quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

CONCURSO ANO NOVO - 14


O Rapto das Sabinas, Picasso, MDA
e
OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
e
Modos de esquecer o passado: “E Deus escolheu o verbo pegar.”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
e
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Medalha de ouro

e
Já todos sabíamos que a “marca” é a percepção que as pessoas têm de um produto, serviço, empresa, ou até mesmo de uma pessoa. No entanto, para que a marca exista, é preciso, em primeiro lugar, colocá-la na mente das pessoas. É a esse processo que, tecnicamente, se chama “posicionamento”. Acontece que Ramos Horta deu ontem uma lição aos gurus e teóricos da publicidade sobre como posicionar. Qual Al Ries ou Laura Ries, qual Edward Bono, qual Floch ou Ugo Volli, qual quê! Fazer de Laden um irmão e filho do criador supera de longe a melhor Benetton dos anos 90. É deste modo inovador que, a poucos dias do final do ano, Ramos Horta acaba de ganhar a medalha de ouro de publicidade - 2006. Chapeau.

As próximas mini-entrevistas

e
A partir da próxima Terça-feira, dia 2 de Janeiro, as Mini-entrevistas do Miniscente vão continuar.
e
Abrem a primeira semana do ano de 2007 os seguintes bloggers: José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira e Madalena Palma.

CONCURSO ANO NOVO - 13


O Rapto das Sabinas, Rubens, BAU
e
OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
e
Talvez um romance: “E Deus pegou na cintura da mulher desaparecida.”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
e
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Os meus romances deste ano

e
Esta resenha vale o que vale, porque – geralmente – só consigo ler romances quando não estou a escrever e, sobretudo, se estou em férias das actividades ensaísticas (esse espaço que torna o mundo numa fantasia desprevenida). Seja como for, há romances que este ano me ficaram na pele – nem todos de 2006 – e há romances que este ano não consegui devorar (ou em que não consegui sequer entrar). Façamos, pois, o breve percurso.
O último Houellebecq tocou-me bastante e fez-me sonhar com um futuro ensaio sobre o território pós-humano. Creio que o génio do bretão reside em descarnar a ferida com um realismo e com um vitalismo extremamente actuais. Como curiosidade de uma certa relação com o corpo, não esqueço o facto de a tradutora, Isabel Aubyn, ter preferido sistematicamente, ao longo deste romance de Houellebecq, A Possibilidade de uma Ilha, o verbo “menear” e o substantivo “felação”, respectivamente, a “abanar” (a cabeça) e a “broche” (no sítio do costume).
Em segundo lugar, relevo O Mar do irlandês John Banville. Um bom livro, simples, mas de narração agilíssima. A história coloca em cena um protagonista claramente derrotado pelo objecto da sua própria memória. Como se as lembranças que se acamam no romance desarmassem o narrador face ao narrado: uma melancolia filha da desistência e não tanto do brilho ácido de um pranto (à Houellebecq, por exemplo) que saberia bem acompanhar. Seja como for, há poucos livros em que a poética da minúcia e um realismo solto e até mordaz acasalem de modo tão sereno.
Shalimar O Palhaço de Salman Rushdie é, com toda a certeza, um dos grandes livros do ano. Depois de o ler, voltei a concordar com quem afirma que apenas a imensa cobardia do Ocidente afasta Rushdie do Nobel. Nada mais. A entrada do romance reivindica o literário (a altivez adjectiva, o imperativo descritivo dos personagens, as interessantíssimas espirais narrativas, etc.) sem o dizer. É possível que as deambulações nos conduzam - aqui e ali - a uma certa exaustão, mas o modo como o desenlace é trabalhado desde o início, a par das pequenas-grandes sagas do terrorismo das últimas décadas, superam esses acenos de fôlego.
Outro romance que li de rajada, e que coloca como personagem principal o grande Fiodor, foi O Mestre de Petersburgo de J.M. Coetzee. Camus poderia ter escrito um outro Mito de Sísifo, se tivesse lido este livro. Tudo porque, no final do capítulo 9, Fiodor responde à filha da anfitriã do seguinte modo: "Ninguém se mata, Matriosha. Uma pessoa pode pôr a vida em perigo, mas não se pode verdadeiramente matar" (...) ou seja: "pergunta a Deus: Salvar-me-ás?; e Deus - neste caso - deu-lhe uma resposta. Deus disse: Não. Deus disse: Morre". No fundo, mesmo no suicídio, existe um espaço de possibilidades que se situa entre a situação de risco criada e a natureza, ainda que bizarra, de uma gratidão que se identifica com o próprio desfecho.
e
e
De raiz bem diversa, O Fardo do Amor de Ian McEwan foi outra história excelente a que me entreguei em 2006, embora, deva confessar-se, já conte uns bons nove anos de vida. Os méritos do romance advêm da arquitectura do plot e da engrenagem ficcional que faz revolutear factos e situações inauditas. Tudo começa com um incidente puro e duro de onde depois emerge a força dos mal-entendidos e a singular inverosimilhança de um psicopata. Talvez o desenlace pudesse acusar uma toada um pouco mais abismada, ou tão-só inesperada.
Por fim, um Kundera que sempre me passou ao lado: A Ignorância (de 2000). Trata-se de um romance que toca todos aqueles que repartiram a sua vida por diversos lugares (o leitmotiv põe em jogo dois checos que, depois do fim do comunismo, procuram em vão a mitologia do Nostos, ou seja, da cruel miragem de um regresso dourado).
No lado negativo das minhas leituras romanescas, sublinho A Conspiração contra a América de Roth que li no início do ano. É o exemplo de uma grande ideia que depois não luz. Li-o e apaguei-o quase ao mesmo tempo. Também o romance biográfico Autor, Autor de David Lodge me cansou, embora por outras razões de que destacaria a aridez da linguagem e pesaroso tom ‘estilo Família Bellamy’.
De lado, semana após semana, foi ficando – na companhia de muitos outros, e se calhar injustamente – Donna Tartt. A ela voltarei, logo que puder.

