domingo, 31 de Dezembro de 2006
Brevíssimo conto de fim de ano
Era uma casa em que os móveis estavam todos cobertos com panos brancos. Uma montanha de neve sob tectos recortados pela humidade e pela memória muito antiga dos passos ao longe (estrados que rangiam, degraus soltos, o soalho ao vento). Um torrão de açúcar a ocupar a respiração e o respigar com que o coração do menino se agitava.
Até o relógio de parede (um papagaio de cobre a imergir no tic-tac), a ventoinha presa ao tecto e o bengaleiro de marfim pareciam mumificados. A luz apenas entrava pelo vão da janela por onde ia espreitando a brisa do fim da tarde. E não havia um único volume – sofá, cómoda ou piano – que não tivesse adormecido com toda a moleza sob a brancura dos lençóis. Há tantos anos.
O tempo tinha cristalizado como salgema na gruta e apenas parecia dar de si quando a brisa empurrava, aqui e ali, as portadas pesadas das janelas. Um breve sobressalto a atravessar o olhar de soldadinho de chumbo que o menino respirava. Um longo pasmo a tecer o fôlego com que o menino temia, ao fim e ao cabo, este grande teatro da obscuridade.
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Depois, com muito vagar, o menino baixou os olhos e acabou por descobrir a cauda do urso a escapar-se por entre a dobra do manto branco que tudo cobria na penumbra antiga da casa.
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Subitamente, o menino percebeu que o som dos seus passos era igual ao som que a memória mais antiga da casa silenciara. Um augúrio feliz. Desde esse dia que o menino nunca mais abandonou o urso.
Atravessou o corredor, correu, correu, correu, bateu com a porta e descobriu que a luz do fim da tarde lhe concedia o novo sinal, o novo sortilégio. Desde esse dia até hoje, quando estão a sós, o menino e o urso passam o tempo a falar.
Uma fala de marés vivas.
Bom ano.
CONCURSO ANO NOVO - 17
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
sábado, 30 de Dezembro de 2006
O nome de 2007

Seja onde for e com quem for,

CONCURSO ANO NOVO - 16
rPRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006
A pensar em 2007

Caroly Van Duyn
CONCURSO ANO NOVO - 15
OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006
Novas comunhões
As novas tecnologias funcionam como uma absolvição (mais ou menos anestesiada) de todas as ansiedades. A simulação de co-presença e de partilha e empatia quase infinitas, que pode ser tão viva e autêntica nos blogues, é um exemplo maior de uma espécie de transcendência que se funde com o imediato no dia a dia. É por isso que o blogger se sente a viver com os outros, como se fizesse parte deles e os transformasse, a eles mas também a si próprio, numa novíssima mitologia ainda sem evangelho (em Blogues e Meteoros).
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Paisagens invisíveis: dados novos
eou os 2700 anos do castelo de Évora Monte
Manuel Calado
Tratou-se, sobretudo, de evocar a fundação do Castelo medieval, cujas muralhas envolvem, de uma forma muito visível, a vila antiga de Evoramonte apesar de a imagem mais marcante deste conjunto arquitectónico ser, naturalmente, a imponente torre quinhentista.
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Sabíamos, já há uns anos, que, antes da vila medieval tinha existido, no local, um castro proto-histórico de que dei notícia, com Leonor Rocha, num artigo publicado, em 1996, na “Cidade de Évora” sobre o “Bronze final no Alentejo Central”.
Neste artigo, fazia-se já referência à possibilidade de o castro ter ocupado uma área superior à da cerca medieval, com base na hipótese de os taludes que se observavam na encosta exterior à muralha poderem conter os restos das muralhas antigas. Na verdade, os materiais arqueológicos que permitiram tal conjectura resumiam-se a um fragmento de taça de fabrico manual, característica do final da Idade do Bronze ou inícios da Idade do Ferro, transição cuja cronologia, na região, pode chegar, em princípio, até aos finais do séc. VIII antes de Cristo. Os tais 2700 anos...
Entretanto, foram realizadas, em 2004, nas imediações da torre quinhentista, algumas sondagens arqueológicas de acompanhamento das intervenções arquitectónicas em curso nessa área.
Essas sondagens confirmaram, apesar da perturbação expectável das estratigrafias, a ocupação do Bronze final e identificaram materiais da Idade do Ferro, nomeadamente da fase de contacto com o mundo romano (cerâmicas campanienses). Atendendo à área onde foi efectuada, esta intervenção não adiantou (nem podia adiantar) qualquer dado sobre a extensão do povoado ou sobre o traçado e o estado de conservação da (ou das) muralha (s) proto-histórica (s).
Devo dizer que há anos eu próprio vinha adiando a operação que se impunha: uma observação atenta dos taludes que envolvem, em vários planos, o cabeço de Evoramonte e uma primeira caracterização cronológica, com base nos artefactos observados, à superfície.
As comemorações dos 700 anos do Castelo, deram-me o impulso e o motivo: escrevi um texto, na obra colectiva com o título “Um castelo de histórias”, em que, por sugestão do organizador, o meu amigo Dr. João Ruas, me vi obrigado a pensar de novo no Castelo de Evoramonte e nas questões que ele deveria levantar, em termos das paisagens invisíveis.
A oportunidade surgiu, curiosamente, na sessão de Encerramento das Comemorações: cheguei antes da hora, o dia estava convidativo e fui olhar para os taludes. A recolha de alguns materiais e o carácter dos taludes, obrigaram-me a regressar no dia seguinte e no outro. E o resultado não podia ser mais interessante, apesar de algumas imprecisões que só a escavação poderá certamente esclarecer.
Quanto à fundação, não podemos excluir um episódio calcolítico (III milénio a.C.), ou mesmo anterior. A presença esporádica de pedra polida, percutores de quartzo e seixos talhados de quartzito sugere que, num ou noutro grau, o local foi ocupado na pré-história recente. Note-se, aliás, que no alto de S.Gens, também na Serra d’Ossa, foram recentemente identificados, por Rui Mataloto, restos de uma muralha calcolítica, num sítio com posterior ocupação do Bronze final-1ª Idade do Ferro.
Por agora, em Evoramonte, fica apenas a hipótese.
Certo, porém, é que, no Bronze final, o recinto muralhado teria, pelo menos, cerca de 10 ha e que essa área foi ampliada, na 2ª Idade do Ferro, muito para além desse limite. A proposta que faço, mas que carece, em parte, de futura confirmação estratigráfica, implica, para o povoado pré-romano, na sua fase final, uma área que oscila entre os 15 e os 25 ha.

É verdade que, do lado Leste (e, dentro deste, visivelmente, na parte Sul) a ocupação extra-muros da vila Medieval e Moderna perturbou profundamente eventuais depósitos arqueológicos anteriores. Esse fenómeno é particularmente observável na barreira que foi cortada pelo acesso moderno, onde a rocha de base foi regularizada em plataformas, sobre as quais foram erguidas construções cujas telhas assentam actualmente, na superfície da rocha.
No lado Oeste, porém, entra a capela de S. Sebastião e o Monte do Chafariz, onde quase não são visíveis os vestígios medievais/modernos, existem claras evidências de ocupação da 2ª Idade do Ferro relacionadas, aparentemente com dois dos taludes que acompanham as curvas de nível.
É notório que estes taludes foram aproveitados e “reconstruídos” com muros medievais ou modernos, ficando mesmo algumas dúvidas sobre se todos eles correspondem, ou não, a presumíveis muralhas proto-históricas; trata-se de questões que só a escavação pode vir a esclarecer.
A presença mais indiscutível de ocupação da Idade do Ferro, junto ao Monte do Chafariz, pode, de certo modo, ser relacionada com conhecida dificuldade de abastecimento de água na vila medieval intramuros e na integração, na Idade do Ferro, dessa reserva estratégica no interior do povoado.
Isto significa, antes de mais, que estamos perante um dos maiores centros urbanos da região, nos finais da Idade do Bronze (em parceria com o povoado fortificado do Castelo, no outro extremo da Serra d’Ossa), e, sobretudo, que, nos finais da Idade do Ferro, quando os romanos tomaram posse da região, Evoramonte era, de longe, o maior centro populacional.
Os outros povoados, actualmente conhecidos, da 2ª Idade do Ferro regional, têm, em geral, áreas que variam entre 0,5 ha e 5 ha (Castelo Velho das Hortinhas, Granja, Outeiro, Castelão de Rio de Moinhos, Castelo Velho de Veiros, Castelo Velho do Degebe) apresentando, aparentemente, o maior deles todos . o Castelo do Monte Novo, a Sul de Nossa Senhora de Machede - uma área próxima dos 8-10 ha.

