segunda-feira, 5 de março de 2007

Pré-publicação - 17

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João Miguel Fernandes Jorge, Jorge Pinheiro - oferenda esquecida, Campo das Letras, Porto, 2007.
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Pré-publicação:
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Um pintor, um signo. Signo que se desenvolve em dois sentidos: na totalidade da obra que está realizada e na que virá tomar lugar no dia próximo. Primeiro, a sensação de criar um objecto por onde perpassa o que é comum, o que vai sendo comum. Não que esses objectos do pintor estejam incluídos numa mesma classe, mas somente por estarem percorridos e se moverem sob um fundo inicial, despoletador de arte. Depois, como um conceito que se inicia num ponto fixo — de luz, de sombra ou de negro — e se expande e se desenvolve em pensamento; não de palavras, mas de organizadas cores modeladas.
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Signo, conceito, qualquer coisa para a qual não há nome exacto, de onde decorre uma espécie de doutrina, arguto campo visionário cujas séries — verdadeiras categorias — são, na pesquisa das suas oposições e diferenças, parte de uma certeira linguagem pictórica. Categorias (uso o termo aristotélico e, depois, também kantiano) que conservam no mais recôndito do seu íntimo um sinal, um signo, uma profunda marca talhada qual ferida, que sempre permanece como a característica de diversos tipos de proposições; isto é, de moduladas séries.
Na arte de Jorge Pinheiro, muitas vezes uma só pintura corresponde à vastidão englobante de uma série proposicional, pois coexiste consigo um corpo de desenhos. O qual, mais do que uma prévia via para encontrar a causa (e também morada) final — espécie de conceito metafísico carregado de imagens — é em si mesmo imagens que tentam explicar imagens e que se servem de figuras para explicar figuras. Trazem consigo um limite de realização última; coisa comum, quase sempre, senão sempre, ao óleo que corporiza as várias partes ou as categorias de um pensamento acerca de pensamentos corporizados numa pintura e nos estudos desenhados que, de um modo necessário, a ela conduziram.
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Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Magnólia, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.

Pré-publicação - 16


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Comunicação e Lusofonia - Para uma abordagem crítica da cultura e dos media. Moisés de Lemos Martins, Helena Sousa, Rosa Cabecinhas (eds.), CAMPO DAS LETRAS, EDITORES, S.A., Porto, 2007.
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Pré-publicação:
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"No dia 7 de Outubro de 2005, a Universidade do Minho, através do seu Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) e em articulação com o projecto Lusocom: Estudo das Políticas de Comunicação e Discursos no Espaço Lusófono, promoveu a I Conferência Internacional sobre Comunicação e Lusofonia.
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Este encontro reuniu investigadores de Angola, do Brasil, de Moçambique, de Portugal, de Timor-Leste e dos Estados Unidos da América. Maria Manuel Baptista, Luís Cunha, Regina Brito, Moisés de Lemos Martins, José Carlos Venâncio, Eduardo Namburete, Neusa Bastos, Benjamim Corte-Real, Joaquim Paulo da Conceição, Maria Immacolata Lopes, Benalva da Silva Vitório, Helena Sousa, Rosa Cabecinhas, César Bolaño e Joseph Straubhaar apresentaram então as suas comunicações que, a partir de hoje, temos também a oportunidade de ler.
A Conferência – que contou, na sua sessão inaugural, com a participação do Presidente da Federação Lusófona de Ciências da Comunicação, Paquete de Oliveira, e dos Reitores da Universidade do Minho e da Universidade Nacional de Timor-Leste, respectivamente António Guimarães Rodrigues e Benjamim Corte-real – desenrolou-se em três painéis plenários:
1. Lusofonia: Equívocos, Fronteiras e Possibilidades – neste painel, problematizou-se a Lusofonia, enquanto discurso e ‘cosa mentale’, e interrogou-
se a permanente reconstrução do conceito, bem como o papel da comunicação e dos media nessa reconfiguração.
2. Políticas da Língua e Identidade - num segundo momento de apresentação de comunicações e de debate, procurou-se aferir a relevância das políticas da língua no contexto do desenvolvimento de uma área cultural e comunicacional num mundo cada vez mais globalizado.
3. Os Media e a Memória Social - nesta última sessão, foram identificadas e debatidas algumas das principais estruturas de comunicação, nacionaise supranacionais, do Espaço Lusófono."
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Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Magnólia, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.