CONCURSO ANO NOVO - 12


O Rapto das Sabinas, Carolum Collardum, BND
e
OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
e
Sem perceber a lógica da coisa, teria dito: “Pegou-me e provavelmente evitou o pior.”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
r
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)
e
Passadas 12 edições do CONCURSO ANO NOVO, restam-nos agora 11. Passámos a metade e é, portanto, altura de relembrar as frases já apresentadas (não esquecer que o objectivo do concurso é construir uma única frase a partir das várias frases que têm sido - e que continuão a ser - aqui apresentadas; como ajuda para desvendar a lógica e o nexo deste concurso, clicar AQUI):
e
1 - Palavras que deve pronunciar esta semana: “Deus”, “escolha” e “cintura.”
2 - Verbos a evitar esta semana: “Pegar, colocar e agarrar.”
3 - Início de frase complicadas: “E Deus cumpriu o prometido.”
4 - Fim de frase a utilizar muitas vezes: “E pousou a mão na minha cintura.”
5 - Raciocínios estimulantes: “Pegou-me por baixo e sussurrou já não sei o quê.”
6 - A pronunciar em voz baixa: “E Deus pegou na coisa desejada.”
7 - Palavras a repetir às duas da manhã: “E Deus pegou na vela já acesa.”
8 - Frase a segredar em voz baixa: “Fê-lo com cuidado como se fosse pela cintura.”
9 - À vista desarmada: “A curva do rio parecia a cintura da jornalista.”
10 - Título de livro: “E Deus pegou-me pela alma.”
11 - Associação mental muito rápida: “E se a alma fosse parte do corpo?”
12 - Sem perceber a lógica da coisa, teria dito: “Pegou-me e provavelmente evitou o pior.”