Um dos problemas historiográficos que a arqueologia urbana de Évora tem suscitado, nos últimos anos, é precisamente a questão da fundação da cidade e a relação desta com o topónimo. De facto, numa cidade romana com nome indígena, seria de esperar que as inúmeras escavações no centro histórico tivessem encontrado vestígios, mesmo que perturbados, da Ebora pré-romana, como se encontraram em Olisipo, em Scalabis, em Conimbriga, ou até, espantosamente, na romaníssima Pax Iulia. No entanto, esses vestígios primam, até agora, pela ausência: Évora parece, pois, ter sido fundada em época romana.
Num texto que publiquei, há uns anos, no volume, reunido pelo Luis Carmelo, sobre Évora, História e Imaginário (Ed. Ataegina), propus, com algumas reservas, que Evoramonte poderia, efectivamente, corresponder à Évora pré-romana, esvaziada e transposta para a localização actual, em época de Augusto, ou pouco antes.
As dimensões aparentes do povoado pré-romano, a presença de materiais romanos republicanos e a ausência de vestígios de época imperial parecem, agora, trazer um suporte factual, razoavelmente sólido, para a identificação de Evoramonte com a Ebora pré-romana.
Convém anotar que outra possibilidade, talvez menos plausível, seria a identificação de Evoramonte com a cidade de Dipo, um povoado indígena, atestada nas fontes clássicas, cuja localização se discute, mas que estaria algures entre Évora e Badajoz.
Em última análise, só a numismática ou, menos provavelmente, a epigrafia, poderão vir a lançar alguma certeza sobre a questão da identificação definitiva do topónimo pré-romano de Evoramonte.
Finalmente, para além de o significado regional de Evoramonte ter sido seguramente relevante, em época pré-romana – e, num certo sentido, podemos repetir uma observação que já fazíamos para o Bronze final - de que a serra d’Ossa funcionou, ao longo de toda a proto-história, como um centro de gravidade regional, recentrado em Évora, a partir da época romana.
É claro que não podemos excluir, já agora, a hipótese mais óbvia de que Evoramonte poderia ter recebido o nome, na Idade Média, por transferência a partir da Évora medieval.
Por enquanto, vamos manter em aberto as várias alternativas, sendo que Evoramonte, de uma forma ou de outra, foi, e conserva vestígios de ter sido, o maior povoado pré-romano no Alentejo central e que esse dado se relaciona, de algum modo, com a fundação de Ebora romana.

Já agora, para além do Restaurante Convenção, onde me recompus das subidas e descidas à volta do cabeço, vale a pena subir a Evoramonte.
A torre, o Castelo, a vila medieval, a paisagem visível e, agora, as paisagens invisíveis (ou quase). Na verdade, em épocas não muito longínquas, alguns taludes foram transformados em azinhagas, meio abandonadas, por onde se pode circular com alguma facilidade, sugerindo trajectos à volta de Evoramonte antiga. É possível reconhecer, igualmente, ao longo dos interflúvios, os prováveis caminhos de acesso ao castro pré-romano. Com um olhar sobre a serra d’Ossa."
Um conto a pensar em 2007
Era uma casa em que os móveis estavam todos cobertos com panos brancos. Uma montanha de neve sob tectos recortados pela humidade e pela memória muito antiga dos passos ao longe (estrados que rangiam, degraus soltos, o soalho ao vento). Um torrão de açúcar a ocupar a respiração e o respigar com que o coração do menino se agitava.
CONCURSO ANO NOVO - 14
ePRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006
Medalha de ouro
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As próximas mini-entrevistas

CONCURSO ANO NOVO - 13

O Rapto das Sabinas, Rubens, BAU
terça-feira, 26 de Dezembro de 2006
Os meus romances deste ano


No lado negativo das minhas leituras romanescas, sublinho A Conspiração contra a América de Roth que li no início do ano. É o exemplo de uma grande ideia que depois não luz. Li-o e apaguei-o quase ao mesmo tempo. Também o romance biográfico Autor, Autor de David Lodge me cansou, embora por outras razões de que destacaria a aridez da linguagem e pesaroso tom ‘estilo Família Bellamy’.
CONCURSO ANO NOVO - 12
e(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
2 - Verbos a evitar esta semana: “Pegar, colocar e agarrar.”
3 - Início de frase complicadas: “E Deus cumpriu o prometido.”
4 - Fim de frase a utilizar muitas vezes: “E pousou a mão na minha cintura.”
5 - Raciocínios estimulantes: “Pegou-me por baixo e sussurrou já não sei o quê.”
6 - A pronunciar em voz baixa: “E Deus pegou na coisa desejada.”
7 - Palavras a repetir às duas da manhã: “E Deus pegou na vela já acesa.”
8 - Frase a segredar em voz baixa: “Fê-lo com cuidado como se fosse pela cintura.”
9 - À vista desarmada: “A curva do rio parecia a cintura da jornalista.”
10 - Título de livro: “E Deus pegou-me pela alma.”
11 - Associação mental muito rápida: “E se a alma fosse parte do corpo?”
12 - Sem perceber a lógica da coisa, teria dito: “Pegou-me e provavelmente evitou o pior.”
segunda-feira, 25 de Dezembro de 2006
CONCURSO ANO NOVO - 11
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
domingo, 24 de Dezembro de 2006
Pré-publicações - 10
e
CONCURSO ANO NOVO - 10

O Rapto das Sabinas, Nicolas Poussin, REA
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
sábado, 23 de Dezembro de 2006
Votos de Bom Natal

Na próxima semana útil (de Terça-feira, dia 2/1/07, ao sábado, dia 6/1/07), as mini-entrevistas a publicar no Miniscente serão as seguintes: José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira e Madalena Palma.
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Tal como as mini-entrevistas, que descansam a partir de hoje, também a rubrica de pré-publicações cumpre uma breve pausa, embora se reinicie - e com grande caudal - já no início de Janeiro.
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O "Concurso de Ano Novo", esse, fica no ar ao longo de toda a Quadra.
CONCURSO ANO NOVO - 9

O Rapto das Sabinas, Valerio Castello, CGE
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PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
Mini-entrevistas/Série II – 88

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é João Morgado Fernandes (http://frenchkissin.blogspot.com/).
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Basicamente, um universo em expansão. À semelhança do que acontece com o outro universo, fico sempre na expectante sobre a possibilidade de haver vida interessante para lá dos meus horizontes. É um universo sempre em expansão e, quanto mais se conhece, mais há para conhecer. Por deformação profissional, a minha galáxia é mais a dos blogues políticos, mas estes são quase a reprodução fidedigna dos media tradicionais, com os seus analistas, as suas cartas dos leitores... Os melhores textos, no entanto, encontrei-os noutras galáxias, por exemplo na dos blogues mais intimistas.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Tudo o que mexe (e às vezes até o resto...) me interessa. Os blogues são um excelente ponto de observação sobre o mais óbvio - respondendo à sua questão, a guerra do Iraque terá sido o acontecimento em que mais estive atento na blogosgfera -, mas também sobre aquilo que os media tradicionais não querem ou não podem abordar. Há tendências de moda, de gosto, de opinião, que detecto com mais facilidade nos blogues.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Vários. Por exemplo, a compra de dois portáteis (a coisa contagiou-se cá em casa...). Enfim, os blogues tomam tempo. Leio muitos. E também escrevo alguma coisa, mas felizmente são textos quase automáticos. Obviamente, há noites mal dormidas, mais no passado que no presente, mas também há alguns ganhos - lendo nos sítios certos, tenho autênticas súmulas da actualidade, com links para textos interessantes que, de outra forma, me passariam ao lado.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
A escrita, tal como o resto do que somos e fazemos, é sempre uma construção. Nessa medida, a expressão é tão livre ou condicionada nos blogues como noutros sítios. Os limites dos blogues não são muito diferentes do mundo lá fora: a lei, o bom senso... Penso que essa ideia de liberdade bloguística radica na premissa da ausência de intermediação, de editor. Na verdade, nos media tradicionais, há sempre trabalho colectivo (é mais isso do que hierarquia ou edição, ao contrário do que muitas pessoas pensam...), e nos blogues estamos mais entregues a nós próprios. A minha experiência pessoal diz-me, porém, que, precisamente por isso, sou muitas vezes mais cuidadoso no blogue - aqui, o que eu faço bem ou mal depende quase exclusivamente de mim. E, nessa medida, a escrita do blogue até acaba por ser mais editada do que a do jornal, por exemplo. E a auto-edição é sempre mais trabalhosa e rigorosa do que a edição - de resto, só assim se explica que tenhamos alguns blogues de tão grande qualidade em Portugal.
sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006
Informação e Votos

CONCURSO ANO NOVO - 8
e
Frase a segredar em voz baixa: “Fê-lo com cuidado como se fosse pela cintura.”
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
Mini-entrevistas/Série II – 87

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Carlota (http://www.lote5-1dto.blogspot.com/).
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
É mais um “sítio” onde posso ir, mas à hora que me der mais jeito e da forma que melhor me aprouver. Vejo a blogosfera como sendo uma espécie de uma moderna sociedade recreativa que me permite trocar impressões com pessoas com as quais nunca me cruzaria no meu rotineiro dia-a-dia, criar afinidades com estranhos aos quais provavelmente nem sequer sorriria, soltar gargalhadas em conjunto sem trocar olhares e, às vezes, comover-me sem o pudor de deixar escapar uma lágrima.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nunca sigo esse género de acontecimentos através de blogs. Prefiro acompanhá-los através de fontes de informação “pura e dura”, profissionais e obrigadas a cumprir regras deontológicas. Interessam-me mais os factos do que saber o que os bloggers pensam acerca deles. É por isso, também, que tenho especial preferência por blogs tendencialmente pessoais.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Deixei de fazer algumas das coisas que fazia antes, passando a estar (ainda) mais tempo em frente ao computador. Passei a sentir uma obrigação de escrever qualquer coisa diariamente e, sobretudo nos primeiros meses do blog, a minha vida girava à volta dessa obrigação. Agora, felizmente, esse impacto já é menor.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Não. Salvas raríssimas excepções, cuja maioria se refugia no anonimato, acho que toda a gente se auto-censura num ou noutro assunto. Umas vezes por pudor, outras porque há favorzinhos que se devem e outras porque há portas que não se devem trancar, não vá no futuro ser necessário abri-las.
quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006
Dantes dizia-se Salazar

