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domingo, 31 de Dezembro de 2006

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Brevíssimo conto de fim de ano

para eles e eles sabem porquê
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O menino do urso
E
Era uma casa em que os móveis estavam todos cobertos com panos brancos. Uma montanha de neve sob tectos recortados pela humidade e pela memória muito antiga dos passos ao longe (estrados que rangiam, degraus soltos, o soalho ao vento). Um torrão de açúcar a ocupar a respiração e o respigar com que o coração do menino se agitava.
e
Até o relógio de parede (um papagaio de cobre a imergir no tic-tac), a ventoinha presa ao tecto e o bengaleiro de marfim pareciam mumificados. A luz apenas entrava pelo vão da janela por onde ia espreitando a brisa do fim da tarde. E não havia um único volume – sofá, cómoda ou piano – que não tivesse adormecido com toda a moleza sob a brancura dos lençóis. Há tantos anos.
E
O tempo tinha cristalizado como salgema na gruta e apenas parecia dar de si quando a brisa empurrava, aqui e ali, as portadas pesadas das janelas. Um breve sobressalto a atravessar o olhar de soldadinho de chumbo que o menino respirava. Um longo pasmo a tecer o fôlego com que o menino temia, ao fim e ao cabo, este grande teatro da obscuridade.
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E foi quando tornou a olhar para o tecto que o menino reviu o desenho que lhe sugeria marés vivas, murmúrios de ondas, ecos de búzios marinhos e cascatas inundadas por peixes vermelhos. Um oceano sem águas.
e
Depois, com muito vagar, o menino baixou os olhos e acabou por descobrir a cauda do urso a escapar-se por entre a dobra do manto branco que tudo cobria na penumbra antiga da casa.
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Subitamente, o menino percebeu que o som dos seus passos era igual ao som que a memória mais antiga da casa silenciara. Um augúrio feliz. Desde esse dia que o menino nunca mais abandonou o urso.
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Atravessou o corredor, correu, correu, correu, bateu com a porta e descobriu que a luz do fim da tarde lhe concedia o novo sinal, o novo sortilégio. Desde esse dia até hoje, quando estão a sós, o menino e o urso passam o tempo a falar.
e
Uma fala de marés vivas.
D
Bom ano.


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CONCURSO ANO NOVO - 17


O Rapto das Sabinas, John Leech, WPD
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS(SÁBADO, DIA 06/01/07).
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A conclusão sage: “E Deus pegou-me e sussurrou em voz muito baixa.”
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PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
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(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


sábado, 30 de Dezembro de 2006

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O nome de 2007

AHG
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Cada década acaba sempre por corresponder a uma escala musical que se esgota, ao insuflar de um balão que depois se esvazia, ou a um soufflé que se expande no forno até abrir brecha. Isso mesmo: uma brecha que não nos chega a preparar, como deve ser, para a década seguinte. O que se passa à escala de uma década passa-se também à escala de um ano. Ora, soletremos o número "2007" e perguntemo-nos, depois, se ele não tem o seu quê de corpo estranho? Cada número tem evidentemente o seu nome mais ou menos secreto, mas, quando o número coincide com um ano, esse nome parece assustar-nos. É como se nele revíssemos a casa ainda desconhecida onde iremos habitar durante mais uma (pequena mas significativa) parte da vida.


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Seja onde for e com quem for,

BBC
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eu sou convicta e civilizadamente contra a pena de morte.
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p.s. - Neste caso, a diferença é apenas uma: por esse mundo fora, a pena de morte é uma prática demasiado comum. A larguíssima maioria dos executados são anónimos e não integram o que, hoje em dia, designamos por caudal dos media. Saddam, ao invés, era um dos personagens centrais das várias narrativas diárias que nos entram em casa. À medida que o mundo omnipolitano se adensa, mais os factos reais são os factos reais e mais as meta-ocorrências dos media são apenas as meta-ocorrências dos media. E estas últimas tendem a significar precisamente o mesmo para nós que os relatos mitológicos antes significavam exemplar e didacticamente para os habitantes do mundo antigo e pré-moderno, baseado em referências de ascendência oral. É por isso que o caso Saddam vai fazer correr muita tinta. A indiferença apenas se coloca nos casos que se repetem e banalizam; aqui não, na medida em que estamos perante a aniquilação de uma vilão que protagonizava várias narrativas que ainda iam a meio. Para além desta espessura mediática - cada vez mais a essencial na actualidade -, há ainda a considerar a esfera política. Aí, temos uma fissura aberta que tenderá a moderar-se no Ocidente; já fora dele, duvido que a execução seja motivo de vitória. Ou seja, mesmo considerando que está em curso uma guerra no planeta - e eu considero que está - , não vejo nesta condenação nenhum passo em frente para deter o inimigo hiperterrorista. Nessa óptica, a execução aparece mesmo com algo lateral, senão mesmo como uma diversão. Uma perda de oportunidade. Um passo em falso.


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CONCURSO ANO NOVO - 16


O Rapto das Sabinas, Nicolas Poussin, REA
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
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Título de um mau policial: “Terá a mulher raptada escapado ao pior?”
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PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
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(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006

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A pensar em 2007

Mais um excerto do brevíssimo conto de ano novo que publicarei no último dia deste ano de 2006:
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Caroly Van Duyn
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O menino do urso
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(....) O tempo tinha cristalizado como salgema na gruta e apenas parecia dar de si quando a brisa empurrava, aqui e ali, as portadas pesadas das janelas. Um breve sobressalto a atravessar o olhar de soldadinho de chumbo que o menino respirava. Um longo pasmo a tecer o fôlego com que o menino temia, ao fim e ao cabo, este grande teatro da obscuridade.


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CONCURSO ANO NOVO - 15


O Rapto das Sabinas, Valerio Castello, CGE
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
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E se Rute perguntasse: “Mas o verbo pegar não é tauromáquico?”
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PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
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(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006

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Novas comunhões


OA
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As novas tecnologias funcionam como uma absolvição (mais ou menos anestesiada) de todas as ansiedades. A simulação de co-presença e de partilha e empatia quase infinitas, que pode ser tão viva e autêntica nos blogues, é um exemplo maior de uma espécie de transcendência que se funde com o imediato no dia a dia. É por isso que o blogger se sente a viver com os outros, como se fizesse parte deles e os transformasse, a eles mas também a si próprio, numa novíssima mitologia ainda sem evangelho (em Blogues e Meteoros).

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(versão completa em Janeiro – agora todas as semanas – no Expresso online)
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Paisagens invisíveis: dados novos

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O Manuel Calado é meu amigo desde os dezasseis anos de idade e é, hoje em dia, professor da Faculdade de Letras de Lisboa. É um arqueólogo que se tem dedicado - inclusivamente no seu doutoramento - ao megalitismo da região de Évora na sua íntima relação com o megalitismo da Bretanha e da Grã-Bretanha. Para além de grande amigo, o Manuel Calado sempre fez do seu saber um instrumento de partilha com as comunidades onde trabalha. O Manuel é uma espécie de artista que olha para a paisagem como o fotógrafo olha para a luz. Faço hoje aqui publicar um texto seu que dá conta de recentíssimas investigações que fixam, com clareza e inovação, as grandes cidades da Idade do Ferro e do Bronze do actual Alentejo. A maior curiosidade do texto aponta para o facto de a actual Évora ter muito provavelmente surgido como uma repovoação com origem na já antiquíssima Evoramonte. A palavra a quem sabe (é um texto longo):
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"As paisagens invisíveis:
ou os 2700 anos do castelo de Évora Monte
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Manuel Calado
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Foram, recentemente, encerradas as comemorações dos 700 anos do Castelo de Evoramonte, iniciativa da C.M. de Estremoz que contou com a participação de diversas entidades, nomeadamente a Direcção Regional de Cultura e a Região de Turismo de Évora.
Tratou-se, sobretudo, de evocar a fundação do Castelo medieval, cujas muralhas envolvem, de uma forma muito visível, a vila antiga de Evoramonte apesar de a imagem mais marcante deste conjunto arquitectónico ser, naturalmente, a imponente torre quinhentista.
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Sabíamos, já há uns anos, que, antes da vila medieval tinha existido, no local, um castro proto-histórico de que dei notícia, com Leonor Rocha, num artigo publicado, em 1996, na “Cidade de Évora” sobre o “Bronze final no Alentejo Central”.
Neste artigo, fazia-se já referência à possibilidade de o castro ter ocupado uma área superior à da cerca medieval, com base na hipótese de os taludes que se observavam na encosta exterior à muralha poderem conter os restos das muralhas antigas. Na verdade, os materiais arqueológicos que permitiram tal conjectura resumiam-se a um fragmento de taça de fabrico manual, característica do final da Idade do Bronze ou inícios da Idade do Ferro, transição cuja cronologia, na região, pode chegar, em princípio, até aos finais do séc. VIII antes de Cristo. Os tais 2700 anos...
Entretanto, foram realizadas, em 2004, nas imediações da torre quinhentista, algumas sondagens arqueológicas de acompanhamento das intervenções arquitectónicas em curso nessa área.
Essas sondagens confirmaram, apesar da perturbação expectável das estratigrafias, a ocupação do Bronze final e identificaram materiais da Idade do Ferro, nomeadamente da fase de contacto com o mundo romano (cerâmicas campanienses). Atendendo à área onde foi efectuada, esta intervenção não adiantou (nem podia adiantar) qualquer dado sobre a extensão do povoado ou sobre o traçado e o estado de conservação da (ou das) muralha (s) proto-histórica (s).
Devo dizer que há anos eu próprio vinha adiando a operação que se impunha: uma observação atenta dos taludes que envolvem, em vários planos, o cabeço de Evoramonte e uma primeira caracterização cronológica, com base nos artefactos observados, à superfície.
As comemorações dos 700 anos do Castelo, deram-me o impulso e o motivo: escrevi um texto, na obra colectiva com o título “Um castelo de histórias”, em que, por sugestão do organizador, o meu amigo Dr. João Ruas, me vi obrigado a pensar de novo no Castelo de Evoramonte e nas questões que ele deveria levantar, em termos das paisagens invisíveis.
A oportunidade surgiu, curiosamente, na sessão de Encerramento das Comemorações: cheguei antes da hora, o dia estava convidativo e fui olhar para os taludes. A recolha de alguns materiais e o carácter dos taludes, obrigaram-me a regressar no dia seguinte e no outro. E o resultado não podia ser mais interessante, apesar de algumas imprecisões que só a escavação poderá certamente esclarecer.
Quanto à fundação, não podemos excluir um episódio calcolítico (III milénio a.C.), ou mesmo anterior. A presença esporádica de pedra polida, percutores de quartzo e seixos talhados de quartzito sugere que, num ou noutro grau, o local foi ocupado na pré-história recente. Note-se, aliás, que no alto de S.Gens, também na Serra d’Ossa, foram recentemente identificados, por Rui Mataloto, restos de uma muralha calcolítica, num sítio com posterior ocupação do Bronze final-1ª Idade do Ferro.
Por agora, em Evoramonte, fica apenas a hipótese.
Certo, porém, é que, no Bronze final, o recinto muralhado teria, pelo menos, cerca de 10 ha e que essa área foi ampliada, na 2ª Idade do Ferro, muito para além desse limite. A proposta que faço, mas que carece, em parte, de futura confirmação estratigráfica, implica, para o povoado pré-romano, na sua fase final, uma área que oscila entre os 15 e os 25 ha.
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É verdade que, do lado Leste (e, dentro deste, visivelmente, na parte Sul) a ocupação extra-muros da vila Medieval e Moderna perturbou profundamente eventuais depósitos arqueológicos anteriores. Esse fenómeno é particularmente observável na barreira que foi cortada pelo acesso moderno, onde a rocha de base foi regularizada em plataformas, sobre as quais foram erguidas construções cujas telhas assentam actualmente, na superfície da rocha.
No lado Oeste, porém, entra a capela de S. Sebastião e o Monte do Chafariz, onde quase não são visíveis os vestígios medievais/modernos, existem claras evidências de ocupação da 2ª Idade do Ferro relacionadas, aparentemente com dois dos taludes que acompanham as curvas de nível.
É notório que estes taludes foram aproveitados e “reconstruídos” com muros medievais ou modernos, ficando mesmo algumas dúvidas sobre se todos eles correspondem, ou não, a presumíveis muralhas proto-históricas; trata-se de questões que só a escavação pode vir a esclarecer.
A presença mais indiscutível de ocupação da Idade do Ferro, junto ao Monte do Chafariz, pode, de certo modo, ser relacionada com conhecida dificuldade de abastecimento de água na vila medieval intramuros e na integração, na Idade do Ferro, dessa reserva estratégica no interior do povoado.
Isto significa, antes de mais, que estamos perante um dos maiores centros urbanos da região, nos finais da Idade do Bronze (em parceria com o povoado fortificado do Castelo, no outro extremo da Serra d’Ossa), e, sobretudo, que, nos finais da Idade do Ferro, quando os romanos tomaram posse da região, Evoramonte era, de longe, o maior centro populacional.
Os outros povoados, actualmente conhecidos, da 2ª Idade do Ferro regional, têm, em geral, áreas que variam entre 0,5 ha e 5 ha (Castelo Velho das Hortinhas, Granja, Outeiro, Castelão de Rio de Moinhos, Castelo Velho de Veiros, Castelo Velho do Degebe) apresentando, aparentemente, o maior deles todos . o Castelo do Monte Novo, a Sul de Nossa Senhora de Machede - uma área próxima dos 8-10 ha.
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Um dos problemas historiográficos que a arqueologia urbana de Évora tem suscitado, nos últimos anos, é precisamente a questão da fundação da cidade e a relação desta com o topónimo. De facto, numa cidade romana com nome indígena, seria de esperar que as inúmeras escavações no centro histórico tivessem encontrado vestígios, mesmo que perturbados, da Ebora pré-romana, como se encontraram em Olisipo, em Scalabis, em Conimbriga, ou até, espantosamente, na romaníssima Pax Iulia. No entanto, esses vestígios primam, até agora, pela ausência: Évora parece, pois, ter sido fundada em época romana.
Num texto que publiquei, há uns anos, no volume, reunido pelo Luis Carmelo, sobre Évora, História e Imaginário (Ed. Ataegina), propus, com algumas reservas, que Evoramonte poderia, efectivamente, corresponder à Évora pré-romana, esvaziada e transposta para a localização actual, em época de Augusto, ou pouco antes.
As dimensões aparentes do povoado pré-romano, a presença de materiais romanos republicanos e a ausência de vestígios de época imperial parecem, agora, trazer um suporte factual, razoavelmente sólido, para a identificação de Evoramonte com a Ebora pré-romana.
Convém anotar que outra possibilidade, talvez menos plausível, seria a identificação de Evoramonte com a cidade de Dipo, um povoado indígena, atestada nas fontes clássicas, cuja localização se discute, mas que estaria algures entre Évora e Badajoz.
Em última análise, só a numismática ou, menos provavelmente, a epigrafia, poderão vir a lançar alguma certeza sobre a questão da identificação definitiva do topónimo pré-romano de Evoramonte.
Finalmente, para além de o significado regional de Evoramonte ter sido seguramente relevante, em época pré-romana – e, num certo sentido, podemos repetir uma observação que já fazíamos para o Bronze final - de que a serra d’Ossa funcionou, ao longo de toda a proto-história, como um centro de gravidade regional, recentrado em Évora, a partir da época romana.
É claro que não podemos excluir, já agora, a hipótese mais óbvia de que Evoramonte poderia ter recebido o nome, na Idade Média, por transferência a partir da Évora medieval.
Por enquanto, vamos manter em aberto as várias alternativas, sendo que Evoramonte, de uma forma ou de outra, foi, e conserva vestígios de ter sido, o maior povoado pré-romano no Alentejo central e que esse dado se relaciona, de algum modo, com a fundação de Ebora romana.
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Já agora, para além do Restaurante Convenção, onde me recompus das subidas e descidas à volta do cabeço, vale a pena subir a Evoramonte.
A torre, o Castelo, a vila medieval, a paisagem visível e, agora, as paisagens invisíveis (ou quase). Na verdade, em épocas não muito longínquas, alguns taludes foram transformados em azinhagas, meio abandonadas, por onde se pode circular com alguma facilidade, sugerindo trajectos à volta de Evoramonte antiga. É possível reconhecer, igualmente, ao longo dos interflúvios, os prováveis caminhos de acesso ao castro pré-romano. Com um olhar sobre a serra d’Ossa."


