sábado, 9 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 12

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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Milton Ribeiro, escritor e consultor informático, 49 anos, Porto Alegre (Brasil).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Em minha opinião, a blogosfera não é apenas a soma de blogues, mas sobretudo seus links, comentários e leitores, blogueiros ou não. A blogosfera se diferencia por disponibilizar ferramentas de comunicação, através das quais o leitor pode participar ativamente da festa e não somente assisti-la. A palavra blogosfera também me diz de conteúdos que vão do sublime e inteligente ao vulgar e burro. Porém, depois de viver mais de três anos nela, posso dizer que aqui não há mais bobagens do que nas revistas semanais. Estas são imbatíveis no quesito "ruindade" e, aqui, ainda temos a vantagem de poder xingar e ser xingado...
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Sim, poucos, mas importantes. Por exemplo, a melhor cobertura dos eventos relacionados ao furacão Katrina foi realizada pelo blog de Idelber Avelar (Professor de Literatura Latino-americana e Etnomusicologia da Universidade de Tulane, Nova Orleans, que possui o blog O Biscoito Fino e a Massa - http://idelberavelar.com/). Além de informações e fotos da cidade, ele montou uma rede de comunicação para que as pessoas pudessem dizer em que local estavam, etc. Foi uma diáspora súbita e o Idelber conseguiu fazer com que muita gente fosse encontrada e pudesse dizer "Olha, estou vivo, mas quero saber onde estão fulano e sicrano".
Outro evento que acompanho através de blogues é a tentativa de censura de vários deles, realizada pelo truculento ex-presidente - e, pasme!, membro da Academia Brasileira de Letras do Brasil - José Sarney.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Ser visitado e talvez lido semanalmente por 1200 pessoas é certamente, um impacto na vida de qualquer um. Há que se ter atenção para com este fato. Passo duas horas por dia lendo blogues e talvez quatro horas por semana escrevendo o meu. Mas o maior impacto é o de ser reconhecido como blogueiro quando não estou na frente do computador ou saber que há pessoas desconhecidas que estão informadas sobre minha vida. Explico: meu blogue faz explicitamente Improvisações sobre Literatura, Música, Cinema e Qualquer Coisa, principalmente. Neste Qualquer Coisa, entram alguns posts confessionais. Outro fato impactante foi o de ter ido à Europa e ter ficado hospedado exclusivamente hospedado na casa de blogueiros que não conhecia pessoalmente. E isto na Espanha e na Itália. Sim, fui sempre muitíssimo bem tratado, fui aonde quis e, puxa, fiz uma enorme economia!
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sem dúvida. Meu blogue fica num condomínio de cujo manifesto chama-se Liberdade de Comunicação e que tem, como membros, pessoas de esquerda - a maioria -, de direita, religiosos, provocadores, ateus, alternativos, etc. De nosso manifesto, trago o seguinte trecho:
Hoje, eu e você somos livres para informar e sermos informados, num fluxo que trafega por meios livres. Mas não vivemos num mundo livre. Liberdade por si só não é suficiente, porque ela não pressupõe naturalmente outro conceito importante: democracia. A mídia tradicional (rádios, TVs, jornais, portais web) está longe de ser proporcional à quantidade de informação produzida, tanto quanto ao número de indivíduos que as recebem. As pontas são infinitamente maiores que os meios existentes. Há um estrangulamento. E quando isso acontece, alguma coisa fica de fora do fluxo. É isso que a mídia tradicional faz: filtrar. Selecionar informações para distribuí-las ao maior número de pessoas possíveis - donde o termo "meios de comunicação de massa". Poucas informações produzidas são veiculadas, poucos produtores tem poder para comunicar o que querem, e poucas opções temos de receber o que de fato queremos. E se não recebemos, a informação existe? De fato, sim; na prática, não. É o sujeito que grita na sala vazia. Sujeito que talvez tenha coisas relevantes a dizer. Todos nós temos coisas a dizer, sim. Por que não teríamos?No modelo vigente, a mídia escolhe por nós. Ela cerceia a própria liberdade que tanto precisa, em nome de uma efetividade - muitas vezes, manchada pela face comercial que a viabiliza (quando não é a própria razão de existir).Mas eu quero falar. Quero falar o que eu quiser. E falar para quem eu quiser. Para quem quiser me ouvir e que vai poder me achar. Quero ouvir. Ouvir o que eu quiser. E ouvir de quem eu quiser. De quem quiser me falar e que vou poder encontrar. Essa é a verdadeira liberdade e democracia da comunicação. Isso, os meios de massa jamais poderão oferecer, mas a Internet sim: com o blog. Uma ferramenta pessoal, acessível, de baixo custo, sem intermediários, apoiada em uma mídia instantânea e de alcance global.
Não apenas o diário virtual, pense de novo: Blog é o suporte tecnológico de uma revolução na exposição de idéias, na distribuição de informação, na democratização da comunicação. Na internet, qualquer sujeito que quiser exercitar sua liberdade de expressão encontra um sujeito exercitando sua liberdade de informação. Isto é liberdade. Isto é democracia. Esse é o direito que deve ser assegurado.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha e Hans van Wetering. Amanhã: José Alexandre Ramos (webmaster do site não oficial de António Lobo Antunes).