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

CONCURSO ANO NOVO - 11


O Rapto das Sabinas, John Leech, WPD
e
OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
e
Associação mental muito rápida: “E se a alma fosse parte do corpo?”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
r
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)

domingo, 24 de dezembro de 2006

Pré-publicações - 10

e
José Barbosa Machado (ed.), História do mui nobre Vespasiano imperador de Roma, 2ª ed. revista e ampliada. Edições Vercial, Janeiro de 2007.
e
Pré-publicação:
e
"De como desesperou el-rei Arquileu e chantou a espada pelo coração. Capítulo .xxii.
e
E quando el-rei Arquileu viu que o imperador não no queria tomar em sua mercê, e viu que havia de entrar na cidade onde morriam de fome, assanhou-se consigo mesmo e diante de todos se desceu do cavalo e desarmou-se e tirou a espada. E como a tirou, disse: «Já a Deus não prazerá que eu vivo me ponha em vosso poder, nem em vossas mãos, nem tome cousa que a mim seja desonra.» E meteu a ponta da espada pelo meio do coração e deixou-se cair em cima dela e passou-lhe às espáduas e logo caiu morto em terra. E quando Pilatos viu que el-rei Arquileu era morto, foi mui triste e irado, e meteu-se na cidade sem pedir licença ao imperador, e ali fez grão dó pela morte del-rei Arquileu. E ao outro dia pela manhã, Pilatos fez ajuntar tôdolos cavaleiros da cidade e fez ali vir a José Jafaria e Barrabás seu mestre-sala por tomar seu conselho, e disse: «Senhores, bem vedes vós que nós não nos podemos ter [contra] o imperador, que Deus nos tem esquecido, e nenhumas viandas não temos nesta cidade, por[que] nunca tal tribulação foi e nenhuma [cidade] tal como esta.» E respondeu José e disse: «Senhor, em isto outro conselho vos não pode homem dar, pois o imperador não vos toma em sua mercê. E, senhor, deu-vos mau conselho aquele que vos disse que contra o imperador fôsseis, que bem podeis ver que contra o imperador vós não éreis igual, mas demandai-o àquele que mau conselho vos deu.» E disse Pilatos: «Isso não farei eu, mas façamos assim: aqui na cidade há aí muito tesouro e grande, de ouro e de prata e de pedras preciosas. E o imperador e as suas gentes cuidam de o haver todo. Mas não haverão nenhuma cousa. Pelo qual mando que o ouro e a prata seja limado e as pedras preciosas sejam moídas, e daquilo seja feita pólvora. E seja assim repartido, que tanto seja dado ao rico como ao pobre, e cada um coma dele sua parte. E o imperador nem tôdolos outros inimigos não no haverão.» E logo foi feito. E dês que foi tudo comesto, vieram diante de Pilatos e disseram: «Senhor, feito temos teu mandado; manda o que façamos.» E quando Pilatos isto ouviu, começou mui fortemente de chorar, e disse diante de todos: «Senhores, vós outros me estabelecestes que fosse governador. Bem sabeis todos que da primeira eu era adiantado do honrado César Augusto, imperador de Roma, ao qual fazia certo tributo e o tinha por senhor e vós outros todos. E agora, por mau conselho, alcei-me contra Vespasiano seu filho, donde por este pecado e pela traição que foi feita e consentida na morte daquele santo profeta, que bem vos deve lembrar que tais sinais fez no dia em que morreu, e antes que morresse disse pela sua boca no dia de Ramos todos estes males que agora são, não são cumpridos, mas creio que ainda se cumprirão; que já parece cada dia, pois eu não creio que possa escapar de morte. Vós outros porventura escapareis; rogo-vos por Deus que me queirais perdoar se porventura a algum de vós outros fiz algum nojo.» E os cavaleiros e o povo, quando ouviram estas palavras, foram muito turvados, em tal guisa que nenhum não pôde falar nem responder, tão fortemente choravam que sabiam que haviam de ser todos destruídos. E Pilatos disse: «Barões, outro conselho eu não vejo nem vos posso dar, senão que nos demos ao imperador e estejamos à sua mercê, que porventura alguns escaparão, que melhor é que morrermos todos de fome.» E todos tiveram por bom o conselho de Pilatos, e disseram que melhor seria estar à mercê do imperador que morrer de fome. E ao outro dia Pilatos e tôdolos outros pela manhã saíram fora da cidade e foram à vala que estava derredor do muro. E Tito andava cavalgando com muitos cavaleiros, e Pilatos fez-lhe seus sinais com as luvas que trazia nas mãos. E quando Tito o viu, veio com seus cavaleiros adiante onde Pilatos o viu. E Pilatos começou a dizer a Tito: «Senhor, seja vossa mercê que rogueis ao imperador, vosso padre e meu senhor, que haja mercê de mim e de todo este povo, e não pareis mentes às nossas maldades.» E isto lhe dizia chorando fortemente. E Tito enviou dous cavaleiros ao imperador que lhe dissessem as palavras em que Pilatos estava com ele. E quando o imperador ouviu isto, fez armar dous cavaleiros e cavalgou e veio onde estava Tito seu filho. E começou Tito a dizer ao imperador: «Senhor, sabei que Pilatos vos quer entregar a cidade com condição que o filheis em vossa mercê.» E o imperador lhe respondeu: «Filho, não é agora tempo de pedir mercê, que o faz porque não pode mais fazer.» E o imperador olhou mentes que fazia Pilatos e disse-lhe isto: «Se tu me quiseres entregar a cidade com todos os Judeus que dentro são para fazer nossas vontades, eu a tomarei. E digo-te que tão pouco haverei mercê de ti nem dos outros, como vós houvestes