segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Para lembrar a cor do mar

futuros entrevistados do Miniscente no areal/BOS
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Talvez por ser hoje o dia da centésima "Mini-entrevista", já recebi 4 - sim quatro - mensagens acerca dos critérios que presidirão às mesmas (convite, ordenação, hierarquias, edição, etc.). Deixo aqui o melhor que já fui capaz de escrever sobre o tema, corria o dia 29 de Novembro de 2006. Adoro a maresia.

Mini-entrevistas/Série II – 100


LC
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O Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje - dia da centésima entrevista - o convidado é Carlos do Carmo Carapinha (http://contra-a-corrente.blogspot.com).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Não me diz nada. Nunca, aliás, falou comigo, nem eu com ela. Agora a sério: é, supostamente, a «comunidade» dos blogues.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Internacional: a guerra no Iraque.
Nacional: a guerra entre Carolina e Pinto da Costa.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O maior impacto foi a diminuição das horas de sono.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sim, embora, espero, cada blogger tenha os seus «condicionalismos», ditados pelo bom senso, pela educação, pelo pudor, etc.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira, Madalena Palma, Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca e Patrícia Gomes da Silva. Agenda para esta semana (15 a 20 de Janeiro): Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos e a Batukada.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Blogues e Meteoros - 13

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O guarda-chuva e o riso
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Lembro-me que o ano de 1970 constituiu para mim um anúncio exaltante. O número que baptizava o ano aparecia como um alinhamento insólito de algarismos. Jamais acreditei em milagres, mas a contagiante sonoridade do número setenta – longe estava eu ainda de conhecer a tradução dos Setenta – escalou pela minha imaginação como que a sugerir a iminência de uma metamorfose. Tudo por causa de um número nunca antes soletrado. A festa tinha lugar num vasto salão sobre o Tejo de Vila Nova da Barquinha, era o meu avô materno ainda vivo, um republicano que tinha sido Chefe das Finanças nos Alentejos, nas Beiras e também na baía de Lagos durante a guerra onde, dizia, passavam comboios de cruzadores, contratropedeiros, corvetas e muitas outras naus catrinetas sem fim na peugada das tropas do eixo.
Ao longo dos anos setenta, habituei-me à nova dicção, de início bem menos familiar que a do meu avô (que sublinhava os anos vivos do cinematógrafo até ao arco de penumbra dos anos trinta) e que a dos meus pais (que pairava nos males da guerra e também nos promissores fifities que me veriam nascer). Cada década acaba sempre por corresponder a uma escala musical que se esgota, ao insuflar de um balão que depois se esvazia, ou a um soufflé que se expande no forno até abrir brecha. Isso mesmo: uma brecha que não nos chega a preparar, como deve ser, para a década seguinte. Foi essa radical inércia que me fez sentir estrangeiro face ao número 70, tal como se anunciava, imperial, naquele eufórico fim de dia de 31 de Dezembro de 1969, estava eu ainda no sexto ano do Liceu.
Acontecer-me-ia, depois, algo parecido nos últimos dias de Dezembro de 79, de 89 e de 99. Mas com um impacto cada vez mais leve. O que, no início, era apenas falta de hábito converteu-se depois numa indiferença que se vestia de um repetido afã patético. Era sempre outro e outro réveillon que se limitava a citar a arte com que Bataille, um dia, tão bem caracterizou o riso (Experiênia interior, 1943 e O limite do útil, 1945): vinha o autor por uma rua e, sem qualquer necessidade, viu-se subitamente de guarda-chuva aberto. Era como se o "bem estar" e uma prodigiosa "sensação de impossibilidade" se juntassem e fizessem o riso tomar conta do corpo. E Bataille, concluía: Na altura, (eu) “não era na verdade senão o riso que me tomava”.
É assim que – com uma brevíssima pausa no meu blogue – acabei de entrar no ano de 2007: sem as histórias do meu avô, sem a imagem inaudita de um conjunto de algarismos por soletrar, mas tão-só com um imenso guarda-chuva aberto e a rir, a rir, a rir. Como se a inércia fosse afinal a mais comovente invenção das nossas vidas.

Petição contra as taxas do multibanco

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Eis aqui uma petição contra o aumento das taxas do multibanco que aí vem (cada levantamento vai passar a corresponder a uma taxa que pode ir até 1,50EUR!). Sem comentários e com a caneta aprumada e cheia de tinta:
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Obrigado, Clara!

