terça-feira, 2 de outubro de 2007

Cerveja e literatura - 21

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Um diálogo e um encontro, no mínimo estranhos, num bar de Londres. O comediante Thomas Blaize e Cristopher Marlowe, dramaturgo, observam um homem “que bem pode passar pelo Diabo”. Até saírem para a rua, juntos, é a figura da “caneca” que acaba por expulsar os males e expiar o pior:
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“Blaize engoliu a bebida num longo trago, escondendo a fisionomia atrás da caneca.”
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“Levantei também a minha bebida, devolvendo o brinde. Os bordos das canecas tocaram-se e os nossos olhos encontraram-se. Sorri ao lembrar-me que tinha pensado que ele podia ser Lúcifer”.
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“Baynes deu uma palmada no tampo da mesa. As bebidas tremeram nas canecas, oceanos em miniatura batidos pela tempestade”.
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“E assim continuámos, eu a dardejar blasfémias, Blaize a encorajar as minhas injúrias e o homenzinho a objectar com ironia à medida que nos abastecia de cerveja, até ter esvaziado a bolsa, a noite avançar e cambalearmos para a rua.”
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(Louise Welsh, Tamburlaine tem de morrer, tradução: Miranda das Neves; Teorema, Lisboa, 2005, pp. 53/54/55/57)