e
É verdade que, em De Profundis, Oscar Wilde confessava abertamente que o principal valor da paixão de Cristo era estético e que o próprio triunfo do Cristianismo no Ocidente se ficava a dever mais a esse factor estético do que a qualquer outro paradigma moral. O espírito desta resolução da ERC (muito semelhante à tentação da panóplia “pedagógica” que dá pelo nome de TLEBS, sobretudo pela sua extensão e desfasamento) parece também basear-se na grandiloquência e no fardo estético e inflamado do altar barroco, como se bastasse a largura da cauda do pavão para impressionar, converter e convencer o indígena. Por mim, não existia qualquer entidade reguladora para o que se costuma traduzir como sendo a “comunicação social”.
e
Na blogosfera existe uma auto-regulação que nem sempre tem a espessura que se desejaria. O cenário das escritas em rede vai de facto muitas vezes reinventando o próprio sentido da liberdade, na medida em que os limites que se lhe colocam são voláteis e indetermináveis (não deixa de ser interessante consultar as mini-entrevistas que tenho levado a cabo no meu blogue sobre este tema). Seja como for, um dos milagres que a rede está a criar, não apenas em Portugal, é a lenta condenação à morte deste tipo de persuasão estilo ERC que funciona pela quantidade, pela magnitude do verbo e, enfim, pela veia bíblico-danielítica.
e
Para que este tipo de controlo estilo ERC se pudesse, um dia, estender do campo dos media clássicos aos múltiplos interfaces da rede, incluindo os blogues, era preciso que cada um de nós tivesse acoplado a si um regulador. E era depois preciso que o ouvíssemos a serrazinar os nossos ouvidos, tal como os profetas antigamente ouviam os seus deuses. Esse tempo está a passar, felizmente. À parte certas excepções, como a China e outras trovoadas negras do planeta, as vozes e os alardes que se ouvem, hoje em dia, têm cada vez mais origem num único bardo que é, ao mesmo tempo, autor, editor, regulador e leitor. Dantes, estas tentações resumiam-se a uma só palavra: “Salazar”. Até na cozinha.
CONCURSO ANO NOVO - 7
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
Mini-entrevistas/Série II – 86

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Américo de Sousa, Professor/Investigador/Empresário (http://retorica-pt.blogspot.com/).
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Vejo a blogosfera, em primeiro lugar, como um espaço informal de edição que veio alargar extraordinariamente a esfera de intervenção pública do cidadão; depois, como um lugar relativamente organizado - e, mais do que isso, organizável - onde se pode encontrar muita opinião ou comentário, bastante literatura e algumas notícias (que, em caso de dúvida, podem facilmente ser validadas junto de fontes da web mais idóneas); por último, como instância propiciadora de novos contactos pessoais.
Nenhum.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O alargamento do número de pessoas qualificadas com quem passei a trocar ideias e a debater (fora do blogue, por email ou telefone) sobre os temas que mais me interessam
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Interrogo-me se haverá alguma forma de expressão editorial verdadeiramente livre. Mas a haver, certamente que não será a Blogosfera. Se editar livremente for editar de acordo com a minha vontade, basta uma falha técnica no Blogger, ou em qualquer outro programa de edição na web, para ficar privado de me expressar. Além disso há também, e sobretudo, a questão da responsabilidade e do risco que cada um pode assumir. Se começo a escrever algo que numa segunda leitura reparo que me pode trazer problemas em que não estou disposto a envolver-me, o mais certo é apagar esse post ou modificá-lo. Não sou livre, portanto. Tomara que, ao menos, fosse possível ser independente. Mas nem disso estou certo, por razões análogas às atrás aduzidas. É claro que sempre se pode dizer: "És livre, sim. És livre de te quereres sujeitar ou não às consequências práticas do que escreves". Mas a pergunta não se dirige, por certo, a essa liberdade-resíduo que sempre permanece em todos e em cada um e que faz com que perante uma arma apontada à cabeça, à ameaça de "a bolsa ou a vida!", sempre se possa ser "livre" de preferir a bolsa...
quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006
Dois por cento?

Peticionando
ePetição contra a implementação da experiência pedagógica TLEBS.
CONCURSO ANO NOVO - 6
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
Mini-entrevistas/Série II – 85

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é João Paulo Meneses, jornalista, 40 anos (http://ouve-se.blogspot.com/).
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Ágora; democracia; criação; independência; utopia; inclusão; partilha; acesso livre;
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sim, sem dúvida. Se quisermos que seja, será!
terça-feira, 19 de Dezembro de 2006
Mini-entrevistas/Série II – 84

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é João Aldeia (http://puraeconomia.blogspot.com/).
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
A blogosfera é um espaço de comunicação e intercâmbio de informações e ideias. Vítima do seu próprio sucesso, está a tornar-se demasiadamente grande para ser navegada, mas essa é a maldição da modernidade em todos os domínios da actividade humana.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
A catástrofe do furacão Katrina.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O "roubo" de uma importante fatia do dia; entretanto, depois de uma fase de crescimento, já consegui tornar-me menos dependente da blogosfera.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito que sim. Há certamente condicionamentos, mas a liberdade é sempre um conceito relativo (experimentem libertar-se da lei da gravidade, e compreenderão).
CONCURSO ANO NOVO - 5
OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006
CONCURSO ANO NOVO - 4

O Rapto das Sabinas, Nicolas Poussin, REA
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
Mini-entrevistas/Série II – 83

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje os convidado são Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro (http://tugir.blogspot.com).
Preâmbulo
Blogosfera diz-nos pouco. Parece um conceito de quem não entende a universalidade e a quebra de fronteiras que a Internet representa. Sente-se no termo a contenção da bolha, o limite do perímetro que a esfera comporta e fecha.
Mas o sentido outro que se pretende, de comunidade de I/O da escrita já reflecte aquilo que entendemos como um espaço de liberdade, de diálogo e de contributo para o alargamento, multiplicação e renovação do pensar, neste caso em português.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiram apenas através de blogues?
Foram diversos. Em quase quatro anos de publicação é impossível determinar um. As campanhas eleitorais (legislativas, autárquicas e a presidencial) talvez sejam marcos importantes pela multiplicidade de fundamentos que apresentaram e por terem tido, de alguma forma, influência no discurso e comportamento dos candidatos. Os Blogs são já reconhecidos em todo o Mundo Ocidental como um excelente meio de influência e acreditamos que através deles já tenha sido possível afinar estratégias em períodos eleitorais.
O caso das FARC na Festa do Avante e o convite de uma delegação do PC Chinês como observador no próximo Congresso do PS são dois momentos chave do Tugir em português (e de outros Blogs) que, ao levantar as questões, marcou a agenda nacional e, principalmente e mais importante, alertou a opinião pública para o caso Ingrid Betancourt até aí praticamente ignorado em Portugal.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na vossa vida pessoal?
Na nossa vida pessoal não terão tido influência para além de termos passado a organizar, de forma diferente, os tempos livres para dedicar a esta escrita algum (possivelmente demasiado) tempo que até aí usávamos noutras actividades.
Talvez a escrita pública nos tenha obrigado a maior disciplina e a uma reflexão mais cuidada sobre os assuntos que normalmente abordamos. Sabemos e reconhecemos que esta actividade, principalmente porque admitimos comentários e tentamos sempre que possível justificar os nossos pontos de vista, nos obriga a ter mais atenção à actualidade e ao rigor na escrita.
Temos como certo que importa mais a qualidade dos nossos leitores do que a quantidade e isso obriga-nos a subir a fasquia de esforço. De resto, em termos pessoais, não é nada que tenha alterado profundamente a nossa (a de cada um de nós) vida pessoal.
- Acreditam que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
No Tugir em português temos mantido essa vontade. Somos dois autores e sempre nos pautámos por expor individualmente o nosso pensar. Não existe uma linha editorial no nosso Blog. Talvez exista, porque muito do que escrevemos é sobre actualidade política, uma matriz mínima de pensamento baseada na comum Declaração de Princípios com que concordamos. De resto é visível para quem nos lê que há diversas formas de interpretação e de orientação onde as divergências se acentuam. Somos os primeiros a fazer o contraditório um do outro, quando isso acontece.
domingo, 17 de Dezembro de 2006
CONCURSO ANO NOVO - 3
Início de frases complicadas: “E Deus cumpriu o prometido.”
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007)
sábado, 16 de Dezembro de 2006
As últimas mini-entrevistas de 2006

QC
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CONCURSO ANO NOVO - 2

O Rapto das Sabinas, Picasso, MDA
e
Verbos a evitar esta semana: “Pegar, colocar e agarrar.”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
e
Mini-entrevistas/Série II – 82

LC
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006
CONCURSO ANO NOVO - 1
e
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007)
Novela - 2
Para que diga de si própria que existe, a nossa justiça precisa de vendavais, de títulos, de nomeações, de escândalos, de fugas ao segredo profissional, de dislates, mas sobretudo – e é a notícia do dia - carece de algum sebastianismo. Era este último o toque que faltava. O toque fatal. Pode ser que seja agora e de vez. Por outras palavras: pode ser que os gangs que todos vemos há muito a gravitar por aí (em torno dos relvados) com indiscutível ininputabilidade possam, mais cedo do que se pensa, conhecer a ideia cartesiana de um céu aos quadradinhos.
Novela - 1

ee
“Desde que se separaram que Carolina e Pinto da Costa trocam acusações públicas e ameaçam defrontar-se em tribunal. Carolina Salgado diz-se, por exemplo, ofendida num caso de agressão, cuja autoria imputa a Pinto da Costa e ao seu motorista, enquanto o presidente do FC Porto e o advogado Lourenço Pinto apresentaram queixa por incêndio nos seus escritórios, tendo insinuado que só Carolina Salgado poderia ter engendrado tal acção criminosa.”
Mini-entrevistas/Série II – 81

