quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Mini-entrevistas/Série II – 126


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é http://omelhoramigo.blogspot.com).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
A palavra é bastante feliz e o conceito e realidade a que a associo ligam-se muito a um sentido de potência. Acho que a blogosfera é antes de mais uma comunidade de espaços abertos à partilha e à troca de dados, opiniões e ideias. Parece-me que esta ligação, este enorme espaço de comutação se está a tornar num dos principais veículos do pensamento na actualidade e julgo que, mais do que um movimento, estamos perante a concretização de uma dimensão nova que é verdadeiramente livre, ilimitada à partida nos efeitos que pode produzir e penso mesmo que está já em moção espontânea: uma evolução através da informação e discussão dos valores, princípios e ideias que fazem do indíviduo com tempo para pensar uma pessoa melhor.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum em particular, mas penso que os debates à volta do 11 de Setembro e das suas imensas consequências é muito mais interessante nesta redoma livre do que nas teias arquitectadas pelos media.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Foi uma descoberta a que tenho dedicado bastante tempo e algum esforço que me tem ajudado a identificar-me melhor num espaço, onde as tendências são incontáveis e os horizontes não têm fim.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sim, sem dúvida. No entanto há sempre barões infiltrados, cartéis da opinião que traficam influências para dar maior força às ideias e 'verdades' convenientes. Claro que há sempre gente forte a conduzir o pensamento bonito mas, pelo menos, aqui os dissidentes nunca se sentem nem sós nem ameaçados por outras coisas piores que palavras.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira e João Espinho. Agenda para esta semana (de 12/2 a 17/2): Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Beneplácito

Hoje acordei e vi que havia sol. Nos passeios: o brilho, os vultos, as histórias e aquele embaraço a que os românticos chamariam beleza. Dois episódios breves, no entanto: a ambulância que recolhe o vizinho de baixo e a vizinha que é estudante de piano e me dá o prazer da repetição sem fim. E quase tudo me escapa, quando fecho os olhos e revejo o sol, os passeios, o brilho, os vultos, as histórias, o embaraço, os românticos, o vizinho, a beleza, a vizinha e o piano. A leveza é uma sensação fugidia, sem ancoradouro, sem norte, sem a convicção das aves que ainda hão-de chegar.

Mini-entrevistas/Série II – 125


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é João Melo, 27 anos (1001desportos.blogspot.com).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
É um espaço de debate intenso, feroz, livre e sem contemplações. É um espaço onde se encontram pessoas inteligentes que aqui encontraram o seu espaço para exprimirem a sua opinião, fora do “establishment" da comunicação social , onde são sempre os mesmos desde há 30 anos que produzem opinião…
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas pelos blogues , nenhum . Em complemento com os blogues, as eleições autárquicas e presidenciais. Foi interessante ver nas presidenciais, os apoiantes dos diversos candidatos reunirem-se em blogues colectivos, como foi o caso do Pulo do Lobo e do Super–Mário. E vou estar atento ao debate sobre o aborto, onde os primeiros passos já estão a ser dados, como é caso do Blogue do Não.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
1.Antes, quando chegava ao trabalho a primeira coisa que fazia era ler os jornais. Hoje a primeira coisa que faço é ler os meus blogues favoritos (onde passo mais tempo do que a ler jornais...) e só depois é que leio os jornais .
2. Estar envolvido num blogue não é fácil . Vivemos do blogue, com o blogue, para o blogue. O blogue está sempre na nossa cabeça. Tornamo-nos escravos do blogue, do Sitemeter, do Tecnhoratti, do mail, das caixas de comentários .
3. Escrever um post chega a ser doloroso. Observar o mundo, pensar num tema, estruturar mentalmente o post, pesquisar, escrever, editar, formatar, escolher fotos…O blogue tira-nos tempo...
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
No que diz respeito à blogosfera portuguesa, não acredito. A blogesfera Portuguesa é uma comunidade poderosa, com “peso” na sociedade Portuguesa, onde “habitam” editores de jornais, directores de jornais, políticos no activo, na reforma e na pré–reforma. A blogosfera portuguesa é uma continuação da comunicação social Portuguesa.
Ora como não acredito que os media em Portugal tenham liberdade editorial e a blogosfera é um prolongamento da comunicação social em Portugal, logo não acredito que os blogues sejam um espaço editorialmente livres. Talvez as premissas deste silogismo estejam erradas, mas é o que acho.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira e João Espinho. Agenda para esta semana (de 12/2 a 17/2): Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Mini-entrevistas/Série II – 124


