Agarra que é alegado
“Alegadamente” é um advérbio de modo muito caro aos jornalistas. Mas não só. Tal como a forma cúmplice de natureza adjectiva “alegado/alegada”, significa tudo e nada, mas sobretudo suplanta a necessidade de pôr a nu as fontes do que se fala. Faz jeito. E tudo o que discutimos - não sei se já repararam nisso - é “alegado”. São os “alegados” candidatos ao P.E. ou a P.R., são os “alegados” terroristas, é o “alegado” défice, é a “alegada” vitória de Kerry, são as “alegadas” testemunhas do caso Y, é a “alegada” captura de Bin Laden, é o “alegado” autor do Pipi, é tudo “alegado”. Até - entre outros - o actual Ministro da Cultura é “alegado”, salvo seja.
domingo, 29 de fevereiro de 2004
Gibson e o logro anunciado - 2
O Next Book, um portal sobre cultura judaica, dá voz a vários autores sobre o muito falado filme de Gibson. É um fórum interessante.
O Next Book, um portal sobre cultura judaica, dá voz a vários autores sobre o muito falado filme de Gibson. É um fórum interessante.
sábado, 28 de fevereiro de 2004
Gibson e o logro anunciado
Andrew Sullivan afirma no seu blogue que o filme de Mel Gibson, The Passion of the Christ, é pornográfico. A ideia é retomada numa interessante carta ao editor do New York Times onde se adicionam epítetos bastante fortes à fita de Gibson, tais como “anti-semita”, “anti-católico” ou “anti-cristão”. Mas o aspecto mais estimulante dessa carta é a comparação estabelecida entre a teia da Paixão segundo Gibson e a catarse trágica do 11 de Setembro que o Oxblog desenvolve do seguinte modo:
“The comparison of the Passion to September 11th raises an interesting point. To what degree is an immediate inundation of the senses necessary to overcome the detachment that develops in time? Having lived through September 11th, we have no need to watch the planes crash again and again. But are there Christians who might be inspired by this sort of film, which goes beyond the violence of gospel? Or does a reliance on such fare suggest a spiritual failure on the part of the Church to inspire its members with the ideas that Christ stood for?”
Eu prefiro esperar para ver o filme. Embora não seja insensível à negatividade do pathos que adopta a materialidade e a exposição carnal do sofrimento para tão-só o evocar, denotar, ou transpor para outra putativa dimensão. Esperar para ver, numa palavra.
Andrew Sullivan afirma no seu blogue que o filme de Mel Gibson, The Passion of the Christ, é pornográfico. A ideia é retomada numa interessante carta ao editor do New York Times onde se adicionam epítetos bastante fortes à fita de Gibson, tais como “anti-semita”, “anti-católico” ou “anti-cristão”. Mas o aspecto mais estimulante dessa carta é a comparação estabelecida entre a teia da Paixão segundo Gibson e a catarse trágica do 11 de Setembro que o Oxblog desenvolve do seguinte modo:
“The comparison of the Passion to September 11th raises an interesting point. To what degree is an immediate inundation of the senses necessary to overcome the detachment that develops in time? Having lived through September 11th, we have no need to watch the planes crash again and again. But are there Christians who might be inspired by this sort of film, which goes beyond the violence of gospel? Or does a reliance on such fare suggest a spiritual failure on the part of the Church to inspire its members with the ideas that Christ stood for?”
Eu prefiro esperar para ver o filme. Embora não seja insensível à negatividade do pathos que adopta a materialidade e a exposição carnal do sofrimento para tão-só o evocar, denotar, ou transpor para outra putativa dimensão. Esperar para ver, numa palavra.
Equívocos & direitos de autor: o caso James Joyce
A União Europeia conferiu ao neto de James Joyce, Stephen, os direitos de autor até 2011. As consequências irão sentir-se já claramente no centésimo aniversário do Bloomsday que terá lugar no próximo dia 16 de Junho. O blogue australiano Crooked Timber reflecte sobre o assunto. E vale a pena ler.
A União Europeia conferiu ao neto de James Joyce, Stephen, os direitos de autor até 2011. As consequências irão sentir-se já claramente no centésimo aniversário do Bloomsday que terá lugar no próximo dia 16 de Junho. O blogue australiano Crooked Timber reflecte sobre o assunto. E vale a pena ler.
Cinema independente
Vem aí o chamado “6th International Panorama of Independent Directors of Film and Video” que terá mais uma vez lugar em Salónica, no início do próximo mês de Outubro. Fica o rebusco para os interessados.
Vem aí o chamado “6th International Panorama of Independent Directors of Film and Video” que terá mais uma vez lugar em Salónica, no início do próximo mês de Outubro. Fica o rebusco para os interessados.
Manuela Magno candidata
via Terra Estranha
Hoje, na TSF (às 11 h da manhã), uma mulher portuguesa, maestrina e docente de música da Universidade de Évora, de seu nome Manuela Magno, anuncia a pré-candidatura à Presidência da República. Isto promete. Santana deverá estar atento. Mas não só, a avaliar pelas recentes sondagens.
via Terra Estranha
Hoje, na TSF (às 11 h da manhã), uma mulher portuguesa, maestrina e docente de música da Universidade de Évora, de seu nome Manuela Magno, anuncia a pré-candidatura à Presidência da República. Isto promete. Santana deverá estar atento. Mas não só, a avaliar pelas recentes sondagens.
Parabéns Benfica!
Um centenário é um centenário. E um palmarés inigualável é um palmarés inigualável.
Um centenário é um centenário. E um palmarés inigualável é um palmarés inigualável.
Tusa
Telejornal das oito da noite. A jornalista (dantes dizia-se locutora) fala acerca dos camionistas que erram pela fria Vilar Formoso e exclama, a certa altura, de olhos muito abertos - “Está instalado o caos, não é assim?” - A correspondente da RTP afasta o cabelo da cara e dá vivas ao entusiasmado aceno com um enternecido e veemente - “Sim”. Os camionistas mantêm-se estóicos, barbudos, cansados e naturalmente impacientes. Deambulam pelo parque apinhado de TIRs junto à fronteira e as curtas entrevistas que lhe dão voz ilustram o gáudio das jornalistas: - Que bom, está instalado o caos! A malta gosta é de caos, de tragédias, de dramas pesadotes, de “gandas ntícias”! Tusa, pois então.
Telejornal das oito da noite. A jornalista (dantes dizia-se locutora) fala acerca dos camionistas que erram pela fria Vilar Formoso e exclama, a certa altura, de olhos muito abertos - “Está instalado o caos, não é assim?” - A correspondente da RTP afasta o cabelo da cara e dá vivas ao entusiasmado aceno com um enternecido e veemente - “Sim”. Os camionistas mantêm-se estóicos, barbudos, cansados e naturalmente impacientes. Deambulam pelo parque apinhado de TIRs junto à fronteira e as curtas entrevistas que lhe dão voz ilustram o gáudio das jornalistas: - Que bom, está instalado o caos! A malta gosta é de caos, de tragédias, de dramas pesadotes, de “gandas ntícias”! Tusa, pois então.
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