quinta-feira, 9 de março de 2006

Mover o que há a mover

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Às vezes faltam palavras, mas ficam os factos. Todos os factos: os grandes e os pequenos.

Confirmou-se o que aqui ontem escrevi, apesar das "três pancadas" no ecrã que o JPT - e bem - aconselhou.

Lembro-me das profecias (ou eram atoardas?) que o Maradona escreveu e que o Francisco na altura secundou com alguma euforia.

Ficam os factos, alguns menores certamente. Outros - os que interessam - passaram-se ontem no relvado de Anfield.

quarta-feira, 8 de março de 2006

O "gender" e o abismo

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Sobrepor a "paridade" à qualidade não só menoriza as mulheres como sobretudo estupidifica a sociedade. Mas parece ser esse o intuito de um projecto de lei do PS - com o apoio missionário do BE - que pretende obrigar as listas eleitorais a um "limite mínimo de representação por sexos de 33,3 por cento" (ver Público: sem links).
Se a medida fosse aplicada à composição das turmas nas universidades, grande parte das actuais alunas ficaria à porta, enquanto esse novo tipo de delinquente que dá pelo nome de "homem" preencheria uma boa parte dos lugares (de que anda misteriosamente arredado há anos e anos).
Misturar o "gender" com decisões administrativas e políticas conduz as sociedades ao paternalismo absurdo. O "gender" é giro, sim senhor, mas é para mesas redondas, para este tipo de polémicas e para os novos entertainments que dão emprego e motivo de tese a "investigadores" e a professores de mestrado especializadíssimos. Mas misturar a lógica do "gender" com engenharias socias perfectíveis e sobretudo impostas é entrar no limiar da intolerância.
Pelos vistos, há muito boa gente que insiste em não ter aprendido as lições do século passado. E ainda por cima - estou quase certo disso -acreditam ingenuamente que este tipo de despotismo celebratório irá resolver as "desigualdades" entre sexos.

Ninguém tira a esperança ao Benfica

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Tal como os fãs do Everton por lá, também alguns pardos azuis de cá anseiam pela via perversa (a vida não teria tanta graça se assim não fosse). A ameaça de incêndio - e de bomba - e a lesão de Petit já ninguém lhes tira: um e outro factos terão sido uma espécie de aperitivo matinal para gaúdio próprio. No entanto, confesso que não sendo o Liverpool de hoje um Mónaco ou uma Lazio de ontem, sei que tudo pode acontecer. O que já não é nada mau.
Depois da frenética travessia do deserto - esse "fantasma" de boa parte dos nineties (e que teve o seu assumido clímax em Vigo) -, aprendi que uma grande equipa se caracteriza por saber lidar com a expectativa da derrota como se fosse sempre a de uma vitória, ou seja: sem aquela euforia nova-rica de quem começou a vencer há pouco tempo, sem disforia também, mas sobretudo sem a aparente máscara carnavalesca da invencibilidade (o antigo e paroquial "Complexo de Meirim" - os mais velhos lembram-se).
O grande Clube (com "C" grande) será sempre uma questão de arrojo e de mito, é certo. Mas de nada valerá a história e a marca, se a crença e o trabalho árduo sobre o relvado forem a sombra do "fantasma" e não o reflexo do risco e das expectativas em aberto. Curiosamente, os jogadores do Liverpool já mudaram o tom das suas declarações: antes do jogo da Luz, viam no Benfica a mera sombra do "fantasma", mas agora passaram subitamente a respeitar o Benfica e a entrever na sua atitude sinais de risco. Por outras palavras: reconhecem que está tudo em aberto.
Sinceramente, gostaria apenas que Benitez dissesse no final da eliminatória o que Adriaanse foi levado a dizer - com franqueza - na última vez que foi derrotado pelo Benfica: "Mais agressividade, mais organização, mais...". Vai ser muito difícil. Mas estamos cá para acreditar. Seja qual for o desfecho. Aliás, a luta romântica "pela camisola", que era própria do discurso do futebol há trinta ou quarenta anos, equivale hoje essencialmente à partilha do factor surpresa (saber surpreender os poderes do futebol: as grandes empresas, os passes caros e galácticos, a conjura instalada, as arbitragens em certos estádios e as apostas irrefutáveis).