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 11

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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Hans van Wetering, escritor holandês, 42 anos (tradução de Carmo da Rosa).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera” ?
Que qualquer atrasado mental tem hoje acesso a um palco, e por que não? Toda a gente pode escrever e publicar no seu weblog o que lhe vem à cabeça. Já que não custa (quase) nada e não há critério de qualidade, ou outro qualquer.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Não.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Nenhum.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
A essência do weblog não será precisamente a inexistência de uma redacção, seja de que tipo for ? A única forma de redacção (no caso de existir) é o próprio sentido crítico.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis e Pedro Baganha. Amanhã: Milton Ribeiro, escritor e consultor Informático, 49 anos, Porto Alegre (Brasil).

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 10

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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Pedro Baganha, arquitecto, 34 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Blogosfera: Camada da internet que contém uma série de sítios ou locais com registos mais ou menos pessoais, mais ou menos públicos, caracterizada por textos e imagens organizados de forma sequencial e cronológica. Situa-se imediatamente acima da chatsfera e abaixo da mediasfera. Trata-se de uma espécie de rede dentro da rede com características, regras, usos e comportamentos específicos. Há quem chame aos blogues (os quanta da blogosfera) os chats para maiores de 30, mas na verdade são muito mais do que isso.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Não segui nenhum evento em particular, mas os blogues são neste momento uma fonte de alguma informação e de muita opinião que não encontro noutros meios de comunicação. No que diz respeito à actualidade local, por exemplo, a blogosfera preenche uma lacuna evidente nos meios tradicionais, tendo vindo a ser também um local de intervenção cívica. Recordo a este propósito uma polémica surgida há tempos na cidade do Porto com o projecto de instalação do Metro na Avenida da Boavista. Na altura o debate público foi reclamado pela blogosfera, tendo-se encontrado então um interlocutor inusitado na empresa Metro do Porto. A imprensa local e nacional curiosamente correu atrás do novo meio transcrevendo opinião de gente diversa expressa inicialmente em blogues. Aconteceu inclusivamente um inédito debate público com o presidente da comissão executiva da empresa Metro do Porto organizado por um blogue (a baixa do porto).O debate entretanto cessou, e provavelmente a decisão irá ser tomada ao arrepio da esmagadora maioria das opiniões expressas então. Mas por um momento, apenas um momento, pareceu que as vozes escritas podiam fazer a diferença.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Neste momento a visita diária a blogues é uma necessidade. A publicação de posts também se tranformou num hábito quase diário. O blogue em que participo tornou-se um espaço de expressão pessoal imprescindível. Posso afirmar que mais de metade do tempo em que estou on-line passo-o na blogosfera.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
A liberdade não é um conceito absoluto. Nesse sentido acredito que sim.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida e Filipa Abecassis. Amanhã Hans van Wetering, escritor holandês, 42 anos (tradução de Carmo da Rosa).

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 9

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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Filipa Abecassis, Leitora de Língua e Cultura Portuguesas na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pusan (Coreia do Sul), 29 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Blogosfera é uma dimensão infinita onde consigo perder-me horas a fio – tem DE TUDO.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Segui e sigo – aprecio a falta de isenção assumida e já tenho alguns sítios onde, na dúvida e sem rodeios, gosto de esclarecer-me.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Começaram por preencher o vazio de estar dolorosamente longe. Nunca gostei de jogos de computador, a televisão também acaba por cansar-me. Com este vício dei-me bem e não penso abandoná-lo quando voltar a estar por perto.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito... mais ou menos. Fora da blogosfera temos quem avance pela liberdade de expressão e quem se fique pela de pensamento e dentro não me parece que seja assim tão diferente. Projectamo-nos da maneira que queremos (ou gostávamos de) ser vistos – criamos limites.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela e Reginaldo de Almeida. Amanhã: Pedro Baganha, arquitecto, 34 anos.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 8

