sábado, 15 de abril de 2006
Miniscente ist ein berliner - 2
segunda-feira, 10 de abril de 2006
Miniscente ist ein berliner
sexta-feira, 7 de abril de 2006
O fluxo

e
Recomeçou a euforia das férias. Há um verdadeiro ardil na cidade. Faz-me lembrar as asas agitadas do canário bico de lacre: bicho branco, branquíssimo, mas com a excitação avermelhada a revoar-lhe os olhos. Comprei livros, errei pelas ruas e, antes de dar as últimas aulas, entrei numa agência de viagens. Existem de facto extra-terrestres que chegam ao planeta com semanas ou meses de atraso. A menina fixa-me os olhos, levanta o lábio e escarnece do figurão com íntima e sincera aleivosia: "Bilhetes para Cabo Verde, hoje, a esta hora!?" - Sorrisos, sorrisos doces como se eu fosse pató. Estamos sempre a aprender. Moral da história: talvez vá ver uma procissão a um qualquer pueblo andalus; sempre há-de haver um hostal desconhecido e duvidoso à beira da estrada, como se o destino sem rota fosse a Las Vegas de Mike Figgis. Ou será permitido, por exemplo, ficar em casa, sossegadinho, a ver o Canal Odisseia e a ler a Ignorância do Kundera?
Televisivas - 3

quinta-feira, 6 de abril de 2006
Televisivas - 2

Televisivas - 1


O cantinho de astracã


quarta-feira, 5 de abril de 2006
Sentidos e verdades

A razão, no alvor moderno, não foi capaz de enunciar-se de modo autónomo. Ao invés, preferiu entrar em cena contrapondo-se a algo que baptizou como sendo caduco e ultrapassado. Esse choque, geralmente caracterizado como o choque entre “mito” e “logos”, terá sido mesmo real? Hans Blumenberg sempre torceu o nariz a essa pergunta e preferiu, por isso mesmo, compreender o mito como algo que teria sempre sobrevivido entre nós. Longe de hibernar numa qualquer origem remota, para o prazer de antropólogos e de outras abelhas, o mito ter-se-ia antes sedimentado na galáxia da razão e, ao sabor romântico e nietzschiano, ter-nos-ia ainda conduzido à tentação do juízo estético que supera – ou contorna – uma definição precisa, analítica e estanque de valores. Cada vez mais, à medida que o tempo passa e à medida que a memória dessas leituras se esvai, sou levado a pensar que o homem tinha afinal toda a razão. Mandei vir, hoje mesmo via Amazon, a tradução inglesa de Arbeit am Mythos e de Die Lesbarkeit der Welt, entretanto perdidos no trajecto nómada das minhas estantes.