terça-feira, 7 de março de 2006

Irmãos Unidos

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Soube agora pelos amigos do bairro que este famoso Pessoa do Almada vai regressar à Casa Fernando Pessoa (onde vive há uma dúzia de anos). Mas eu que sou mais velhinho do que a média da malta da blogosfera - embora não pareça -, lembro-me como se fosse hoje de o ver no local para que foi originalmente encomendado em 1954 (data, afinal, do meu nascimento): o restaurante "Irmãos Unidos".
Era uma vasta sala, um belo volume cheio de vidraças que ligava, ao lado da Suíça, o Rossio à Praça da Figueira (não há registos na rede). Devia ter cinco ou seis anos, quando os meus pais ali me levaram por mais do que uma vez (e ao meu irmão, claro). Aquelas formas e aquela luminosidade solar ficaram-me na lenta austeridade da alma. Lembro que, quer o meu pai, quer a minha mãe sublinharam na altura o carácter ímpar da obra. Já não sei como, nem com que palavras. Mas a mensagem - como se diz agora - ficou.
Por essa razão, à época, o "Irmãos Unidos" não era apenas aquele salão sem fim que o olhar de uma criança ajudava a expandir; o "Irmãos Unidos" era sobretudo aquele estranho quadro que persistia em dar forma ao poeta sibilino. Obrigado, pois, por ter ficado a saber que ele está vivo. Mais um motivo para voltar a subir a rua...

As novas naus

Ontem a imprensa referiu-se aos perigos potenciais dos aeródromos que abundam por esse país fora. Hoje, em brevíssima pesquisa, verifiquei que só a cidade de Évora é servida por quatro. O principal é quase uma OTA (ei-lo aí em baixo, tem uma academia aeronáutica e tudo). Mas os outros são interessantíssimos. Um fica na (para mim familiar) Nossa Senhora de Machede (a 13 Km da cidade), outro em S. Manços (a uns 14 Km) e o outro fica situado na Herdade da Amendoeira (perto de Montemor-o-Novo, a cerca de 20 Km de Évora).
Nos fins-de-semana já sei onde receber os amigos.
Agora imagine-se uma “pesquisa avançada” cidade a cidade, vila a vila, ao longo de todo o rectângulo. A conclusão havia de ser espantosa.
Portugal é afinal um país de aventurosos Ícaros em chamas (ou de cosmonautas "desempregados")!
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Aeródromo de Évora.

Aeródromo de Nossa Senhora de Machede.

Aeródromo de Fortunato (S. Manços).

Aeródromo da Herdade da Amendoeira.

"Complexity and color"


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Uma das escravas estaria a sós no mundo, a outra de faca na mão e um último – não sei se acabado de desembarcar - de alfaias douradas no penderucalho. Aliás, segundo rezam as crónicas, Octaviano portou-se “como um boi”, Marco António como uma espécie de harpa indignada ("I did not realize until now what a wicked old harpy you are") e Vergília - vestida por Versage - limitou-se a espelhar o lusco-fusco das ligações perigosas.
Belo episódio, o de ontem (foi o sexto num total de doze: não há virtudes a meio).
No outro lado do cosmos, Átia falhou para já o desafio dos duques, embora saiba que o futuro lhe pertence. Bastará vaticinar outros barcos vitoriosos que trarão um dia a Alexandria o brilho do império. Nos arrabaldes da ciosa, bela e putrificada Roma, dias antes da partida da Décima Terceira, Voreno desesperou nas longas barbas de Baco e ouviu a seu tempo o som idílico do cravo (ou terá sido gongue?). Um golo de sumo entre princípios morais, pelo menos. A julgar pelas ondas do mar, que parecem ter feito das suas, foi devoração merecida.
Acrescenta o oráculo, no entanto, que existe uma ilha salvadora em pleno Adriático que espera pelas luas desavindas. Talvez por lá se encontrem noutros trânsitos Tadzio, Durell, ou quem sabe se Ulisses. Todos à espreita do espesso “Pompeian blood”.

segunda-feira, 6 de março de 2006

Cultura nas colinas

Nos eléctricos de Lisboa, aprendem-se línguas. Mas sobretudo a língua de Dumas, Gautier e Proust:
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"Beware of pickpockets
Attention aux pickpockets
Atenção aos carteiristas".

Os poentes de Unamuno

É uma daquelas cenas habituais em Portugal: um pequeno grupo, umas quatro ou cinco pessoas vestidas de preto e a falar dos males da saúde. Quando passei pela mancha comiserada que interrompia o passeio, ouvi esta máxima: “Era para morrer, mas fiquei ainda pior”.

Óscares

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Não adivinhei, mas quase (como aqui escrevi há pouco tempo, existe um outro Crash que eu creio ter outra consistência). Seja como for, mais valeu este Crash do que a esponjosa avalanche do tematicamente correcto. Hollyhood diz-nos, ano a ano, para não nos cansarmos. Devagar devagarinho se vai ao outro lado da rua.

domingo, 5 de março de 2006

Estas coisas da RTP1

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Mas quando é que o "senhor Zola do século XXI"* deixa de piscar o olho no fim do telejornal? Eu bem sei que é uma questão de gosto, mas se desvalorizarmos o gosto em demasia o que vai ser feito daquele relógio de pulso?
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*A expressão é de um carniceiro meu amigo.