Rute Monteiro (act.)

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Logo, entre as 19h. e as 20h., na Prova Oral da Antena 3. Ver mais aqui.

domingo, 4 de março de 2007

Estão convidados!

Como alguns convites não terão chegado ao seu destino, deixo este em aberto para cada leitor que por aqui passar até depois de amanhã, dia 6 (no dia 13, no El Corte Inglés de Gaia, há mais. Desta feita com o João Pereira Coutinho):
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clicar aqui para aumentar
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E ainda a estreia de três curtas destinadas ao You Tube, baseadas em outros tantos excertos deste meu décimo romance:
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Ficha Técnica
Actores principais:
Rute Monteiro - Júlia Correia
Guilherme Moutinho - António Fonseca
Realização:
Teresa Maia Carmo
Produção:
RETINAZUL
Edição:
Ricardo Sant'Ana
Câmara:
Rodrigo Lobo
Figurantes:
Aníbal Tavares, Daniel Meira, Filipa Marcelino, Francisco Gouveia, Isabel Bezelga, Simão Salomão Carmo
Agradecimentos:
Guerra e Paz, Alberto Magalhães, Jean Campiche, Miguel van der Kellen
Patrocínio:
Frontino – Turismo S.A.
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Notícia do El Corte Inglés aqui

Grandes capas


sábado, 3 de março de 2007

Suave acordar

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Domingo, entre as 11 e o meio-dia, lá estarei à conversa com Pedro Rolo Duarte na Antena 1 (e tenho óptimos predecessores nesta causa: o João Gonçalves, o Paulo Pinto Mascarenhas, a Carla Quevedo, a Isabel Goulão, o Pedro Correia e o Paulo Gorjão, entre outros).

sexta-feira, 2 de março de 2007

Blogues e Meteoros - 19

O medo das antecipações ficcionais
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No Expresso Online desde hoje
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Há dias, numa entrevista, vi-me a dizer – gosto da visualidade da expressão – que “a literatura é a bricolage de uma loucura saudável”. Nesse trecho da entrevista, reflectia sobre a antecipação ficcional do meu último romance, E Deus Pegou-me Pela Cintura, que eu e o meu editor (Manuel Fonseca da Guerra & Paz) decidimos levar a cabo desde Janeiro passado.
A operação foi simples: criou-se um jornalista virtual (Olavo Aragão) que, no seu blogue (
Freelance), deu como real um facto do enredo do romance (o rapto no Líbano de uma jornalista, a protagonista Rute Monteiro). O alarme gerado pela fractura entre a realidade vivida e a realidade do romance fez o resto. Foi fascinante, depois, seguir e perceber o que se passou – não é possível aqui dar conta dos episódios –, sobretudo se pensarmos no mundo em que vivemos.
A verdade é que, nos tempos que correm, os Reality Shows são apenas uma pequeníssima parte da mistura entre ficção e a realidade que faz o nosso mundo. Aquilo que os teóricos da comunicação designam por “meta-ocorrência” mais não é do que a transformação nos media de ocorrências reais em autênticas efabulações que dão permanentemente a volta ao mundo. Ao fim e ao cabo, vivemos todos numa espécie de Vanilla Sky. O Leviatã comunicacional da actualidade (media, cibermundo, etc.) é herdeiro directo dos antigos mitos clássicos que habitavam, também eles, num limbo entre a ficção e o real.
Embora muita gente tenha compreendido a antecipação ficcional do meu romance, houve quem não aceitasse que a ficção literária também tem direito a misturar-se com a realidade e, portanto, a sair do espaço fechado entre capa e contracapa. No fundo, continuam a entender a literatura como uma coisa sacralizada e intocável e entendem o que designam por marketing como um bicho monstruoso que tem oitenta chifres e oito escamas bicudas no peito. Os meios que descendem do que já foram os “intelectuais” têm alergia a palavras como “publicidade” e “marketing”: faz parte de um genoma com história que os próprios raramente interrogam.
É natural que possam existir confluências entre uma antecipação ficcional e a organização de uma campanha de marketing. Mas são coisas muito diversas. Reato um exemplo que dei há poucos dias: é como confundir a publicidade da Lavazza ou do Martini com arte conceptual e confesse-se que, vistas de fora e de modo descomplexado, as realidades visuais aproximam-se imenso. É um jogo de aparências, tal como é todo o jogo de imagens em que globalmente vivemos.
E é neste jogo em que irremediavelmente a ficção e a realidade andam de mãos dadas que hoje em dia todos acabamos por compreender a “bricolage saudável” do dia a dia. Ou seja, quando em Janeiro se discutia o rapto da jornalista Rute Monteiro, já se estava a discutir a realidade de alguns capítulos do meu romance. Da mesma forma que, quando se discutem hoje os melhores portugueses de sempre, já se estão sobretudo a discutir as narrativas do nosso quotidiano. Uma forma de “loucura” legitimada? Não, isso é coisa só para a literatura!

