Uma pausa, hoje em dia, tem o nome de morte. É a velha história da impaciência diante do que se imagina ter que ser perfeito. O que antes era a impaciência dos místicos face ao apocalipse ou dos comunistas (de há cem anos) perante a "apoteose da humanidade" é, no nosso tempo, a impaciência diante dos cliques. Mais do que tês cliques é a morte. A pausa, a espera - como estás longe Eurídice! - é agora sinónimo real de desaparecimento. Mas o Miniscente vai passar a ter pausas e grandes esperas. Um novo modo de desaparecer, aparecendo.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Não existir, existindo
Reato a escrita no blogue em pleno comboio. Só sei que quero manter este espaço, embora os territórios, hoje em dia, só existam quando feericamente actualizados. Mas quem sabe se este Miniscente não se vai mesmo transformar num espaço que não existe, existindo?
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Recuperando tempo

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Por alguma falta de tempo - "alguma" é favor -, nem tenho aqui divulgado as minhas crónicas do Expresso Online. Aproveito, no entanto, para dar conta do que escrevi nas últimas dezasseis semanas (fica o título de cada uma das crónicas e o respectivo link):
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A carne e o ciúme da política
O fascínio ocidental pela China
Chegámos já ao 'pós -11 de Setembro'?
Viva o Benfica!
Faço anos na próxima segunda-feira
Um tratado de filosofia na primeira pessoa
A intimidade da crónica
O feminino ocidental e uma tradição islâmica
De Nietzsche a Gondomar: Vá para fora cá dentro!
Manuela Ferreira Leite e o Marechal Tito
Metamorfoses lusas: o Género, "Aiata" e o Incêndio
O Islão e as minhas heresias
Vergílio Ferreira ou o blogue à Henrique VIII
O Google, Sócrates e a fragilidade do estado
Da selecção à queda em desgraça do FCP
Do paternalismo à liberdade
O fascínio ocidental pela China
Chegámos já ao 'pós -11 de Setembro'?
Viva o Benfica!
Faço anos na próxima segunda-feira
Um tratado de filosofia na primeira pessoa
A intimidade da crónica
O feminino ocidental e uma tradição islâmica
De Nietzsche a Gondomar: Vá para fora cá dentro!
Manuela Ferreira Leite e o Marechal Tito
Metamorfoses lusas: o Género, "Aiata" e o Incêndio
O Islão e as minhas heresias
Vergílio Ferreira ou o blogue à Henrique VIII
O Google, Sócrates e a fragilidade do estado
Da selecção à queda em desgraça do FCP
Do paternalismo à liberdade
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Volta ao Mundo - 25
wPois foi. A Clara e o Miguel acabaram a volta ao mundo e eu demorei três semanas a colocar aqui a última crónica que me enviaram. É a que se segue, escrita ainda na África Austral, depois de terem aventurosamente atravessado o planeta no sentido das Américas-Pacífico-Oceania-Ásia-África e, de novo, Europa. Que me desculpem!
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África do Sul
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Imagino uma nuvem. No meio dos círculos de medo e ódio, loucura e amplitude deste país, aparece na forma de um momento. Dou-lhe um nome. Humanidade.
Imagino uma nuvem. No meio dos círculos de medo e ódio, loucura e amplitude deste país, aparece na forma de um momento. Dou-lhe um nome. Humanidade.
e
Têm um ar duro, são quatro ou cinco ou mais homens de um negro aflito a sair-lhes de cada poro. Enfrentam a máquina fotográfica com desprezo de bandido. As mãos são armas e dedos desiludidos. Mas de pose firme para a incerta posteridade. Até que lhes mostro o resultado. Só observo. E tremo. Com medo. Um a um, pegam no seu reflexo. É esse o momento que retenho. De uma nuvem a sair-lhes pelos dentes. Feliz. A violência esquecida por um instante de verdade.
Têm um ar duro, são quatro ou cinco ou mais homens de um negro aflito a sair-lhes de cada poro. Enfrentam a máquina fotográfica com desprezo de bandido. As mãos são armas e dedos desiludidos. Mas de pose firme para a incerta posteridade. Até que lhes mostro o resultado. Só observo. E tremo. Com medo. Um a um, pegam no seu reflexo. É esse o momento que retenho. De uma nuvem a sair-lhes pelos dentes. Feliz. A violência esquecida por um instante de verdade.
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E da maior humanidade.
E da maior humanidade.
e
Outra nuvem: no meio de um caminho duro, entre leões, vida e a terra maior do mundo, uma cassete velha canta, em Xhosa, língua de estalos e surpresas. "Com a voz canto a minha África, a minha liberdade".
