segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Novos cursos EC.ON

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À oferta de 2012 (ver aqui os doze cursos), juntar-se-á, na Primavera que se aproxima, um novo curso de Cultura Contemporânea e um outro designado Literaturas Proféticas / Representações do futuro.

A Luz da Intensidade

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Estará nas bancas em Março: edição da Quetzal e um título cheio de intensidade.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Escrita Criativa - novos cursos EC.ON

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A oferta de cursos de escrita criativa da EC.ON (EscritaCriativaOnline.com) para este ano de 2012 está a ser muito bem recebida. De salientar a forte redução das propinas (uma média de 20%). Ver tudo aqui.
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Para além dos doze cursos que a EC.ON oferece, abriu já um novo conjunto de cursos leccionado por escritores convidados, nomeadamente por Patrícia Reis, Filipa Melo, Margarida Fonseca Santos e Paulo Querido. Ver tudo aqui.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mais um poema

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o presente é o cipreste de ouro:
e
rasga o vinco do arado quando avança entre magnólias
e outras espécies menores
e
alonga-se como se fosse um cisne apressado
a fazer a vez do tempo
e
os ramos empurram-se uns aos outros
e o traço de cera arde à luz do sol e assim se desfaz
e se faz ouro

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O último poema de hoje

e


estende
o corpo húmido
de báculo
pela escada em caracol
e
o gesto
desenha o nome da água
repartida
e
e assim entra na noite
como um caule
que se entranha no metal
do passadiço
e
penetra a laje e a lentidão
das ameixas
desce por si
como borboleta de granito
e
iça a corda o caudal a escama
e bakardi patrocina
este
programa

Outro poema

o sopro faz do vidro uma penumbra
a crescer entre o nada que já foi e a folhagem alta do socalco
e
leva a palavra com o nome que não se multiplica e por isso
da árvore cai a chama e não a folha
e
o sopro dá ao vento o que a alma dá ao vidro
uma combustão de máscaras
e
talvez um rio

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Um poema para o fim do meu mês

e

dá por vezes o corpo como a música dá
a fonte
que não tem

e
a siflar anuncia
o secreto patamar
sem escadarias

e
e o vidro lentamente cose a sombra da calçada
escala a rua e verbera
a mansidão do eco

e
a siflar
dá por vezes a refeição do corpo a tangerinas
ávidas e depois esquece

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A Dobra do Crioulinho

PM


e

Acabei o que virá a ser o meu próximo romance - A Dobra do Crioulinho - no último domingo de Julho. Ontem li-o (quase) todo pela primeira vez.

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Publico aqui, pela primeira vez, um pequeno excerto:

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"Fiquei à espera, mas por pouco tempo. Tirei uma segunda cerveja do frigorífico e pela janela vi a polícia de choque a atravessar o largo. Atravessaram a calçada como um rio negro que aparece e logo desaparece. Minutos depois o alarme deixou subitamente de se ouvir, mas sentiu-se ao longe um estranho tumulto de vozes. Silvie acordou, não se mexeu e sorriu na minha direcção.
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Francisco era um morto vivo a ver uma série que passava – estava sempre a passar – na televisão. Devia ser a Grey. Médicos a retirarem os órgãos a um homem que acabara de morrer na mesa de operações. O LCD não tinha som. Foi nessa altura que Violeta reentrou na sala. Trazia uma bandeja com três chávenas de café. Francisco e Silvie serviram-se. A noite estava cada vez mais quente e eu pensei que o mundo acabaria quando todas as histórias fossem contadas ao mesmo tempo.
d e
A ventoinha estava no máximo e as heras do alpendre tinham regressado a si: a serenidade das marcas. O vento desaparecera. Afastei com os dedos o cortinado e revi a calçada vazia. A geometria é a repetição de uma ideia simples, apenas isso. Violeta veio colocar-se a meu lado. O tumulto de vozes ao longe impressionava. Olhei para Violeta e senti-me a andar no descapotável. Bastava olhar para ela e estávamos os dois já a andar de carro. O desejo é um ser. Fora do desejo não há tempo. Apenas gravitas. E esta sala era um gravitas perfeito."

sábado, 2 de julho de 2011

Finalmente

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O site do "EC.ON" (EscritaCriativaOnline), de que sou coordenador, acaba de reaparecer após longo 'rebranding'. O renovado espaço contém novas secções, proporciona muita informação e disponibiliza possibilidades técnicas inovadoras. Ler e ver tudo aqui.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Conteúdos - cânone - 17 (fé)





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Quando dou conta do conteúdo fé, digo ou faço o que tenho a dizer ou a fazer. Mas, ao mesmo tempo, sigo o que o guião do conteúdo fé me diz sobre a certeza íntima de que algo irá acontecer.
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A fé: ver acontecer o que ainda não se realizou, como se se prefigurasse como certo aquilo que se desejou. A fé tem a característica expressionista da visão: estar dentro da cena que se imagina, mas estar nela antes ainda de acontecer e com a certeza de que irá realmente acontecer. Na fé há uma conversão espontânea de acontecimentos: entre aquilo que virá e aquilo que já existe na mais íntima determinação. Clube de futebol, lotaria ou deus são – todos eles – objectos de vaticínio da fé. Uns com ironia (ter fé e ver a fé com humor), outros com rigidez (ter fé e ver a fé com estriada seriedade). A fé é partilhável como fenómeno de massas – e aí tem contada toda a sua história pública ao longo de séculos e séculos de manifestações variadas –, mas é sobretudo, na sua auto-especularidade, um fenómeno íntimo. Um jogo egotista de certezas. Uma coerência tão fechada quando silenciosamente monologada. A fé existe como um conteúdo que não deseja ser definido. O senso comum traduz a intraductibilidade justamente nessa medida: “É uma questão de fé!”. Essa longa história do inexplicável e, em certos aspectos, da sujeição de alguém a uma fé partilhável porque impositiva – neste caso, um tabu que não se pode por dogma aflorar – transformou a questão em algo incómodo. Por vezes insuportável. A atitude moderna, por exemplo, sempre se tentou definir contra a fé. Afirmação por contraponto, portanto. Embora, nessa definição, a fé reaja com assimetria devido ao que mais a alimenta: a intimidade. A fé é essencialmente uma forma de resistência: poder ver o que não é dado a ver pelo real mais imediato. Crer nessa possibilidade e realizá-la, tal como a arte se realiza sem necessitar de se referir seja ao que for. É esse o guião da fé: uma visão que se confunde com o ser que a tem.