sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Truman Capote

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Acabo de ler um romance caracterizado como "precoce" que, de facto, viria a ser escrito e rescrito pelo seu autor durante anos e anos, mas jamais publicado. Esse primeiríssimo texto romanesco de Truman Capote, iniciado em 1943, foi descoberto (no passeio!) pelo porteiro do prédio de Brooklyn que o escritor abandonaria mais de duas décadas depois. Travessia de Verão é o nome deste romance póstumo de Capote que a Dom Quixote fez aparecer entre nós na Primavera passada. Não tendo podido fazer a pré-publicação, devo, no entanto, referir que o material tem imenso vigor, alimentando-se, numa história simples mas particularmente eficaz, do impacto do imponderável. Sem recortes judicativos, uma menina da alta novaiorquina e um vigilante de um parque de estacionamento desafiam a fixidez do mundo e antecipam, no desenlace, a alquimia do "muro" criada por Paul Auster em A Música do Acaso através da figuração da Ponte Queensboro. A ler. E a reler.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Episódios e Meteoros - 45

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(crónica publicada desde hoje no Expresso Online)
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O Terreiro dos segredos
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As arcadas, a abertura do espaço, o arco da Regeneração e as colunas voltadas para o rio definem o equilíbrio e a geometria mais modelares que conheço numa Praça. Se há forma e corpo para uma ideia de Iluminismo, misturado ainda por cima com a perdição de uma beleza em suspenso, é aqui que a encontramos. Neste locus da ordem e da delicadeza de contornos que é a Praça do Comércio existe uma memória do antigo Terreiro que era avermelhado, cheio de varandas contíguas e desalinhadas, permeável apenas às marés, ao grande torreão do Paço e ao ímpeto mercantil da lendária Rua Nova.
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Depois precipitou-se a tragédia e, à ondulação irregular da Ribeira das Naus, sucedeu a nitidez, a definição e o rigor das formas. Ao centro da actual Praça, D. José I aspira à idealidade de um centro e, para sugerir essa demanda meio imaginária, o cavalo de bronze levanta, com imprevista leveza, uma das suas patas. Na Praça, entre a visível nuvem do comedimento, há muito mais sortilégios do que se possa supor. Desde os acenos em matéria de Ode do Café Martinho da Arcada até ao cais do Sul-Sudeste bordejam mistérios, vogas marítimas e maresias mitológicas. Para Cesário, o absurdo desejo de sofrer provém desta beleza por decantar, algo veneziana, cheia de mistérios, sempre a rorronar por baixo da pele de tanta aparente geometria.
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Desde a cadência bachiana dos arcos até à música silenciosa que de noite nos empresta o amarelado das luzes, vagueiam sigilos, silhuetas imersas pela vertigem pessoana, alaridos de paquete ou navio galgando o grande rio das Tágides. A Praça do Comércio é uma imensa história por contar. Ampla como um salão de baile sem fim, só dali se tornam visíveis os anjos de Ulisses, quando abrem as asas em direcção ao mais antigo dos impérios: o das obras imperfeitas. É o metro adiado, são estacas lamacentas, é o dinheiro perdido, são colunas apeadas e é a estação ferroviária deglutida pela voragem. Até quando?
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Sempre nos habituámos a ver os poetas prestar contas. Nem que tais contas fossem malditas, ou tão onerosas quanto o nosso desemprego pessoano: essa quase desistência que convida ao laxismo e à alarve aceitação de todas as pragas. Ao que nunca realmente nos habituámos foi a ter que saber, parcela a parcela, nome a nome, ministro a ministro, qual o destino do numerário. Quais as responsabilidades e quais os montantes. O episódio, relembremo-lo, teve lugar há mais de sete anos. Mais precisamente a 9 de Junho do ano 2000.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

A culpa

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Acabei hoje o breve e último romance de McEwan, Na Praia de Chesil (entre nós, como os anteriores, publicado pela Gradiva). Uma história de amor, uma geração, um percurso em fuga de si mesmo. A certa altura, já perto do final, em jeito de analepse, a mãe (Violet) da protagonista (Florence) interpela o protagonista (Edward), perguntando-lhe se "não seríamos (nós) sempre levados pela história e pelas nossas naturezas dominadas pela culpa, a sonhar com o aniquilamento?". A frase, curiosamente, encerra uma preocupação central de todos os livros de Agustina.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Livros a vir

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O segundo volume do meu Manual de Escrita Criativa sai já no início do próximo Outono (Publicações Europa-América). Trata-se do guião do "Nível Avançado" dos Laboratórios de Escrita Criativa que tenho regido no Instituto Camões. Igualmente na rentrée, a Magna Editora tomará em mãos a publicação de um ensaio que escrevi sobre a blogosfera: A Expressão na rede - o caso dos blogues. O livro tem como ponto partida a reflexão levada a cabo no Miniscente, em 2006, sob o título "O tom dos blogues".

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Trancas no portão! (act.)

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Um bando de idiotas invadiu uma propriedade e a coisa está a fazer notícia ao jeito de performance do Festival do Sudoeste. Eu que vou, muito em breve, plantar umas nogueiras transgénicas num terreno que tenho (algures) no Alentejo... tenho que me pôr a pau.
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P.S. - De facto, o Afonso merece que lhe seja sublinhado o "esforço"! (lincar tudo o que se escreveu sobre o assunto é, no mínimo, obra).

O belo monstro

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Sempre que a semana se inicia, confesso que sinto uma ausência. Das poucas que, de tão invisíveis, se tornam em ausências. O país ainda há-de lembrar-se de Vasco Pulido Valente. Não dele, porventura (nem tão-pouco o conheço pessoalmente), mas daquilo que o próprio vai radiografando nas suas preciosas crónicas. Geralmente, posts e crónicas apenas apostam no escárnio fácil; desta feita, deixem-me pôr a mesa com uma toalha nova. E justa.

Aristocracia

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Não vendi as minhas (poucas) acções, nem me senti aliviado com o regresso do senhor Camacho. Enfim, questões demasiado sérias para estar aqui a discutir em público.

domingo, 19 de agosto de 2007

Beer (act.)

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Excelente texto do Francisco hoje na Pública. Tema: a cerveja. Às vezes, é possível entrar nas biografias alheias tornando-as nossas. Que saudades daquele Bellevue Hotel! Parece que foi hoje.
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P.S. - por acaso, rematei a noite de ontem com uma ruiva ("Old Speckled Hen") com sabor a malte: uma paixão breve, amarga e levemente frutada como é próprio de uma Fine Ale.

Mengele em Paris

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E aqui pode ler-se a história de um estranho encontro, em Paris, com o chefe da polícia de São Paulo. É a minha crónica da passada semana (Expresso Online).

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

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Sete dias fora do país sem ter uma nota mínima do que nele se passará. Fantástico.