sábado, 15 de abril de 2006

Miniscente ist ein berliner - 2

Quase de volta!
Não tenho encontrado pela frente essa coisa chamada computador.

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Miniscente ist ein berliner

Podia ter ficado a ver as notícias da capitulaçao francesa, as chatas religiosidades da Lusitânia, a operaçao da Páscoa da GNR, a visita do presidente às criancinhas, a ressaca dos males do meu clube, ou até uma boa discussao sobre Steiner. Mas preferi ir para bem perto da Potsdamplatz. Até já.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

O fluxo

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Recomeçou a euforia das férias. Há um verdadeiro ardil na cidade. Faz-me lembrar as asas agitadas do canário bico de lacre: bicho branco, branquíssimo, mas com a excitação avermelhada a revoar-lhe os olhos. Comprei livros, errei pelas ruas e, antes de dar as últimas aulas, entrei numa agência de viagens. Existem de facto extra-terrestres que chegam ao planeta com semanas ou meses de atraso. A menina fixa-me os olhos, levanta o lábio e escarnece do figurão com íntima e sincera aleivosia: "Bilhetes para Cabo Verde, hoje, a esta hora!?" - Sorrisos, sorrisos doces como se eu fosse pató. Estamos sempre a aprender. Moral da história: talvez vá ver uma procissão a um qualquer pueblo andalus; sempre há-de haver um hostal desconhecido e duvidoso à beira da estrada, como se o destino sem rota fosse a Las Vegas de Mike Figgis. Ou será permitido, por exemplo, ficar em casa, sossegadinho, a ver o Canal Odisseia e a ler a Ignorância do Kundera?

Televisivas - 3

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Sem querer, por mero acaso, vi dez minutos de um programa chamado qualquer coisa "pastéis de nada" (no fim, reparei que até tem um blogue). O que é aquilo? Deve ser serviço público.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Televisivas - 2

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Nunca entendi a proxémica a que recorre o programa Quadratura do Círculo. Em torno da circularidade da mesa, Pacheco e Lobo Xavier estão lado a lado e distanciam-se cerca de noventa graus de Carlos Andrade. Jorge Coelho dista o mesmíssimo quadrante do moderador, mas está praticamente a cento e oitenta graus do par Pacheco-Lobo Xavier. Será a política?

Televisivas - 1

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Sempre que me vejo na televisão, vejo o verdadeiro nada que emerge do turbilhão. Hoje, aconteceu mais uma vez. Será a diminuta vocação ou a frágil e abismada natureza da televisão?
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"© Guerra &Paz editores, Agustina Bessa-Luís. Reprodução Interdita."
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Terminam assim os excertos da pré-publicação do que virá a ser em papel o último livro de Agustina Bessa-Luís, Fama e Segredo da História de Portugal, que o Abrupto está a dar à luz desde ontem.
Pergunto: a ideia de "proibição" tem o mesmo significado no mundo da rede e no mundo rigorosamente off-line?
Eu sei que a questão parece de fácil resposta à primeira vista. Creio, no entanto, que a própria ideia de texto na rede (o seu carácter provisório, reversível, pouco-linear, tendencialmente des-subjectivado, incorpóreo e de inserção meta-contextual) nos pode levar para outras direcções.
Deixo a questão em aberto.
Trata-se, sem sombra de dúvida, de um problema interessante e já indirectamente abordado aqui anteontem.

O cantinho de astracã

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Benfiquista de gema o digo: não merecemos ganhar. Ponto final. Para mim, até ao verão, o futebol vai agora centrar-se no outro meu clube de sempre: O Lusitano de Évora (Lusitano Ginásio Clube). Esteve na primeira divisão durante 14 anos (1952-1966), está prestes a subir de divisão e, proeza máxima: está a construir um centro de estágio onde a selecção nacional se irá preparar em Maio para o mundial (não posso, no entanto, deixar de confessar que sofro de melancolia por saber que o velhinho Campo Estrela se vai transformar numa urbanização).
Eis o projecto e as obras (como sou do Conselho Geral, uma espécie de Senado, tenho mesmo que fazer gala destes patrimónios):
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P.S.1 - Quanto às competições lusas, sempre preferia que ficassem em Lisboa. Capital é capital.
P.S.2 - O hooligan, desta vez, apesar das "adendas" e das "irritações", até foi surpreendentemente civilizado!
P.S.3 - Não haja, no entanto, dúvidas que o jogo mais importante da próxima jornada é o Benfica-Marítimo!
P.S.4 - Os catalães têm realmente um espírito de potência insuportável.
P.S.5 - Se, se, se. Durante cinco a dez segundos, pensei que o Simão tinha mesmo marcado o golo. Imaginem o salto que dei no ar. Ainda lá estou. Daí o tom do post e o casaco que fui obrigado a vestir após tanto calafrio: de astracã.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Sentidos e verdades

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A razão, no alvor moderno, não foi capaz de enunciar-se de modo autónomo. Ao invés, preferiu entrar em cena contrapondo-se a algo que baptizou como sendo caduco e ultrapassado. Esse choque, geralmente caracterizado como o choque entre “mito” e “logos”, terá sido mesmo real? Hans Blumenberg sempre torceu o nariz a essa pergunta e preferiu, por isso mesmo, compreender o mito como algo que teria sempre sobrevivido entre nós. Longe de hibernar numa qualquer origem remota, para o prazer de antropólogos e de outras abelhas, o mito ter-se-ia antes sedimentado na galáxia da razão e, ao sabor romântico e nietzschiano, ter-nos-ia ainda conduzido à tentação do juízo estético que supera – ou contorna – uma definição precisa, analítica e estanque de valores. Cada vez mais, à medida que o tempo passa e à medida que a memória dessas leituras se esvai, sou levado a pensar que o homem tinha afinal toda a razão. Mandei vir, hoje mesmo via Amazon, a tradução inglesa de Arbeit am Mythos e de Die Lesbarkeit der Welt, entretanto perdidos no trajecto nómada das minhas estantes.

Espelhos do devir

António Lobo Antunes acabou de confessar a Ana Sousa Dias (em entrevista no Canal 2) que a Exortação aos crocodilos foi um "livro maldito". Algumas das mortes aí relatadas aconteceriam depois tal e qual aos seus mais próximos (amigos e familiares). Não sei porquê, mas lembrei-me de Cartas a Sandra, onde idêntica premonição acabou por recair sobre o próprio Vergílio Ferreira, seu autor.