sem dúvida eu um dia ter escrito um post a anunciar que fizera uma petição. Como é sabido essa petição correu o mundo lusófono e eu acabei a passear-me nos telejornais do dia. Mas o grande impacto desse momento não foi curiosamente "esses quinze minutos de fama". Foi precisamente o contrário, saber regressar a uma condição de perfeita simplicidade e anonimato e poder afirmar hoje que não fui capaz de me ter aproveitado rigorosamente de nada nem de ninguém com quem falei, e continuar, isso sim, a exercer uma vida cívica com todas as venturas e desgraças que são próprias de um cidadão desde sempre comum. Isso deu-me que aprender, digamos assim.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
A blogosfera é, de facto, a forma de expressão editorial mais livre que eu conheço. É tão livre que permite até que sejam perseguidos bloggers devido ao caso casa pia, por exemplo, é tão livre que permite que se difame sobre quem quer que seja e é tão anonimamente livre (anónimo no sentido de desconhecido) que permite de quando em vez uma espreitadela para alguém que se destacou num belo poema, num bom texto, numa boa fotografia. É essa a liberdade pura da blogosfera. A liberdade de se criar.
E como nem tudo são rosas, essa liberdade editorial também provoca os seus monstrinhos como é o caso da edição de alguns livros que, sinceramente, nunca o deveriam ser e só o são precisamente porque nem o editor nem o autor estavam a pensar no "Livro", em rigor, quando decidiram que podiam ganhar uns trocos com determinada coisa que aparecia em determinado blog. E aí, nesse ponto, eu sou fundamentalista. Detesto o lixo, pronto.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano e Altino Torres. Amanhã: José Pedro Pereira. Agenda da próxima semana (20/11 4 25/11): Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira e Leandro Gejfinbein.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Gratidões blogosféricas

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Dá para tudo: para dizer obrigado a uma arqueóloga, a um amante de Veneza e até a um norte-americano que decidiu colocar um romance meu - que já nem me lembro de ter escrito - como o 24º melhor romance escrito em Português “of all times”. Amanhã é já sexta, não é?

Haverá pescoço no universo?

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Subia as escadas e, já depois de ter passado pelo céu, é que acabou por reparar na girafa deslumbrante. Falaram, sorriram e só no final percebeu que o animal tinha as patas no fundo do mar e a espessa cabeleira enrolada à parte de fora da esfera celeste. Era talvez Santana Lopes a falar com Judite de Sousa. A televisão tem destas coisas.

Mini-entrevistas/Série II - 56


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Rui Semblano, pintor e designer gráfico, 43 anos (www.asombra.blogspot.com).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
A primeira vez que contactei com os weblogs foi por ter lido um artigo de um jornal, em 2003, que focava o fenómeno, então ainda um meio explorado por relativamente poucos mas notórios "bloggers", como Pacheco Pereira, já mencionado no dito artigo. Aderi aos "blogs" naturalmente, como uma extensão da minha escrita diária a tinta e em papel - que não dispenso - sendo uma forma de intervenção directa na sociedade que me agrada bastante, pois nunca ficamos indiferentes ao que lemos, ainda que o processo seja subconsciente. A interactividade da "blogosfera", seja interna ou externa, proporciona um meio fabuloso de troca de informações, mas, para mim, é sobretudo o carácter pessoal do "blog" como espelho de quem o escreve e edita que me atrai. Existem momentos de verdadeiro prazer na leitura ou observação dos "blogs" que sigo usualmente, e cada vez que descubro um "novo" (para mim ou mesmo novo) é um acontecimento. A "blogosfera lusa" (como gosto de chamar à que por cá existe) já é um universo de paixões, de notícias, de interesses mais pessoais ou mais abrangentes, que exige algum esforço e dedicação a quem nela voga, agora muito ajudado pela tecnologia dedicada que entretanto se desenvolveu. Apesar do interesse despertado pela "blogosfera" no meio exterior, em especial nos meios de comunicação social, ela é e sempre será um universo próprio dos "blogonautas", sejam eles "bloggers" ou simples visitantes-leitores, embora com tendência a abrir mais e assim influenciar mais gente à medida que o uso da Internet se propaga e vulgariza. O maior obstáculo ao usufruto pleno deste espaço continua a ser a velocidade de acesso; uma vez ultrapassado, a explosão será maior ainda.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas através de "blogs" nunca segui nenhum. Mas já aconteceu, em casos ocorridos no estrangeiro, ter partido dos "blogs" para a imprensa ou televisão, também estrangeira, quando não existe cobertura nacional de determinados casos. Isto é comum em questões sensíveis, como as alterações climáticas ou o conflito israelo-árabe. O facto é que a "blogosfera" pode ser ponto de partida, chegada ou passagem, mas considero um erro seguir um determinado assunto apenas nesse ambiente. Há demasiada paixão, o que a torna tão interessante e cativante. E em termos de pesquisa, é como ter um exército privado de investigadores que vasculham a Internet em busca de novidades; exército em que cada "blogger" milita a seu modo. Neste aspecto, a "blogosfera" é fantástica.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Já estive afastado da "blogosfera" por dois períodos, um dos quais por completo e durante longo tempo. Nessas alturas apercebi-me de como os "blogs" (em especial o meu) me faziam falta. Após uns meses de actividade "blogosférica", as amizades, as leituras e os processos que se desenvolvem nesse espaço tornaram-se uma parte tão integrante da minha vida como ler o jornal ou ouvir rádio ou ver um filme. Não escolhi estes três exemplos gratuitamente.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Inteiramente. Os casos em que a opinião transmitida é "comprada" são muitos e auto-evidentes, mas na esmagadora maioria, o "blogger" escreve o que sente e o que pensa sem necessidade de "incentivos". Apesar de toda a publicidade que suporta serviços aparentemente gratuitos como os motores de edição que se usam na "blogosfera" (e que na realidade rendem milhões!), ela não interfere directa ou indirectamente com o conteúdo dos "blogs". Resta saber até quando será assim, mas acredito que, salvo uma catástrofe social em que se percam todas as liberdades individuais (e convém não esquecer que a Internet nasceu de um projecto militar secreto), a "blogosfera" saberá permanecer livre e terá meios para se manter como tal.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves e José Bragança de Miranda. Agenda desta semana (13/11 a 18/11): João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Imagens inesperadas