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Bernardo Pires de Lima (http://revista-atlantico.blogspot.com/ - Sinédrio, Acidental, Direita Liberal e, agora, Revista Atlântico).
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Espaço de debate, pluralismo, choque de personalidades e egos, feira de vaidades, algum baixo nível aqui e ali (assumo a minha quota de responsabilidade, também).
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum em particular. Devo confessar que sou leitor pouco assíduo de blogues.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
As muitas amizades que me permitiu fazer. Isso para mim é o mais importante.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito que sim, na generalidade. No meu caso particular sempre tive 200% de liberdade para escrever o que me apetecesse em qualquer dos blogues em que passei (Sinédrio, Acidental, Direita Liberal e, agora, Revista Atlântico). Tudo depende da "equipa" que faz o blogue, neste caso sempre colectivo, do espírito livre e pluralista que nos acompanha e o facto de não nos levarmos muito a sério. Acho que sempre escrevemos em blogues pelo prazer do debate e não por qualquer objectivo pré-determinado. Tenho muito orgulho em ter feito parte dos blogues acima mencionados.
quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006
A conferência de Teerão

e
Não, caro Ahmadinejad, o Holocausto nunca existiu. Nem o senhor jamais levou infiéis de braço dado para a forca, nem o fogo cruzado chegou alguma vez a incendiar os tanques de papel com que o seu Action Man se costuma divertir. O que existiu foi uma nuvem de insectos que, no seu sótão de guerras entre bonecos da Olá e da Rajá, sucumbiram um dia aos insecticidas comprados na drogaria do senhor Shalimar. O que se fez sentir neste planeta foi uma intensa vibração de versículos e fatwas que um cavalo ainda maior que o de Tróia transformou um dia em serpentes venenosas. O que existiu foi tudo afinal em desenhos animados, mesmo quando neste Outono alguém bloqueou 13 milhões de posts em blogues espalhados por todo o Irão.
e
Não, caro Ahmadinejad, o Holocausto nunca existiu. Nem o primeiro dos Darios da Pérsia jamais existiu quanto mais o terceiro que se encontrou um dia, e sabe deus como, com Alexandre. Nem o império Persa, que conquistou o babilónico algumas décadas depois do início do exílio judaico, adoptou o Aramaico como língua oficial. Nem terá sido o persa Ciro II que possibilitou aos judeus regressarem, em 537 a.C., do exílio às actuais terras de Israel. Nada, nada disto aconteceu ou existiu. Nem mesmo as torturas a cargo do senhor Saeed Mortazavi sobre jornalistas e bloggers alguma vez existiram. O que existe é apenas a laranjada que Ahmadinejad bebe ao lanche, entre os fósforos que acende para queimar a borracha de que é feita a cabeça do Peter Pan. Ou será do Action Man?
Mini-entrevistas/Série II – 80

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje as convidadas são as bloggers do Escola de Lavores (Marisa, Luísa, Susana, Ana, Dina e Madalena - http://escoladelavores.blogspot.com).
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
De um modo geral, os acontecimentos que acompanhamos através da blogosfera, seguímo-los também por outras vias. Houve no entanto um caso - concretamente uma manifestação de mulheres no Irão por altura do Mundial de Futebol - que só foi relatado na blogosfera.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Tratando-se de um blogue com características específicas - feito apenas por mulhres, ETC - é curioso verificar que nos encontramos muitas vezes frente ao computador à mesma hora, normalmente depois das onze da noite. O que ganhámos com o blogue? Um espaço onde todos os temas são permitidos, uma rotina de reflexão, um tempo de autodeterminação pessoal. Quanto ao impacto na nossa vida pessoal, as experiências são diferentes. Há quem tenha deixado de passear o cão ou de estender a roupa. Quem tenha desligado a televisão, arrumado o livro ou reduzido as horas de sono. Não confirmamos se houve algum divórcio.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sem dúvida!... com tudo o que de bom e mau isso comporta, para o autor, para eventuais visados, para a sociedade. É um sistema de publicar/editar que, até agora, não tem quaisquer regras, nomeadamente éticas. As únicas restrições partem da ponderação que fazemos sobre o que publicamos.
Pré-publicações - 9
Minos não sabia nada sobre o que realmente se tinha passado no Labirinto: pensava que a sua filha tinha sido levada por Teseu contra vontade dela. E segundo Minos, se Teseu tinha conseguido sair sem problemas do Labirinto, só havia uma explicação para isso: Dédalo tinha traído a sua confiança, dando a planta ao rapaz. Por isso, para se vingar, fechou o arquitecto, com o respectivo filho Ícaro, no Labirinto que aquele tinha criado.
Dédalo sabia que, sem a planta do Labirinto, seria incapaz de encontrar a saída! Mas ele era um criador notável – até tinha conseguido fabricar estátuas que se mexiam sozinhas – e acreditava que cada problema tinha a sua solução. Reflectiu durante muito tempo e considerou então que, se a terra e o mar não lhe ofereciam nenhuma saída, o céu, em contrapartida, estava livre. O filho e ele iriam escapar a voar... como pássaros!
Com a ajuda de um arco improvisado, Dédalo matou duas águias e apropriou-se das penas destas. Com habilidade e paciência, juntou as penas e colou-as com cera. Ícaro ajudou-o no trabalho, sem suspeitar que incorria na sua própria desgraça. Por fim, Dédalo recurvou esta construção de penas de forma a imitar a curvatura das asas de um pássaro. Assim que terminou os dois pares de asas, Dédalo prendeu-os nos ombros de Ícaro e nos seus. Depois, fez as suas recomendações ao filho querido: “Ícaro, tem cuidado para não voares nem muito alto nem muito baixo: muito perto do sol, a cera das tuas asas correm o risco de se derreter; muito perto do mar, as tuas asas molhar-se-ão. Segue-me, meu filho, sem nunca me perderes de vista”. O velho homem cobriu então o rapazinho de beijos.
Num bater de asas, subiram pelos ares. Dédalo voltava-se a cada instante para vigiar o filho. Houve camponeses que os avistaram e ficaram espantados. Aqueles homens que voavam como pássaros deviam ser deuses! Tal como um passarinho que sai do ninho, Ícaro depressa ganhou confiança. Rapidamente se sentiu inebriado pela sensação de liberdade e excitado com as alturas que podia alcançar.
Ícaro voou mais alto, sempre mais alto, de modo que Dédalo o perdeu de vista e ficou preocupado. Mas o jovem orgulhoso não deu importância nenhuma às recomendações do pai. Como um pássaro, quase como um deus, podia subir aos céus e sentia-se invencível! “Vou-me aproximar do sol e acompanhá-lo no seu curso!”, disse, esquecendo que era apenas um simples mortal.
Aconteceu o esperado: assim que chegou perto do sol, a cera das asas de Ícaro começou a derreter. As penas caíram uma a uma. O rapazinho já não estava seguro e agitava tragicamente os braços no vazio. Durante a queda, gritou o nome do pai. Mas em vão: este já não podia fazer nada por ele.
Ícaro caiu numa ilha que depois se chamou de Içaria e o mar que a rodeia foi baptizado de Mar Icariano, em memória desse rapaz audacioso.
Dédalo, que tinha por fim alcançado o filho, levantou o pequeno corpo desfalecido e enterrou-o.
Em seguida, tornou a voar para pedir refúgio na Sicília, ao rei Cocalos.
No entanto, Minos tinha ficado louco de raiva por causa da fuga dos seus prisioneiros e estava mesmo decidido a reencontrar Dédalo. Vagueou de terra em terra à procura dele. “Procuro esse traidor do Dédalo”, disse Minos, ao encontrar Cocalos. “Se está aqui escondido, peço-te por tudo que mo entregues!” Cocalos fingiu não saber de nada.
Mas Minos era muito engenhoso. Andou pelo país com uma concha de caracol e um fio. “Prometo a mais bela das recompensas àquele que conseguir fazer passar o fio nas espirais desta concha!”, repetia ele para quem queria ouvir.
Houve muitos que tentaram resolver este estranho desafio, mas em vão. Cocalos, esse, sabia que com a ajuda de Dédalo podia conseguir. Submeteu então o problema ao seu genial protegido. “Nada mais fácil”, disse Dédalo, depois de alguns instantes de reflexão. “Peça aos seus criados que me tragam algumas formigas e verá!”
Dédalo atou uma das formigas ao fio e introduziu o insecto na concha por um buraquinho no cocuruto. Em poucos minutos, estava feito: a formiga saiu do outro lado com o fio.
Cocalos, triunfante, correu rapidamente até Minos, para reclamar a sua recompensa. Que idiota! No mesmo instante em que viu a concha, Minos percebeu que o rei da Sicília tinha obtido a ajuda do homem mais engenhoso que existia, o famoso construtor do Labirinto.
“Diz-me onde está Dédalo”, ordenou-lhe Minos. “Agora já não me podes mentir!” Envergonhado, Cocalos foi obrigado a confessar e prometeu que lhe entregaria o arquitecto o mais rapidamente possível. Enquanto esperava, convidou Minos para repousar no palácio.
Cocalos era ingénuo, claro, mas tinha bom coração e não queria provocar a morte de Dédalo. Assim sendo, chegada a noite, quando Minos se foi lavar, Cocalos encarregou as filhas de o queimarem. Foi assim que o rei Minos, vermelho como uma lagosta, faleceu no banho.
Quanto a Dédalo, construiu inúmeras edificações magníficas para agradecer ao seu anfitrião."
quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006
Meritologia

