terça-feira, 12 de julho de 2005



Um cata-vento em estado de clímax ou uma catadupa em forma de terramoto, eis o destino destes palmos de terra.
Deixo de olhar para o crescente que se adensa e moldo a minha própria memória: George veste-se de protagonista da Música do Acaso, embora prefira, à construção de um muro sem fim, a sua bela e amada cave apocalíptica. Nada que não se compadeça com o Centro de Casais Amorosos (“It´s becoming very popular!”) e com a genuína e tântrica ingenuidade de Rachel.
Nate veste-se de peregrino confessional e repete à exaustão o que cá em casa já havia sido profetizado (a sério!): afinal, enterrara mesmo Lisa no deserto. A partir de agora, as frestas deste outro terramoto vão alastrar pelos trágicos suspiros de Brenda. Ela já fechou a luz e entrou subitamente no limbo, virando-se para o outro lado (para o desfecho oco da cena), enquanto a mãe se esvaía em sangue e o irmão traduzia, por palavras doces, a teoria do autor que citou na aula: o simulacro, a dissimulação, ou um não tão transparente e adocicado como o abismo.
Outro terramoto mais suave foi o que se fez sentir no tribunal, seguido de porsche e de alguns estilhaços de “caridade”. As pragas estão ao rubro no reino de Rico, na arena de George, no bife de Porterhouse e não tanto na astúcia das fotos de Claire. Ou, vestir-se-á a sorte de barba branca em LA?
É difícil responder.
Até porque Michael vai rever impressões digitais indesejadas, águas passadas de um trauma por digerir.
Até porque o GPS não chegou a trabalhar no início do episódio (o meu explica-se em Alemão e também raramente funciona).
Até porque o grande terramoto que aí vem tem o nome de “Mojave”, o tal deserto onde a árvore de Joshua subiu ao céu e acabou, um dia, por encarnar na desalinhada imagem de Nate.