Falha
Devido a uma forçada passagem de perfil do meu computador principal para o portátil, peço desculpa pelo temporário desarranjo na configuração do blogue que ocorreu no decorrer da operação. Em breve, voltará tudo à normalidade.
quinta-feira, 2 de outubro de 2003
Ainda o novo nobel
Em Africaans - de que o apelido "Coetzee" é vestígio certo - o nome do novo nobel deverá ler-se "KutZei" (mar de Coet).
Outras informações aqui.
Em Africaans - de que o apelido "Coetzee" é vestígio certo - o nome do novo nobel deverá ler-se "KutZei" (mar de Coet).
Outras informações aqui.
J. M. Coetzee é o novo nobel da literatura
Vi por mero acaso o directo que anunciou o novo nobel da literatura. Prado Coelho era o convidado da Sic-Notícias. Após o anúncio fiquei a saber que o novo nobel é um "duro" sul-africano, um "cosmopolita" talvez um pouco dandy e que usa geralmente "sapatos de cor vermelha", daí a alcunha que lhe é atribuída.
Dir-se-á que o trabalho de casa de EPC ficou, desta vez, bastante aquém.
Vi por mero acaso o directo que anunciou o novo nobel da literatura. Prado Coelho era o convidado da Sic-Notícias. Após o anúncio fiquei a saber que o novo nobel é um "duro" sul-africano, um "cosmopolita" talvez um pouco dandy e que usa geralmente "sapatos de cor vermelha", daí a alcunha que lhe é atribuída.
Dir-se-á que o trabalho de casa de EPC ficou, desta vez, bastante aquém.
O enigma do sofrimento
O que faz o Ocidente ao prostar-se diante de um corpo a sofrer ? O que faz o Ocidente ao inclinar-se perante imagens seculares de sofrimento ? O que faz o Ocidente ao dissociar a tradição religiosa do pathos do sofrimento que tanto alimenta ?
Vejo o Papa quase moribundo a transformar-se no alvo das declarações de Ratzinger e a converter-se no centro das declarações emocionadas de mil e uma pessoas que o imaginam entre o terreno e um qualquer patamar mirífico que seria indissociável das marcas de quem tem que sofrer.
Porquê tanta ênfase dada ao sofrimento ?
Porquê inscrever a dor na reiterada tentação de uma redenção, ou de uma libertação ?
Lembro-me de um japonês algures em Espanha, há muito anos, impressionadíssimo com um altar barroco. Também me lembro dos camicases (esccrevamo-los em Português).
Não seria preciso lembrar os camicases quando eles estão e são, infelizmente, presentes.
Como escreveu Paulo José Miranda: "O frio fica majestoso/ com as suas vestes brancas./ Parece-se tanto com o ódio,/ este nevoeiro interior/ depois da sementeira perdida".
O que faz o Ocidente ao prostar-se diante de um corpo a sofrer ? O que faz o Ocidente ao inclinar-se perante imagens seculares de sofrimento ? O que faz o Ocidente ao dissociar a tradição religiosa do pathos do sofrimento que tanto alimenta ?
Vejo o Papa quase moribundo a transformar-se no alvo das declarações de Ratzinger e a converter-se no centro das declarações emocionadas de mil e uma pessoas que o imaginam entre o terreno e um qualquer patamar mirífico que seria indissociável das marcas de quem tem que sofrer.
Porquê tanta ênfase dada ao sofrimento ?
Porquê inscrever a dor na reiterada tentação de uma redenção, ou de uma libertação ?
Lembro-me de um japonês algures em Espanha, há muito anos, impressionadíssimo com um altar barroco. Também me lembro dos camicases (esccrevamo-los em Português).
Não seria preciso lembrar os camicases quando eles estão e são, infelizmente, presentes.