Mini-entrevistas/Série II – 79

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Luís Mourão, Professor do ensino superior politécnico, 46 anos (http://blogmanchas.blogspot.com/).
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Do lado das possibilidades, duas. Primeiro, uma possibilidade de escrever e de ler-ver-ouvir para além dos circuitos até agora estabelecidos para isso. Mesmo aqueles que se pronunciam noutros meios, encontram aqui espaço para dizer outras coisas e dizê-lo de modos diferentes. Segundo, uma possibilidade de diálogo mais efectiva e rápida que o proporcionado por outros meios de discussão: nesse sentido, a blogosfera é a melhor notícia dos últimos tempos para o reforço do espaço público.
Do lado das precauções, duas também. O meio tende à rapidez, e a rapidez não se dá bem com os matizes nem com a suspensão do juízo ou a sua distensão até melhores provas: é preciso introduzir alguma lentidão e, sobretudo, não confundir o ritmo do post com o único ritmo possível para o pensamento. O meio, mais do que qualquer outro, permite a mediocridade e coisas correlatas de extensão ética, mas convém não deitar fora o bebé com a água do banho.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas através de blogues, nenhum. Ressalva: algumas vezes só sei dos resultados do Porto através do blog do Francisco e do seu cantinho do hooligan. Mas isso é porque sou mesmo um adepto desnaturado. No resto, a dimensão do blog não é tanto a notícia mas o comentário, e é isso que me interessa no blog (relativamente a acontecimentos, claro).
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Houve algum impacto, sim. Mas ainda não é altura de falar nisso. O que posso dizer são trivialidades: repartição do tempo (com perdas e ganhos), pequeno espaço lateral para reforço da sanidade mental (em conjugação com outras coisas, claro), contactos e diálogos que de outra forma não teriam acontecido.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Editorialmente, é. Ninguém impede ninguém de escrever o que muito bem lhe aprouver no seu próprio blog. Depois, há o lado da sociabilidade, em sentido lato. Um blog assinado coloca sempre o seu autor naquela complexa teia de gerir a sua imagem (às vezes o seu emprego, as suas relações de amizade, etc). Mas isso já é a vida, não a edição.
Pré-publicações - 8
"Ponhamos as coisas na ordem. Que queremos dizer precisamente quando dizemos viver em democracia? Entendida de forma estrita, a democracia não é uma forma de estado. Está aquém e além dessas formas. Aquém, como o fundamento igualitário necessário e necessariamente esquecido do Estado oligárquico. Além, como a actividade pública que contraria a tendência de qualquer Estado a açambarcar a esfera comum e a despolitizar. Todo o Estado é oligárquico. O teórico da oposição entre democracia e totalitarismo admite de boa vontade: «Não se pode conceber um regime que, em algum sentido, não seja oligárquico.»[1] Mas a oligarquia dá mais ou menos lugar à democracia, ela é mais ou menos corroída pela sua actividade. Neste sentido, as formas constitucionais e as práticas dos governos oligárquicos podem dizer-se mais ou menos democráticos. A existência de um sistema representativo é tomada habitualmente como critério pertinente de democracia. Mas este sistema é ele próprio um compromisso instável, uma resultante de forças contrárias. Tende para a democracia na medida em que se aproxima do poder de não importa quem. Deste ponto de vista, podem-se enumerar as regras definindo o mínimo que permite a um sistema representativo declarar-se democrático: mandatos eleitorais curtos, não acumuláveis, não renováveis; monopólio dos representantes sobre a elaboração das leis; interdição dos funcionários do Estado serem representantes do povo; redução ao mínimo das campanhas e das despesas de campanha e controlo da ingerência das potências económicas nos processos eleitorais. Tais regras não têm nada de extravagante e no passado, muitos pensadores ou legisladores, pouco dados ao amor imprudente pelo povo, examinaram-nos com atenção como meios de assegurar o equilíbrio dos poderes, de dissociar a representação da vontade geral da dos interesses particulares e evitar o que eles consideravam como o pior dos governos: o governo dos que amam o poder e são hábeis em apossar-se dele. Hoje, todavia, basta enumerá-los para suscitar a hilariedade. Justamente: o que designamos por democracia é um funcionamento estatal e governamental exactamente inverso: eternos eleitos, acumulando ou alternando funções municipais, regionais, legislativas ou ministeriais e agarrados à população pelo elo essencial da representação dos interesses locais; governos que fazem eles próprios as leis, representantes do povo saídos massivamente de uma escola de administração; ministros ou colaboradores de ministros recolocados em empresas públicas ou semi-públicas; partidos financiados pela fraude dos mercados públicos; homens de negócios que investem somas colossais em busca dum mandato eleitoral; patrões de impérios mediáticos privados apossando-se, através das suas funções públicas, do império dos medias públicos. Em resumo: a apropriação da coisa públicafunçrvrallossais na busca s mercados ppr e evitar o que eles consideravam como o pior dos governos: o governo dos qupor uma por uma sólida aliança da oligarquia estatal com a oligarquia económica. Compreende-se que os depreciadores do «individualismo democrático» não tenham nada a censurar a este sistema de predação da coisa e do bem públicos. De facto, estas formas de sobreconsumo dos empregos públicos não relevam a democracia. Os males de que sofrem as nossas «democracias» são principalmente os males ligados ao insaciável apetite dos oligarcas."
terça-feira, 12 de Dezembro de 2006
Novo romance

As novidades já estão na minha página pessoal. Basta abrir, ver e ler.
Mini-entrevistas/Série II – 78

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Isabela, 43 anos, animadora sociocultural (http://omundoperfeito.blogspot.com/).
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
O espaço de escrita blogosférico é muito de opinião e reflexão, mas precisamos dos jornais, pelo menos. Há uma grande interacção, a meu ver, bastante saudável, entre blogues e Imprensa. Pessoalmente, procuro os jornais para uma leitura factual, mas não só. São-me essenciais. Preciso da notícia crua para depois pensar, criar sobre ela. Aliás, os bloguistas são minuciosos leitores diários. Há blogues que vivem de ideias e situações intemporais, e, portanto, isto não se lhes aplica. A blogosfera mantém o seu feudo diarístico muito importante. Pessoalmente, o que me interessa seguir através dos blogues é a vida na sua inteireza, sem filtros de redacção, bem como as pessoas que a vivem, que a fazem, e a escrevem, muitas vezes, muito bem.
Os meus blogues obrigam-me a escrever. Não é um verbo usado levianamente. Obrigam-me, de facto, e escrevo que me desunho. E quanto mais se escreve, mais se quer escrever. Sei que os leitores esperam texto, e quero dar-lho. Quero que se divirtam, e que pensem, se maravilhem, riam comigo, e até de mim. Por esse motivo, desenvolvi uma pulsão para a escrita sobre situações do mundo, e, posteriormente, sobre conceitos, ideologias, e respectivo questionamento, como nunca tive antes, embora sempre tenha escrito.
O meu olhar selecciona o que é elegível de atenção muito em função da utilidade que isso terá em termos de escrita, ou de escrita de blogue. Como produzo muito texto, e o texto me dá trabalho, porque depois não suporto construções que travem a fluidez da minha própria leitura, dou comigo muitas horas frente ao computador; logo, tenho menos tempo para outras actividades que, muitas vezes, descuro. Vejo menos televisão, leio menos, vou menos ao cinema. Os olhos estão uma desgraça, e permanecersentada muito tempo não é saudável, no meu caso. Os visitantes dos meus blogues, e as minhas visitas a blogues alheios, levaram-me a conhecer muita gente, alargando a minha teia de relações de uma forma que não acontecia desde a existência do DN Jovem. Encontro-me com essas pessoas, comunico com elas por mail, chat ou telefone. Foi possível criar, pois, uma outra rede, humana, social, fora da web. Isso tornou-me uma pessoa mais sociável. Acho eu. Se calhar, apenas mais "relacionável".
segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006
Blogoprémios
A votação de 127 bloggers – publicada e organizada pelo Geração Rasca – acabou por estipular: um 8º lugar para o Miniscente na rubrica “melhor blogue 2006”, um 9º lugar para o Miniscente como “melhor blogue individual masculino 2006” e um 10º lugar para o autor do Miniscente – imagine-se – na rubrica “melhor blogger 2006”. O importante é mas é dar os parabéns aos vencedores: ao Francisco, ao Pedro, à Isabel, ao Blasfémias (por duas vezes!) e ao Foram-se os Anéis. Para o ano haverá mais, creio eu.
Prosema aos meus vizinhos