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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. O convidado de hoje é Reginaldo de Almeida, Professor universitário, 41 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Opinião Livre. Para o bem e para o mal: o anonimato que permite, abriga acusações e informações que não mostram o rosto de quem as assina. Por outro lado, esse mesmo anonimato também sugere um confronto/discussão/partilha de ideias plural e aberto. Gostaria que o adjectivo utilizado - Livre - pudesse sempre ser substituído por Opinião Isenta e não por Opinião Desenfreada.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Não.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Ter que os considerar a par de outras formas de expressão, quer na perspectiva de cidadão, quer no ponto de vista da docência que pratico.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Mais uma vez gostaria de chamar aqui alguns sinónimos de Livre: Desgarrado ou Desamarrado... Acredito que há pessoas que se expressam livremente, seja na blogosfera ou não. Se o fazem e quando o fazem, não lhes interessa onde o fazem.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho e José Quintela. Amanhã: Filipa Abecassis, Leitora de Língua e Cultura Portuguesas na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pusan (Coreia do Sul), 29 anos.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 7

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O Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. O convidado de hoje é José Quintela, 40 anos, Director de Comunicação do Grupo Inapa.

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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Obrigado, em primeiro lugar pelo seu convite. Relativamente à sua questão, eu que sou um caloiro neste mundo da blogosfera, considero neste momento, não quer dizer que a minha opinião não evolua, um espaço de evasão...
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Até este momento não, as minhas fontes privilegiadas de informação têm sido outras...
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Neste momento o impacto ainda é difícil de mensurar, no entanto há já um sentimento de que é possivel voltar a reunir um conjunto de pessoas que me são queridas, mas que estão geograficamente distantes.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Completamente! Mais ainda é uma forma de as pessoas se revelarem descomplexadamente.

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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto e Carlos Pinto Coelho. Amanhã: Reginaldo de Almeida, Professor universitário.

domingo, 3 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 6

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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. O convidado de hoje é Carlos Pinto Coelho, 62 anos, jornalista.
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Um mundo de modernidade, ainda incipiente e encantatório como todos os instrumentos de comunicação novos. Já começou a abrandar a quase histeria dos seus primórdios, quando parecia que a blogosfera chegara para esmagar irremediavelmente todos os restantes media de palavra escrita. Muitos dos seus prosélitos fundadores já o abandonaram, no cansaço de todos os paroxismos inúteis. Hoje a blogosfera é território exclusivo de adolescente (os “queridos diários” de antigamente), feirantes de vaidades, autores frustrados que só ali conseguem publicar-se, almas solitárias à procura de um qualquer eco, e também – certamente – de espíritos generosos que fazem doação militante das suas ideias, entre os quais coloco o autor do “Miniscente”.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Sim, já calhou ter falhado alguma cobertura noticiosa dos media jornalísticos e ter encontrado referência ao assunto num blogue. Mas muito avulsamente.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Nenhum, que me recorde.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Não há, entre humanos adultos, manifestações públicas de pensamento inconsequentes. Todo o gesto partilhado transporta a sua própria sombra e com ela se compromete. Em termos simples, se um blogue se faz no anonimato, pratica a irresponsabilidade que se ampara na impunidade – e aí sim, a expressão pode ser livre até ao crime. Fora disso, nenhum autor identificado de blogue deixa de praticar uma severa auto-regulação, mesmo que inconsciente.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães e José Luís Peixoto. Amanhã: José Quintela, Director de Comunicação do Grupo Inapa.

sábado, 2 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 5

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Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. O convidado de hoje é José Luís Peixoto, escritor, 32 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Muitas vezes parece-me que a blogosfera, ela própria, foge de todos os sentidos que lhe queiramos encontrar. Sendo tão complexa, por vezes paradoxal, creio que o significado mais globalizante que lhe encontro é a necessidade incontornável que todas as pessoas têm de comunicar, de se fazer ouvir, de participar na sociedade, de existir.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
O Tsunami do sudeste asiático é um exemplo de alguns dos grandes acontecimentos dos últimos anos que acompanhei através de blogues, embora não em exclusividade. Poderia dar vários outros exemplos. Em termos de política nacional, existem também muitas opiniões de blogues que tenho em conta. Exclusivamente em blogues, tenho acompanhado algumas das polémicas que aí nasceram e se desenvolveram.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O maior impacto terá sido uma redescoberta da Internet. Actualmente, passo bastante mais tempo na Internet e há muito que me habituei a ler no ecrã. Antes, antes de ler, dava-me ao trabaho de imprimir a grande maioria dos textos que encontrava online e que me interessavam.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Creio que sim. Editorialmente, sim.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá e Nuno Magalhâes. Amanhã: Carlos Pinto Coelho, jornalista.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Blogues e Meteoros - 4

Está publicada, desde hoje de manhã no Expresso on-line, a última das crónicas que dediquei a leituras blogosféricas de Verão (copio-a com os links expostos - perdoe-se-me a heterodoxia -, tal como surge no Expresso):
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Blogues para as férias (II)
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Um dia, Amos Oz descreveu a alma como «uma corsa ansiando por águas vivas». No tempo de férias que ainda temos pela frente - bem sei que há quem já tenha regressado e quem nem tenha sequer chegado a partir (o mundo é cruel!) -, continuo a aconselhar alguns blogues para refrescar a alma e preencher o sentido das pausas.

