terça-feira, 10 de outubro de 2006

Mini-entrevistas - 39

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O Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Paulo Pandjiarjian, jornalista brasileiro, 44 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
É o nome dado para o grupo de pessoas que possuem blogs para registrar o dia-a-dia, ou assuntos preferidos. O objetivo principal da Blogosfera é reunir essas pessoas e formar uma "corrente" de ajuda mútua, pois ao fazer parte desse "mundinho", o blogueiro(a) percebe que não está sozinho(a) em sua luta, que assim como ele(a), outras pessoas passam pelos mesmos problemas e experiências. Essa troca de experiência e ajuda acontece por meio de comentários que enviam entre si. Mas vale lembrar que em tudo na vida, para receber, tem que doar. Na Blogosfera não é diferente e blogueiro(a) que não comenta, também não ganha comentários.. Isso vale para todos os blogs! Comentar não é obrigatório, mas também não fique chateado(a) se o contador de comentários do seu blog estiver sempre assim: [0] ou quase sem comentários. Comentar é a única forma de conhecer outros(as) blogueiros(as).. Vamos comentar!!
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Cada vez mais, os weblogs, mais conhecidos como blogs, tornam-se fonte de informações, troca de idéias e de comunicação na internet. Em diversos acontecimentos importantes dos últimos meses, como o tsunami na Ásia, os atentados a bomba em Londres e o furacão no sul dos EUA, eles foram até mais rápidos do que os meios de comunicação tradicionais em mostrar a dimensão dos fatos. Também têm possibilitado uma comunicação rápida entre as pessoas atingidas ou interessadas em ajudar. Ou seja, os blogs representam uma revolução na comunicação.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Os Blogs estão cada vez mais presentes nas vidas das pessoas e aqui no Brasil o assunto está em evidência, diversas matérias sobre o impacto dos blogs na vida, na política, no ambiente de trabalho e na vida em geral. Mas como quase tudo na Internet, a avalanche de informações aumenta exponencialmente e a dificuldade de encontrar o que precisamos com qualidade é uma tarefa para que desanima o pobre usuário.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
O Brasileiro pode até gosta de escrever, mas não gosta de ler! Ou seja, até temos muitos blogs, mas não temos muitos leitores. Tendo a achar que isso é uma grande verdade. Mas talvez isso seja um problema de educação nacional. Outra é a cultura da conversação entre blogs. Pouco se vê posts que são respostas públicas a outros posts de outros blogs. Esse tipo de conversação aberta e multi-participativa incentiva tanto a geração de conteúdo de qualidade (outro problema levantado) quanto a linkagem entre posts, que é exatamente o que mede a popularidade dos blogs.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva e José Carlos Abrantes. Na próxima Quinta-feira: Marcelo Bonvicino, estudante de letras na Universidade de São Paulo, 19 anos.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Os impensáveis desvelos da RTP

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O meu ex-aluno Davi Reis, autor do blogue Caderno de Corda, fez-me saber de um plágio de que foi vítima no site da RTP (sinopse do documentário "Loose Change 2"). Após 18 dias de legítimos protestos, uma representante da Chefe de Gabinete do Provedor do Telespectador admitiu o plágio e escreveu este extraordinário texto (vale a pena ler: é óptimo material de estudo e análise). Davi Reis promete não parar e tem toda a razão (quem quiser agir em conformidade passe por aqui). O que está em causa, como o próprio refere, é o respeito por esta dimensão comunicacional chamada blogosfera, mas também – acrescento eu – a ligeireza com que às vezes se trabalha na estação pública de televisão. O resto já devia ter sido aprendido há muito na RTP, ou nas escolas onde os meninos estudaram: as fontes devem sempre ser citadas. Mais: retirar abruptamente o texto plagiado ao David do site da RTP, sem quaisquer desculpas públicas, não é solução civilizada: faz lembrar - sem exageros - a remoção de imagens no Afeganistão talibã há já alguns anos.

Mini-entrevistas - 38

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O Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidada é José Carlos Abrantes, Provedor dos Leitores do Diário de Notícias, 61 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
O conjunto dos blogues, mas um pedaço da minha vida dos últimos anos. De facto, não só me iniciei na blogosfera em Novembro de 2002 com um blog colectivo do Centro de Investigação Media e Jornalismo e com As Imagens e Nós, como depois criei outros blogues: Os Media, o Jornalismo e Nós, 1001 Razões para Gostar de Portugal, Aplausos e Assobios, Só Textos. Participei ainda no O Charme Discreto da Bloguesia, outro blogue colectivo. Actualmente reuni os diferentes blogues num só, Mestiçagens. Por outro lado, organizei 6 sessões intituladas Falar de Blogues que tiveram lugar na Livraria Almedina, ao Saldanha, em Lisboa. Alguns debates foram muito animados, divertidos mesmo e não ponho de lado a hipótese de voltar a organizar debates com o mesmo tema.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Sim, procuro ver, nalguns blogues (poucos) o que anda no ar e que seja diferente, na opinião, nos factos ou nos meios dos media tradionais.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Foi o de dedicar uma hora ou mais a ler alguns blogues, mas sobretudo a escrever nos blogues individuais ou colectivos que tenho alimentado ou ajudado a alimentar.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sim, os limites são só os que cada um se impôe a si próprio. Isso também é liberdade.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha e Onésimo Almeida e Patrícia Gomes da Silva. Amanhã, terça-feira: Paulo Pandjiarjian, jornalista brasileiro, 44 anos.