Essa música de ser a Internet o exílio moderno ou pós-moderno pois soa mais chique ouço-a volta e volta sempre já monótona de repetida que antigamente é que era bom o adro das igrejas na ilha o Canto da Fonte no meu Pico da Pedra a piazza italiana os cafés da pátria isso sim eram a continuação das ágoras gregas e da família alargada dos vizinhos e amigos de paleio diário como a natureza humana requeria e ainda requer
Agora a Internet veio destruir o convívio a familiaridade desenvolvida nos encontros diários a palração fiada no cortar da casaca do próximo mas distante naquele preciso momento mais pancada no governo e as grandes soluções para os problemas políticos do país e do universo na idade de ouro AC isto é Antes do Computador e desse inferno da emailação internetional cada um metido no buraco negro do maldito caixote isolado do resto da casa da família e dos mais na solitude de um ecrã cenário pré-anunciado naquele cartoon a mostrar um corte longitudinal de arranha-céus em Nova Iorque revelando apartamentos individuais cada qual com um inquilino solitário apenas no seu canto enganando-se na cura da sua solidão a masturbar-se
Na mente dos seus detractores a Internet virou metamorfose do pecado de onanismo e a verdade é que se eu fosse dado a antigos remorsos andaria dia sim dia sim a confessar-me pecador sem direito a absolvição por impenitência incurável que não me molesta apenas a mim pois tenho um novo vizinho que há meses neste longo Inverno vejo da janela ao lado do meu computador sentado naturalmente a comunicar com amigos sei lá se na Califórnia na Bolívia ou na Austrália ou mesmo se calhar com a mulher na cozinha mesmo ali no andar de baixo A verdade é que nada sei dele nem tenho interesse em saber muito embora me assalte de vez em quando a curiosidade de descobrir para onde comunica pois as coincidências acontecem sempre como uma vez eu no ar a doze mil metros algures sobre a Terra a meter conversa com o passageiro do assento ao lado De onde é? e ele De Boston melhor dos arredores e eu De onde? ele De Providence e eu a insistir De que bairro? ele Ah! Conhece Providence? Do East Side eu De que rua? ele Rochambeau eu Que número? e era daqui mesmo ao pé quatro casas mais além sem nunca nos termos cruzado cá em baixo Mas a ironia cavou mais fundo porque ele acabou dando-me o seu cartão de visita e topei logo Goulart nome das minhas ilhas e ele a confirmar S. Jorge terra do avô antecedido de um Brian escolha da mãe irlandesa Deu convite a passar no Amsterdam o bar dele na baixa o downtown daqui e dois copos de Chardonay à borla cada vez que eu lá entrava mais a Leonor e a verdade é que sendo vizinhos sem convivermos nem nos conhecermos sequer íamos ali à South Main Street fazer-lhe vizinhança até um dia ele desaparecer não sei para onde
Obviamente tenho vizinhos de cruzamento de vez em quando como o Enric catalão que sei quando não está em Providence pois deixa a luz acesa toda a noite e o Brian que manda postal de Boas Festas cada Natal e um dia me disse ser meio-irlandês e meio-português do lado da mãe oriunda de um sítio algures em Portugal diz ele que em inglês é qualquer coisa como Beyond-the-Mountains e há ainda uma vizinha defronte loura e solitária que segundo a Leonor me faz distrair do computador para olhar quando ela assoma ao jardim
Nas casas americanas quase não há vedações nada que se pareça com os muros de Berlim das casas em Portugal muito embora Robert Frost tenha imortalizado o aviso em verso Good fences make good neighbors outro poeta o Michael Harper mesmo aqui da Brown prefere America is always about neighborhood Por sinal aqui em casa há cercas herdadas dos anteriores donos mas são de verde que desaparece no Inverno deixando a nu por entre troncos e caules a vida dos vizinhos novos para cá mudados há meses e tal como nós sem cortinas nas janelas pois não se devem importar de a sua casa parecer um ecrã de TV contemplado defronte porque vivem distantes e não nos conhecemos
Às vezes a mulher vai à Internet mas demora-se muito pouco e por isso não acredito que ela seja qualquer das desperate housewives que me chegam anunciadas em e-mails de um serviço não-solicitado de nome Adult-Couples Hookup Lounge dizendo sem pejo Lonely cheating-hot-wives are waiting for you in the privacy of their homes e publicita mesmo o nome da interessada supostamente minha vizinha uma tal Lorna porque o anúncio diz que o meu perfil se ajusta perfeitamente ao seu visto o cruzamento ter sido feito no infalível computador Ora eu nunca me inscrevi em serviço quejando e está-se mesmo a ver que se essa Lorna fosse a minha vizinha e eu me aventurasse a ir lá a casa eu próprio me veria daqui mas não pensemos nisso
Estou neste embalo a delirar palermices porque ao fim e ao cabo nunca soube o que era a solidão e muitas vezes desejei solitude sem conseguir espaço e além disso nunca sinto saudades de Portugal porque vou lá sempre todos os dias a qualquer hora que antes era só na mente e agora é mesmo em viagens virtuais graças à Internet e aos e-mails por isso continuo sem saber o que seja isso de exílio para mais se fui eu próprio quem pagou a passagem para sair Portugal fica logo ali na outra margem do rio Atlântico a Internet mantem os amigos ao pé da gente as cartas de papel demoravam muito e era preciso pôr o selo colar com cuspo e esperar semanas seguidas pela resposta de um Portugal avesso a correspondências já desde o tempo das Índias e Brasis
O mundo virou aldeia o Zelimir envia-me um e-mail a dizer que acaba de ler um interessante livro sobre a Base das Lajes de um tal Luís Qualquer-Coisa Rodrigues e pergunta se o conheço e na volta respondo-lhe que ele vem jantar cá em casa nessa mesma noite e já contei noutro lugar que o Leon Machado de Vila Real nos antigamente perdidos Trás-os-Montes o Beyond-the-Mountains do Brian me emailou a pedir uma informação e eu dei-lha em segundos para segundos depois ele responder Que bom é ter amigos ao pé da gente Para ser franco vou admitir que a minha vontade cá bem no íntimo era juntar os amigos todos no Canto da Fonte do meu Pico da Pedra mas isso iria exigir uma boa pipa de massa e as trocas virtuais saem bem mais em conta
Dir-me-á o leitor que não tivesse eu saído lá da terra e não teria agora este problema mas eu na minha acho que se não tivesse abalado se calhar andaria agora mergulhado no cinzento da monotonia e da mesmidade de conversas e além do mais eu não teria encontrado toda essa gente interessante e se não tivesse a Internet eu tê-la-ia perdido pelo que isso de exílio e vizinhanças tem muito que se lhe diga pois os vizinhos são como a família que não escolhemos enquanto os amigos sim
Tinha este prosema dependurado por não saber como terminá-lo a jeito e eis senão quando vindo da garagem fui subitamente atravessado por uma voz chegada do lado dos novos vizinhos Hi! I am Fred You must be Onésimo o meu nome pronunciado assim certinho Era para se apresentar que trabalha na Brown e é amigo da nossa colega Pat e até fez no computador o arranjo gráfico de um cartaz para colóquio do Departamento e mais ainda foi com a sua Karen passar a lua-de-mel nos Açores e queria dizer que adorou as ilhas e parece ter adivinhado que ao revelar-me aquilo ficava logo ali velho amigo Fui ao computador googlá-lo e passei a conhecer-lhe a vida quase toda que até escreve e publica e entrevista gente como o escritor Robert Coover que às vezes janta connosco em casa do Enric e mais soube ainda que o o meu novo vizinho se interessa muito por letras e humanidades
O mais estranho é que acabei desiludido pois estava a magicar um desfecho sensacional para estas linhas que faria delas uma portentosa tirada sobre a alienação e os vizinhos do lado que se ignoram e não se cruzam e escrevem na Internet para amigos a milhares de quilómetros e nem ligam às gentes de ao pé da porta e eu que já não tinha ilusões de compreender o que vinha a ser isso de exílio e nem sequer mesmo o lusitaníssimo mistério da saudade agora já nem entendo o que sejam distâncias no globo porque a Internet deu cabo do conceito Só me resta dizer que da próxima vez que for à ilha garanto levarei o meu portátil para me sentar no Canto da Fonte do Pico da Pedra e depois de um papo com a rapaziada que restar do meu tempo hei-de conversar com os hoje meus vizinhos espalhados pelos quatro cantos da fonte do mundo
Mini-entrevistas/Série II – 77

