domingo, 15 de fevereiro de 2004

Silêncios e teatro de sombras da blogosfera

O maradona - deixo a minúscula por respeito ao próprio - falava ontem daquela leve angústia (muito portuguesa?) que se traduz pela ideia de “dar o dia por perdido” e cita, depois, uma bela frase da Charlotte que lhe terá frutificado e colorido o Domingo: "Às vezes, acordo humilde mas nem assim discreta." Este diálogo concede-nos, em três breves toques, aquilo que há de melhor na blogosfera: uma alameda graciosa onde o que acontece na aparente imobilidade do texto se confunde, muitas vezes, com os tons que vão pairando na vida. Mas entendamos aqui “vida”, menos por tudo aquilo que ressoa no dia a dia, e mais por tudo aquilo que imaginamos a partilhar-nos, blogueadores, nesse horizonte abstracto que resulta da leitura múltipla e cruzada dos silêncios das nossas escritas. É que ambas as frases, a do maradona e a da Charlotte, foram emanações desses silêncios. Há, de facto, momentos em que a escrita é invadida por personagens de carne e osso que dançam em silêncio e que falam aos nossos ouvidos como faz, todos os dias, o limoeiro do meu quintal.