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Um conto a pensar em 2007

Caroly Van Duyn
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Escrevi um brevíssimo conto de ano novo que publicarei no dia 31 deste mês. Deixo aqui apenas a entrada. Bons preparativos para a festa do ano de sete!
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O menino do urso
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Era uma casa em que os móveis estavam todos cobertos com panos brancos. Uma montanha de neve sob tectos recortados pela humidade e pela memória muito antiga dos passos ao longe (estrados que rangiam, degraus soltos, o soalho ao vento). Um torrão de açúcar a ocupar a respiração e o respigar com que o coração do menino se agitava.
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(continua)


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CONCURSO ANO NOVO - 14


O Rapto das Sabinas, Picasso, MDA
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
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Modos de esquecer o passado: “E Deus escolheu o verbo pegar.”
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PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
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(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006

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Medalha de ouro


SCU
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Já todos sabíamos que a “marca” é a percepção que as pessoas têm de um produto, serviço, empresa, ou até mesmo de uma pessoa. No entanto, para que a marca exista, é preciso, em primeiro lugar, colocá-la na mente das pessoas. É a esse processo que, tecnicamente, se chama “posicionamento”. Acontece que Ramos Horta deu ontem uma lição aos gurus e teóricos da publicidade sobre como posicionar. Qual Al Ries ou Laura Ries, qual Edward Bono, qual Floch ou Ugo Volli, qual quê! Fazer de Laden um irmão e filho do criador supera de longe a melhor Benetton dos anos 90. É deste modo inovador que, a poucos dias do final do ano, Ramos Horta acaba de ganhar a medalha de ouro de publicidade - 2006. Chapeau.


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As próximas mini-entrevistas

NKS
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A partir da próxima Terça-feira, dia 2 de Janeiro, as Mini-entrevistas do Miniscente vão continuar.
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Abrem a primeira semana do ano de 2007 os seguintes bloggers: José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira e Madalena Palma.


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CONCURSO ANO NOVO - 13


O Rapto das Sabinas, Rubens, BAU
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
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Talvez um romance: “E Deus pegou na cintura da mulher desaparecida.”
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PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
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(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


terça-feira, 26 de Dezembro de 2006

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Os meus romances deste ano

CT
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Esta resenha vale o que vale, porque – geralmente – só consigo ler romances quando não estou a escrever e, sobretudo, se estou em férias das actividades ensaísticas (esse espaço que torna o mundo numa fantasia desprevenida). Seja como for, há romances que este ano me ficaram na pele – nem todos de 2006 – e há romances que este ano não consegui devorar (ou em que não consegui sequer entrar). Façamos, pois, o breve percurso.
O último Houellebecq tocou-me bastante e fez-me sonhar com um futuro ensaio sobre o território pós-humano. Creio que o génio do bretão reside em descarnar a ferida com um realismo e com um vitalismo extremamente actuais. Como curiosidade de uma certa relação com o corpo, não esqueço o facto de a tradutora, Isabel Aubyn, ter preferido sistematicamente, ao longo deste romance de Houellebecq, A Possibilidade de uma Ilha, o verbo “menear” e o substantivo “felação”, respectivamente, a “abanar” (a cabeça) e a “broche” (no sítio do costume).
Em segundo lugar, relevo O Mar do irlandês John Banville. Um bom livro, simples, mas de narração agilíssima. A história coloca em cena um protagonista claramente derrotado pelo objecto da sua própria memória. Como se as lembranças que se acamam no romance desarmassem o narrador face ao narrado: uma melancolia filha da desistência e não tanto do brilho ácido de um pranto (à Houellebecq, por exemplo) que saberia bem acompanhar. Seja como for, há poucos livros em que a poética da minúcia e um realismo solto e até mordaz acasalem de modo tão sereno.
Shalimar O Palhaço de Salman Rushdie é, com toda a certeza, um dos grandes livros do ano. Depois de o ler, voltei a concordar com quem afirma que apenas a imensa cobardia do Ocidente afasta Rushdie do Nobel. Nada mais. A entrada do romance reivindica o literário (a altivez adjectiva, o imperativo descritivo dos personagens, as interessantíssimas espirais narrativas, etc.) sem o dizer. É possível que as deambulações nos conduzam - aqui e ali - a uma certa exaustão, mas o modo como o desenlace é trabalhado desde o início, a par das pequenas-grandes sagas do terrorismo das últimas décadas, superam esses acenos de fôlego.
Outro romance que li de rajada, e que coloca como personagem principal o grande Fiodor, foi O Mestre de Petersburgo de J.M. Coetzee. Camus poderia ter escrito um outro Mito de Sísifo, se tivesse lido este livro. Tudo porque, no final do capítulo 9, Fiodor responde à filha da anfitriã do seguinte modo: "Ninguém se mata, Matriosha. Uma pessoa pode pôr a vida em perigo, mas não se pode verdadeiramente matar" (...) ou seja: "pergunta a Deus: Salvar-me-ás?; e Deus - neste caso - deu-lhe uma resposta. Deus disse: Não. Deus disse: Morre". No fundo, mesmo no suicídio, existe um espaço de possibilidades que se situa entre a situação de risco criada e a natureza, ainda que bizarra, de uma gratidão que se identifica com o próprio desfecho.
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CT
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De raiz bem diversa, O Fardo do Amor de Ian McEwan foi outra história excelente a que me entreguei em 2006, embora, deva confessar-se, já conte uns bons nove anos de vida. Os méritos do romance advêm da arquitectura do plot e da engrenagem ficcional que faz revolutear factos e situações inauditas. Tudo começa com um incidente puro e duro de onde depois emerge a força dos mal-entendidos e a singular inverosimilhança de um psicopata. Talvez o desenlace pudesse acusar uma toada um pouco mais abismada, ou tão-só inesperada.
Por fim, um Kundera que sempre me passou ao lado: A Ignorância (de 2000). Trata-se de um romance que toca todos aqueles que repartiram a sua vida por diversos lugares (o leitmotiv põe em jogo dois checos que, depois do fim do comunismo, procuram em vão a mitologia do Nostos, ou seja, da cruel miragem de um regresso dourado).
No lado negativo das minhas leituras romanescas, sublinho A Conspiração contra a América de Roth que li no início do ano. É o exemplo de uma grande ideia que depois não luz. Li-o e apaguei-o quase ao mesmo tempo. Também o romance biográfico Autor, Autor de David Lodge me cansou, embora por outras razões de que destacaria a aridez da linguagem e pesaroso tom ‘estilo Família Bellamy’.
De lado, semana após semana, foi ficando – na companhia de muitos outros, e se calhar injustamente – Donna Tartt. A ela voltarei, logo que puder.


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CONCURSO ANO NOVO - 12


O Rapto das Sabinas, Carolum Collardum, BND
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
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Sem perceber a lógica da coisa, teria dito: “Pegou-me e provavelmente evitou o pior.”
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PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
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(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
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Passadas 12 edições do CONCURSO ANO NOVO, restam-nos agora 11. Passámos a metade e é, portanto, altura de relembrar as frases já apresentadas (não esquecer que o objectivo do concurso é construir uma única frase a partir das várias frases que têm sido - e que continuão a ser - aqui apresentadas; como ajuda para desvendar a lógica e o nexo deste concurso, clicar AQUI):
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1 - Palavras que deve pronunciar esta semana: “Deus”, “escolha” e “cintura.”
2 - Verbos a evitar esta semana: “Pegar, colocar e agarrar.”
3 - Início de frase complicadas: “E Deus cumpriu o prometido.”
4 - Fim de frase a utilizar muitas vezes: “E pousou a mão na minha cintura.”
5 - Raciocínios estimulantes: “Pegou-me por baixo e sussurrou já não sei o quê.”
6 - A pronunciar em voz baixa: “E Deus pegou na coisa desejada.”
7 - Palavras a repetir às duas da manhã: “E Deus pegou na vela já acesa.”
8 - Frase a segredar em voz baixa: “Fê-lo com cuidado como se fosse pela cintura.”
9 - À vista desarmada: “A curva do rio parecia a cintura da jornalista.”
10 - Título de livro: “E Deus pegou-me pela alma.”
11 - Associação mental muito rápida: “E se a alma fosse parte do corpo?”
12 - Sem perceber a lógica da coisa, teria dito: “Pegou-me e provavelmente evitou o pior.”


segunda-feira, 25 de Dezembro de 2006

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CONCURSO ANO NOVO - 11


O Rapto das Sabinas, John Leech, WPD
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
e
Associação mental muito rápida: “E se a alma fosse parte do corpo?”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
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(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


domingo, 24 de Dezembro de 2006

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Pré-publicações - 10

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José Barbosa Machado (ed.), História do mui nobre Vespasiano imperador de Roma, 2ª ed. revista e ampliada. Edições Vercial, Janeiro de 2007.
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Pré-publicação:
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"De como desesperou el-rei Arquileu e chantou a espada pelo coração. Capítulo .xxii.
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E quando el-rei Arquileu viu que o imperador não no queria tomar em sua mercê, e viu que havia de entrar na cidade onde morriam de fome, assanhou-se consigo mesmo e diante de todos se desceu do cavalo e desarmou-se e tirou a espada. E como a tirou, disse: «Já a Deus não prazerá que eu vivo me ponha em vosso poder, nem em vossas mãos, nem tome cousa que a mim seja desonra.» E meteu a ponta da espada pelo meio do coração e deixou-se cair em cima dela e passou-lhe às espáduas e logo caiu morto em terra. E quando Pilatos viu que el-rei Arquileu era morto, foi mui triste e irado, e meteu-se na cidade sem pedir licença ao imperador, e ali fez grão dó pela morte del-rei Arquileu. E ao outro dia pela manhã, Pilatos fez ajuntar tôdolos cavaleiros da cidade e fez ali vir a José Jafaria e Barrabás seu mestre-sala por tomar seu conselho, e disse: «Senhores, bem vedes vós que nós não nos podemos ter [contra] o imperador, que Deus nos tem esquecido, e nenhumas viandas não temos nesta cidade, por[que] nunca tal tribulação foi e nenhuma [cidade] tal como esta.» E respondeu José e disse: «Senhor, em isto outro conselho vos não pode homem dar, pois o imperador não vos toma em sua mercê. E, senhor, deu-vos mau conselho aquele que vos disse que contra o imperador fôsseis, que bem podeis ver que contra o imperador vós não éreis igual, mas demandai-o àquele que mau conselho vos deu.» E disse Pilatos: «Isso não farei eu, mas façamos assim: aqui na cidade há aí muito tesouro e grande, de ouro e de prata e de pedras preciosas. E o imperador e as suas gentes cuidam de o haver todo. Mas não haverão nenhuma cousa. Pelo qual mando que o ouro e a prata seja limado e as pedras preciosas sejam moídas, e daquilo seja feita pólvora. E seja assim repartido, que tanto seja dado ao rico como ao pobre, e cada um coma dele sua parte. E o imperador nem tôdolos outros inimigos não no haverão.» E logo foi feito. E dês que foi tudo comesto, vieram diante de Pilatos e disseram: «Senhor, feito temos teu mandado; manda o que façamos.» E quando Pilatos isto ouviu, começou mui fortemente de chorar, e disse diante de todos: «Senhores, vós outros me estabelecestes que fosse governador. Bem sabeis todos que da primeira eu era adiantado do honrado César Augusto, imperador de Roma, ao qual fazia certo tributo e o tinha por senhor e vós outros todos. E agora, por mau conselho, alcei-me contra Vespasiano seu filho, donde por este pecado e pela traição que foi feita e consentida na morte daquele santo profeta, que bem vos deve lembrar que tais sinais fez no dia em que morreu, e antes que morresse disse pela sua boca no dia de Ramos todos estes males que agora são, não são cumpridos, mas creio que ainda se cumprirão; que já parece cada dia, pois eu não creio que possa escapar de morte. Vós outros porventura escapareis; rogo-vos por Deus que me queirais perdoar se porventura a algum de vós outros fiz algum nojo.» E os cavaleiros e o povo, quando ouviram estas palavras, foram muito turvados, em tal guisa que nenhum não pôde falar nem responder, tão fortemente choravam que sabiam que haviam de ser todos destruídos. E Pilatos disse: «Barões, outro conselho eu não vejo nem vos posso dar, senão que nos demos ao imperador e estejamos à sua mercê, que porventura alguns escaparão, que melhor é que morrermos todos de fome.» E todos tiveram por bom o conselho de Pilatos, e disseram que melhor seria estar à mercê do imperador que morrer de fome. E ao outro dia Pilatos e tôdolos outros pela manhã saíram fora da cidade e foram à vala que estava derredor do muro. E Tito andava cavalgando com muitos cavaleiros, e Pilatos fez-lhe seus sinais com as luvas que trazia nas mãos. E quando Tito o viu, veio com seus cavaleiros adiante onde Pilatos o viu. E Pilatos começou a dizer a Tito: «Senhor, seja vossa mercê que rogueis ao imperador, vosso padre e meu senhor, que haja mercê de mim e de todo este povo, e não pareis mentes às nossas maldades.» E isto lhe dizia chorando fortemente. E Tito enviou dous cavaleiros ao imperador que lhe dissessem as palavras em que Pilatos estava com ele. E quando o imperador ouviu isto, fez armar dous cavaleiros e cavalgou e veio onde estava Tito seu filho. E começou Tito a dizer ao imperador: «Senhor, sabei que Pilatos vos quer entregar a cidade com condição que o filheis em vossa mercê.» E o imperador lhe respondeu: «Filho, não é agora tempo de pedir mercê, que o faz porque não pode mais fazer.» E o imperador olhou mentes que fazia Pilatos e disse-lhe isto: «Se tu me quiseres entregar a cidade com todos os Judeus que dentro são para fazer nossas vontades, eu a tomarei. E digo-te que tão pouco haverei mercê de ti nem dos outros, como vós houvestes do santo profeta Jesus Cristo, o qual vós outros acusastes falsamente à morte, e os maus Judeus o enclavaram na cruz, pelo qual vos digo que já mercê não achareis em mim.» E quando Pilatos isto ouviu, foi mui triste ele e tôdolos outros, e disse ao imperador: «Senhor, tomai a cidade e tudo quanto em ela está e seja vossa mercê feita à vossa vontade.» Quando o imperador viu que de todo em todo Pilatos se punha em seu poder, fez cercar as valas derredor por que nenhum judeu não pudesse sair. E mandou entrar até quatro mil cavaleiros na cidade, e mandou-lhes que cerrassem as portas todas, e que nenhum judeu não deixassem sair nem outras cousas. E então Pilatos se tornou e tôdolos outros à cidade. E Tito entrou na cidade com grande cavalaria e entraram com ele Jacob e Jafel por ordenar a cavalaria, que era mui grande. E Tito tomou Pilatos pela barba e encomendou-o a dez cavaleiros que o guardassem mui bem. E Jacob tomou a José Jafaria e Jafel, e porque era bom cavaleiro, foi tomar Barrabás, mestre-sala de Pilatos. E dês que tudo isto foi feito, o imperador entrou em Jerusalém e mandou que todos os Judeus fossem presos e bem atados, e que logo os trouxessem diante dele, e logo foi feito, e disse às suas gentes: «Pois que a cidade é em nosso poder, nós queremos fazer almoeda dos Judeus que estão aqui. Como eles venderam ao santo profeta Jesus Cristo, o qual é saúde da nossa enfermidade, assim como o venderam por trinta dinheiros, nós queremos vender trinta Judeus por um dinheiro. Quem quiser mercar, merque por um dinheiro.» E então veio um cavaleiro e disse ao imperador: «Senhor, eu tomarei um dinheiro se vos aprouver.» E o imperador mandou que lhe dessem antre homens e mulheres e crianças trinta por um dinheiro. Mas foi ventura de um cavaleiro que houve todos os Judeus que eram grandes e valentes. E dês que os tinha recebidos, levou-os à sua tenda. E depois que os teve aí, deu com a sua espada um golpe pelo ventre e matou um judeu e logo caiu em terra morto. E ao tirar da espada, saiu do ventre do judeu ouro e prata. E o cavaleiro ficou muito maravilhado do que viu, e tomou adeparte um dos outros Judeus que lhe pareceu mais velho e disse-lhe: «Dize-me tu que será isto, que eu nunca vi em corpo de homem morto, judeu nem doutra pessoa, que saísse ouro nem prata senão deste.» E o judeu disse: «Senhor, se tu me segurares a vida, eu to direi.» E o cavaleiro segurou ao judeu de morte, e o judeu contou-lhe como lhes mandara Pilatos comer todo o tesouro que estava na cidade e as pedras preciosas, por que o imperador nem a sua gente não no houvessem nem se servissem dele. «E esta é a razão porque tu achaste no corpo deste judeu morto ouro e prata. E saberás que tanto dava de comer ao pobre como ao rico.» E quando o cavaleiro soube isto, mandou a dois escudeiros que matassem os vinte e oito Judeus e que não tocassem naquele judeu que tinha seguro, mas que o guardassem bem. E dês que os vinte e oito Judeus foram mortos, mandou-os abrir pelo ventre e tiraram tanto de ouro e prata que foi maravilha. E logo foi sabido por toda a hoste do imperador que os Judeus estavam cheios em seus corpos de ouro e prata, porque todo o tesouro da cidade tinham comido. E vereis vir cavaleiros e outras pessoas muitas correndo à cidade para mercar dos Judeus e cada um dizia: «Senhor, vende-nos sequer um por um dinheiro.» E cada um tanto que os tinha mercados, matavam-nos por tirar o tesouro que tinham. E daí a poucas horas se ajuntou tanta gente que era sem conto, e havia maior pressa naquilo que parecia taverna de bom vinho, ainda que o dessem de graça. E cada um, assim como o mercava, assim o matava por tirar deles o tesouro. Mas por muito mau houveram o conselho de Pilatos, porque lhes fez comer o tesouro, que muitos escaparam da morte e por esta razão morreram. E quando o imperador viu a grão pressa dos mercadores, mandou que dali adiante não vendessem mais até que soubessem quantos deles haviam de vender. E o seu mestre-sala os fez contar e, dês que foram contados, disseram ao imperador: «Senhor, sabede que antre homens e mulheres e criaturas são os que ficam por vender cento e oitenta, que valem seis dinheiros, tantos vos sobejam e mais não.» «Pois – disse o imperador –, não vendam mais; fiquem estes, porque a paixão do filho de Deus seja relembrada melhor, e porque em todo tempo as gentes que virem chamem traidores, porque mataram o santo profeta Jesus Cristo; assim como eles deram ao senhor maior por trinta dinheiros, bem assim tenho dado trinta Judeus por um dinheiro. E estes Judeus que ficam sejam para mim e guardai-os bem.» E cumprida foi a ocasião do povo naqueles que foram vendidos trinta Judeus por um dinheiro. E foram os vendidos por conta quarenta mil pessoas ao menos de quantos jaziam mortos e esquartejados pela cidade, que não podiam andar senão sobre mortos. Mas dês que tudo isso foi feito, o imperador mandou que todos os mortos fossem enterrados, porque, enquanto estivessem na cidade, não houvesse aí fedor. E logo foi feito, porque as gentes o tinham na vontade; e cada um fazia quanto podia."
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Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Magnólia, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.