Mini-entrevistas/Série II – 99


LC
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O Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Patrícia Gomes da Silva, jurista, 34 anos (www.abrotea.blogspot.com e www.almamater.blogger.com.br).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Tal como antes referi, é uma teia onde se pode encontrar palavras, raciocínios, sentimentos, opiniões sobre quase tudo.
É também um sinal de solidão, parece-me. Chega a ser uma contradição. Se por um lado chegamos a todo o lado, numa lógica de globalização, por outro estamos cada vez mais longe do que está próximo.
Custa-me pensar que se a blogosfera vem substituindo os convívios, as tertúlias, aqueles espaços onde antes se discutiam as questões interessantes e que eram importantes na consolidação dos conhecimentos e que contribuíam para que nos mantivéssemos de espírito aberto, atento e crítico.
Hoje, parece-me que são cada vez menos os momentos em que isso acontece. Talvez por falta (aparente) de tempo. Mas a tendência parece ser a de procurar, num acto solitário, as opiniões (solitárias também elas) dos outros na blogosfera. Não digo que seja errado. Apenas insuficiente. Perde-se a capacidade de contradizer. Perdem-se as pessoas.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nunca segui nenhum acontecimento através de blogues. Tenho sempre a necessidade de procurar informação onde me parece ser mais isenta. Claro que quem conta um conto, acrescenta um ponto. Mas tento sempre seguir os acontecimentos pela comunicação social, lendo vários jornais, ouvindo diversas rádios e tentando seguir os boletins informativos de todas as televisões portuguesas. Se estivermos a falar de uma acontecimento internacional, muitas das vezes procuro encontrar informação directamente na comunicação social estrangeira. Raramente procuro nos blogues essa informação por uma razão simples: raramente são isentos e imparciais. Aliás, por definição são mesmo subjectivos. São a voz parcial, opinativa dos seus autores. E, por isso, raramente os visito. A proliferação de blogues de opinião, de sujeitos que pensam discorrem sobre o mundo e os seus factos chega a ser algo muito irritante. Todos têm algo a dizer sobre tudo. Como se pudéssemos deixar pura e simplesmente de raciocinar sobre as coisas e apreender, tão só, os raciocínios dos outros. Isso é algo que me incomoda e que evito. Prefiro correr o risco de ter uma opinião errada, mas ser a minha. Corro conscientemente esse risco. Porque no fim, o mundo será aquilo que eu entendo dele e não apenas o que outros pensaram.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Curiosa como sou, assim que ouvi falar em blogs, procurei informação. Experimentei criar um, logo depois outro. Desde então tenho criado vários para as pessoas que conheço. Sou uma adepta, apesar do que escrevi acima ou talvez mesmo por isso. Escrever muitas vezes é como exorcizar medos, frustrações, fantasmas. Poder publicar o que se escreve, colocar as palavras à disposição dos outros, faz parte desse processo de me livrar do pensamento e do inconsciente. É um puro acto de egoísmo. Porque se sabe bem ser-se lido, receber comentários, críticas, o importante é poder dar (literalmente) o que está cá dentro e está a mais. Antes dos blogues, as palavras guardavam-se em papéis amarrotados, empilhados e esquecidos. Mas continuavam sendo só minhas. E por isso, vivas e incómodas. Desde que pude começar a publicar os meus textos, aconteceu que deixaram de ser minhas. E por isso de me afectar. Agora, pelos comentários e e-mails que recebo, constato que passaram a ser de outros. Há quem leia o que escrevo e passe a sentir como seu os sentimentos que descrevi. Por isso alimentar um blogue passou a ser um acto de egoísmo, porque de alívio.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sim, entendo a blogosfera uma forma de expressão editorialmente livre. Quando os blogues funcionam como uma extensão do pensamento de cada um, adquirem uma volatilidade natural, propria do pensamento. Imaginar que possam surgir limites exteriores parece-me absurdo mas...não começam eles já a surgir?
Mais do que lhe responder, apetece-me deixar-lhe a questão de saber se será razoável impor limitações à blogosfera que ultrapasssem a consciência individual de quem escreve!
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira e Madalena Palma. Agenda para esta semana (de 8 /1 a 13/1/07): Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca e Patrícia Gomes da Silva.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

