quarta-feira, 30 de junho de 2004

Está decidido:

Hoje, após uma frequência que irei vigiar (verbo insuspeito de sedução) entre as sete e meia e as nove da noite, espero deixar Lisboa completamente vazia e atravessar depois a ponte com o relato no ar e a indiferença na alma. Não digo "pobre país", mas penso-o. Até porque a pobreza é um atributo dos deuses sem voz.
Electricidade estética

Após o calor tórrido de ontem, lá surgiu a subtil nave dos sete ventos. Na capital, além da folia dos apaniguados de Bosch, paira uma aragem que subtrai a leveza ao trânsito normal dos corpos. É o tempo sem movente, é a perdição sem sentido, é o cortejo de formas sem desígnio. E no entanto passa, gira, roda.
Rrnnnnh...

Mas há mais: não é por ter dormido mal, mas estou farto das bandeirinhas, da pacovice, das mensagens das manifs e do canto do cisne do Durão. Apetecia-me entrar num país sem Euro-2004 e sem a reiterada enfadonhice politiqueira da nossa pequena praça pública. Poder-se-á designar este singelo apetite por desejo de férias? Talvez.
É verdade,

uma mudança de casa é mesmo uma mudança de pele. Daí tantos dias de ausência. Mas quem é que vai agora ligar às ausências do pobre Miniscente!

quarta-feira, 23 de junho de 2004

Heimwee (saudade súbita)

Oh Nederland, Oh Nederland, gaat maar niet naar huis!
Omdat ik ben ook een nederlander! (porque eu também tenho passaporte holandês!)

terça-feira, 22 de junho de 2004

Palavra de Basco

Assim é que é!
Impasse de bola ao centro

Chamar-lhe-ia exclusão de partes e não passaria do método mais primário para definir o mérito. Mas é assim mesmo que as negociações europeias tecem hábitos (e miragens de hábitos) de seda pura, cujo sentido último se resume a dotar a presidência seja com quem for.
Espaço privado

Uma alternativa à sua vida. Invista.

segunda-feira, 21 de junho de 2004

Passar por quem passou por cá - 4 (breve decalinque)

O Olho do Girino está cada vez melhor. Escala pelos murmúrios e afina o olhar filigrânico com rara suavidade.
A Charlotte tem um espelho mágico onde revê a elegância própria, i.e., o "Estado em que se encontra este blogue". Sigo sempre. Compassadamente.
O Babugem alerta para Alicia Keys.
O Azenhas do mar vela pelo "top" das mais ínvias arribas.
O Quartzo, feldspato & mica regressa ao cheiro do papel do velhinho Diário Popular. Sinais dos tempos.
O Melga já tomou partido por Kerry. E bem.
O Incursões noticia as velas dos sete mares em incontroversa fúria.
O Francisco explica como age um "escritor de eleição". A reler. A aplicar.
O Bota Acima enaltece o poder da avestruz (da magnitude chamada liberdade de votar ou não voltar. That´s the point).
Por fim, o Mood Swing distribui os merecidos prémios aos gladiadores. E eu fico subitamente com vontade de comer pão de rala.
Fleuma em Junho de 2004

Escapar à agenda: o meu cão (o Ulisses) olha para a televisão e não vê nada do que eu vejo. Sinceramente. Fica admoestado com o silêncio, admira-se com os tons menos feéricos e não aplaude apenas por aplaudir. Cheira primeiro. Gosto dessa pose desinteressada e desinibidamente intelectual.