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CONCURSO ANO NOVO - 10


O Rapto das Sabinas, Nicolas Poussin, REA
e
OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
e
Título de livro: “E Deus pegou-me pela alma.”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
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(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


sábado, 23 de Dezembro de 2006

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Votos de Bom Natal

FCM
e
Na próxima semana útil (de Terça-feira, dia 2/1/07, ao sábado, dia 6/1/07), as mini-entrevistas a publicar no Miniscente serão as seguintes: José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira e Madalena Palma.
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Tal como as mini-entrevistas, que descansam a partir de hoje, também a rubrica de pré-publicações cumpre uma breve pausa, embora se reinicie - e com grande caudal - já no início de Janeiro.
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O "Concurso de Ano Novo", esse, fica no ar ao longo de toda a Quadra.
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Aproveito para vos desejar um bom Natal!


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CONCURSO ANO NOVO - 9


O Rapto das Sabinas, Valerio Castello, CGE
e
OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
e
À vista desarmada: “A curva do rio parecia a cintura da jornalista.”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
e
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


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Mini-entrevistas/Série II – 88


LC
e
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é João Morgado Fernandes (http://frenchkissin.blogspot.com/).
e
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Basicamente, um universo em expansão. À semelhança do que acontece com o outro universo, fico sempre na expectante sobre a possibilidade de haver vida interessante para lá dos meus horizontes. É um universo sempre em expansão e, quanto mais se conhece, mais há para conhecer. Por deformação profissional, a minha galáxia é mais a dos blogues políticos, mas estes são quase a reprodução fidedigna dos media tradicionais, com os seus analistas, as suas cartas dos leitores... Os melhores textos, no entanto, encontrei-os noutras galáxias, por exemplo na dos blogues mais intimistas.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Tudo o que mexe (e às vezes até o resto...) me interessa. Os blogues são um excelente ponto de observação sobre o mais óbvio - respondendo à sua questão, a guerra do Iraque terá sido o acontecimento em que mais estive atento na blogosgfera -, mas também sobre aquilo que os media tradicionais não querem ou não podem abordar. Há tendências de moda, de gosto, de opinião, que detecto com mais facilidade nos blogues.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Vários. Por exemplo, a compra de dois portáteis (a coisa contagiou-se cá em casa...). Enfim, os blogues tomam tempo. Leio muitos. E também escrevo alguma coisa, mas felizmente são textos quase automáticos. Obviamente, há noites mal dormidas, mais no passado que no presente, mas também há alguns ganhos - lendo nos sítios certos, tenho autênticas súmulas da actualidade, com links para textos interessantes que, de outra forma, me passariam ao lado.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
A escrita, tal como o resto do que somos e fazemos, é sempre uma construção. Nessa medida, a expressão é tão livre ou condicionada nos blogues como noutros sítios. Os limites dos blogues não são muito diferentes do mundo lá fora: a lei, o bom senso... Penso que essa ideia de liberdade bloguística radica na premissa da ausência de intermediação, de editor. Na verdade, nos media tradicionais, há sempre trabalho colectivo (é mais isso do que hierarquia ou edição, ao contrário do que muitas pessoas pensam...), e nos blogues estamos mais entregues a nós próprios. A minha experiência pessoal diz-me, porém, que, precisamente por isso, sou muitas vezes mais cuidadoso no blogue - aqui, o que eu faço bem ou mal depende quase exclusivamente de mim. E, nessa medida, a escrita do blogue até acaba por ser mais editada do que a do jornal, por exemplo. E a auto-edição é sempre mais trabalhosa e rigorosa do que a edição - de resto, só assim se explica que tenhamos alguns blogues de tão grande qualidade em Portugal.
e
Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca. Agenda para esta semana (de segunda-feira, dia 18/12, ao sábado, dia 23/12): Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota e João Morgado Fernandes.


sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006

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Informação e Votos

e
Na próxima semana útil (de Terça-feira, dia 2/1/07, ao sábado, dia 6/1/07), as mini-entrevistas a publicar no Miniscente serão as seguintes: José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira e Madalena Palma.
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Tal como as mini-entrevistas, que descansam a partir de amanhã (após a prestação de João Morgado Fernandes), também a rubrica de pré-publicações cumpre uma breve pausa, embora se reinicie - e com grande caudal - já no início de Janeiro.
e
O "Concurso de Ano Novo", esse, fica no ar ao longo de toda a Quadra.
e
Aproveito para vos desejar um bom Natal.


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CONCURSO ANO NOVO - 8


O Rapto das Sabinas, Picasso, MDA
e
OBEJCTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
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Frase a segredar em voz baixa: “Fê-lo com cuidado como se fosse pela cintura.”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
e
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


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Mini-entrevistas/Série II – 87


LC
e
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Carlota (http://www.lote5-1dto.blogspot.com/).
e
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
É mais um “sítio” onde posso ir, mas à hora que me der mais jeito e da forma que melhor me aprouver. Vejo a blogosfera como sendo uma espécie de uma moderna sociedade recreativa que me permite trocar impressões com pessoas com as quais nunca me cruzaria no meu rotineiro dia-a-dia, criar afinidades com estranhos aos quais provavelmente nem sequer sorriria, soltar gargalhadas em conjunto sem trocar olhares e, às vezes, comover-me sem o pudor de deixar escapar uma lágrima.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nunca sigo esse género de acontecimentos através de blogs. Prefiro acompanhá-los através de fontes de informação “pura e dura”, profissionais e obrigadas a cumprir regras deontológicas. Interessam-me mais os factos do que saber o que os bloggers pensam acerca deles. É por isso, também, que tenho especial preferência por blogs tendencialmente pessoais.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Deixei de fazer algumas das coisas que fazia antes, passando a estar (ainda) mais tempo em frente ao computador. Passei a sentir uma obrigação de escrever qualquer coisa diariamente e, sobretudo nos primeiros meses do blog, a minha vida girava à volta dessa obrigação. Agora, felizmente, esse impacto já é menor.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Não. Salvas raríssimas excepções, cuja maioria se refugia no anonimato, acho que toda a gente se auto-censura num ou noutro assunto. Umas vezes por pudor, outras porque há favorzinhos que se devem e outras porque há portas que não se devem trancar, não vá no futuro ser necessário abri-las.
e
Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca. Agenda para esta semana (de segunda-feira, dia 18/12, ao sábado, dia 23/12): Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota e João Morgado Fernandes.


quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

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Dantes dizia-se Salazar

LLN
e
Dei-me ao trabalho de ler toda a “Deliberação 1-I/2006” do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social sobre um conhecido texto de Eduardo Cintra Torres. Uma seca e um desgaste terrível. É um tratado imenso que está na linha de fronteira entre algumas teses académicas inúteis e a ostensão do peso almofadado como forma de zelo administrativo. Para além da óbvia vontade incriminatória e ficcional que respira (acentuada num comunicado público da própria ERC), é sobretudo esse posicionamento gongórico e árido que me intriga e que melhor reflecte uma certa intemporalidade portuguesa.
e
É verdade que, em De Profundis, Oscar Wilde confessava abertamente que o principal valor da paixão de Cristo era estético e que o próprio triunfo do Cristianismo no Ocidente se ficava a dever mais a esse factor estético do que a qualquer outro paradigma moral. O espírito desta resolução da ERC (muito semelhante à tentação da panóplia “pedagógica” que dá pelo nome de TLEBS, sobretudo pela sua extensão e desfasamento) parece também basear-se na grandiloquência e no fardo estético e inflamado do altar barroco, como se bastasse a largura da cauda do pavão para impressionar, converter e convencer o indígena. Por mim, não existia qualquer entidade reguladora para o que se costuma traduzir como sendo a “comunicação social”.
e
Na blogosfera existe uma auto-regulação que nem sempre tem a espessura que se desejaria. O cenário das escritas em rede vai de facto muitas vezes reinventando o próprio sentido da liberdade, na medida em que os limites que se lhe colocam são voláteis e indetermináveis (não deixa de ser interessante consultar as mini-entrevistas que tenho levado a cabo no meu blogue sobre este tema). Seja como for, um dos milagres que a rede está a criar, não apenas em Portugal, é a lenta condenação à morte deste tipo de persuasão estilo ERC que funciona pela quantidade, pela magnitude do verbo e, enfim, pela veia bíblico-danielítica.
e
Para que este tipo de controlo estilo ERC se pudesse, um dia, estender do campo dos media clássicos aos múltiplos interfaces da rede, incluindo os blogues, era preciso que cada um de nós tivesse acoplado a si um regulador. E era depois preciso que o ouvíssemos a serrazinar os nossos ouvidos, tal como os profetas antigamente ouviam os seus deuses. Esse tempo está a passar, felizmente. À parte certas excepções, como a China e outras trovoadas negras do planeta, as vozes e os alardes que se ouvem, hoje em dia, têm cada vez mais origem num único bardo que é, ao mesmo tempo, autor, editor, regulador e leitor. Dantes, estas tentações resumiam-se a uma só palavra: “Salazar”. Até na cozinha.
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Crónica Expresso Online


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CONCURSO ANO NOVO - 7


O Rapto das Sabinas, Rubens, BAU
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
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Palavras a repetir às duas da manhã: “E Deus pegou na vela já acesa.”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
e
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


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Mini-entrevistas/Série II – 86


LC
e
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Américo de Sousa, Professor/Investigador/Empresário (http://retorica-pt.blogspot.com/).
e
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Vejo a blogosfera, em primeiro lugar, como um espaço informal de edição que veio alargar extraordinariamente a esfera de intervenção pública do cidadão; depois, como um lugar relativamente organizado - e, mais do que isso, organizável - onde se pode encontrar muita opinião ou comentário, bastante literatura e algumas notícias (que, em caso de dúvida, podem facilmente ser validadas junto de fontes da web mais idóneas); por último, como instância propiciadora de novos contactos pessoais.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O alargamento do número de pessoas qualificadas com quem passei a trocar ideias e a debater (fora do blogue, por email ou telefone) sobre os temas que mais me interessam
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Interrogo-me se haverá alguma forma de expressão editorial verdadeiramente livre. Mas a haver, certamente que não será a Blogosfera. Se editar livremente for editar de acordo com a minha vontade, basta uma falha técnica no Blogger, ou em qualquer outro programa de edição na web, para ficar privado de me expressar. Além disso há também, e sobretudo, a questão da responsabilidade e do risco que cada um pode assumir. Se começo a escrever algo que numa segunda leitura reparo que me pode trazer problemas em que não estou disposto a envolver-me, o mais certo é apagar esse post ou modificá-lo. Não sou livre, portanto. Tomara que, ao menos, fosse possível ser independente. Mas nem disso estou certo, por razões análogas às atrás aduzidas. É claro que sempre se pode dizer: "És livre, sim. És livre de te quereres sujeitar ou não às consequências práticas do que escreves". Mas a pergunta não se dirige, por certo, a essa liberdade-resíduo que sempre permanece em todos e em cada um e que faz com que perante uma arma apontada à cabeça, à ameaça de "a bolsa ou a vida!", sempre se possa ser "livre" de preferir a bolsa...
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca. Agenda para esta semana (de segunda-feira, dia 18/12, ao sábado, dia 23/12): Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota e João Morgado Fernandes.


quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006

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Dois por cento?

EE
e
Hoje tive tempo de passar por alguns bancos e de me informar acerca da natureza dos PPRs. Acabei por fazer um, não digo onde. Apenas refiro que a larga maioria da oferta penaliza o futuro reformado com uma taxa de 2% sobre as entregas mensais. Não sei porquê, mas creio que existe algo de estranho nessa percentagem, até porque o "produto" em causa visa um futuro relativamente distante, o que significa que o dinheiro investido acabará por se entregar a um mais do que previsível pas de deux na manjedoura do banco.


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Peticionando

CH
e
Petição contra a implementação da experiência pedagógica TLEBS.