Mini-entrevistas

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Continuam na próxima Quarta-feira, dia 7. As manhãs vão ser muito povoadas nos próximos dias.

Do enigma para o jogo

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Depois de Costa Pereira e de José Henrique: fazer o mito sair do enigma e torná-lo em corpo que sorri. Aplaude e diz adeus quem o entende. Adeus Bento!

quinta-feira, 1 de março de 2007

Mini-entrevistas/Série II – 139


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é David Luz, 34 anos, investigador em ciências planetárias (http://linha-dos-nodos.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Para ir além da definição - o conjunto de blogues públicos e livremente acessíveis - sugere-me um grupo muito heterogéneo de pessoas que escolheram tornar-se visíveis, ou "audíveis", se preferir.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum (seria o equivalente a seguir um acontecimento lendo apenas as colunas de opinião da imprensa, sem ler as notícias). Mas segui através de blogues vários acontecimentos que foram tratados secundária, ou tardiamente, na imprensa (como a crise das caricaturas), e outros - como as eleições brasileiras - segui em paralelo com a imprensa.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Deram-me a conhecer uma série de vozes que não tinham lugar na imprensa escrita, muitas delas de maior talento que alguns colaboradores habituais dos jornais, regulares, cinzentos, partidários, cansados. Além disso os blogues constituem um contrapeso refrescante à estreiteza de vistas e enviesamento presentes em muita imprensa (não por serem menos enviesados, mas pela variedade que aqui se encontra).
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Em geral, não. Para algumas pessoas que já são livres, sim, mas muito poucas. O critério é, como em quase tudo, o da independência. A individualidade implica contradição, e a maioria das pessoas não aprecia ver as suas ideias postas em questão. É muito fácil falar de temas sem qualquer impacto social, ou sobre os quais muito poucas pessoas tenham opiniões vincadas. Por isso o estado de espírito diário, as fotografias, as chamadas frivolidades, alguma cultura, as mini-ficções, são tão frequentes nos blogues. No extremo oposto, mas pelas mesmas razões, é muito fácil escolher um campo com muitos apoiantes e fazer militância por ele sem olhar a argumentos contrários. É o caso de certos blogues políticos. Mas quem emite opinião sobre temas políticos ou sociais não está livre de que ela seja usada contra si mais tarde. Para obviar a isso alguns bloggers assinam com pseudónimo ou apagam os arquivos. Não considero que seja realmente livre quem o faz. Por outro lado, acredito que as pessoas apreciam quem tem coragem de falar contra o seu campo quando é preciso, quem fala guiado por princípios, mais do que por interesses ou calculismos. Esta liberdade editorial existe, mas é pouco usada por ser muito volátil.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca, Patrícia Gomes da Silva, Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos, Batukada, Fernando Venâncio, Luís Aguiar-Conraria, Luís M. Jorge, Pitucha, Gabriel Silva, Masson, João Caetano Dias, Ana Luísa Silva, Ana Silva, Ana Clotilde Correia (aka Margot), Tomás Vasques, Ticcia Patrícia Antoniete, Maria João Eloy, André Azevedo Alves, Sílvia Chueire, André Moura e Cunha, Helder Bastos, José Bandeira, João Espinho, Henrique Raposo, Jorge Vaz Nande, João Melo, Diogo Vaz Pinto, Alice Morgado e Sérgio dos Santos, Adolfo Mesquita Nunes, João Paulo Sousa, Pedro Ludgero, João Tunes, Miguel Cardina, Paula Cordeiro, Edgar, André Azevedo Alves e Inês Amaral. Hoje: David Luz.