Como escreveu Paulo José Miranda: "O frio fica majestoso/ com as suas vestes brancas./ Parece-se tanto com o ódio,/ este nevoeiro interior/ depois da sementeira perdida".
quarta-feira, 1 de outubro de 2003
Fumo sem fogo
No final do século XV, o saber astrológico previu um alinhamento planetário para o início de 1524 (no signo Aquário). Durante essas quase três décadas foi impressionante o número de textos e de comentários que interpretaram as mais diversas ocorrências ao sabor de um fim do mundo em jeito diluviano que nunca chegou a acontecer. O livro de Ottavia Nicolli, Profeti E Popolo Nell'Italia Del Renascimento (GIUS, Laterza & Figli SPA, Roma-Bari, 1987) conta a história toda (há também uma tradução inglesa).
Nos dias de hoje, os apagões estão a tornar-se nesse tipo de ocorrências que parece apontar para uma outra maior e terrível. E não há conversa em que o estigma do 11/09 não surja amiúde como a amostra exacta para o formato catastrófico que se prenunciaria. Seja como for e bem vistas as coisas, não há quaisquer precedentes históricos para um rol já tão vasto: foi a costa nordeste americana, foi Londres, foram partes de Françaa e da Dinamarca e agora foi a experiência de um país inteiro: a Itália (aliás, foi na Itália que os temores do alinhamento de 1524 mais se fizeram sentir).
Esta semana, o Departamento de Estado norte-americano foi alvo de um ataque informático no sistema de vistos que tem por objectivo descobrir possíveis terroristas. E lã se põe a gente a pensar que o hiperterrorismo anda mesmo a tramá-las. Já se sabe que eu sou um desconstrutor do pensamento profético, mesmo na contemporaneidade.
Mas que não há fumo sem fogo, lá isso não há.
No final do século XV, o saber astrológico previu um alinhamento planetário para o início de 1524 (no signo Aquário). Durante essas quase três décadas foi impressionante o número de textos e de comentários que interpretaram as mais diversas ocorrências ao sabor de um fim do mundo em jeito diluviano que nunca chegou a acontecer. O livro de Ottavia Nicolli, Profeti E Popolo Nell'Italia Del Renascimento (GIUS, Laterza & Figli SPA, Roma-Bari, 1987) conta a história toda (há também uma tradução inglesa).
Nos dias de hoje, os apagões estão a tornar-se nesse tipo de ocorrências que parece apontar para uma outra maior e terrível. E não há conversa em que o estigma do 11/09 não surja amiúde como a amostra exacta para o formato catastrófico que se prenunciaria. Seja como for e bem vistas as coisas, não há quaisquer precedentes históricos para um rol já tão vasto: foi a costa nordeste americana, foi Londres, foram partes de Françaa e da Dinamarca e agora foi a experiência de um país inteiro: a Itália (aliás, foi na Itália que os temores do alinhamento de 1524 mais se fizeram sentir).
Esta semana, o Departamento de Estado norte-americano foi alvo de um ataque informático no sistema de vistos que tem por objectivo descobrir possíveis terroristas. E lã se põe a gente a pensar que o hiperterrorismo anda mesmo a tramá-las. Já se sabe que eu sou um desconstrutor do pensamento profético, mesmo na contemporaneidade.
Mas que não há fumo sem fogo, lá isso não há.
Nome
Foi nos altos da cidade de Haifa, em Israel, perto do Monte Carmelo, nesse local mágico de onde se avista o Mediterrâneo oriental e os vestígios setentrionais da Tiro fenícia que tive uma notícia surpreendente. Ou seja, de um momento para o outro, fiquei a saber que a tradução hebraica da palavra "Carmelo" (Karm+Al) significava “Videiras de Deus”. Não sei se esse nome acabou por ter alguma relação com as muito posteriores Carmelitas, as quais o destino havia de tornar nas grandes difusoras do nome e não tanto, já se vê, do seu desconhecido significado etimológico original e profundo. Fosse como fosse, a partir de então, eu passei a entender de uma outra forma a errância mediterrânica do nome Carmelo para ocidente (a direcção do "Garb", ou do local onde o sol se põe como dizem os árabes), sobretudo na Sicília e no amplo levante ibérico. Mais a Oeste, mais concretamente em Portugal, creio que as Carmelitas apenas deram entrada em finais do século XIII, na margem esquerda do Alentejo, e em Évora, capital do Cartuxa e Peramanca, já na terceira década do século XVI. E eis como um nome se faz coisa.