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CONCURSO ANO NOVO - 6


O Rapto das Sabinas, Carolum Collardum, BND
e
OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
e
A pronunciar em voz baixa: “E Deus pegou na coisa desejada.”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
~e
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


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Mini-entrevistas/Série II – 85


LC
e
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é João Paulo Meneses, jornalista, 40 anos (http://ouve-se.blogspot.com/).
e
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Ágora; democracia; criação; independência; utopia; inclusão; partilha; acesso livre;
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Por um lado, por questões profissionais, não há acontecimentos que possa seguir apenas por blogues; por outro os blogues que leio são essencialmente de media ou metamedia. Dois exemplos: i) a identificação, por parte da comunicação social, de menores vítimas de abusos sexuais; ii) a manipulação da informação e o abuso de fontes anónimas;
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Os blogues marcam a minha agenda, mais pelo lado do redactor do que do leitor. Tento encontrar 15 minutos no mínimo para os blogues e sinto-me penalizado quando não o consigo. Os blogues vivem e também me controlam.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sim, sem dúvida. Se quisermos que seja, será!
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca. Agenda para esta semana (de segunda-feira, dia 18/12, ao sábado, dia 23/12): Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota e João Morgado Fernandes.


terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

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Mini-entrevistas/Série II – 84


LC
e
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é João Aldeia (http://puraeconomia.blogspot.com/).
e
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
A blogosfera é um espaço de comunicação e intercâmbio de informações e ideias. Vítima do seu próprio sucesso, está a tornar-se demasiadamente grande para ser navegada, mas essa é a maldição da modernidade em todos os domínios da actividade humana.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
A catástrofe do furacão Katrina.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O "roubo" de uma importante fatia do dia; entretanto, depois de uma fase de crescimento, já consegui tornar-me menos dependente da blogosfera.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito que sim. Há certamente condicionamentos, mas a liberdade é sempre um conceito relativo (experimentem libertar-se da lei da gravidade, e compreenderão).
e
Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca. Agenda para esta semana (de segunda-feira, dia 18/12, ao sábado, dia 23/12): Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota e João Morgado Fernandes.


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CONCURSO ANO NOVO - 5


O Rapto das Sabinas, John Leech, WPD
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
e
Raciocínios estimulantes: “Pegou-me por baixo e sussurrou já não sei o quê.”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
e
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006

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CONCURSO ANO NOVO - 4


O Rapto das Sabinas, Nicolas Poussin, REA
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
e
Fim de frase a utilizar muitas vezes: “E pousou a mão na minha cintura.”
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PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
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(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)


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Mini-entrevistas/Série II – 83


LC
e
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje os convidado são Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro (http://tugir.blogspot.com).
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Preâmbulo
r
O Tugir em português tem dois autores. Para respondermos ao questionário que amavelmente nos foi enviado por Luís Carmelo, tentámos limar arestas para que as respostas servissem o pensar comum.
Não podemos deixar de saudar o Luís Carmelo por mais esta iniciativa que, na continuação da que tinha dirigido a "não bloggers", nos parece ser um espólio importante para a análise futura desta nova forma de comunicar em rede.
e
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Blogosfera diz-nos pouco. Parece um conceito de quem não entende a universalidade e a quebra de fronteiras que a Internet representa. Sente-se no termo a contenção da bolha, o limite do perímetro que a esfera comporta e fecha.
Mas o sentido outro que se pretende, de comunidade de I/O da escrita já reflecte aquilo que entendemos como um espaço de liberdade, de diálogo e de contributo para o alargamento, multiplicação e renovação do pensar, neste caso em português.

- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiram apenas através de blogues?
Foram diversos. Em quase quatro anos de publicação é impossível determinar um. As campanhas eleitorais (legislativas, autárquicas e a presidencial) talvez sejam marcos importantes pela multiplicidade de fundamentos que apresentaram e por terem tido, de alguma forma, influência no discurso e comportamento dos candidatos. Os Blogs são já reconhecidos em todo o Mundo Ocidental como um excelente meio de influência e acreditamos que através deles já tenha sido possível afinar estratégias em períodos eleitorais.
O caso das FARC na Festa do Avante e o convite de uma delegação do PC Chinês como observador no próximo Congresso do PS são dois momentos chave do Tugir em português (e de outros Blogs) que, ao levantar as questões, marcou a agenda nacional e, principalmente e mais importante, alertou a opinião pública para o caso
Ingrid Betancourt até aí praticamente ignorado em Portugal.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na vossa vida pessoal?
Na nossa vida pessoal não terão tido influência para além de termos passado a organizar, de forma diferente, os tempos livres para dedicar a esta escrita algum (possivelmente demasiado) tempo que até aí usávamos noutras actividades.
Talvez a escrita pública nos tenha obrigado a maior disciplina e a uma reflexão mais cuidada sobre os assuntos que normalmente abordamos. Sabemos e reconhecemos que esta actividade, principalmente porque admitimos comentários e tentamos sempre que possível justificar os nossos pontos de vista, nos obriga a ter mais atenção à actualidade e ao rigor na escrita.
Temos como certo que importa mais a qualidade dos nossos leitores do que a quantidade e isso obriga-nos a subir a fasquia de esforço. De resto, em termos pessoais, não é nada que tenha alterado profundamente a nossa (a de cada um de nós) vida pessoal.

- Acreditam que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
No Tugir em português temos mantido essa vontade. Somos dois autores e sempre nos pautámos por expor individualmente o nosso pensar. Não existe uma linha editorial no nosso Blog. Talvez exista, porque muito do que escrevemos é sobre actualidade política, uma matriz mínima de pensamento baseada na comum Declaração de Princípios com que concordamos. De resto é visível para quem nos lê que há diversas formas de interpretação e de orientação onde as divergências se acentuam. Somos os primeiros a fazer o contraditório um do outro, quando isso acontece.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca. Agenda para esta semana (de segunda-feira, dia 18/12, ao sábado, dia 23/12): Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota e João Morgado Fernandes.


domingo, 17 de Dezembro de 2006

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CONCURSO ANO NOVO - 3


O Rapto das Sabinas, Valerio Castello, CGE
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES QUE VÃO SENDO DADAS com esta cor ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
e
Início de frases complicadas: “E Deus cumpriu o prometido.”
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PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
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(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007)


sábado, 16 de Dezembro de 2006

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As últimas mini-entrevistas de 2006


QC
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Na próxima semana (de segunda-feira, dia 18/12, ao sábado, dia 23/12), as mini-entrevistas a publicar no Miniscente serão as seguintes: Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota e João Morgado Fernandes.
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Entre 24/12/07 e 01/01/07, as Mini-entrevistas do Miniscente têm direito a umas curtas férias de Natal. Depois, regressarão em força até à Primavera. Entretanto, até porque as pré-publicações também param até Janeiro, peço-vos que tirem partido do Concurso de Ano Novo (trata-se de um exercício cheio de surpresas, como verão no próximo Dia de Reis).


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CONCURSO ANO NOVO - 2


O Rapto das Sabinas, Picasso, MDA
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES QUE VÃO SENDO DADAS com esta cor ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
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Verbos a evitar esta semana: “Pegar, colocar e agarrar.”
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PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
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(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007)


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Mini-entrevistas/Série II – 82


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o entrevistado é Pedro Fonseca, jornalista (http://contrafactos.blogspot.com/) .
e
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Uma generalização para entendimento fácil de um conjunto de sítios Web com muita opinião e alguns factos, imagens e sons, normalmente geridos por um único autor. Espaço onde se aplica a regra do um por cento: "if you get a group of 100 people online then one will create content, 10 will "interact" with it (commenting or offering improvements) and the other 89 will just view it" (What is the 1% rule?).
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum. Por duas razões: 1) a maior parte dos blogues fala e opina sobre o que a comunicação social "mainstream" divulga; 2) um blogue que relate um acontecimento importante é rapidamente aproveitado pela comunicação social e ultrapassado por esta (pela quantidade de intervenientes e, por vezes, pela qualidade do trabalho final). Isto não significa que não se passem dias a ler um conjunto de blogues que se esforçam em trabalhar sobre um assunto a que só mais tarde a comunicação social dá relevância. Mas é esta sobreposição e re-alimentação de factos e opiniões entre blogues e comunicação social que praticamente impede dar um único exemplo a favor dosblogues. Estes funcionam muito bem em certas micro-causas ou áreas de interesse que normalmente passam despercebidos à comunicação social tradicional.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Acompanhar o crescimento da "blogosfera" nacional no primeiro semestre de 2003 para a registar no Blogs em .pt (http://blogsempt.blogspot.com/), mantendo em simultâneo o ContraFactos & Argumentos. Foi muito trabalhoso mas memorável ver e admirar a emergência e a qualidade de muitos blogues.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Do lado dos conteúdos, em Portugal, pouco há que a limite (talvez alguma auto-censura por condicionantes profissionais ou algumas pessoais mas que tendem a desaparecer com uma nova geração desconhecedora do conceito deprivacidade). Onde a liberdade de expressão é condicionada, é possível por meios técnicos impedir o acesso a ferramentas para a criação de blogues ou aos blogues existentes. Por isso, não posso dizer que seja "uma forma de expressão editorialmente livre".
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos. Agenda desta semana (de segunda-feira, dia 11/12, ao sábado, dia 16/12): Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca.


sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

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CONCURSO ANO NOVO - 1

O Rapto das Sabinas, Rubens, BAU
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OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES QUE VÃO SENDO DADAS com esta cor ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
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Palavras que deve pronunciar esta semana: “Deus", "escolha" e "cintura.”
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PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
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(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007)


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Novela - 2

CM
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Para que diga de si própria que existe, a nossa justiça precisa de vendavais, de títulos, de nomeações, de escândalos, de fugas ao segredo profissional, de dislates, mas sobretudo – e é a notícia do dia - carece de algum sebastianismo. Era este último o toque que faltava. O toque fatal. Pode ser que seja agora e de vez. Por outras palavras: pode ser que os gangs que todos vemos há muito a gravitar por aí (em torno dos relvados) com indiscutível ininputabilidade possam, mais cedo do que se pensa, conhecer a ideia cartesiana de um céu aos quadradinhos.


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Novela - 1

TVI
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A SIC ou a TVI que aproveitem. Pode um dia, subitamente, a Floribela (ou a novela da minha ex-aluna de gorro amarelo) tornar-se em bluff de audiências. O Público de ontem dá as sugestões ideais:
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“Desde que se separaram que Carolina e Pinto da Costa trocam acusações públicas e ameaçam defrontar-se em tribunal. Carolina Salgado diz-se, por exemplo, ofendida num caso de agressão, cuja autoria imputa a Pinto da Costa e ao seu motorista, enquanto o presidente do FC Porto e o advogado Lourenço Pinto apresentaram queixa por incêndio nos seus escritórios, tendo insinuado que só Carolina Salgado poderia ter engendrado tal acção criminosa.”


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Mini-entrevistas/Série II – 81


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Bernardo Pires de Lima (http://revista-atlantico.blogspot.com/ - Sinédrio, Acidental, Direita Liberal e, agora, Revista Atlântico).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Espaço de debate, pluralismo, choque de personalidades e egos, feira de vaidades, algum baixo nível aqui e ali (assumo a minha quota de responsabilidade, também).
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum em particular. Devo confessar que sou leitor pouco assíduo de blogues.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
As muitas amizades que me permitiu fazer. Isso para mim é o mais importante.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito que sim, na generalidade. No meu caso particular sempre tive 200% de liberdade para escrever o que me apetecesse em qualquer dos blogues em que passei (Sinédrio, Acidental, Direita Liberal e, agora, Revista Atlântico). Tudo depende da "equipa" que faz o blogue, neste caso sempre colectivo, do espírito livre e pluralista que nos acompanha e o facto de não nos levarmos muito a sério. Acho que sempre escrevemos em blogues pelo prazer do debate e não por qualquer objectivo pré-determinado. Tenho muito orgulho em ter feito parte dos blogues acima mencionados.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos. Agenda desta semana (de segunda-feira, dia 11/12, ao sábado, dia 16/12): Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca.


quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006

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A conferência de Teerão

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Não, caro Ahmadinejad, o Holocausto nunca existiu. Nem o senhor Khomeini jamais existiu. O que existiu foi uma espécie de Peter Pan que brincava com o lego e que se entretinha a pintar o céu com imagens vagas de barbudos vestidos de negro. O que existiu foi um tinteiro que se entornou na mesa do criador e que cobriu de pólvora os soldadinhos de chumbo e muitos dos outros figurantes da brincadeira. O que existiu foi uma mancha de petróleo que saiu dos fundos da terra e que acabou por colar as pestanas do ditador visionário a essa esfera celeste onde continuam a vaguear os tais barbudos envoltos em cetim da cor do carvão.
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Não, caro Ahmadinejad, o Holocausto nunca existiu. Nem o senhor jamais levou infiéis de braço dado para a forca, nem o fogo cruzado chegou alguma vez a incendiar os tanques de papel com que o seu Action Man se costuma divertir. O que existiu foi uma nuvem de insectos que, no seu sótão de guerras entre bonecos da Olá e da Rajá, sucumbiram um dia aos insecticidas comprados na drogaria do senhor Shalimar. O que se fez sentir neste planeta foi uma intensa vibração de versículos e fatwas que um cavalo ainda maior que o de Tróia transformou um dia em serpentes venenosas. O que existiu foi tudo afinal em desenhos animados, mesmo quando neste Outono alguém bloqueou 13 milhões de posts em blogues espalhados por todo o Irão.
e
Não, caro Ahmadinejad, o Holocausto nunca existiu. Nem o primeiro dos Darios da Pérsia jamais existiu quanto mais o terceiro que se encontrou um dia, e sabe deus como, com Alexandre. Nem o império Persa, que conquistou o babilónico algumas décadas depois do início do exílio judaico, adoptou o Aramaico como língua oficial. Nem terá sido o persa Ciro II que possibilitou aos judeus regressarem, em 537 a.C., do exílio às actuais terras de Israel. Nada, nada disto aconteceu ou existiu. Nem mesmo as torturas a cargo do senhor Saeed Mortazavi sobre jornalistas e bloggers alguma vez existiram. O que existe é apenas a laranjada que Ahmadinejad bebe ao lanche, entre os fósforos que acende para queimar a borracha de que é feita a cabeça do Peter Pan. Ou será do Action Man?


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Mini-entrevistas/Série II – 80


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje as convidadas são as bloggers do Escola de Lavores (Marisa, Luísa, Susana, Ana, Dina e Madalena - http://escoladelavores.blogspot.com).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
A blogosfera remete-nos para lugares personalizados de expressão na internet, pessoais ou colectivos. Um universo paralelo de comunicação e troca de ideias. Descobrímo-lo há cerca de um ano e hoje é já um vício diário.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
De um modo geral, os acontecimentos que acompanhamos através da blogosfera, seguímo-los também por outras vias. Houve no entanto um caso - concretamente uma manifestação de mulheres no Irão por altura do Mundial de Futebol - que só foi relatado na blogosfera.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Tratando-se de um blogue com características específicas - feito apenas por mulhres, ETC - é curioso verificar que nos encontramos muitas vezes frente ao computador à mesma hora, normalmente depois das onze da noite. O que ganhámos com o blogue? Um espaço onde todos os temas são permitidos, uma rotina de reflexão, um tempo de autodeterminação pessoal. Quanto ao impacto na nossa vida pessoal, as experiências são diferentes. Há quem tenha deixado de passear o cão ou de estender a roupa. Quem tenha desligado a televisão, arrumado o livro ou reduzido as horas de sono. Não confirmamos se houve algum divórcio.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sem dúvida!... com tudo o que de bom e mau isso comporta, para o autor, para eventuais visados, para a sociedade. É um sistema de publicar/editar que, até agora, não tem quaisquer regras, nomeadamente éticas. As únicas restrições partem da ponderação que fazemos sobre o que publicamos.
e
Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos. Agenda desta semana (de segunda-feira, dia 11/12, ao sábado, dia 16/12): Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca.


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Pré-publicações - 9

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A.A.A., O meu primeiro Larousse de Lendas da Mitologia, Campo das Letras, Porto (Tradução Alexandra Bravo).
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Pré-publicação:
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"DÉDALO E ÍCARO
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Dédalo era o genial arquitecto que, sob as ordens do rei Minos, tinha concebido o inexpugnável Labirinto onde estava enclausurado o Minotauro, na ilha de Creta. Esta criatura monstruosa exigia regularmente carne humana, e houve inúmeros jovens atenienses que lhe foram sacrificados... até ao dia em que Teseu conseguiu vencê-lo. Este jovem herói saiu vivo do Labirinto com a ajuda de Ariadne, a própria filha do rei Minos. Ao deixar Creta, Teseu levou Ariadne consigo, como fora seu desejo.