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Jorge Vaz Nande, 26 anos (http://apeste.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Um grupo aleatório de pessoas espalhadas pelo mundo que, num belo dia, decidiram que não estavam satisfeitas com os media tradicionais e descobriram que a Internet lhes permitia trocarem informação de modo mais esclarecido. Ao mesmo tempo, é a unidade produtiva (descentralizada e desconcentrada...) de um tipo de texto, o post, que, parece-me, é um género em si mesmo, sendo certo que isto será reconhecido no dia em que as suas regras específicas forem dissecadas e mumificadas e transformadas em coisa chata por alguém.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Tenho seguido muito atentamente o percurso dos novos leitores de livros electrónicos, principalmente o Sony Reader e o iLiad, através dos blogs da MobileReaad e da TeleRead.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Para além de acompanhar cerca de 230 blogues através do Bloglines, há uma pergunta que me intriga: o que há de específico no blogue? Hoje leio e escrevo muito mais na Internet, sempre com esta pergunta em vista.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Não, na medida em que aquilo que pode ser livre por si mesmo não o pode ser por aquilo que lhe é exterior. Por exemplo, eu acho que seria muito interessante fazer algo como percorrer o país a pé ou de bicicleta e escrever diariamente num blog sobre o que se vai encontrando, num tom à New Journalism. No entanto, não posso financiar essa iniciativa. Ou seja, o blog, sendo uma ferramenta mediática com custos de funcionamento reduzidos, não evita, no seu conteúdo, os limites externos da capacidade de quem o edita. Isto, é claro, também funciona ao contrário: se alguém investir muito dinheiro em algo, quererá retorno e, como tal, não arriscará num blog de nicho. O que limita a edição não é o meio, é o poder de quem o usa, e esse poder define-se hoje segundo a sua riqueza acumulada. Portanto, só seremos editorialmente livres quando, um destes dias, trocarmos as voltas a este raciocínio.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira e João Espinho. Agenda para esta semana (de 12/2 a 17/2): Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

E Deus Pegou-me Pela Cintura

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É verdade: o meu décimo romance aparecerá dentro de dez dias nas livrarias. É verdade: a Rute Monteiro tem uma vida (entre outras sete) que se desenha nas páginas desse romance (E Deus Pegou-me Pela Cintura). É verdade: quis levar a cabo - com o meu editor - uma antecipação ficcional, partindo do princípio que, nos dias de hoje, o livro já não é um objecto que possa prender a ficção no seu seio: entre capa e contracapa. No nosso mundo, a ficção e a realidade interpenetram-se cada vez mais (a efabulação dos media globais assemelha-se à dos antigos mitos), do mesmo modo que a verdade e o sentido se confrontam num tipo de ambiguidade que, dia a dia, todos experimentamos. Do cinematógrafo a Duchamp vai a distância entre a ilusão desejada e a ilusão conformada com a realidade. Pergunto: por que razão não poderá o objecto livro instalar a sua ficcionalidade fora do espaço físico que é o seu? Por que se terão escandalizado tantos espíritos "éticos" e carregados de fobia pelo diabolismo do "marketing" com esta antecipação ficcional?
De facto, se a intenção não tivesse sido misturar sadiamente realidade e ficção, não teria ficado à mostra - intencionalmente - uma série de elementos (como a palavra "romance" no blogue árabe referido no final de E Deus Pegou-me Pela Cintura). A intenção foi sempre a de criar aquele tipo de ambiguidade apelativa que era própria dos monstros medievais: chamar a atenção, efabular, praguejar e, ao mesmo tempo, discorrer sobre o real que tal apelo suscita. Deve dizer-se que houve três fases nesta escalada (e há uma quarta em secreta gestação): primeiro, a ingénua disputa da verdade vs. não verdade dos factos; depois, a tensão entre real e ficcionalidade; por fim: o próprio romance. O processo podia ter ido muito mais longe, no fim de Janeiro, quando os media de referência portugueses contactaram o jornalista Olavo Aragão para confirmar o rapto da Rute Monteiro e lhes foi contada toda a verdade (sob reserva, é claro). A decisão, nesse momento, travou o que poderia ter sido, aí sim, uma bela operação de marketing (mas há limites que quisemos respeitar). Neste momento, há ainda - repito - uma "gestação" em aberto: tal como se provou com A Falha (1998), é verdade que um romance não é apenas um livro. É sobretudo um percurso imaginado que pode ser moldado através da liberdade que ele mesmo, no seu modelo abstracto, já prefigura e muitas vezes indicia.
Queria agradecer a todos: aos muitos blogues cúmplices (entre muitos outros, este, este, este, este, este, este, este, este e também este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, este, este e ainda este) aos blogues contendores, aos blogues testemunhadores, aos blogues observadores e, claro, aos blogues escandalizados. A todos o meu sincero Obrigado.
Em breve, muito em breve, darei aqui nota dos lançamentos que já se preparam.