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...sobre a salvação. Já agora, muito obrigado pelas nomeações.

Blogues e Meteoros - 9

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A profecia da ciberpoética (hoje e amanhã no Expresso online)
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Uma coisa é um blogue dar atenção ou dedicar-se à poesia, outra coisa é a sobrevivência na rede da poética tal como (culturalmente) a entendemos. Para expiar angústias, passo a apresentar uma breve cartilha em sete pontos sobre o futuro da ciberpoética. E por saber que o “miedo no es sonso”, como escreveu Borges em El Libro de Arena (1975), daqui a cem anos vamos ver se não acertei em cheio:
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1 – A vida da ciberpoética será cada vez mais provisória, um verdadeiro vaivém em oposição a uma vasta tradição que sempre encarou a poesia como inscrição definitiva (uma espécie de magistral ‘sinal dos tempos’). O destino da ciberpoética vai, pois, ser o movimento: fluir e navegar através de permanentes subtracções e adições.
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2 – A autoria da ciberpoética tenderá cada vez mais a descolar de marcas individuais. Assistiremos ao regresso e triunfo do palimpsesto de várias entradas e autorias. Esta sobreposição será mais sincrónica - várias autores ao mesmo tempo - do que diacrónica, no sentido em que um texto profético medieval era rescrito secularmente (por exemplo, a Sibila Tiburtina existiu intertextualmente entre os séculos III e XV, num quadro discursivo ex eventum que se ia adaptando às mais diversas circunstâncias históricas).
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3 – A identidade do poético viverá cada vez mais do contraste com as zonas da rede baseadas na informação transitiva (quando a função se resume a designar, indicar, noticiar, difundir ou publicitar visando alvos tangíveis e reconhecíveis). A ciberpoética será, ao invés, aquele aquário de linguagem que não visa nenhum objecto específico e que apenas se refere a si próprio. Este contraste é parecido com o que é estabelecido no mundo offline entre as chamadas zonas funcionais e aquelas zonas onde o design se alia ferozmente à eficácia.
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4 – A ciberpoética deixará de significar em função de um contexto prévio. Isso quer dizer que um cibertexto poético passará a criar cada vez mais o seu próprio contexto, deixando de haver um “de fora” e “um de dentro” rígidos tal como acontecia e acontece na vida offline (o caso de um livro ou de uma escultura no espaço público);
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5 – Tal como a organização da rede não é centrada, também as linhas que organizam o cibertexto poético deixarão de estar presas a um centro ou a uma finalidade óbvia. Por natureza, o cibertexto poético passará cada vez mais a desdobrar-se e a irradiar nos interfaces da rede.
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6 – A ciberpoética acabará com a tradição milenar que concebeu a poética como uma ocupação linear do espaço. No mundo online, a noção de sequência e de linearidade explodirá cada vez mais na direcção da multimodalidade e da coexistência dos registos que procedem das mais variadas origens.
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7 – A ciberpoética será cada vez mais incorpórea: a comunicação pela comunicação, a volatilidade, a corrente de ar passageira. O poeta Carlos Bessa disse-o por palavras simples: “Quando cheguei/ à escola era a guerra, o/ cimento, o petróleo. Agora,/ é a comunicação, o chewing/ gum”.