Minos não sabia nada sobre o que realmente se tinha passado no Labirinto: pensava que a sua filha tinha sido levada por Teseu contra vontade dela. E segundo Minos, se Teseu tinha conseguido sair sem problemas do Labirinto, só havia uma explicação para isso: Dédalo tinha traído a sua confiança, dando a planta ao rapaz. Por isso, para se vingar, fechou o arquitecto, com o respectivo filho Ícaro, no Labirinto que aquele tinha criado.
Dédalo sabia que, sem a planta do Labirinto, seria incapaz de encontrar a saída! Mas ele era um criador notável – até tinha conseguido fabricar estátuas que se mexiam sozinhas – e acreditava que cada problema tinha a sua solução. Reflectiu durante muito tempo e considerou então que, se a terra e o mar não lhe ofereciam nenhuma saída, o céu, em contrapartida, estava livre. O filho e ele iriam escapar a voar... como pássaros!
Com a ajuda de um arco improvisado, Dédalo matou duas águias e apropriou-se das penas destas. Com habilidade e paciência, juntou as penas e colou-as com cera. Ícaro ajudou-o no trabalho, sem suspeitar que incorria na sua própria desgraça. Por fim, Dédalo recurvou esta construção de penas de forma a imitar a curvatura das asas de um pássaro. Assim que terminou os dois pares de asas, Dédalo prendeu-os nos ombros de Ícaro e nos seus. Depois, fez as suas recomendações ao filho querido: “Ícaro, tem cuidado para não voares nem muito alto nem muito baixo: muito perto do sol, a cera das tuas asas correm o risco de se derreter; muito perto do mar, as tuas asas molhar-se-ão. Segue-me, meu filho, sem nunca me perderes de vista”. O velho homem cobriu então o rapazinho de beijos.
Num bater de asas, subiram pelos ares. Dédalo voltava-se a cada instante para vigiar o filho. Houve camponeses que os avistaram e ficaram espantados. Aqueles homens que voavam como pássaros deviam ser deuses! Tal como um passarinho que sai do ninho, Ícaro depressa ganhou confiança. Rapidamente se sentiu inebriado pela sensação de liberdade e excitado com as alturas que podia alcançar.
Ícaro voou mais alto, sempre mais alto, de modo que Dédalo o perdeu de vista e ficou preocupado. Mas o jovem orgulhoso não deu importância nenhuma às recomendações do pai. Como um pássaro, quase como um deus, podia subir aos céus e sentia-se invencível! “Vou-me aproximar do sol e acompanhá-lo no seu curso!”, disse, esquecendo que era apenas um simples mortal.
Aconteceu o esperado: assim que chegou perto do sol, a cera das asas de Ícaro começou a derreter. As penas caíram uma a uma. O rapazinho já não estava seguro e agitava tragicamente os braços no vazio. Durante a queda, gritou o nome do pai. Mas em vão: este já não podia fazer nada por ele.
Ícaro caiu numa ilha que depois se chamou de Içaria e o mar que a rodeia foi baptizado de Mar Icariano, em memória desse rapaz audacioso.
Dédalo, que tinha por fim alcançado o filho, levantou o pequeno corpo desfalecido e enterrou-o.
Em seguida, tornou a voar para pedir refúgio na Sicília, ao rei Cocalos.
No entanto, Minos tinha ficado louco de raiva por causa da fuga dos seus prisioneiros e estava mesmo decidido a reencontrar Dédalo. Vagueou de terra em terra à procura dele. “Procuro esse traidor do Dédalo”, disse Minos, ao encontrar Cocalos. “Se está aqui escondido, peço-te por tudo que mo entregues!” Cocalos fingiu não saber de nada.
Mas Minos era muito engenhoso. Andou pelo país com uma concha de caracol e um fio. “Prometo a mais bela das recompensas àquele que conseguir fazer passar o fio nas espirais desta concha!”, repetia ele para quem queria ouvir.
Houve muitos que tentaram resolver este estranho desafio, mas em vão. Cocalos, esse, sabia que com a ajuda de Dédalo podia conseguir. Submeteu então o problema ao seu genial protegido. “Nada mais fácil”, disse Dédalo, depois de alguns instantes de reflexão. “Peça aos seus criados que me tragam algumas formigas e verá!”
Dédalo atou uma das formigas ao fio e introduziu o insecto na concha por um buraquinho no cocuruto. Em poucos minutos, estava feito: a formiga saiu do outro lado com o fio.
Cocalos, triunfante, correu rapidamente até Minos, para reclamar a sua recompensa. Que idiota! No mesmo instante em que viu a concha, Minos percebeu que o rei da Sicília tinha obtido a ajuda do homem mais engenhoso que existia, o famoso construtor do Labirinto.
“Diz-me onde está Dédalo”, ordenou-lhe Minos. “Agora já não me podes mentir!” Envergonhado, Cocalos foi obrigado a confessar e prometeu que lhe entregaria o arquitecto o mais rapidamente possível. Enquanto esperava, convidou Minos para repousar no palácio.
Cocalos era ingénuo, claro, mas tinha bom coração e não queria provocar a morte de Dédalo. Assim sendo, chegada a noite, quando Minos se foi lavar, Cocalos encarregou as filhas de o queimarem. Foi assim que o rei Minos, vermelho como uma lagosta, faleceu no banho.
Quanto a Dédalo, construiu inúmeras edificações magníficas para agradecer ao seu anfitrião."
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Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.


quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

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Meritologia

LE
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"O organismo (OCDE) aconselha também que professores e trabalhadores não-docentes das escolas percam o vínculo ao Estado e deixem de ser funcionários públicos."(...)"O objectivo é que as instituições tenham lideranças mais fortes, mais iniciativa e inovem." (Público de hoje)
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Ora aí está um raro rasgo de lucidez por parte de uma organização como a OCDE. Não poderia estar mais de acordo. O objectivo mais utópico e desejado de qualquer português bem formado é o vínculo sem fim ao estado (trata-se do último Eldorado lusitano depois da Ilha dos Amores). Mas quando está em causa o ensino superior, a determinação é ainda maior. Quase exdrúxula. Tese após tese até à vitória final: um areal sem fim cheio de concursos viciados e recheado de prostração palavrosa. Com as excepções conhecidas, claro. Parabéns, OCDE.


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Mini-entrevistas/Série II – 79


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Luís Mourão, Professor do ensino superior politécnico, 46 anos (http://blogmanchas.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Do lado das possibilidades, duas. Primeiro, uma possibilidade de escrever e de ler-ver-ouvir para além dos circuitos até agora estabelecidos para isso. Mesmo aqueles que se pronunciam noutros meios, encontram aqui espaço para dizer outras coisas e dizê-lo de modos diferentes. Segundo, uma possibilidade de diálogo mais efectiva e rápida que o proporcionado por outros meios de discussão: nesse sentido, a blogosfera é a melhor notícia dos últimos tempos para o reforço do espaço público.
Do lado das precauções, duas também. O meio tende à rapidez, e a rapidez não se dá bem com os matizes nem com a suspensão do juízo ou a sua distensão até melhores provas: é preciso introduzir alguma lentidão e, sobretudo, não confundir o ritmo do post com o único ritmo possível para o pensamento. O meio, mais do que qualquer outro, permite a mediocridade e coisas correlatas de extensão ética, mas convém não deitar fora o bebé com a água do banho.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas através de blogues, nenhum. Ressalva: algumas vezes só sei dos resultados do Porto através do blog do Francisco e do seu cantinho do hooligan. Mas isso é porque sou mesmo um adepto desnaturado. No resto, a dimensão do blog não é tanto a notícia mas o comentário, e é isso que me interessa no blog (relativamente a acontecimentos, claro).
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Houve algum impacto, sim. Mas ainda não é altura de falar nisso. O que posso dizer são trivialidades: repartição do tempo (com perdas e ganhos), pequeno espaço lateral para reforço da sanidade mental (em conjugação com outras coisas, claro), contactos e diálogos que de outra forma não teriam acontecido.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Editorialmente, é. Ninguém impede ninguém de escrever o que muito bem lhe aprouver no seu próprio blog. Depois, há o lado da sociabilidade, em sentido lato. Um blog assinado coloca sempre o seu autor naquela complexa teia de gerir a sua imagem (às vezes o seu emprego, as suas relações de amizade, etc). Mas isso já é a vida, não a edição.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos. Agenda desta semana (de segunda-feira, dia 11/12, ao sábado, dia 16/12): Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca.


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Pré-publicações - 8

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Jacques Rancière, O Ódio à Democracia, Mareantes Editora, Lisboa, Dezembro de 2006, pp. 164, P.V.P.: 14,80 €. Apresentação de Diogo Pires Aurélio.
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Pré-publicação:
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"Ponhamos as coisas na ordem. Que queremos di­zer precisamente quando dizemos viver em de­mo­cra­cia? Entendida de forma estrita, a democracia não é uma forma de estado. Está aquém e além des­­­sas for­mas. Aquém, como o fundamento igua­li­tário ne­ces­­­sário e necessariamente esquecido do Estado oli­­gár­­quico. Além, como a actividade públi­­­ca que contraria a tendência de qual­quer Estado a açam­­­barcar a esfera comum e a des­po­litizar. Todo o Estado é oligárquico. O teórico da oposição entre de­mo­cracia e totalitarismo admi­te de boa vontade: «Não se pode conceber um regime que, em algum sentido, não seja oligár­quico.»[1] Mas a oligarquia dá mais ou menos lugar à democracia, ela é mais ou menos cor­roída pela sua actividade. Neste sentido, as formas cons­­ti­tu­cionais e as práticas dos governos oligárqui­cos po­dem dizer-se mais ou menos democráticos. A exis­tência de um sistema representativo é tomada habi­­tualmente como critério pertinente de demo­cra­cia. Mas este sistema é ele próprio um com­pro­misso instável, uma resultante de forças contrárias. Tende para a democracia na medida em que se aproxima do poder de não importa quem. Deste ponto de vista, podem-se enumerar as regras definindo o míni­mo que permite a um sistema representativo decla­rar-se democrático: mandatos eleitorais cur­tos, não acu­muláveis, não renováveis; monopó­lio dos repre­sen­tantes sobre a elaboração das leis; in­ter­­dição dos funcionários do Estado serem representantes do po­vo; redução ao mínimo das cam­pa­­­­nhas e das despe­­­sas de campanha e controlo da ingerência das potên­cias económicas nos pro­ces­­sos eleitorais. Tais regras não têm nada de ex­travagante e no passado, muitos pensadores ou legisladores, pouco dados ao amor im­prudente pelo povo, examinaram-nos com atenção como meios de assegurar o equilíbrio dos poderes, de dissociar a representação da vontade geral da dos interesses particulares e evitar o que eles considera­vam como o pior dos governos: o governo dos que amam o po­der e são hábeis em apossar-se dele. Hoje, todavia, basta enumerá-los para suscitar a hilarie­da­de. Justamente: o que designamos por dem­o­cracia é um funcionamento estatal e gover­namental exac­tamente inverso: eternos eleitos, acumulando ou alternando funções municipais, re­gionais, legisla­ti­vas ou ministeriais e agarrados à população pelo elo essencial da representação dos interesses locais; go­ver­nos que fazem eles próprios as leis, representan­tes do povo saídos massiva­mente de uma escola de administração; ministros ou colaboradores de minis­tros recolocados em em­presas públicas ou semi-pú­blicas; partidos finan­ciados pela fraude dos merca­dos públicos; homens de negócios que investem so­mas colossais em busca dum mandato eleitoral; pa­trões de impérios mediáticos privados apossando-se, através das suas funções públicas, do império dos me­dias públicos. Em resumo: a apropriação da coi­sa públicafunçrvrallossais na busca s mercados ppr e evitar o que eles consideravam como o pior dos governos: o governo dos qupor uma por uma sólida aliança da oligarquia esta­tal com a oligarquia económica. Compreende-se que os de­pre­ciadores do «individualismo democrá­ti­co» não tenham nada a censurar a este sistema de predação da coisa e do bem públicos. De facto, estas formas de sobreconsumo dos empregos públicos não relevam a democracia. Os males de que sofrem as nossas «democracias» são principal­mente os males ligados ao insaciável apetite dos oligarcas."
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[1] Raymond Aron, Démocracie et totalitarisme, Gallimard «Idées», 1965, p. 134.
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Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.


terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

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Novo romance

TB
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As novidades já estão na minha página pessoal. Basta abrir, ver e ler.


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Mini-entrevistas/Série II – 78


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Isabela, 43 anos, animadora sociocultural (http://omundoperfeito.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
A palavra esfera agrada-me pelas conotações mágicas associadas ao poder, mas, também, à união; aglutinada com blog, portanto, blogosfera, leva-me imaginar um aglomerado de estrelas em formação, que emitem luz, mas também a recebem, e, visto assim, a coisa até parece séria, bastante poderosa. Mas isto sou eu a delirar!
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Seria remeter os blogues para um espaço meramente informativo-opinativo. Seguir acontecimentes importantes apenas através de blogues é difícil. Os meios são complementares.
O espaço de escrita blogosférico é muito de opinião e reflexão, mas precisamos dos jornais, pelo menos. Há uma grande interacção, a meu ver, bastante saudável, entre blogues e Imprensa. Pessoalmente, procuro os jornais para uma leitura factual, mas não só. São-me essenciais. Preciso da notícia crua para depois pensar, criar sobre ela. Aliás, os bloguistas são minuciosos leitores diários. Há blogues que vivem de ideias e situações intemporais, e, portanto, isto não se lhes aplica. A blogosfera mantém o seu feudo diarístico muito importante. Pessoalmente, o que me interessa seguir através dos blogues é a vida na sua inteireza, sem filtros de redacção, bem como as pessoas que a vivem, que a fazem, e a escrevem, muitas vezes, muito bem.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Os meus blogues obrigam-me a escrever. Não é um verbo usado levianamente. Obrigam-me, de facto, e escrevo que me desunho. E quanto mais se escreve, mais se quer escrever. Sei que os leitores esperam texto, e quero dar-lho. Quero que se divirtam, e que pensem, se maravilhem, riam comigo, e até de mim. Por esse motivo, desenvolvi uma pulsão para a escrita sobre situações do mundo, e, posteriormente, sobre conceitos, ideologias, e respectivo questionamento, como nunca tive antes, embora sempre tenha escrito.
O meu olhar selecciona o que é elegível de atenção muito em função da utilidade que isso terá em termos de escrita, ou de escrita de blogue. Como produzo muito texto, e o texto me dá trabalho, porque depois não suporto construções que travem a fluidez da minha própria leitura, dou comigo muitas horas frente ao computador; logo, tenho menos tempo para outras actividades que, muitas vezes, descuro. Vejo menos televisão, leio menos, vou menos ao cinema. Os olhos estão uma desgraça, e permanecersentada muito tempo não é saudável, no meu caso. Os visitantes dos meus blogues, e as minhas visitas a blogues alheios, levaram-me a conhecer muita gente, alargando a minha teia de relações de uma forma que não acontecia desde a existência do DN Jovem. Encontro-me com essas pessoas, comunico com elas por mail, chat ou telefone. Foi possível criar, pois, uma outra rede, humana, social, fora da web. Isso tornou-me uma pessoa mais sociável. Acho eu. Se calhar, apenas mais "relacionável".
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Enquanto editora dos meus blogues considero que sou absolutamente livre para bordar os assuntos que me interessam ou que considero oportunos. Sinto-me vigiada pelos leitores, mas isso é outra coisa. Sei exactamente quando um texto vai gerar desagrados, porque vai contra a corrente, ou porque é radical demais, ou superficial, mas também aprendi a defender-me das críticas. E, muitas vezes, concordo com elas. Tenho alguns princípios de que não abdico, como qualquer pessoa, mas dou comigo a dar a mão àpalmatória bastas vezes. Quanto aos meus leitores, muito sinceramente, não posso dizer que sejam totalmente livres, sobretudo os que consideram que a liberdade é abastardamento. No início, era muito ingénua relativamente ao que deixavam nas caixas de comentários, e autorizava tudo. Hoje em dia, ajo como o director de qualquer jornal: malucos e reaccionários, que exerçam as respectivas liberdades de expressão nos seus próprios blogues; quem visita as minhas casas não larga nelas o seu lixo. Igualmente, quando me parece que as usam como via para a divulgação de campanhas ou opiniões nada condizentes com a minha ética, corto-lhes o pio. Sem dó nem piedade.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos. Agenda desta semana (de segunda-feira, dia 11/12, ao sábado, dia 16/12): Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca.


segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006

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Blogoprémios


imagem canonizada pelo GR
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A votação de 127 bloggers – publicada e organizada pelo Geração Rasca – acabou por estipular: um 8º lugar para o Miniscente na rubrica “melhor blogue 2006”, um 9º lugar para o Miniscente como “melhor blogue individual masculino 2006” e um 10º lugar para o autor do Miniscente – imagine-se – na rubrica “melhor blogger 2006”. O importante é mas é dar os parabéns aos vencedores: ao Francisco, ao Pedro, à Isabel, ao Blasfémias (por duas vezes!) e ao Foram-se os Anéis
. Para o ano haverá mais, creio eu.