LC
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
A blogosfera, nesta altura, diz-me muito. Foi uma descoberta que considero de enorme importância. Falo a uma nível pessoal, mas também num plano colectivo. Os blogues vêm ocupar um lugar essencial na comunicação contemporânea. Numa altura em que a comunicação de massas tende à abstracção, ao impessoal, ao corte com a notícia pessoal, com o dado individual (que não tenha a ver com vedetas e falsas vedetas), o blogue vem ocupar esse espaço de comunhão de emoções, de convívio diário, de pequena anotação, de edição de textos sem “edição”, de paginação “pessoal”, de responsabilização, de assunção de uma identidade e de partilha. Os blogues re-descobrem alguns géneros literários caídos em desuso, ou mal afamados, e que regressam revitalizados, desde o diário às memórias, do registo de máximas aos “cadáveres exquis”, da literatura de viagens ao romance erótico, do picaresco ao “cordel”.
O pior da blogosfera é o anonimato traiçoeiro, incompetente, mesquinho, merdoso. Compreendo o anonimato de quem procura o diário intimista, de quem tenta criar aqui o divã de psiquiatra que não tem coragem de assumir, ou não quer assumir, no gabinete do médico. Mas quem se serve do anonimato para a calúnia e a maledicência, não tem desculpa. E tão culpado é quem calúnia como quem aceita a prática da calúnia sem a denunciar. Nisso, a blogosfera assemelha-se muito a uma “casa de meninas de mau porte”.
Mas globalmente a blogosfera é uma conquista admirável, que já mexe, mas vai mexer ainda mais, com todo o sistema de comunicação e informação. Os jornais vão sofrer com os blogues, ainda que de uma maneira inesperada. Os blogues não vêm substituir os jornais. Apenas os vêm por em cheque. Obrigá-los a mudar e muito, se querem sobreviver.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum. Para informação rápida e imediata, a TV e a Rádio são imbatíveis. Para informação mais reflectida, os jornais continuam a ter a minha preferência. Os blogues são importantes para se ter uma ideia do pulsar do consciente colectivo, mas sobretudo para se ter um outro tipo de conhecimento, que para mim é essencial. Para saber o que A ou B pensa, para conhecer e sentir o mais profundo e secreto do ser humano que aqui aflora sem grandes controlos do politicamente correcto, do socialmente aceitável, do moralmente conveniente. Aqui pode ser-se “Maria” ou “Manel” e ter-se outras vidas, aquelas que sonhamos e não soubemos construir. Aqui o anonimato não fere, apenas ajuda a despoletar a “verdade” mais íntima.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Julgo que foi mesmo essa possibilidade de falar a escrever e ouvir a ler pessoas que não conhecia e passei a conhecer, algumas apaixonantes, outras detestáveis, todas elas humanas, frágeis na sua aparente força, por vezes enormes na sua simplicidade. Este é obviamente um jogo de escrever bem, mas sobretudo um jogo de escrever “verdade”. Aqui surpreende-se uma verdade que não vem em nenhum jornal, em nenhuma televisão. Uma verdade que ou não tem interesse para a tradicional comunicação social, ou se tem interesse é logo distorcida por interesses comerciais que transformam a “verdade mais íntima” em mercadoria de transaccionar. Logo, subvertem a “verdade”.
Eu adoro escrever. Na blogosfera encontrei um terreno ideal. Sou avesso a todo o tipo de controlo, “o controlo sou eu”. Depois acho muito saudável a colectivização de bens de consumo, esta discreta pirataria que por aqui campeia, eu roubo aquela imagem, tu citas este texto, faço a minha montagem, edito e ponho no ar. Mas detesto, como já disse, a pirataria da ignomínia sem rosto, anónima, cobarde. Essa prática vai acabar com a saudável blogosfera que hoje em dia conhecemos e de que usufruímos.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito que sim, mas isso comporta riscos e perigos. Ou somos responsavelmente livres, ou, mais cedo ou mais tarde, seremos irresponsáveis controlados por um qualquer “big brother”. Neste, como em todos os países, há milhares de idiotas que julgam ter graça, quando afinal Luís Pacheco só há um. O Luís Pacheco tem uma cultura impar e um talento dos diabos que lhe permitem criticar como critica. Os Pachecozinhos sem cultura nem tento na testa deviam abster-se de ser malcriados e de fazer figura de tontos. Versejadores de meia tigela, que todos lêem como um acto de contrição, que se obrigam a engolir a gargalhada para não parecerem ingratos, não se podem dar ao luxo de arrotar postas de pescada, mesmo sob um anonimato, sobretudo sob anonimato. As invejas e os ciúmes dos medíocres não podem exercer-se na vingança da arruaça sem rosto, da denúncia sem provas, da má criação gratuita.
Eu sou um privilegiado, apenas apanhei até agora um desses piratas bloguistas, e dos mais mal cotados na “blo”, sem cotação junto de ninguém, que o atura como palhaço de serviço, mas sei de muitos casos desagradáveis, e já me tentarem envenenar contra segundos de forma ignóbil. A “blogosfera é como na vida” dizem por aí e é verdade. É preciso estar preparado para tudo. Até para a completa liberdade que hoje se respira. Que era muito bom que continuasse, se todos nos soubéssemos respeitar na diferença, sem atropelos. Se não, mais cedo ou mais tarde, aparece uma legislação férrea para pôr na ordem quem prevaricou e quem não o fez.
domingo, 10 de Dezembro de 2006
Monólogo interior do Ulisses
e
Notícias inéditas do MacGuffin
O que se diz ao dizer "regulação"?

O Maior - 3

Esta é a rubrica mitológica e dominical do Miniscente
sábado, 9 de Dezembro de 2006
O caudal das mini-entrevistas

Mini-entrevistas/Série II – 76

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Rogério Santos, professor universitário, 57 anos (http://industrias-culturais.blogspot.com/).
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Indica um novo espaço e actividade relacionados com a comunicação e a liberdade. Significa que eu posso criar um espaço próprio de comunicação e diálogo através de textos que publico e de comentários e mensagens que troco com outros elementos da blogosfera. Trata-se de um meio usando uma ferramenta fácil de construir, o que liberta o seu editor de dificuldades de arquitectura, o que possibilitou até agora que milhões de utilizadores da internet estejam capacitados para a criação de páginas pessoais ou colectivas.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
O pseudo-acontecimento do arrastão (hipotético assalto na praia a 5 de Outubro do ano passado) e os ataques terroristas em Madrid (Março de 2004), complementando ou mesmo dando informação fiável antes dos media tradicionais, foram foi bem retratados pelos blogues.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Desde que comecei a escrever em blogues, já há quatro anos, as minhas rotinas alteraram-se de um modo significativo. Vi-me obrigado a estar mais atento, a ler mais, a reflectir (e especular) mais. Em mim, os blogues começaram por ser uma ferramenta pedagógica, de apoio a aulas na universidade, onde desenvolvi tópicos que falara nas aulas mas permitiam complementar esses temas. Depois, "abri" uma fileira de assuntos, lendo e investigando, além de fazer laços com outros blogues, nomeadamente nas áreas do jornalismo e da rádio. Hoje, não passo um bocado do dia sem pensar nos temas a trabalhar no blogue. Se, inicialmente, o blogue onde publicava se confinava ao texto, as possibilidades de editar imagens - fixas e em movimento - levaram-me a procurar novas rotinas e novos temas. Apenas o registo de sons ficou confinado a algumas experiências. Neste ano lectivo, ousei pôr todos os alunos a criarem blogues, o que resultou numa explosão de mais 45 blogues, a partir de assuntos dados e discutidos na sala de aula, empregando o texto e as imagens em movimento. Devo dizer que, nestes anos de trabalho em blogues, aconteceram-me coisas fantásticas: um indivíduo invisual armazenou-me imagens num espaço seu, com um grande rigor técnico; ensinei um jornalista angolano a criar um blogue, o qual transmitiu o seu saber a compatriotas quando regressou ao seu país; fui convidado a participar e a apresentar uma comunicação num congresso fora do país graças ao meu blogue.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Um espaço ou forma de expressão tem sempre regras, direitos e deveres. Num blogue não se pode (deve) fazer a apologia do crime ou difamar; apesar de ser um espaço lúdico, a blogosfera fica mais rica se os editores a usarem como espaço público, de discussão de assuntos políticos (no sentido nobre da palavra). É também uma iniciação ao cruzamento de categorias como o texto e a imagem, sendo mesmo em muitos casos um meio de melhor expressão linguística e estética.
sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006
Mini-entrevistas/Série II – 75

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Teresa Castro - Tati (http://sempenisneminveja.weblog.com.pt), Professora de Química. Idade: indefinida.
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
quinta-feira, 7 de Dezembro de 2006
Enigma - 2
A frase do fim do ano

Mini-entrevistas/Série II – 74

LC
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Diz-me, antes de mais, muita coisa.
quarta-feira, 6 de Dezembro de 2006
Mini-entrevistas/Série II – 73

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Pedro Magalhães, Investigador auxiliar no Instituto de Ciências Sociais, 36 anos (http://margensdeerro.blogspot.com/).
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
A blogosfera é muito mais do que isto, mas para mim (no contacto que com ela tenho e o uso que dela faço) é um espaço onde posso aceder a opinião e informação especializada sobre os temas que me interessam, produzida por pessoas que não têm acesso aos meios de comunicação tradicionais ou que, tendo-o, podem neste suporte emitir opiniões e veicular informação sem os constrangimentos de tempo, espaço, oportunidade e de audiências que esse meios tradicionais impõem.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas através de blogues, nenhum. Mas com grande recurso aos blogues, eleições, nacionais e internacionais. As americanas em especial.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Houve outros, mas o maior impacto foi o facto de me terem levado - para escrever sobre o que escrevo no meu blogue e a entender aquilo que outros escrevem sobre os temas que me interessam - a aprender coisas que não sabia.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Nos países onde não há liberdade de expressão, a "liberdade" trazida pelos blogues é um importante valor acrescentado (nas duas semanas que passei na China não consegui aceder ao Blogger uma única vez nos vários "internet cafés" que visitei, o que suponho quererá dizer qualquer coisa). Nos outros, não creio que um bloguista se sinta necessariamente mais "livre" do que alguém que escreve nos jornais (a não ser que seja anónimo). A diferença, creio, é trazida pelo conjunto: uma maior diversidade de opiniões, estilos e contributos do que aquela que podemos recolher na imprensa.
terça-feira, 5 de Dezembro de 2006
Mini-entrevistas/Série II – 72

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Miguel Vale de Almeida, Professor Universitário, 46 anos (http://valedealmeida.blogspot.com/).
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Uma comunidade-em-rede virtual que dividiu a minha vida em “antes” e “depois”. Dou graças à Deusa por ter apanhado esta mudança e por ter vivido o entusiasmo de a ver aparecer.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas através de blogues, creio que nenhum. Sem ser uma ou outra disputa interna à blogosfera qua blogosfera, ou a subcultures da mesma, ela complementa - mais do que substitui - outros media
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
No caso do meu blog, a exposição (para o bem e para o mal) a pessoas e tipos sociais de quem não tinha feedback quando escrevia regularmente num jornal. Quanto aos blogs em geral, algum consumo acrescido de tempo e uma certa volúpia da actualização e do hipertexto
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Editorialmente, sim, na medida em que autor de blog e editor de blog são uma e a mesma coisa, no caso de blogs individuais como o meu. De resto, autocensuras, moderação de comentários, diplomacias e cáculos de várias espécies… isso é tudo igual, blog ou não-blog - como não poderia deixar de ser.
segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006
Enigma - 1