do santo profeta Jesus Cristo, o qual vós outros acusastes falsamente à morte, e os maus Judeus o enclavaram na cruz, pelo qual vos digo que já mercê não achareis em mim.» E quando Pilatos isto ouviu, foi mui triste ele e tôdolos outros, e disse ao imperador: «Senhor, tomai a cidade e tudo quanto em ela está e seja vossa mercê feita à vossa vontade.» Quando o imperador viu que de todo em todo Pilatos se punha em seu poder, fez cercar as valas derredor por que nenhum judeu não pudesse sair. E mandou entrar até quatro mil cavaleiros na cidade, e mandou-lhes que cerrassem as portas todas, e que nenhum judeu não deixassem sair nem outras cousas. E então Pilatos se tornou e tôdolos outros à cidade. E Tito entrou na cidade com grande cavalaria e entraram com ele Jacob e Jafel por ordenar a cavalaria, que era mui grande. E Tito tomou Pilatos pela barba e encomendou-o a dez cavaleiros que o guardassem mui bem. E Jacob tomou a José Jafaria e Jafel, e porque era bom cavaleiro, foi tomar Barrabás, mestre-sala de Pilatos. E dês que tudo isto foi feito, o imperador entrou em Jerusalém e mandou que todos os Judeus fossem presos e bem atados, e que logo os trouxessem diante dele, e logo foi feito, e disse às suas gentes: «Pois que a cidade é em nosso poder, nós queremos fazer almoeda dos Judeus que estão aqui. Como eles venderam ao santo profeta Jesus Cristo, o qual é saúde da nossa enfermidade, assim como o venderam por trinta dinheiros, nós queremos vender trinta Judeus por um dinheiro. Quem quiser mercar, merque por um dinheiro.» E então veio um cavaleiro e disse ao imperador: «Senhor, eu tomarei um dinheiro se vos aprouver.» E o imperador mandou que lhe dessem antre homens e mulheres e crianças trinta por um dinheiro. Mas foi ventura de um cavaleiro que houve todos os Judeus que eram grandes e valentes. E dês que os tinha recebidos, levou-os à sua tenda. E depois que os teve aí, deu com a sua espada um golpe pelo ventre e matou um judeu e logo caiu em terra morto. E ao tirar da espada, saiu do ventre do judeu ouro e prata. E o cavaleiro ficou muito maravilhado do que viu, e tomou adeparte um dos outros Judeus que lhe pareceu mais velho e disse-lhe: «Dize-me tu que será isto, que eu nunca vi em corpo de homem morto, judeu nem doutra pessoa, que saísse ouro nem prata senão deste.» E o judeu disse: «Senhor, se tu me segurares a vida, eu to direi.» E o cavaleiro segurou ao judeu de morte, e o judeu contou-lhe como lhes mandara Pilatos comer todo o tesouro que estava na cidade e as pedras preciosas, por que o imperador nem a sua gente não no houvessem nem se servissem dele. «E esta é a razão porque tu achaste no corpo deste judeu morto ouro e prata. E saberás que tanto dava de comer ao pobre como ao rico.» E quando o cavaleiro soube isto, mandou a dois escudeiros que matassem os vinte e oito Judeus e que não tocassem naquele judeu que tinha seguro, mas que o guardassem bem. E dês que os vinte e oito Judeus foram mortos, mandou-os abrir pelo ventre e tiraram tanto de ouro e prata que foi maravilha. E logo foi sabido por toda a hoste do imperador que os Judeus estavam cheios em seus corpos de ouro e prata, porque todo o tesouro da cidade tinham comido. E vereis vir cavaleiros e outras pessoas muitas correndo à cidade para mercar dos Judeus e cada um dizia: «Senhor, vende-nos sequer um por um dinheiro.» E cada um tanto que os tinha mercados, matavam-nos por tirar o tesouro que tinham. E daí a poucas horas se ajuntou tanta gente que era sem conto, e havia maior pressa naquilo que parecia taverna de bom vinho, ainda que o dessem de graça. E cada um, assim como o mercava, assim o matava por tirar deles o tesouro. Mas por muito mau houveram o conselho de Pilatos, porque lhes fez comer o tesouro, que muitos escaparam da morte e por esta razão morreram. E quando o imperador viu a grão pressa dos mercadores, mandou que dali adiante não vendessem mais até que soubessem quantos deles haviam de vender. E o seu mestre-sala os fez contar e, dês que foram contados, disseram ao imperador: «Senhor, sabede que antre homens e mulheres e criaturas são os que ficam por vender cento e oitenta, que valem seis dinheiros, tantos vos sobejam e mais não.» «Pois – disse o imperador –, não vendam mais; fiquem estes, porque a paixão do filho de Deus seja relembrada melhor, e porque em todo tempo as gentes que virem chamem traidores, porque mataram o santo profeta Jesus Cristo; assim como eles deram ao senhor maior por trinta dinheiros, bem assim tenho dado trinta Judeus por um dinheiro. E estes Judeus que ficam sejam para mim e guardai-os bem.» E cumprida foi a ocasião do povo naqueles que foram vendidos trinta Judeus por um dinheiro. E foram os vendidos por conta quarenta mil pessoas ao menos de quantos jaziam mortos e esquartejados pela cidade, que não podiam andar senão sobre mortos. Mas dês que tudo isso foi feito, o imperador mandou que todos os mortos fossem enterrados, porque, enquanto estivessem na cidade, não houvesse aí fedor. E logo foi feito, porque as gentes o tinham na vontade; e cada um fazia quanto podia."
ee
Actualização das editoras que integram o projecto de pré-publicações do Miniscente: A Esfera das Letras, Antígona, Ariadne, Bizâncio, Campo das Letras, Colibri, Guerra e Paz, Magna Editora, Magnólia, Mareantes, Publicações Europa-América, Quasi, Presença e Vercial.