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Prosema aos meus vizinhos

ADU
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por Onésimo Teotónio Almeida
(acabado de chegar do outro lado do Atlântico)
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Essa música de ser a Internet o exílio moderno ou pós-moderno pois soa mais chique ouço-a volta e volta sempre já monótona de repetida que antigamente é que era bom o adro das igrejas na ilha o Canto da Fonte no meu Pico da Pedra a piazza italiana os cafés da pátria isso sim eram a continuação das ágoras gregas e da família alargada dos vizinhos e amigos de paleio diário como a natureza humana requeria e ainda requer
Agora a Internet veio destruir o convívio a familiaridade desenvolvida nos encontros diários a palração fiada no cortar da casaca do próximo mas distante naquele preciso momento mais pancada no governo e as grandes soluções para os problemas políticos do país e do universo na idade de ouro AC isto é Antes do Computador e desse inferno da emailação internetional cada um metido no buraco negro do maldito caixote isolado do resto da casa da família e dos mais na solitude de um ecrã cenário pré-anunciado naquele cartoon a mostrar um corte longitudinal de arranha-céus em Nova Iorque revelando apartamentos individuais cada qual com um inquilino solitário apenas no seu canto enganando-se na cura da sua solidão a masturbar-se
Na mente dos seus detractores a Internet virou metamorfose do pecado de onanismo e a verdade é que se eu fosse dado a antigos remorsos andaria dia sim dia sim a confessar-me pecador sem direito a absolvição por impenitência incurável que não me molesta apenas a mim pois tenho um novo vizinho que há meses neste longo Inverno vejo da janela ao lado do meu computador sentado naturalmente a comunicar com amigos sei lá se na Califórnia na Bolívia ou na Austrália ou mesmo se calhar com a mulher na cozinha mesmo ali no andar de baixo A verdade é que nada sei dele nem tenho interesse em saber muito embora me assalte de vez em quando a curiosidade de descobrir para onde comunica pois as coincidências acontecem sempre como uma vez eu no ar a doze mil metros algures sobre a Terra a meter conversa com o passageiro do assento ao lado De onde é? e ele De Boston melhor dos arredores e eu De onde? ele De Providence e eu a insistir De que bairro? ele Ah! Conhece Providence? Do East Side eu De que rua? ele Rochambeau eu Que número? e era daqui mesmo ao pé quatro casas mais além sem nunca nos termos cruzado cá em baixo Mas a ironia cavou mais fundo porque ele acabou dando-me o seu cartão de visita e topei logo Goulart nome das minhas ilhas e ele a confirmar S. Jorge terra do avô antecedido de um Brian escolha da mãe irlandesa Deu convite a passar no Amsterdam o bar dele na baixa o downtown daqui e dois copos de Chardonay à borla cada vez que eu lá entrava mais a Leonor e a verdade é que sendo vizinhos sem convivermos nem nos conhecermos sequer íamos ali à South Main Street fazer-lhe vizinhança até um dia ele desaparecer não sei para onde
Obviamente tenho vizinhos de cruzamento de vez em quando como o Enric catalão que sei quando não está em Providence pois deixa a luz acesa toda a noite e o Brian que manda postal de Boas Festas cada Natal e um dia me disse ser meio-irlandês e meio-português do lado da mãe oriunda de um sítio algures em Portugal diz ele que em inglês é qualquer coisa como Beyond-the-Mountains e há ainda uma vizinha defronte loura e solitária que segundo a Leonor me faz distrair do computador para olhar quando ela assoma ao jardim
Nas casas americanas quase não há vedações nada que se pareça com os muros de Berlim das casas em Portugal muito embora Robert Frost tenha imortalizado o aviso em verso Good fences make good neighbors outro poeta o Michael Harper mesmo aqui da Brown prefere America is always about neighborhood Por sinal aqui em casa há cercas herdadas dos anteriores donos mas são de verde que desaparece no Inverno deixando a nu por entre troncos e caules a vida dos vizinhos novos para cá mudados há meses e tal como nós sem cortinas nas janelas pois não se devem importar de a sua casa parecer um ecrã de TV contemplado defronte porque vivem distantes e não nos conhecemos
Às vezes a mulher vai à Internet mas demora-se muito pouco e por isso não acredito que ela seja qualquer das desperate housewives que me chegam anunciadas em e-mails de um serviço não-solicitado de nome Adult-Couples Hookup Lounge dizendo sem pejo Lonely cheating-hot-wives are waiting for you in the privacy of their homes e publicita mesmo o nome da interessada supostamente minha vizinha uma tal Lorna porque o anúncio diz que o meu perfil se ajusta perfeitamente ao seu visto o cruzamento ter sido feito no infalível computador Ora eu nunca me inscrevi em serviço quejando e está-se mesmo a ver que se essa Lorna fosse a minha vizinha e eu me aventurasse a ir lá a casa eu próprio me veria daqui mas não pensemos nisso
Estou neste embalo a delirar palermices porque ao fim e ao cabo nunca soube o que era a solidão e muitas vezes desejei solitude sem conseguir espaço e além disso nunca sinto saudades de Portugal porque vou lá sempre todos os dias a qualquer hora que antes era só na mente e agora é mesmo em viagens virtuais graças à Internet e aos e-mails por isso continuo sem saber o que seja isso de exílio para mais se fui eu próprio quem pagou a passagem para sair Portugal fica logo ali na outra margem do rio Atlântico a Internet mantem os amigos ao pé da gente as cartas de papel demoravam muito e era preciso pôr o selo colar com cuspo e esperar semanas seguidas pela resposta de um Portugal avesso a correspondências já desde o tempo das Índias e Brasis
O mundo virou aldeia o Zelimir envia-me um e-mail a dizer que acaba de ler um interessante livro sobre a Base das Lajes de um tal Luís Qualquer-Coisa Rodrigues e pergunta se o conheço e na volta respondo-lhe que ele vem jantar cá em casa nessa mesma noite e já contei noutro lugar que o Leon Machado de Vila Real nos antigamente perdidos Trás-os-Montes o Beyond-the-Mountains do Brian me emailou a pedir uma informação e eu dei-lha em segundos para segundos depois ele responder Que bom é ter amigos ao pé da gente Para ser franco vou admitir que a minha vontade cá bem no íntimo era juntar os amigos todos no Canto da Fonte do meu Pico da Pedra mas isso iria exigir uma boa pipa de massa e as trocas virtuais saem bem mais em conta
Dir-me-á o leitor que não tivesse eu saído lá da terra e não teria agora este problema mas eu na minha acho que se não tivesse abalado se calhar andaria agora mergulhado no cinzento da monotonia e da mesmidade de conversas e além do mais eu não teria encontrado toda essa gente interessante e se não tivesse a Internet eu tê-la-ia perdido pelo que isso de exílio e vizinhanças tem muito que se lhe diga pois os vizinhos são como a família que não escolhemos enquanto os amigos sim
Tinha este prosema dependurado por não saber como terminá-lo a jeito e eis senão quando vindo da garagem fui subitamente atravessado por uma voz chegada do lado dos novos vizinhos Hi! I am Fred You must be Onésimo o meu nome pronunciado assim certinho Era para se apresentar que trabalha na Brown e é amigo da nossa colega Pat e até fez no computador o arranjo gráfico de um cartaz para colóquio do Departamento e mais ainda foi com a sua Karen passar a lua-de-mel nos Açores e queria dizer que adorou as ilhas e parece ter adivinhado que ao revelar-me aquilo ficava logo ali velho amigo Fui ao computador googlá-lo e passei a conhecer-lhe a vida quase toda que até escreve e publica e entrevista gente como o escritor Robert Coover que às vezes janta connosco em casa do Enric e mais soube ainda que o o meu novo vizinho se interessa muito por letras e humanidades
O mais estranho é que acabei desiludido pois estava a magicar um desfecho sensacional para estas linhas que faria delas uma portentosa tirada sobre a alienação e os vizinhos do lado que se ignoram e não se cruzam e escrevem na Internet para amigos a milhares de quilómetros e nem ligam às gentes de ao pé da porta e eu que já não tinha ilusões de compreender o que vinha a ser isso de exílio e nem sequer mesmo o lusitaníssimo mistério da saudade agora já nem entendo o que sejam distâncias no globo porque a Internet deu cabo do conceito Só me resta dizer que da próxima vez que for à ilha garanto levarei o meu portátil para me sentar no Canto da Fonte do Pico da Pedra e depois de um papo com a rapaziada que restar do meu tempo hei-de conversar com os hoje meus vizinhos espalhados pelos quatro cantos da fonte do mundo


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Mini-entrevistas/Série II – 77


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Lauro António que, para além de blogger ("Lauro António Apresenta", “Lauro Corado, Meu Pai”, “LA_Arquivo”, “Vá.Vá.diando”. “Só Nós Dois é que sabemos… a Password”, “Atlântico”, “Cine Eco”, “Famafest”), é também realizador, crítico, escritor, professor universitário e director de festivais.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
A blogosfera, nesta altura, diz-me muito. Foi uma descoberta que considero de enorme importância. Falo a uma nível pessoal, mas também num plano colectivo. Os blogues vêm ocupar um lugar essencial na comunicação contemporânea. Numa altura em que a comunicação de massas tende à abstracção, ao impessoal, ao corte com a notícia pessoal, com o dado individual (que não tenha a ver com vedetas e falsas vedetas), o blogue vem ocupar esse espaço de comunhão de emoções, de convívio diário, de pequena anotação, de edição de textos sem “edição”, de paginação “pessoal”, de responsabilização, de assunção de uma identidade e de partilha. Os blogues re-descobrem alguns géneros literários caídos em desuso, ou mal afamados, e que regressam revitalizados, desde o diário às memórias, do registo de máximas aos “cadáveres exquis”, da literatura de viagens ao romance erótico, do picaresco ao “cordel”.
O pior da blogosfera é o anonimato traiçoeiro, incompetente, mesquinho, merdoso. Compreendo o anonimato de quem procura o diário intimista, de quem tenta criar aqui o divã de psiquiatra que não tem coragem de assumir, ou não quer assumir, no gabinete do médico. Mas quem se serve do anonimato para a calúnia e a maledicência, não tem desculpa. E tão culpado é quem calúnia como quem aceita a prática da calúnia sem a denunciar. Nisso, a blogosfera assemelha-se muito a uma “casa de meninas de mau porte”.
Mas globalmente a blogosfera é uma conquista admirável, que já mexe, mas vai mexer ainda mais, com todo o sistema de comunicação e informação. Os jornais vão sofrer com os blogues, ainda que de uma maneira inesperada. Os blogues não vêm substituir os jornais. Apenas os vêm por em cheque. Obrigá-los a mudar e muito, se querem sobreviver.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum. Para informação rápida e imediata, a TV e a Rádio são imbatíveis. Para informação mais reflectida, os jornais continuam a ter a minha preferência. Os blogues são importantes para se ter uma ideia do pulsar do consciente colectivo, mas sobretudo para se ter um outro tipo de conhecimento, que para mim é essencial. Para saber o que A ou B pensa, para conhecer e sentir o mais profundo e secreto do ser humano que aqui aflora sem grandes controlos do politicamente correcto, do socialmente aceitável, do moralmente conveniente. Aqui pode ser-se “Maria” ou “Manel” e ter-se outras vidas, aquelas que sonhamos e não soubemos construir. Aqui o anonimato não fere, apenas ajuda a despoletar a “verdade” mais íntima.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Julgo que foi mesmo essa possibilidade de falar a escrever e ouvir a ler pessoas que não conhecia e passei a conhecer, algumas apaixonantes, outras detestáveis, todas elas humanas, frágeis na sua aparente força, por vezes enormes na sua simplicidade. Este é obviamente um jogo de escrever bem, mas sobretudo um jogo de escrever “verdade”. Aqui surpreende-se uma verdade que não vem em nenhum jornal, em nenhuma televisão. Uma verdade que ou não tem interesse para a tradicional comunicação social, ou se tem interesse é logo distorcida por interesses comerciais que transformam a “verdade mais íntima” em mercadoria de transaccionar. Logo, subvertem a “verdade”.
Eu adoro escrever. Na blogosfera encontrei um terreno ideal. Sou avesso a todo o tipo de controlo, “o controlo sou eu”. Depois acho muito saudável a colectivização de bens de consumo, esta discreta pirataria que por aqui campeia, eu roubo aquela imagem, tu citas este texto, faço a minha montagem, edito e ponho no ar. Mas detesto, como já disse, a pirataria da ignomínia sem rosto, anónima, cobarde. Essa prática vai acabar com a saudável blogosfera que hoje em dia conhecemos e de que usufruímos.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito que sim, mas isso comporta riscos e perigos. Ou somos responsavelmente livres, ou, mais cedo ou mais tarde, seremos irresponsáveis controlados por um qualquer “big brother”. Neste, como em todos os países, há milhares de idiotas que julgam ter graça, quando afinal Luís Pacheco só há um. O Luís Pacheco tem uma cultura impar e um talento dos diabos que lhe permitem criticar como critica. Os Pachecozinhos sem cultura nem tento na testa deviam abster-se de ser malcriados e de fazer figura de tontos. Versejadores de meia tigela, que todos lêem como um acto de contrição, que se obrigam a engolir a gargalhada para não parecerem ingratos, não se podem dar ao luxo de arrotar postas de pescada, mesmo sob um anonimato, sobretudo sob anonimato. As invejas e os ciúmes dos medíocres não podem exercer-se na vingança da arruaça sem rosto, da denúncia sem provas, da má criação gratuita.
Eu sou um privilegiado, apenas apanhei até agora um desses piratas bloguistas, e dos mais mal cotados na “blo”, sem cotação junto de ninguém, que o atura como palhaço de serviço, mas sei de muitos casos desagradáveis, e já me tentarem envenenar contra segundos de forma ignóbil. A “blogosfera é como na vida” dizem por aí e é verdade. É preciso estar preparado para tudo. Até para a completa liberdade que hoje se respira. Que era muito bom que continuasse, se todos nos soubéssemos respeitar na diferença, sem atropelos. Se não, mais cedo ou mais tarde, aparece uma legislação férrea para pôr na ordem quem prevaricou e quem não o fez.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos. Agenda desta semana (de segunda-feira, dia 11/12, ao sábado, dia 16/12): Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca.


domingo, 10 de Dezembro de 2006

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Monólogo interior do Ulisses

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Sim ele saiu a correr por aqui era uma estrada de pó avermelhado e antes tinha-me contado a história da cadela dos pêlos em chama a tal que sumia pelas janelas da universidade sempre que falavam do tempo ou da linguística TLEBS e parece que foi hoje vi-a eu mesmo outra vez a descer por essa estrada cheia de poeira cheirava a alfazema e a lixo do restaurante chinês e dizia com o faro que se lembrava de tudo incluindo a tentativa de descobrir as chaves mágicas com que a eternidade se escondia por trás do tempo tal como o limoeiro lá de casa se esconde por trás da minha casinha que é de madeira de carvalho e ela a minha cadela amada com pêlos cor de chama dizia que Bernard de Clairveaux propunha um esquema em que a história se subdividia em quatro idades de acordo com os quatro cavalos de Apocalipse 6 que Anselmo de Havelberg propunha uma subdivisão em sete idades que Orígenes Hipólito e Eusébio de Cesareia preconizavam cinco seis e sete idades diferentes para além de Santo Agosinho que se ficava pelas seis tendo como base os dias da criação e eu o que havia de dizer ou de ladrar eu que amava aquela cadela que se fez à vida num dia de inverno pela estrada onde o pó era rei e onde cada ano dos meus valia e vale por sete dos vossos.