Que quererá dizer isto?
Mini-entrevistas/Série II – 71

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Nuno Miguel Guedes, jornalista, 42 anos. Autor do blogue Tradução Simultânea.
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Pedaços de idiossincracias, bitaites geniais, comentários sérios, deslumbres, ensaios, seduções, insultos, baixezas e vilanias, liberdade, paciência, irritações, amores e ódios. A vida sem ser a vida.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas por blogues, nenhum, até por questões profissionais. Mas quer-me parecer que se isso acontecesse faria de mim um homem muito triste e solitário.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Desde logo, a redescoberta da paixão, que andava escondida nos media tradicionais. Paixão ideológica, amorosa, bibliófila, filosófica. Depois permitiu-me chegar a pessoas que seria difícil de conhecer de outra maneira; dessas fiquei amigo de algumas e correlegionário de outras. De um ponto de vista ainda mais pessoal, os blogues também tiveram o seu papel. Mas disso não falo.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
É pelo menos a mais livre, com tudo o que isso implica. Não há polícia nem porteiro nem consumo mínimo: tudo está dependente do bom-senso e da boa educação. E, milagrosamente, a coisa funciona.
domingo, 3 de Dezembro de 2006
O caudal das mini-entrevistas

O Maior - 2

Blogues e Meteoros - 10

Quer os protagonistas, quer os antagonistas do que viria a ser a guerra de 2003 no Iraque, quer a própria discussão que coexistiu e sobretudo sucedeu à guerra, se baseavam nesse trilho retórico. E a verdade é que toda a gente sabia, independentemente dos posicionamentos, que não era esse o aspecto que estava em causa, mas sim o tipo de respostas a dar após a fractura de tipo novo que fora o 09/11. Ainda hoje esta troca do acidente pelo corpo do problema se encontra em plena validade.
Tenho-me muitas vezes interrogado acerca das razões paradoxais que levam o principal facto dos últimos anos a ser debatido deste modo. Mas este género de artifício não é apenas um exclusivo dos eventos de impacto mundial. Tomemos o recente congresso do PS. No discurso de abertura, Sócrates preferiu trocar o principal corpo de questões da governação pelo exótico e acidental par esquerda-direita, como se este fosse o aspecto mais relevante do último ano e meio em Portugal. E o mais curioso é que todos os interlocutores, comentadores, protagonistas e antagonistas dessa peça de teatro num só acto se conformaram com o debate em torno da poeirenta balança esquerda-direita.
Como se vê, as analogias falam por si. Parece, pois, estar na moda um entendimento da significação que privilegia o acidente – à moda dos impressionistas – àquilo que é a realidade mais complexa e envolvente que o detona e sugere. A blogosfera também não se exime a esta tendência. Se tomarmos atenção ao grosso das discussões em torno do novo universo dos blogues (fundamentalmente desde 2003), verificamos que é a insistente relação com os media que parece estar sempre em causa. Como se essa (relação) reflectisse a imagem objectiva do novo corpo que vigorosamente entrou em cena na arena comunicacional. Mais uma falácia, mais um acidente. E, mais uma vez, um acidente acatado por todos de bom grado – protagonistas, antagonistas, etc. – na larga maioria das polémicas e debates.
O fundo da questão, no caso blogues-media, advém de uma convicção generalizada que atribui aos media o único modo de repor quotidianamente o real. Basta inquirir os jornalistas que são convidados a dar aulas nas universidades em cursos de Ciências da Comunicação para ver o modo como a maioria identifica a (relativa) complexidade deste saber com o que designam por “jornalismo”. Esta ingenuidade estelar está muito difundida e vive da pressuposição de que não existem outras mediações no espaço público, a não ser os media tradicionais que nos vão dando, no dia a dia, uma ideia desse caudal imprevisto e cruzado que é a realidade. Como se o oceano global da comunicação, como se os actuais interfaces da informação, como se o próprio agenciamento do sentido passassem apenas por esse tipo de filtro (já lá vai o tempo em que uma única narrativa dominava o mundo!).
Nos dias que correm, os blogues estão a reatar e a reinventar antigos géneros, ao mesmo tempo que estão a criar novas ordens e léxicos para as suas variadíssimas escritas em rede. Reflectir sobre esta nova realidade, tendo apenas como referência os media, é um vício tão grande como discutir a questão iraquiana a partir das armas de destruição em massa ou o governo de Sócrates a partir de binarismos escolásticos. É possível que o nosso tempo tenha voltado a abraçar a superfície acidental das cores, o carácter impressivo dos contrastes e a flutuação incerta dos olhares. Mas, por amor de Deus, não esqueçamos o corpo!
sábado, 2 de Dezembro de 2006
Michel Houellebecq
e
Cervejas para festejar

Sugestões holandesas, Francisco: Utrechts Bok, Amstel oud bruin, Delftsch grachtenbier, Tilburgs Kruikenbier tripel, Dommelsch pilsener, Gronings witbier, Zeeuwsche witte, Haerlemsch old ale, Kroon oud bruin, Maasland kerstbier, Piet Heinbier, Vermeer Delftsch bier, Tappersbier, Amersfoorts blond, Valkenburgs wit, Nijmeegs Blarenbier, Vlo (Speciale) e Wildebok. Mas uma Abadia ou uma Boémia também não ficarão mal!
Mini-entrevistas/Série II – 70

LC
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Tiago Mendes, Economista, 28 anos.
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Cada um dá ao seu blogue o sentido que quiser. A escolha dos temas a abordar e, talvez mais importante, a escolha dos temas a não abordar, é da liberdade e responsabilidade de cada um. Todos os blogues são, nesse sentido, igualmente respeitáveis – o que não significa que me suscitem igual admiração. Prezo muito o desprendimento das pessoas, o que me faz admirar aqueles que demonstram capacidade de afirmar publicamente – e em coerência, claro – coisas que contradizem a linha prevalecente do grupo a que pertencem e/ou com o qual mais se identificam. Trocando a expressão “editorialmente livre” pela expressão “livre”, diria que o grau médio de independência dos blogues, quando comparado ao de outras formas de comunicação, é assinalável. Sendo um objectivo natural de alguns bloggers a procura de estatuto, de protagonismo, de reconhecimento, é natural que a estratégia de aumento de visibilidade fira, de algum modo, esse tal desprendimento que aprecio. Há as “concessões” (e até “pedidos de desculpa”...) aos leitores, há os “favores contrariados” que se fazem a outros blogues, há os elogios hiperbolizados a blogues ou bloggers apenas porque rendem visitas – há tudo isso e muito mais, como todos sabemos. Mas todas essas concessões são de certo modo naturais e compreensíveis. Estranho seria se os que não querem e rejeitam o braco, as conclusões, a companhia, insistindo em não ir por aí, se transformassem, repentinamente, numa imensa maioria…
e
Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca e Tiago Mendes. Agenda da próxima semana (de 4/12 a 9/12): Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos.
sexta-feira, 1 de Dezembro de 2006
Mini-entrevistas - 69

LC
e
Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira e Leandro Gejfinbein. Agenda desta semana (27/11/06 a 2/12/06): Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca e Tiago Mendes.
Pré-publicações - 7

Esta preocupação estética não decorre apenas da verdadeira paixão artística que caracterizou Filipe IV. Naquele ano, pouco depois de encerrada a guerra com França, os seus exércitos preparavam-se para enfrentar, numa batalha definitiva, o último foco de resistência que subsistia no império: a coroa de Portugal. O revés político e militar que o Rei Católico ali sofreu, atingiu para sempre a sua imagem e a da Monarquia, a qual, para além da perda da sua jóia mais valiosa, não pôde juntar à fabulosa pinacoteca régia uma nova série de pinturas dignas de comemorar a «restauração» portuguesa.
Ou talvez não fosse assim. Fazer guerra ao inimigo era algo de louvável para um príncipe cujos exércitos alcançavam semelhante façanha. Mas se o adversário era um súbdito rebelde, convinha simular perdão e, sobretudo, esquecimento. Da difícil e prolongada reconquista da Catalunha não resultou qualquer testemunho pictórico comparável às gestas europeias e americanas que Olivares ordenou que fossem expostas no Salão de Reinos do Palácio do Retiro. No que respeita a Portugal, nem sequer foi necessário reflectir sobre o assunto. Quem hoje deambule pelo Museu do Prado pode cair no erro de pensar que a história da Monarquia Hispânica foi a história da sua pintura, o que talvez explique por que motivo, depois de finalizar o percurso pelas salas de Velázquez, o visitante entra directamente na secção do século xviii, com destaque para a obra de Goya – exceptuando as suas célebres pinturas negras, oportunamente localizadas no piso inferior do museu. Assim, entre um e outro século não há pausa nem transição, mas apenas contraste, e um penoso vazio que agudiza – e reflecte – a representação ainda hoje predominante do declínio dos últimos Áustrias e o colorido ressurgir dos Bourbon. Simulamos perdão, e às vezes esquecimento.
É provável que este livro jamais existisse se tal tivesse dependido da vontade dos seus protagonistas, todos eles mestres na arte da contenção: os tempos impunham mesura. De certa maneira, as páginas que se seguem podem parecer cruéis e até irreverentes pelo modo como falam daqueles que rodearam Filipe IV durante o seu segundo reinado. Se a pintura dos anos que se seguiram à queda de Olivares deixou os historiadores órfãos de inspiração, não menos parco foi o interesse dos hispanistas pelo período que se seguiu a 1640, tradicionalmente considerado como um longo e pouco significativo apêndice do ministério de D. Gaspar de Guzmán. Se perdoar é próprio do ofício de rei, evitar o esquecimento é apanágio do mester de historiador. Por isso, o presente estudo trata de um tempo que procurou apagar a sua história, e que quase o conseguiu fazer.

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