Mini-entrevistas/Série II – 123


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Henrique Raposo (http://revista-atlantico.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Ausência de hierarquia. Liberdade total. Gente notável a escrever que merecia espaço na imprensa tradicional. Perco mais tempo a ler a opinião em blogues do que a opinião nos jornais. Hoje em dia, a opinião, em Portugal, passa muito pela blogosfera porque a opinião em jornal está chata, velha, sem golpe de asa. Mas, atenção, jornal é jornal. Mas também existe uma coisa que me enerva: o anonimato. Perdão: a cobardia do anonimato, quer na autoria de blogues, quer nos comentários. Pior ainda é quando alguém que nos conhece usa os comentários anónimos para nos atacar, para dizer aquilo que não tem coragem de dizer na cara. Patético. Por causa deste anonimato, deixei de permitir comentários. Não gosto de ser poste para mijinha de ódio, como diria o Pedro Mexia.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que maisintensamente seguiu apenas através de blogues?
Não sigo acontecimentos na blogosfera. A blogosfera não é uma fonte de informação. É um espaço de debate, depois da recolha da informação. Existe hoje uma atitude de "novo rico" na blogosfera. Alguma pessoas acham que a blogosfera pode ser uma plataforma concorrencial da velha imprensa. Erro. A Blogosfera não é uma central de informação. É arena de opiniões. Seguir um acontecimento pela blogosfera é o mesmo que seguir um acontecimento lendo apenas colunas de opinião.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Provavelmente, sem a aparição na blogosfera não teria recebido uma ou outra proposta de trabalho. Fiz amigos. Chega?
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?O que é isso?
Não faz sentido falar-se em "editorialmente" quando o assunto é a blogosfera. Blog é livre. Ponto. Sem necessidade do "editoralmente". Por exemplo, um blogue com estatuto editorial não faz sentido. A palavra "editoral" é coisa institucional. Coisa de jornal. O blogue tem de ser a selva privada de cada um. E o resto é conversa. A blogosfera é um espaço notável. Faz parte do meu dia a dia. Mas nunca será como a imprensa escrita. Jornais são jornais, deixemo-nos de tretas. Os blogs podem contribuir para a inovação e melhoria dos jornais, mas nunca substituirão a imprensa escrita. Jornal é mesmo espaço público. Blog é coisa semi-privada.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira e João Espinho. Agenda para esta semana (de 12/2 a 17/2): Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Blogar pouco

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É a escrita, é a escrita: uma sebe comprida e quase selvagem que cobre buganvílias, jardineiras e os ramos solitários da ameixoeira. Uma frase sem fim que recobre lagos de água parada, chuva de vez em quando e o brilho dos telhados que me acena, quando o gato olha através das vidraças do escritório e pensa "o gajo é maluco, não sai dali há dez dias". Pois é, um felino tem sempre razão.

Mini-entrevistas/Série II – 122


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é João Espinho, tradutor-correspondente, 48 anos (http://pracadarepublica.weblog.com.pt/).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Diz uma quantidade de coisas, pois a "blogosfera" será a soma de todos os blogues mais os seus editores e a que vamos adicionando os adictos leitores.
É muita gente, a falar de tudo e de nada, sendo que a grande parte fala (quase) sempre do mesmo.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum em particular. Os blogues têm a característica - que para uns é vantagem, para outros precisamente o contrário - de touch and go. O aprofundamento fica suspenso e raramente chegamos ao cerne. Mas sento-me (e sinto-me) confortavelmente a ler blogues, como complemento para o enriquecimento da (in)formação.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Não falo dos outros. E falando do meu, diria que os impactos têm sido muitos. Bons e menos bons. O meu blogue deu-me a conhecer à mulher com quem estou hoje. O blogue foi também uma forma de deixar de ser espactador silencioso e resignado, para passar a ser um "ruidoso" observador, às vezes um actor/figurante que raramente olha para o "ponto". A exposição trouxe-me inimigos, onde antes estavam adversários. E já não falo dos vários e sucessivos arranhões na viatura que, coitada, não deveria ter culpa nenhuma daquilo que escrevo e sou.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Não. A auto-censura ( e cada um terá as suas motivações ) corta-nos a liberdade.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete e Maria João Eloy. Agenda para esta semana: André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira e João Espinho.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Mini-entrevistas/Série II – 121


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é José Bandeira (http://bandeiraaovento.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Uma praça pública onde os desconhecidos são descobertos e os conhecidos são expostos. Um maquinismo globalizante produtor de desperdício e de ocasionais preciosidades, como uma esferográfica. O sistema de comentários do Grande Blogue Cósmico. Um local onde homens e mulheres socializam vestidos de forma imprópria. Uma fantástica revolução editorial, comunicacional e civilizacional quando nos persuadimos de que o universo está interessado no que escrevemos. Um meio artificial e execrável habitado por ignorantes, invejosos e analfabetos se descobrimos que não está.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O peso acrescido dos portáteis na mochila.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Não sei se posso dizer isso.
e
Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete e Maria João Eloy. Agenda para esta semana: André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira e João Espinho.