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Notícias inéditas do MacGuffin




e
Pois é, ele não tem escrito muito no já clássico Contra a Corrente. E aqui está, em primeira mão, via Miniscente, o motivo: o bom gosto que soube investir na sua nova loja (A Que Sabe A Lua). Como o próprio MacGuffin aka Carlos do Carmo Carapinha refere, trata-se de "uma loja sem conceito", mas onde há livros, área infanto-juvenil, café, áleas de convívio, produtos de design atraente e sobretudo a profundidade de um espaço arejado, fresco e depurado. Vale a pena passar por lá, seja qual for o caminho a tomar, ou a travessia que se fizer do planeta: fica situada na Rua do Raimundo, 93-A, em Évora (uma das ruas do lado poente da Praça do Giraldo).


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O que se diz ao dizer "regulação"?

Artie.com
e
Vale a pena seguir à letra, página a página, a recente deliberação da ERC. Está na ténue linha de fronteira entre aquelas teses académicas inúteis (acerca da função dos géneros na contaminação fractal das gáveas) e a ostensão do peso almofadado como forma de zelo administrativo. Para além da óbvia vontade incriminatória e ficcional que respira, é sobretudo esse posicionamento barroco e árido que me intriga e que melhor reflecte uma certa intemporalidade portuguesa.


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O Maior - 3

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Bem podia o mundo ter acabado na passada quarta-feira, por volta das oito e um quarto da noite. Não mais a eternidade tornaria a ser o que hoje, ou fora do tempo, ainda é.
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Esta é a rubrica mitológica e dominical do Miniscente


sábado, 9 de Dezembro de 2006

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O caudal das mini-entrevistas

Raph
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Na próxima semana (de segunda-feira, dia 11/12, ao sábado, dia 16/12), as mini-entrevistas a publicar no Miniscente serão as seguintes: Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima e Pedro Fonseca. Até à Primavera do próximo ano, teremos ainda um longo e rico caminho a percorrer.


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Mini-entrevistas/Série II – 76


LC
e
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Rogério Santos, professor universitário, 57 anos (http://industrias-culturais.blogspot.com/).
e
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Indica um novo espaço e actividade relacionados com a comunicação e a liberdade. Significa que eu posso criar um espaço próprio de comunicação e diálogo através de textos que publico e de comentários e mensagens que troco com outros elementos da blogosfera. Trata-se de um meio usando uma ferramenta fácil de construir, o que liberta o seu editor de dificuldades de arquitectura, o que possibilitou até agora que milhões de utilizadores da internet estejam capacitados para a criação de páginas pessoais ou colectivas.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
O pseudo-acontecimento do arrastão (hipotético assalto na praia a 5 de Outubro do ano passado) e os ataques terroristas em Madrid (Março de 2004), complementando ou mesmo dando informação fiável antes dos media tradicionais, foram foi bem retratados pelos blogues.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Desde que comecei a escrever em blogues, já há quatro anos, as minhas rotinas alteraram-se de um modo significativo. Vi-me obrigado a estar mais atento, a ler mais, a reflectir (e especular) mais. Em mim, os blogues começaram por ser uma ferramenta pedagógica, de apoio a aulas na universidade, onde desenvolvi tópicos que falara nas aulas mas permitiam complementar esses temas. Depois, "abri" uma fileira de assuntos, lendo e investigando, além de fazer laços com outros blogues, nomeadamente nas áreas do jornalismo e da rádio. Hoje, não passo um bocado do dia sem pensar nos temas a trabalhar no blogue. Se, inicialmente, o blogue onde publicava se confinava ao texto, as possibilidades de editar imagens - fixas e em movimento - levaram-me a procurar novas rotinas e novos temas. Apenas o registo de sons ficou confinado a algumas experiências. Neste ano lectivo, ousei pôr todos os alunos a criarem blogues, o que resultou numa explosão de mais 45 blogues, a partir de assuntos dados e discutidos na sala de aula, empregando o texto e as imagens em movimento. Devo dizer que, nestes anos de trabalho em blogues, aconteceram-me coisas fantásticas: um indivíduo invisual armazenou-me imagens num espaço seu, com um grande rigor técnico; ensinei um jornalista angolano a criar um blogue, o qual transmitiu o seu saber a compatriotas quando regressou ao seu país; fui convidado a participar e a apresentar uma comunicação num congresso fora do país graças ao meu blogue.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Um espaço ou forma de expressão tem sempre regras, direitos e deveres. Num blogue não se pode (deve) fazer a apologia do crime ou difamar; apesar de ser um espaço lúdico, a blogosfera fica mais rica se os editores a usarem como espaço público, de discussão de assuntos políticos (no sentido nobre da palavra). É também uma iniciação ao cruzamento de categorias como o texto e a imagem, sendo mesmo em muitos casos um meio de melhor expressão linguística e estética.
~e
Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca e Tiago Mendes. Agenda desta semana (de 4/12 a 9/12): Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos.


sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006

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Mini-entrevistas/Série II – 75


LC
e
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Teresa Castro - Tati (http://sempenisneminveja.weblog.com.pt), Professora de Química. Idade: indefinida.
e
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Volatilidade que às palavras e à arte e à imagem e ao som dá uso, como crepitar do espírito saindo em fumo diverso por chaminé; uma de muitas, todas juntas debitando ideias que algum sítio, desta ou de outra galáxia, reunirá.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Toda a cruel realidade do Médio Oriente, palestiniana, judaica, israelita em particular, que o Nuno Guerreiro sabiamente divulga.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Acréscimo de liberdade que ao meu espírito somou novo modo de respirar.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Respeitados direitos fundamentais dos humanos, assim quero acreditá-la. E sinto-me livre, sim!, ao rabiscar ideias como quem no caderninho do deve-e-haver de merceeiro regista do quotidiano reflexões.
e
Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca e Tiago Mendes. Agenda desta semana (de 4/12 a 9/12): Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos.


quinta-feira, 7 de Dezembro de 2006

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Enigma - 2

A.C
e
Desta vez, o enigma tem origem em Lars Von Trier. No fundo, era como se eu desse um prémio a quem relacionasse o meu último post homónimo com uma passagem do meu próximo romance (que sairá para o ano - e será o décimo). Vou pensar nisso. A ideia é atractiva.


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A frase do fim do ano

MGS
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«Pode ser água salgada, água com uma grande quantidade de sedimentos ou água ácida mas é seguramente água, H2O» (cientistas da Nasa, ontem).


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Mini-entrevistas/Série II – 74


LC
e
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Eduardo Nogueira Pinto (http://31daarmada.blogs.sapo.pt/)
e
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Diz-me, antes de mais, muita coisa.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
- Internacional: o pirata do Abrupto. - Nacional: João Miranda.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Houve uma ou outra festa engraçada.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Não. A liberdade é apenas uma ideia (nem sempre boa).
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca e Tiago Mendes. Agenda desta semana (de 4/12 a 9/12): Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos.


quarta-feira, 6 de Dezembro de 2006

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Mini-entrevistas/Série II – 73


LC
e
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Pedro Magalhães, Investigador auxiliar no Instituto de Ciências Sociais, 36 anos (http://margensdeerro.blogspot.com/).
e
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
A blogosfera é muito mais do que isto, mas para mim (no contacto que com ela tenho e o uso que dela faço) é um espaço onde posso aceder a opinião e informação especializada sobre os temas que me interessam, produzida por pessoas que não têm acesso aos meios de comunicação tradicionais ou que, tendo-o, podem neste suporte emitir opiniões e veicular informação sem os constrangimentos de tempo, espaço, oportunidade e de audiências que esse meios tradicionais impõem.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas através de blogues, nenhum. Mas com grande recurso aos blogues, eleições, nacionais e internacionais. As americanas em especial.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Houve outros, mas o maior impacto foi o facto de me terem levado - para escrever sobre o que escrevo no meu blogue e a entender aquilo que outros escrevem sobre os temas que me interessam - a aprender coisas que não sabia.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Nos países onde não há liberdade de expressão, a "liberdade" trazida pelos blogues é um importante valor acrescentado (nas duas semanas que passei na China não consegui aceder ao Blogger uma única vez nos vários "internet cafés" que visitei, o que suponho quererá dizer qualquer coisa). Nos outros, não creio que um bloguista se sinta necessariamente mais "livre" do que alguém que escreve nos jornais (a não ser que seja anónimo). A diferença, creio, é trazida pelo conjunto: uma maior diversidade de opiniões, estilos e contributos do que aquela que podemos recolher na imprensa.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca e Tiago Mendes. Agenda desta semana (de 4/12 a 9/12): Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos.


terça-feira, 5 de Dezembro de 2006

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Mini-entrevistas/Série II – 72


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Miguel Vale de Almeida, Professor Universitário, 46 anos (http://valedealmeida.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Uma comunidade-em-rede virtual que dividiu a minha vida em “antes” e “depois”. Dou graças à Deusa por ter apanhado esta mudança e por ter vivido o entusiasmo de a ver aparecer.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas através de blogues, creio que nenhum. Sem ser uma ou outra disputa interna à blogosfera qua blogosfera, ou a subcultures da mesma, ela complementa - mais do que substitui - outros media
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
No caso do meu blog, a exposição (para o bem e para o mal) a pessoas e tipos sociais de quem não tinha feedback quando escrevia regularmente num jornal. Quanto aos blogs em geral, algum consumo acrescido de tempo e uma certa volúpia da actualização e do hipertexto
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Editorialmente, sim, na medida em que autor de blog e editor de blog são uma e a mesma coisa, no caso de blogs individuais como o meu. De resto, autocensuras, moderação de comentários, diplomacias e cáculos de várias espécies… isso é tudo igual, blog ou não-blog - como não poderia deixar de ser.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca e Tiago Mendes. Agenda da próxima semana (de 4/12 a 9/12): Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos.


segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

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Enigma - 1

LT
e
Que quererá dizer isto?


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Mini-entrevistas/Série II – 71


LC
e
O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Nuno Miguel Guedes, jornalista, 42 anos. Autor do blogue Tradução Simultânea.
r
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Pedaços de idiossincracias, bitaites geniais, comentários sérios, deslumbres, ensaios, seduções, insultos, baixezas e vilanias, liberdade, paciência, irritações, amores e ódios. A vida sem ser a vida.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas por blogues, nenhum, até por questões profissionais. Mas quer-me parecer que se isso acontecesse faria de mim um homem muito triste e solitário.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Desde logo, a redescoberta da paixão, que andava escondida nos media tradicionais. Paixão ideológica, amorosa, bibliófila, filosófica. Depois permitiu-me chegar a pessoas que seria difícil de conhecer de outra maneira; dessas fiquei amigo de algumas e correlegionário de outras. De um ponto de vista ainda mais pessoal, os blogues também tiveram o seu papel. Mas disso não falo.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
É pelo menos a mais livre, com tudo o que isso implica. Não há polícia nem porteiro nem consumo mínimo: tudo está dependente do bom-senso e da boa educação. E, milagrosamente, a coisa funciona.
e
Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca e Tiago Mendes. Agenda da próxima semana (de 4/12 a 9/12): Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos.


domingo, 3 de Dezembro de 2006

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O caudal das mini-entrevistas

AT
e
Agenda para a próxima semana (de 4/12 a 9/12): Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos.


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O Maior - 2

e
Só acredito nas celeumas da "filosofia portuguesa" se aplicadas ao Benfiquismo. Só acredito no mito do amor eterno e até no sebástico se aplicados ao Benfiquismo. Só acredito no milagre de Ourique - sendo o "mouro" símbolo da adversidade do destino - se aplicado ao Benfiquismo. Tudo o resto é apenas para levar minimamente a sério.
e
Esta é a rubrica mitológica e dominical do Miniscente


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Blogues e Meteoros - 10

NSI
e
(publicado no Expresso online desde a passada Quinta-feira, dia 30/11/06)
ee
Trocar o acidente pelo corpo
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Em finais de 2002, respirava-se ainda um eco muito próximo do 11 de Setembro. No entanto, a questão iraquiana surgia aos olhos de todos como uma discussão em torno de um aspecto específico: as armas de destruição em massa.
Quer os protagonistas, quer os antagonistas do que viria a ser a guerra de 2003 no Iraque, quer a própria discussão que coexistiu e sobretudo sucedeu à guerra, se baseavam nesse trilho retórico. E a verdade é que toda a gente sabia, independentemente dos posicionamentos, que não era esse o aspecto que estava em causa, mas sim o tipo de respostas a dar após a fractura de tipo novo que fora o 09/11. Ainda hoje esta troca do acidente pelo corpo do problema se encontra em plena validade.
Tenho-me muitas vezes interrogado acerca das razões paradoxais que levam o principal facto dos últimos anos a ser debatido deste modo. Mas este género de artifício não é apenas um exclusivo dos eventos de impacto mundial. Tomemos o recente congresso do PS. No discurso de abertura, Sócrates preferiu trocar o principal corpo de questões da governação pelo exótico e acidental par esquerda-direita, como se este fosse o aspecto mais relevante do último ano e meio em Portugal. E o mais curioso é que todos os interlocutores, comentadores, protagonistas e antagonistas dessa peça de teatro num só acto se conformaram com o debate em torno da poeirenta balança esquerda-direita.
Como se vê, as analogias falam por si. Parece, pois, estar na moda um entendimento da significação que privilegia o acidente – à moda dos impressionistas – àquilo que é a realidade mais complexa e envolvente que o detona e sugere. A blogosfera também não se exime a esta tendência. Se tomarmos atenção ao grosso das discussões em torno do novo universo dos blogues (fundamentalmente desde 2003), verificamos que é a insistente relação com os media que parece estar sempre em causa. Como se essa (relação) reflectisse a imagem objectiva do novo corpo que vigorosamente entrou em cena na arena comunicacional. Mais uma falácia, mais um acidente. E, mais uma vez, um acidente acatado por todos de bom grado – protagonistas, antagonistas, etc. – na larga maioria das polémicas e debates.
O fundo da questão, no caso blogues-media, advém de uma convicção generalizada que atribui aos media o único modo de repor quotidianamente o real. Basta inquirir os jornalistas que são convidados a dar aulas nas universidades em cursos de Ciências da Comunicação para ver o modo como a maioria identifica a (relativa) complexidade deste saber com o que designam por “jornalismo”. Esta ingenuidade estelar está muito difundida e vive da pressuposição de que não existem outras mediações no espaço público, a não ser os media tradicionais que nos vão dando, no dia a dia, uma ideia desse caudal imprevisto e cruzado que é a realidade. Como se o oceano global da comunicação, como se os actuais interfaces da informação, como se o próprio agenciamento do sentido passassem apenas por esse tipo de filtro (já lá vai o tempo em que uma única narrativa dominava o mundo!).
Nos dias que correm, os blogues estão a reatar e a reinventar antigos géneros, ao mesmo tempo que estão a criar novas ordens e léxicos para as suas variadíssimas escritas em rede. Reflectir sobre esta nova realidade, tendo apenas como referência os media, é um vício tão grande como discutir a questão iraquiana a partir das armas de destruição em massa ou o governo de Sócrates a partir de binarismos escolásticos. É possível que o nosso tempo tenha voltado a abraçar a superfície acidental das cores, o carácter impressivo dos contrastes e a flutuação incerta dos olhares. Mas, por amor de Deus, não esqueçamos o corpo!


sábado, 2 de Dezembro de 2006

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Michel Houellebecq

LAA
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Diga-se o que se disser - o homem é polémico e há quem deteste... - é dele um dos livros que mais apreciei este ano (A Possibilidade de uma Ilha; saiu em 2005 em França e, entre nós, em Janeiro pela mão da D. Quixote). A ideia de espaço pós-humano desenvolvida no final do livro tem-me perseguido como ponto de partida para outras escritas. Vem isto a propósito de um post de Lauro António publicado ontem pelo próprio no seu blogue. A ler.