Outra nuvem: no meio de um caminho duro, entre leões, vida e a terra maior do mundo, uma cassete velha canta, em Xhosa, língua de estalos e surpresas. "Com a voz canto a minha África, a minha liberdade".
e
- Esta é a única frase de toda a canção. – diz o Sam, um homem de sonhos que nos guia por aquele castanho forte. - Não gosto de músicas cheias de letras. As frases verdadeiras precisam de espaço.
- Esta é a única frase de toda a canção. – diz o Sam, um homem de sonhos que nos guia por aquele castanho forte. - Não gosto de músicas cheias de letras. As frases verdadeiras precisam de espaço.
e
Imagino mais nuvens. Esmagadas por medos, ódios, loucuras e amplitudes deste país. Tão negro e branco e inicial. O maior país do mundo. Espero que existam.
e
Escrevo em casa. Em círculos. Sem saber se cheguei ontem ou não cheguei ainda. Tenho este sul de África na garganta, em pedaços vivos. Como uma música de letra verdadeira e que precisa de espaço. Uma nuvem.
Imagino mais nuvens. Esmagadas por medos, ódios, loucuras e amplitudes deste país. Tão negro e branco e inicial. O maior país do mundo. Espero que existam.
e
Escrevo em casa. Em círculos. Sem saber se cheguei ontem ou não cheguei ainda. Tenho este sul de África na garganta, em pedaços vivos. Como uma música de letra verdadeira e que precisa de espaço. Uma nuvem.
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Texto: Clara Faria Piçarra
Fotografia: Miguel Sacramento
Texto: Clara Faria Piçarra
Fotografia: Miguel Sacramento
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
PNETliteratura
ed
Começou hoje o site PNETliteratura. O que explica, pelo menos em parte, o silêncio aqui acumulado no Miniscente. Bastará abrir o novo site para perceber porquê.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Raveliana - 1
A respiração crepuscular.
Quando a transparência dos canais era
o olhar
de frente
feito de argila
a respirar
no fundo do rio.
Quando a transparência dos canais era
o olhar
de frente
feito de argila
a respirar
no fundo do rio.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Férias
De férias, ou melhor, entre dois períodos de férias. A própria ideia de férias é tão recente (e ocidental) quanto confusa: implicaria separar o que se entende por trabalho do que se possa entender por descanso. Na prática, toda a gente interioriza muito bem este tipo de separação, já que ela nasceu numa sociedade que se inventou a si própria atribuindo menos força à iniciativa do que à lógica do por conta de outrem. Mas as férias significam tudo menos inactividade. As férias são uma indústria e, ao mesmo tempo, uma ostensão. É nas férias que o gelo, parecendo derreter, se torna em iceberg: um imenso jogo de espelhos que, embora imaginando-se livre, acaba por encarnar a rotina e o mimo de um formigueiro.
sábado, 2 de agosto de 2008
Volta ao Mundo - 24
eFaz já em Setembro um ano que a Clara Piçarra e o Miguel Sacramento partiram para uma volta ao mundo. Foram para Ocidente e regressarão pelo Oriente. Do último continente percorrido, a África, chega-nos agora, não uma crónica, mas uma "respiração":
e"Primeira Respiração"
e
"Estou em África.
e
O ar é maior, enche-me o peito com uma força que me ultrapassa. Há uns dias, quando menos esperava, senti-me a descalçar. E andei. Andei com os pés dentro da terra, num passo arrastado, demorado, sem forma conhecida. Não sabia que podia entrar assim no mundo. O céu é maior…mas não nos esmaga. Preenche todos os espaços. É mais do que cor, mais do que uma ilusão. Há uns dias, quando menos esperava, deitei-me sem tecto. E ouvi. Cada estrela, cada cheiro. Descobri. Que aqui o céu tem… som.
e
Se eu fosse uma árvore era África. Ou um animal. Ou uma pedra. Era África. Seria o meu próprio início. Acho que é verdade."
eedsegunda-feira, 28 de julho de 2008
Inércias
e
Pois é, este sexto ano de Miniscente tem sido dominado pela inércia. Não é tanto a dificuldade em aqui vir, devido às muitas ocupações; é sobretudo o adiamento a que dou carta branca sempre que sinto inclinação mínima em postar. Não sei, mas deve ser mesmo falta de vontade de continuar a blogar. Ou não serão as férias, essa desejada e longínqua presa que me olha, ainda de longe, como um touro para um forcado?
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