CONCURSO ANO NOVO - 10


O Rapto das Sabinas, Nicolas Poussin, REA
e
OBJECTIVO: CONSTRUIR A FRASE CERTA A PARTIR DAS VÁRIAS INSTRUÇÕES com esta cor QUE VÃO SENDO DADAS ATÉ AO DIA DE REIS (SÁBADO, DIA 06/01/07).
e
Título de livro: “E Deus pegou-me pela alma.”
e
PRÉMIO: TRÊS LIVROS (DISPONÍVEIS) DO AUTOR DO MINISCENTE ESCOLHIDOS PELO PRÓPRIO VENCEDOR (AQUELE QUE DESCOBRIR A FRASE EM PRIMEIRO LUGAR ).
r
(este concurso tem a duração de 23 dias: de 15 de Dezembro de 2006 a 6 de Janeiro de 2007 – respostas permanentes para luis.carmelo@sapo.pt)

sábado, 23 de dezembro de 2006

Votos de Bom Natal

e
Na próxima semana útil (de Terça-feira, dia 2/1/07, ao sábado, dia 6/1/07), as mini-entrevistas a publicar no Miniscente serão as seguintes: José Pacheco Pereira, Pedro Sette Câmara, Rui Bebiano, António Balbino Caldeira e Madalena Palma.
ee
Tal como as mini-entrevistas, que descansam a partir de hoje, também a rubrica de pré-publicações cumpre uma breve pausa, embora se reinicie - e com grande caudal - já no início de Janeiro.
e
O "Concurso de Ano Novo", esse, fica no ar ao longo de toda a Quadra.
e
Aproveito para vos desejar um bom Natal!