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Cervejas para festejar

A cor é dedicada à gesta de ontem na Segunda Circular
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Sugestões holandesas, Francisco: Utrechts Bok, Amstel oud bruin, Delftsch grachtenbier, Tilburgs Kruikenbier tripel, Dommelsch pilsener, Gronings witbier, Zeeuwsche witte, Haerlemsch old ale, Kroon oud bruin, Maasland kerstbier, Piet Heinbier, Vermeer Delftsch bier, Tappersbier, Amersfoorts blond, Valkenburgs wit, Nijmeegs Blarenbier, Vlo (Speciale) e Wildebok. Mas uma Abadia ou uma Boémia também não ficarão mal!


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Mini-entrevistas/Série II – 70


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Tiago Mendes, Economista, 28 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Essencialmente, a blogosfera é um mundo virtual de exposição individual, que se divide entre a opinião e a confissão, consoante falemos de blogosfera política ou intimista. Economicamente, a blogosfera política – a que para aqui mais interessa – é um mercado de ideias onde as barreiras à entrada são poucas e as barreiras ao sucesso algumas, em consequência do poder de mercado dos blogues “incumbentes” (face aos “nascentes”) e da forma como os primeiros se “cartelizam”, através da promoção e publicidade de uns e não outros, da construção de plataformas comuns e de demais formas de cooperação – voluntária e inteiramente legítima –, visando aumentar a visibilidade e impacto de cada um no “mercado de opinião”. É um mundo onde o mérito e o talento são premiados de forma mais transparente e justa que noutros contextos, dada a forma aberta como as ideias circulam e são avaliadas por um público que é vasto e pouco controlável. Finalmente, é um mercado que funciona a uma velocidade vertiginosa e onde existe uma propensão a uma certa destruição criadora – quando não mesmo à pura reencarnação–, motivada pelo desejo de quebra de rotina do próprio blogger e de conquista de novos leitores. Sociologicamente, é um espaço onde o indivíduo procura “reconhecimento” dentro do “grupo” que lhe é mais próximo e da comunidade blogosférica em geral. A combatividade que a caracteriza dá azo a “lutas de egos” frequentes e a uma acentuada “tribalização”. Esta torna muitas leituras previsíveis e repetitivas, aumentando também significativamente o grau de desonestidade intelectual de certas discussões, nas quais a defesa dos seus se sobrepõe à defesa de ideias – enfim, a típica postura de “barricada”. Existirá ainda, por vezes, um desejo mais ou menos assumido de preencher algum vazio pessoal, característico da era em que vivemos. Historicamente, a blogosfera representa uma nova etapa para a comunicação social, sendo simultaneamente uma fonte de concorrência, informação e recrutamento para alguns meios tradicionais. Assume também, de forma espontânea – sem que ninguém a incumba de ou autorize para tal coisa –, um papel de “provedoria” sobre a comunicação social em geral (onde ela própria se inclui, naturalmente). Artisticamente, os blogues são um suporte privilegiado para a expressão pessoal escrita, sobretudo por ele ser acessível e por permitir facilmente o anonimato, o que se torna particularmente relevante no que concerne a blogosfera intimista, onde a “palavra” é, mais do que um meio de comunicação, uma forma de criação (mais ou menos conseguida, isso é outra questão). Psicanaliticamente, e um pouco ligado ao ponto anterior, a blogosfera representa uma possibilidade de escape, onde as incursões introspectivas, como sejam a criação de personagens (ex: “O meu Pipi”) e a desmultiplicação personalística, são assaz tentadoras. Pessoalmente – e voltando um pouco à pergunta –, o que a blogosfera “me” diz, ou melhor, o que me “disse”, enquanto blogger: um espaço único para a argumentação e confronto de ideias; uma forma de saborear e apurar a expressão escrita; um convite à experimentação e à introspecção. Como leitor, diz-me pouco hoje em dia, mas ainda leio as “gordas” de alguns blogues. Tento acompanhar com maior atenção o que escrevem, entre outros, Henrique Raposo, Eduardo Nogueira Pinto, Manuel Pinheiro, Luís Aguiar-Conraria, Fernando da Cruz Gabriel, Luís Pedro Coelho, com os quais frequentemente discordo, o que não diminui em nada a minha apreciação das qualidades substantiva e formal (e escrever bem é fundamental...) do que escrevem e do desprendimento com que o fazem.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Na blogosfera só vivi “intensamente” os debates e polémicas em que me envolvi (e que foram muitos). “Atentamente”, destacaria as polémicas nos “blogues liberais” e/ou de “direita liberal” ligados às questões de costumes, como foi o caso da polémica que se gerou entre Pedro Mexia e outros bloggers a propósito da homofobia , mais ou menos encapotada, de alguns liberais. Não defendendo o tipo de liberalismo que é muito popular na dita “blogosfera liberal”, não estando minimamente próximo de certas atitudes direitistas e não tendo vagar para acompanhar os blogues de esquerda, sempre optei por ser um observador atento (e necessariamente crítico, dadas as discordâncias) do que se escreve em alguns blogues liberais, com os quais partilho a defesa da liberdade individual e de uma Política centrada no Indíviduo, discordando, contudo, do “paradigma” neles prevalecente e, consequentemente, das políticas conretas por eles geralmente advogadas. Como Mexia, dou prioridade à liberdade e à tolerância face às políticas legislativas, o que significa que não tenho, ao contrário da maioria dos bloggers liberais, uma visão exclusivamente negativa sobre as liberdades individuais. Neste contexto, digamos que sou um liberal “moderado”. Valorizo quer o indivíduo quer a tolerância, aquilo que Pessoa muito bem apelidou de “individualismo fratenitário”. Sendo essa diferença particularmente relevante na discussão de temas (ditos “fracturantes”) ligados à esfera social e aos costumes; e sendo o prazer que desses debates obtenho considerável, o destaque que faço torna-se inevitável.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Descobrir o prazer da escrita e ver nascer uma comunidade muito participativa de leitores-comentadores no meu blogue, que proporcionou discussões animadas, desafiantes e por regra muito cordatas, mas também informais (e isto não é uma descrição politicamente correcta, nem “deslumbrada”, como qualquer desses ’habitués’ seguramente corroborará).
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Cada um dá ao seu blogue o sentido que quiser. A escolha dos temas a abordar e, talvez mais importante, a escolha dos temas a não abordar, é da liberdade e responsabilidade de cada um. Todos os blogues são, nesse sentido, igualmente respeitáveis – o que não significa que me suscitem igual admiração. Prezo muito o desprendimento das pessoas, o que me faz admirar aqueles que demonstram capacidade de afirmar publicamente – e em coerência, claro – coisas que contradizem a linha prevalecente do grupo a que pertencem e/ou com o qual mais se identificam. Trocando a expressão “editorialmente livre” pela expressão “livre”, diria que o grau médio de independência dos blogues, quando comparado ao de outras formas de comunicação, é assinalável. Sendo um objectivo natural de alguns bloggers a procura de estatuto, de protagonismo, de reconhecimento, é natural que a estratégia de aumento de visibilidade fira, de algum modo, esse tal desprendimento que aprecio. Há as “concessões” (e até “pedidos de desculpa”...) aos leitores, há os “favores contrariados” que se fazem a outros blogues, há os elogios hiperbolizados a blogues ou bloggers apenas porque rendem visitas – há tudo isso e muito mais, como todos sabemos. Mas todas essas concessões são de certo modo naturais e compreensíveis. Estranho seria se os que não querem e rejeitam o braco, as conclusões, a companhia, insistindo em não ir por aí, se transformassem, repentinamente, numa imensa maioria…
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca e Tiago Mendes. Agenda da próxima semana (de 4/12 a 9/12): Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati) e Rogério Santos.


sexta-feira, 1 de Dezembro de 2006

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Mini-entrevistas - 69


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Rodrigo Adão da Fonseca, fiscalista e consultor, 33 anos, dinamizador do blogue Blue Lounge (http://blueloungecafe.blogspot.com/).
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-O que lhe diz a palavra "blogosfera"?
A blogosfera mais não é do que uma ferramenta virtual, páginas em branco onde cada um inscreve as suas impressões, desabafos, anseios, pensamentos, estados de espírito, emoções ou razões. O que a torna diferente – a par da simplicidade de edição – é o modo como veio alterar a noção de tempo e sobretudo de espaço, até aqui barreiras comunicacionais expressivas que, no universo virtual, se esbatem, tornando-se quase secundárias.
-Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que seguiu mais intensamente apenas através de blogues?
As eleições "Bush V Kerry" (ou, como as escrevia o The Economist, "the incompetent or the incoherent") de 2004. Não diria "apenas", mas "especialmente", através da Internet (blogues e sítios de informaçãodos media). À época, estava a ultimar um trabalho na universidade para a cadeira de Teoria das Relações Internacionais do Professor Adriano Moreira (um texto 1) crítico do unilateralismo neoconservador presente na política externa norte-americana e 2) defensor da importância das ideias e do pluralismo para a "saúde" dos sistemas políticos democráticos), quando dei por mim desviado do fito inicial, totalmente viciado no jogo eleitoral norte-americano, nas suas particularidades demográficas, lealdades históricas, características dos debates, cobertura dos media, posicionamento cívico de pessoas e entidades, atraído por uma realidade bastante distinta da nossa. Se me interessei pela blogosfera no dia em que acedi ao "Abrupto", blogue que entrou desde logo nas minhas rotinas diárias, julgo que terá sido em finais de 2004, com as presidenciais americanas, que o mundo blogueiro passou a ocupar um espaço central no meu quotidiano.
-Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Não há um em especial. Porém, através dos blogues alarguei e qualifiquei significativamente a minha rede de relações; aqui, entre as pessoas mais distintas, estabelecem-se com naturalidade e informalidade afinidades, cumplicidades e até amizades, partilham-se interesses comuns, criam-se elos que dificilmente teriam lugar nos ambientes ditos convencionais (até porque, em muitos casos, as barreiras temporais, espaciais e sociais o impediriam). Graças à blogosfera, em relação a alguns assuntos, deixei de me sentir um átomo, porque nela há espaço – e audiência – para as minhasespecificidades, para aqueles interesses que, pelas circunstâncias, estavam isolados no meu pequeno mundo não virtual, os quais, por falta de feedback, acabava por não fomentar e partilhar. Este fenómeno – da cultura da especificidade – é muito interessante, sobretudo quando o movimento de uma boa parte dos media tende para a abrangência, para o"catch all".
-Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
A blogosfera pode ser uma forma de expressão editorialmente livre, se for essa a vontade de quem a dinamiza. Estamos, contudo, a falar de um ambiente que é aberto, não regulado, sem hierarquias formais, propenso até a um certo anarquismo. Para que possa ser integralmente livre, teria de afirmar-se um sentido de responsabilidade que por vezes está ausente; na verdade, os blogues podem ser também - e são-no, com frequência - fonte de difamação, excessiva emoção, pena leve e de um anonimato mal intencionado. A minha mentalidade mercantilista leva-me a pesar os dois pratos da balança e a concluir que, ainda assim, o saldo é altamente positivo, e que a blogosfera se assume, sobretudo,como um espaço de liberdade.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira e Leandro Gejfinbein. Agenda desta semana (27/11/06 a 2/12/06): Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca e Tiago Mendes.


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Pré-publicações - 7

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A Independência de Portugal: Guerra e Restauração 1640 – 1680, Rafael Valladares, A Esfera dos Livro
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O visitante desprevenido que percorra as imponentes salas do Museu do Prado à procura de imagens do tempo de Filipe IV, facilmente se apercebe de que o seu reinado percorreu, até ao ano de 1640, um generoso caminho de sonantes triunfos e de vitoriosas batalhas. Mas poderá ver, também, que algo aconteceu a partir daquela data, pois até o próprio Velázquez passou a utilizar uma paleta mais consentânea com as nuvens que começaram a cobrir a Monarquia de Espanha: aos seus anões e bufões deformados, seguiu-se uma série de retratos áulicos do rei nos quais este transmite a impressão de um cansaço que a sua fé católica, e a sua filosofia estóica, se compraziam em mostrar com uma exemplar inteireza. Daquelas décadas centrais do século xvii espanhol são poucas as obras que conseguem iluminar essa obscuridade. Depois do desaparecimento do conde-duque não foram pintados mais óleos de validos, nem a pé nem a cavalo, não obstante D. Luis de Haro, seu sobrinho, ter ocupado esse tão cobiçado posto até 1661, ano em que faleceu. Acabou, também, a glorificação de cercos e de rendições, sem dúvida porque a partir daquele momento, e ao contrário do que sucedera vinte ou trinta anos antes, os exércitos de Filipe IV já não eram os vencedores, mas sim os vencidos. Em 1659, e talvez para afugentar a derrota, o próprio rei, assistido por Velázquez, deu por terminada a nova decoração do Salão dos Espelhos do Alcazar de Madrid, espaço que prestava culto a uma dinastia identificada com o catolicismo. As telas escolhidas para decorar o salão foram: Carlos V em Mühlberg e Filipe II e a Batalha de Lepanto, ambas de Ticiano; Filipe III e a Expulsão dos Mouriscos, de Velázquez, um quadro actualmente desaparecido; e um retrato equestre de Filipe IV, da autoria de Rubens. A incerteza do futuro podia ser esconjurada através da contemplação do passado. Sob Carlos II, o Salão dos Espelhos – onde o rei sempre gostou de ser retratado – permaneceu sem grandes alterações.
Esta preocupação estética não decorre apenas da verdadeira paixão artística que caracterizou Filipe IV. Naquele ano, pouco depois de encerrada a guerra com França, os seus exércitos preparavam-se para enfrentar, numa batalha definitiva, o último foco de resistência que subsistia no império: a coroa de Portugal. O revés político e militar que o Rei Católico ali sofreu, atingiu para sempre a sua imagem e a da Monarquia, a qual, para além da perda da sua jóia mais valiosa, não pôde juntar à fabulosa pinacoteca régia uma nova série de pinturas dignas de comemorar a «restauração» portuguesa.
Ou talvez não fosse assim. Fazer guerra ao inimigo era algo de louvável para um príncipe cujos exércitos alcançavam semelhante façanha. Mas se o adversário era um súbdito rebelde, convinha simular perdão e, sobretudo, esquecimento. Da difícil e prolongada reconquista da Catalunha não resultou qualquer testemunho pictórico comparável às gestas europeias e americanas que Olivares ordenou que fossem expostas no Salão de Reinos do Palácio do Retiro. No que respeita a Portugal, nem sequer foi necessário reflectir sobre o assunto. Quem hoje deambule pelo Museu do Prado pode cair no erro de pensar que a história da Monarquia Hispânica foi a história da sua pintura, o que talvez explique por que motivo, depois de finalizar o percurso pelas salas de Velázquez, o visitante entra directamente na secção do século xviii, com destaque para a obra de Goya – exceptuando as suas célebres pinturas negras, oportunamente localizadas no piso inferior do museu. Assim, entre um e outro século não há pausa nem transição, mas apenas contraste, e um penoso vazio que agudiza – e reflecte – a representação ainda hoje predominante do declínio dos últimos Áustrias e o colorido ressurgir dos Bourbon. Simulamos perdão, e às vezes esquecimento.
É provável que este livro jamais existisse se tal tivesse dependido da vontade dos seus protagonistas, todos eles mestres na arte da contenção: os tempos impunham mesura. De certa maneira, as páginas que se seguem podem parecer cruéis e até irreverentes pelo modo como falam daqueles que rodearam Filipe IV durante o seu segundo reinado. Se a pintura dos anos que se seguiram à queda de Olivares deixou os historiadores órfãos de inspiração, não menos parco foi o interesse dos hispanistas pelo período que se seguiu a 1640, tradicionalmente considerado como um longo e pouco significativo apêndice do ministério de D. Gaspar de Guzmán. Se perdoar é próprio do ofício de rei, evitar o esquecimento é apanágio do mester de historiador. Por isso, o presente estudo trata de um tempo que procurou apagar a sua história, e que quase o conseguiu fazer.
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Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Magna Editora, Mareantes, Presença e Vercial.