O presságio de um fim

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A reportagem que ontem passou na 2 foi elucidativa e disse em voz alta o que muitos pensam mas não dizem, apesar de acreditarem que existe um novo tipo de guerra no mundo desde o 09/11. Nem sempre a televisão é uma caixa de passatempos inúteis, como se vê.
Ainda que seja sempre melhor sem Saddam, não deixa de ser evidente que o Iraque de hoje é um campo de guerra em que ninguém confia em ninguém: um monte de pó entre muros, alvenarias e cabanas; um grande mar de casas esburacadas e palmeiras onde vive um povo traumatizado, dividido, em guerra civil, sem qualquer segurança e permanentemente exposto ao ritmo das explosões, dos ataques inesperados, dos fanatismos religiosos e dos apetites dos terroristas.
A incompreensão entre culturas, o artificialismo das fronteiras, os desígnios cruzados, as pequenas vinganças, o cansaço político e as expectativas baixíssimas não auguram nada de bom. Qualquer pessoa com os pés na terra, ou seja, não alimentada pela doença infantil do anti-americanismo, pode constatar que este Iraque dificilmente evitará um destino no limiar do trágico.
Basta conhecer um pouco da história da região - desde o início do califado Abássida até ao advento Seldjúcida e depois Otomano, desaguando nas turbulências do século XX - para perceber que a ideia e a prática da democracia, tal como a entendemos, é algo que não está propriamente sujeito a uma espécie de Export-Import. As teocracias e as administrações de ferro sempre constituíram, no Iraque, os ecos reais do poder.
As últimas medidas anunciadas por Bush dificilmente deixarão de ser entendidas como denunciadas e até defensivas, na medida em que preparam o fim do mandato aumentando o ruído da voz de comando, radicalizam o caminho (fortemente minado) que conduz à futura campanha eleitoral e deixam assim a verdadeira “batata quente” ao sabor dos votos e dos imponderáveis do Outono de 2008.
Não sei se a expressão “fuga para a frente” se aplicará bem neste contexto, mas como
Andrew Sullivan referiu, os esforços anunciados por Bush poderão já ser tardios: “The only way it will work if we have the means to take on the Mahdi army and the Shia extremists with Maliki's backing and force the government to be more open to the Sunnis (something many of us doubt)”. Isto é: como um porta-aviões, que ninguém ousa baptizar com o nome de Teseu, perdido dentro do fio de Ariadne e à procura de uma saída francamente improvável.

As Mini-entrevistas da próxima semana

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Na próxima semana, que se iniciará com a centésima entrevista, entrarão em cena, de segunda a sexta (15 a 20 de Janeiro), respectivamente: Carlos do Carmo Carapinha, Ricardo Gross, Maria do Rosário Fardilha, Mostrengo Adamastor, Sérgio Lavos e a Batukada.
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(agora a sério, já repararam na indecência do Hiperscente?)

Mini-entrevistas/Série II – 98


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é José Manuel Fonseca ("Anarca constipado": http://kropotkine.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
O espaço de entropia crescente que permitirá a emergência de milhões de Eduardos Prados Coelho até ao delírio final em que ninguém poderá ler mais ninguém porque estará tudo a curar uma ferida de Narciso do tamanho da nebulosa de Andrómeda, até lá, é um espaço de democracia sem paralelo...
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Talvez o período ímpar da História portuguesa em que tivemos o Santana Lopes como Primeiro.... eçe períudu foi absolutamente imperdível e só que estava vivo neça altura poderá avaliar a criatividade da blogosfera e a saudável loucura e humor que por aqui andavam.... dificilmente se repetirá um período tão delicioso....
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Horas a fio passadas para além do razoável a ler e escrever patetices....
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Por vezes talvez livre até à irresponsabilidade ou mesmo à cobardia soez....mas enfim.... num país tão comodista e conformado é sem dúvida um espaço magnificamente livre.
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Entrevistas anteriores (apenas a Série II): Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira, Leandro Gejfinbein, Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca, Tiago Mendes, Nuno Miguel Guedes, Miguel Vale de Almeida, Pedro Magalhães, Eduardo Nogueira Pinto, Teresa Castro (Tati), Rogério Santos, Lauro António, Isabela, Luis Mourão, bloggers do Escola de Lavores, Bernardo Pires de Lima, Pedro Fonseca, Luís Novaes Tito e Carlos Manuel Castro, João Aldeia, João Paulo Meneses, Américo de Sousa, Carlota, João Morgado Fernandes, José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira e Madalena Palma. Agenda para esta semana (de 8 /1 a 13/1/07): Carla Quevedo, Pedro Lomba, Luís Miguel Dias, Leonel Vicente, José Manuel Fonseca e Patrícia Gomes da Silva.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007