Foi nos altos da cidade de Haifa, em Israel, perto do Monte Carmelo, nesse local mágico de onde se avista o Mediterrâneo oriental e os vestígios setentrionais da Tiro fenícia que tive uma notícia surpreendente. Ou seja, de um momento para o outro, fiquei a saber que a tradução hebraica da palavra "Carmelo" (Karm+Al) significava “Videiras de Deus”. Não sei se esse nome acabou por ter alguma relação com as muito posteriores Carmelitas, as quais o destino havia de tornar nas grandes difusoras do nome e não tanto, já se vê, do seu desconhecido significado etimológico original e profundo. Fosse como fosse, a partir de então, eu passei a entender de uma outra forma a errância mediterrânica do nome Carmelo para ocidente (a direcção do "Garb", ou do local onde o sol se põe como dizem os árabes), sobretudo na Sicília e no amplo levante ibérico. Mais a Oeste, mais concretamente em Portugal, creio que as Carmelitas apenas deram entrada em finais do século XIII, na margem esquerda do Alentejo, e em Évora, capital do Cartuxa e Peramanca, já na terceira década do século XVI. E eis como um nome se faz coisa.
Frases felizes - 13
"Interessam-me as maldições de errância, quando alguém é condenado a andar permanentemente à procura de um lugar que não existe e por isso não pode nunca parar" (Abrupto)
"Interessam-me as maldições de errância, quando alguém é condenado a andar permanentemente à procura de um lugar que não existe e por isso não pode nunca parar" (Abrupto)
Regresso do Aviz
Regressou o Avis. Não lhe desejo o que os portistas estão sempre a desejar ao Benfica. Pelo contrário. Desejo-lhe apenas que volte ao seu fulgor habitual, para que o "retrato que traz preso aos olhos" volte a flutuar no ponto morto do tempo onde a acrobacia separa o dito do não-dito que vai fazendo a blogosfera.
Regressou o Avis. Não lhe desejo o que os portistas estão sempre a desejar ao Benfica. Pelo contrário. Desejo-lhe apenas que volte ao seu fulgor habitual, para que o "retrato que traz preso aos olhos" volte a flutuar no ponto morto do tempo onde a acrobacia separa o dito do não-dito que vai fazendo a blogosfera.
Música & o Mais
Depois de ter passado uma noite em regime de lost Highway (as autoestradas nocturnas, solitárias e sob bátegas de chuva têm um sabor a intemporalidade), eis-me chegado ao dia mundial da música. Para o comemorar, dei ordens digitais para que se ouvisse o concerto para piano nº 3 do Ludwig. Clássico qb.
E agora fica pergunta no ar: por que não existe um dia mundial que celebre todos os dias mundiais já existentes ?
Talvez com a criação desse dia desconcertante entendêssemos melhor os ardis com que se tem edificado a tradição moderna da memória. Em minha opinião, muito institucional e sobretudo propensa à demagogia subliminar.
Mas a música não tem culpa disso. Nem a SIDA (quando é dia mundial da SIDA). Nem a criança (quando é dia mundial da criança).
Mas hoje, pensamentos de lado, o que vale é brindar e gritar a plenos pulmões: VIVA A MÚSICA !
Depois de ter passado uma noite em regime de lost Highway (as autoestradas nocturnas, solitárias e sob bátegas de chuva têm um sabor a intemporalidade), eis-me chegado ao dia mundial da música. Para o comemorar, dei ordens digitais para que se ouvisse o concerto para piano nº 3 do Ludwig. Clássico qb.
E agora fica pergunta no ar: por que não existe um dia mundial que celebre todos os dias mundiais já existentes ?
Talvez com a criação desse dia desconcertante entendêssemos melhor os ardis com que se tem edificado a tradição moderna da memória. Em minha opinião, muito institucional e sobretudo propensa à demagogia subliminar.
Mas a música não tem culpa disso. Nem a SIDA (quando é dia mundial da SIDA). Nem a criança (quando é dia mundial da criança).
Mas hoje, pensamentos de lado, o que vale é brindar e gritar a plenos pulmões: VIVA A MÚSICA !
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