Comecemos hoje pelo «Tapornumporco» (http://tapornumporco.blogspot.com) que é um blogue de veia anarquista com uma prosa que parece herdar o tom de Mário Henrique Leiria, embora sem demasiado luar literário. Tente depois o «Spike Jones» (http://spikejones.livejournal.com) que, embora já há algum tempo parado (a gestações, as paragens e a superação dos géneros clássicos são coisas normais na blogosfera), nos fala de cinema com frugalidade e sem reciclagens retóricas. Mantendo o mesmo registo, o clássico «A Montanha Mágica» (http://amontanhamagica.blogspot.com) faz dos filmes um naipe de sortilégios que merece ser lido e visto com lentidão. Marque-o nos "Favoritos" e reserve assim a aventura e o prazer que lhe farão recordar mais tarde este Verão. Mais atento à TV e com um design a privilegiar o 'preto e branco', o «Quid Rides?» (http://quidrides.blogspot.com) tem dons que repousam o ciberviajante numa mesinha oval dos anos sessenta com um martini em cima (passe a publicidade).

As artes da performance também merecem destaque nesta altura do ano em que o corpo se olha ao espelho com renovada intimidade, mas também como um intruso de si mesmo (o bronze, as tatuagens, os piercings, a 'rave' perpétua e outros ícones liofilizados de 'bem estar' constituem, hoje em dia, o 'core' do que vai sendo a praia). Numa rota um tanto mais artística, para além da falta de ozono e do apelo aos deuses do iodo, eu daria atenção aos seguintes blogues: «Big Blog is Watching You» (
http://bigblogis.blogspot.com), ou o reatar de «Ceci n´est pas une pipe» com verve e actualização permanentes; «Prototype Collector», ou as evocações quotidianas à procura de um estado de alma para a videoarte dos nossos dias (http://anabezelga.blogspot.com); Ana Abrunhosa (http://anaabrunhosa.blogspot.com), ou a modulação da moda sem esquecer alguma melancolia que parece adivinhar o eco húmido de Madame Butterfly; «Art&tal» (http://artital.blogspot.com), ou a luminosidade da fotografia aliada aos chamados objectos culturais e a outros «fluxus» cheios de estilo.

E, enfim, entre muitos outros, salientaria ainda o «Corpo Visível»
(
http://corpovisivel.blogspot.com) onde o grafismo e o cromatismo partiram em lua-de-mel para uma ilha deserta onde apenas se contempla Godard, Lynch e o secreto furor das imagens de Nan Goldin.

Espero que as águas vivas e a corça de Amos Oz se tenham cruzado, nesta e na última crónica, com a imagem estival de uma alma mais preenchida.

Assim o espero. Até breve!
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p.s. - O Miniscente aproveita para agradecer a distinção às Bibliotecas Municipais de Oeiras.

Mini-entrevistas - 4

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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. O convidado de hoje é Nuno Magalhães, deputado do PP pelo círculo de Setúbal, 34 anos.
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1 – O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
A palavra “blogosfera” sugere-me um novo espaço de liberdade de opinião, de debate e de troca de experiências e visões. Esta é, pelo menos, a visão que gostaria de ter. Não escondo que, por vezes, directa ou indirectamente, tenho vislumbrado alguns casos de abusos sob a capa do anonimato, mas tal é um risco que se corre em qualquer espaço de debate democrático e um “preço” que qualquer democrata “paga” sem hesitações…
2 – Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Nenhum em especial. Acompanho esporadicamente alguns blogues mas não de forma diária.
3 – Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Um novo espaço de opinião ao qual, como em relação aos demais, quem defende a causa pública deve estar atento.
4 – Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Como todos os espaços, julgo (e não é mais que uma impressão…) que por vezes é e, noutros casos, não. Obviamente prefiro estes, àqueles, como prefiro os assinados aos anónimos. Como em tudo, a liberdade deve ser exercida com responsabilidade e no respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos demais.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho e a Jorge Reis-Sá. Amanhã: José Luís Peixoto, escritor.