domingo, 8 de outubro de 2006

Matinal - 2

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Vivianne parecia um berlinde deslumbrante que dificilmente cabia nas ruas mais estreitas do Dorsoduro ou do Cannaregio venezianos. Mas tinha a delizadeza de uma serpentina e a voz do soprano que, após um êxito vibrante em palco, saberia esperar pelo campeão de boxe no Grande Hotel de Rimini. Era mulher de dezassete fôlegos e não escondia o imediatismo lânguido da sedução, o gosto pela carne e a tentação do inimaginável (como seria fazer amor com aquela mulher, cuja admirável atracção devia povoar os sonhos de Euterpe? Seria como fazer o pino num trapézio sobre dunas? Seria como a vertigem na grande roda do Luna Park, entre a poeira e as cores infantis de Méliès? Seria como o grande arbusto de sândalo do Hawai a que a hera lançaria os seus ramos insidiosos, húmidos e de um vermelho de crista de galo?).

sábado, 7 de outubro de 2006

Matinal

Uma torre aérea que fez lembrar o caule da roseira, mas do tamanho do céu, retorcida, a avançar, a girar sobre si e a cavar o espaço onde a respiração aparentemente se perdera. Do nada – esse território talvez sagrado e sem vozes nem alardes –, o mar reaparecera com inusitada fúria e a âncora de que a cidade era herdeira passava agora a gravitar com violência e admiração ao sabor do acaso e dos desejos mais encobertos.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

O pobre desconfia

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Quando se disse, do modo como se disse - televisão em cascata na ponte entre feriado e fim-de-semana -, que a ciência ia ter um orçamento à parte no meio do aperto de cinto orçamental, pareceu ter sido mais importante o destaque noticioso previamente calculado do que o efeito real e final da medida. Ao fim e ao cabo, quem ouviu o vaivém de noticiários de hoje (com amplificações certas na imprensa de sábado) não ficou a saber o essencial: a que é que se destina, no campo da ciência em concreto, o tal aumento de 64% do orçamento? Que finalidades? Que objectivos precisos? Que alvos? Que plano? Nada disso. Limitámo-nos todos, apenas, a ouvir o gáudio, o jorro e a pérola da performance comunicacional. Qb. O pobre desconfia.

Ou seja

r
Condensando: um bom romance precisa essencialmente de um bom plot, de uma boa poética e de uma boa oficina.

Mini-entrevistas - 37

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O Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Patrícia Gomes da Silva, jurista.
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Blogosfera, é uma teia infinita de palavras, opiniões e comentários. Um espaço onde livremente cada um pode escrever o que quiser, sobre o que quiser, e também pode encontrar palavras de outros, sobre todos (quase todos) os assuntos.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Nunca segui nenhum acontecimento pela blogosfera. Acompanho as notícias pela comunicação social pois é aí (deveria ser) que encontro informação isenta.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Ter um blog tornou-se muito importante na minha vida pois é o único espaço de divulgação que possuo. É uma forma de fazer chegar as minhas palavras a um maior número de pessoas.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sim, acredito que a blogosfera é um espaço editorialmente livre. Os limites da escrita são apenas os da consciência de cada um.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha e Onésimo Almeida. Próxima mini-entrevista, na Segunda-feira (09/10/06): José Carlos Abrantes, Provedor dos Leitores do Diário de Notícias, 61 anos.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

"Lateness"?

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O último London Review of Books (de 5 de Outubro, justamente) tem um artigo sobre "late style" ou "lateness". Ou seja, numa variadíssima latitude de autores tenta encontrar-se algo de relativamente uniforme e consistente que tenha atravessado os seus últimos trabalhos ou tendências (os livros que despontam a questão são recentes: de Edward Said - On Late Style - e um outro de diversos autores, editado por Karen Painter e Thomas Crow - Late Thoughts:Reflections on Artists and Composers at Work). Frank Kermode, a sua noção de crise e de "sense of ending" andam obviamente na sombra. Uma abordagem interessante que, no entanto, parece reflectir o hemisfério das coerências forçadas e das categorias facilitistas. Como dizia Vergílio Ferreira, "a pensar".

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Mini-entrevistas - 36

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O Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Onésimo Almeida, Professor Universitário e investigador na Brown University de Providence, 59 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Um zunir de conversas cruzadas numa cadeia interminável de cafés; a chinfrinfonia de um frenético bater de milhões de teclados numa praça à roda do mundo onde cada um descarrega a sua opinião (e muitos, a bílis).
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Não, embora visite alguns quando há tempo. Mas não são o lugar mais fiável para se seguir acontecimentos. É preciso ter-se muita fé para se acreditar em muito do que circula nos blogues e ela míngua por aqui. Sucessivos escaldamentos em crenças diversas vão tendo os seus efeitos.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Fazem-me sentir vontade de não escrever mais para não aumentar a confusão.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Que é potencialmente livre não tenho dúvidas (já li cada uma!). Mas um mortal cidadão como eu não fica mais livre. Sente-se oprimido pelo peso da sua ignorância e pelo sentimento de incapacidade de ler blogues suficientes de modo a poder destrinçar A de B. Por isso cada vez me valho mais dos jornais para evitar um blogueio mental.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque e Maria Gabriela Rocha. Amanhã (Sexta-feira): Patrícia Gomes da Silva, jurista.