sexta-feira, 30 de abril de 2004

Gástricas



No Causa nossa conta-se a história algo bacoca de uma separação amorosa por causa dos leões do Jardim Zoológico. É uma ficção que não cabe nas expectativas e no tom ponderoso do dito blogue. Dá para pensar.
Alentejanas

Podia ter piada mas não tem patavina. É como contar na Terra uma anedota passada em Plutão. Às vezes, o silêncio fazia bem à música de fundo dos místicos. (só espero que não se ponham a imaginar que eu fiz uma leitura política. Ainda me iriam chamar cristalino).
Hediondo

Torturar não é apenas um crime. É um terrível atentado à humanidade. Não se espera que um exército de um país democrático possa sequer imaginar o acto de tortura. Estas imagens - não as publico - exigem um Watergate, um rápido Wargate. A CBS deu o primeiro passo. Na boa tradição, em Washington D.C., tudo pode acontecer. Oxalá.
Gris, gris, l´amour est gris...



Segundo Ana Alves, vivemos "tempos puritanos e alienados". O olhar faz a vista. O pretexto para a afirmação não é tanto Bergman, mas sobretudo o resultado de uma tradução. Já se sabe que traduzir não é uma mera operação linguística, longe disso; é, sim, em primeiro lugar, uma transposição de modelos mentais. E o que é que se transpõe, quando, à nossa volta, todos os sinais permitem deduzir que habitamos uma era puritana e alienada? Spleen, Voyance, paraíso de dandies. Eu adoro o meu tempo.
Assédio



O João Morgado Fernandes fala de um dos panoramas visuais que mais sigilosamente me assedia em tempo de aulas: o orgulho delas no umbigo. Tudo bem! A episteme roça na tatuagem e faz tru tru. E eu, ali, caladinho como se nada fosse! Professor comporte-se! Mas há dias, como este, enfadonhos e pouco solares, em que um pequeno desabafo não faz mal a ninguém!
Categorias novecentistas

"Um amigo comentava que comer no chinês é de esquerda." (via Voz do Deserto)
Anónimos e livros



O Tomara que Caia faz relatos deliciosos sobre visitas a livrarias. Tudo porque o ponto de vista do blogue é precisamente uma livraria. E, agora, inquiro eu com natural prudência: onde fica essa livraria?

quinta-feira, 29 de abril de 2004

Nudez



Uma vez fui a casa do Vergílio Ferreira e ele tinha acabado de pousar à sua frente uma prancheta coberta de folhas minusculamente desenhadas pelo seu escrupuloso alfabeto de lupa. Já não sei do que falávamos, mas lembro-me da suspensão súbita e da frase quase conclusiva: - No início vamos por todos os caminhos, pelo emaranhado, mas, depois, há uma selecção que vem ter connosco e que se impõe misteriosamente. Foram mais ou menos estas as suas palavras. Havia qualquer coisa de inviolável em Vergílio Ferreira. Uma frescura embevecida pela escolha que o encontrou, tantas vezes com humor, na pele de homem que ainda acreditava na literatura ao nível dos grandes marcos da espécie. Uma súbita e deslocada saudade. E assim se confessa, admirado consigo mesmo, um dos tempos da intimidade que se esvai, dia a dia, no esfumado e instantâneo tempo dos blogues.
P.E.

Estou de acordo: a pastilha elástica de Portas faz parte do terceiro mundo que há em nós. Desprezível. Sem nível. Nada cível.
Mátrias velozes



Mas que grande Marta!