Mini-entrevistas/Série II - 55


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Rititi (Rita Barata Silvério - http://www.rititi.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
A blogosfera é uma sala de estar cheia de cantinhos onde todos podem entrar e ser ouvidos. Permite chegar a opiniões e maneiras de pensar muito originais, brilhantes e antes limitadas ao papel ou à conversa de bar. Há fufas, poetas no desemprego, compradoras cumpulsivas, taradas hormonais, velhos com piada, gente que só fala de bola, leitores de Borges, liberais, tauromáquicos, malta do tunning e saudosistas. Dispersa a importância de certos temas, inflacionados talvez pelos meios de comunicação tradicionais, e permite que se criem novas polémicas, inúteis, esquecíveis e divertidas. Como em qualquer sala de estar também há gente mal educada, burra e cheinha de si que não suporta não ser o centro das atenções, mas isso não é culpa da blogosfera, que só é um suporte, mas sim da estupidez de quem está mal em todo o lado.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
O concurso "Grandes Portugueses", a degradação informativa da incombustível Elsa Raposo ou o nascimento do semanário «Sol».
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
A Oficina do Livro editou o "Livro da Rititi", selecção de posts do meu blogue, o Pedro Rolo Duarte convidou-me para escrever no DNA e conheci pessoas muito interessantes, generosas e inteligentes, acedo todos os dias a autores geniais, aprendo de outros. Acho que é impacto suficiente para uma cidadã de classe média.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Que tipo de edição é possível na publicação de textos pessoais a não ser a do bom gosto, o pudor, a educação ou a vergonha de cada um? A blogosfera só pode ser editorialmente livre por isso é normal que cada blogger escolha se aceita ou não comentários, se devem ser ou não moderados ou se deve aceitar qualquer tipo de opinião na caixa dos comentários.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves e José Bragança de Miranda. Agenda desta semana (13/11 a 18/11): João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Mini-entrevistas/SérieII - 54


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é José Pimentel Teixeira, antropólogo, 42 anos (http://machamba.blogspot.com).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Não gosto. Deriva da velha ideia, que encontrei quando comecei a blogar, de uma "comunidade" bloguística, com algo de comum e específico. Mero mito, pois. E altaneiro (e, paradoxalmente, juvenil). Felizmente essa coisa da "comunidade" vem a ser menos referida. Repare-se, p.ex., que ninguém diz "mediaesfera" (ou mídiaesfera, venha o diabo e escolha), "literatoesfera" ou coisas assim. Há "bloguismo", uma actividade que usa um meio de comunicação. Talvez mais transitório que outros que lhe são anteriores, cada vez mais me parece. Ou talvez apenas cansaço meu. E nessa actividade coisas e gentes muito diversas.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Não sei qual(is) o(s) acontecimento(s). Mas muitos. Vivendo longe de Portugal e não lendo os jornais não-desportivos os blogs deram-me primeira (e quantas vezes única) notícia de muitos acontecimentos nacionais, um verdadeiro regresso a Portugal após anos de distância. São, aliás, muito melhor forma de saber Portugal do que os jornais (que deixei de ler).
Quanto a acontecimentos internacionais talvez mais importante do que notícias são algumas reflexões (a lula brasileira via Origem das Espécies é um exemplo de algo que chega em primeira mão, ainda assim).
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Mau impacto. O meu início do bloguismo correspondeu a uma fase familiar de maior apelo doméstico. Nesse contexto a paixão bloguística inicial conduziu a um encerramento excessivo, a um ensimesmamento. Muito prejudicial à minnha actividade profissional, terrorista da vida familiar.
Em assuntos mais superficiais permitiu compreender que o que escrevia tinha menos apelo do que cheguei a pensar.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Quando aí houve uma polémica sobre a liberdade de expressão (aquando das caricaturas dinamarquesas sobre Maomé) escrevi-o repetidamente. A liberdade de expressão é sempre relativa, a sua defesa enquanto absoluta é uma mera falácia. Nesse sentido o bloguismo é livre. Depende da agenda de cada bloguista. Há homens livres há homens que não o são. Daí que haja bloguistas que blogam livres e outros que não o sabem ou podem.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves e José Bragança de Miranda. Agenda desta semana (13/11 a 18/11): João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira.