sábado, 25 de novembro de 2006

Soi-même comme un autre

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"Se eu pudesse fazer constelações juntava o Abrupto, A Origem das Espécies e o Miniscente. São estrelas solares."
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Mini-entrevistas/Série II – 64


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Leandro Gejfinbein, gaúcho de Porto Alegre mas habitando o Rio de Janeiro, 28 anos. Publicitário, especialista em Psicologia na Comunicação. Arquiteto de informação e analista de produto na Globo.com. Co-criador da Verbeat.org.
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
A blogosfera é primeiro um espaço. E não importa aqui defini-lo em relação à sua virtualidade ou realidade. É um espaço, como qualquer outro que pode ser - mesmo que vagamente - identificado a partir de características comuns. Nesse espaço indivíduos são convidados a agir socialmente, como são em uma praça, em casa, na grande mídia, no trabalho. E é aí que está a importância do fenômeno pelo menos desde o início até seu momento atual: blogs conseguiram constituir um novo espaço, a blogosfera. Pois tudo que permeia os blogs, de alguma forma, já existia antes deles virarem uma "revolução" (com reservas a essa palavra). Já havia a tecnologia, o meio (Internet) e indivíduos engajados na tarefa de produzir e distribuir conteúdo e em consumir esse tipo de conteúdo, a ponto de criarem redes em torno disso. Sem dúvida que a evolução tecnológica e a oferta de um serviço extremamente simples para se fazer tudo isso, cujo crédito da popularidade se deve ao Blogger, foi fundamental, mas o suporte - a ferramenta blog - teria ficado restrita a exatamente ser uma mera ferramenta entre tantas outras da era da informação, não fosse ter se constituído, junto com os indivíduos e toda a simbologia criada, num espaço. Além de um espaço, "blogosfera" pra mim é também o movimento a que tudo isso está relacionado. Um movimento, possível a partir da constituição desse espaço, cujos efeitos ainda não sabemos quais são. Espaço e movimento; blogosfera é isso. E a partir dessa definição, também arrisco dizer que estamos agora num momento em que a "blogosfera" já está envelhecendo, como quase tudo que é essencialmente próprio da nossa contemporaneidade, na medida em que os blogs, seus mais importantes atores e as ferramentas de agir desses atores - que a formação de uma blogosfera deu a devida importância e expressão - atravessam seu espaço e movimento e unem-se a outros espaços e movimentos - velhos ou novos - no meio social. Aliás, falo isso carregado de uma certa melancolia.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
No Brasil, cito dois exemplos que considero essencias para ilustrar como de fato houve inserção e reconhecimento dos blogs ou da blogosfera como fenômeno, ou pelo menos como detentores de uma identidade: - ei, sou alguém e existo. O primeiro é do blog que surgiu no auge dos escândalos de corrupção do primeiro governo Lula - Vizinho do Roberto Jefferson -, mantido por, de fato, um vizinho do ex-deputado federal em Brasília. Ele simplesmente narrava o que podia ser visto ou flagrado na sua condição de vizinho do homem que iniciou toda essa confusão. É uma divertida amostra do potencial dos blogs como jornalismo cidadão, com a abordagem que for. O segundo exemplo é recente e também envolve a política brasileira. Numa atitude infeliz, o senador José Sarney ingressou na justiça contra uma jornalista que publicou no seu blog uma fotografia de uma pichação. A ilustração - que não era de sua autoria - repudiava o ex-presidente em relação à sua tentativa de reeleição para o senado. O caso tomou proporções gigantescas, especialmente numa discussão que se formou em torno da liberdade de expressão que se espalhou pela "blogosfera", numa campanha contra à atitude do político. O rebuliço foi tanto, que o barulho chegou à grande mídia.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Acho que os blogs tomaram tal proporção na minha vida pessoal nos últimos anos que fica difícil até mesmo identificar claramente onde ou como isso se deu. Blogs, e tudo que eles são e representam ou representaram, tomaram de assalto boa parte de tudo que sou, represento e que me representa. A partir da criação da Verbeat e ter feito deste o maior projeto pessoal - que não os institucionalizados -, acabei me inserindo por completo nesse espaço e nesse movimento que a blogosfera representa. E, independente do sucesso ou não da Verbeat Blogs nesse sentido, como projeto, foi indiscutivelmente bem sucedido o sujeito Leandro nessa experiência em relação a si mesmo. Meu pensamento, direções, significados, todos foram em maior ou menor intensidade modificados por isso e, obviamente, com conseqüências nos objetivos de vida, relações pessoais e trabalho.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Tecnicamente, sim, porque é um suporte para expressão que não depende de intermediários entre a criação do autor e a publicação/finalização; conquista, aliás, que precisamos lutar para preservar. Entretanto, acredito que existam tantos aspectos envolvidos no pleno gozo de uma "liberdade" em relação aos blogs e à blogosfera (como ferramenta, espaço e movimento) e também aspectos mais íntimos das relações que as pessoas que mantêm blogs têm com leitores, referências e consigo mesmo, que sou levado a crer que, na verdade, não: não é uma forma de expressão editorialmente livre porque a técnica livre não pressupõe a liberdade de quem a utiliza.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins, Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres, José Pedro Pereira, Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira e Leandro Gejfinbein. Agenda da próxima semana (27/11/06 a 2/12/06): Isabel Goulão, Lutz Bruckelmann, Jorge Melícias, Carlos Albino, Rodrigo Adão da Fonseca e Tiago Mendes.

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

O velhinho D66

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Quando vivia na Holanda - e foram dez anos - votava sempre no D66 (era um curioso compromisso liberal-social com tons algo exóticos). Agora, nas legislativas, imagine-se que o pobre do partido só conseguiu três deputados (entre 150). Que falta que eu lá faço!

Mini-entrevistas/Série II – 63


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Daniel Oliveira, colunista (http://arrastao.weblog.com.pt/).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Um espaço democrático de produção de informação, opinião ou criação artística sem mediação. Isso parece assustar alguns dos que, usando este espaço, se sentem desconfortáveis com o ruído indistinto e não certificado pelas instâncias de legitimação política e cultural. A mim agrada-me, mesmo quando não gosto do que leio. A blogosfera representa a democratização da produção de conteúdos e uma capacidade extraordinária de romper bloqueios e hegemonias. Milhares de pessoas produzem e consomem informação sem ter de a transformar em mercadoria. Nesse sentido, como já escrevi em tom um pouco irónico, a blogosfera, ou que lhe suceder, é o que para mim mais se assemelha à minha ideia de socialismo. Sem senhas de racionamento ou nomenclatura.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
A guerra do Iraque e a polémica em torno dos cartoons dinamarqueses. Uma das coisas boas da blogosfera nacional foi ter provado que há público para o debate sobre assuntos internacionais. Que Portugal não tem de viver deprimido na claustrofobia provinciana do debate caseiro. Que não falta gente que veja para lá dos limites da aldeia.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Através do Barnabé comecei a escrever no “Expresso”. Conheci gente com a qual não me cruzaria noutras circunstâncias. E tomou horas infinitas do meu tempo. Expôs-me também. Por vezes demais. Transformando-me numa personagem, o que nem sempre me agrada.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Pelo menos é a forma mais livre que temos hoje. E isso tem tido, nos Estados Unidos, na Europa e nas ditaduras islâmicas, um impacto extraordinário. Será seguramente limitado no seu público e vai ser industrializado, como é normal que aconteça. Mas o espaço foi criado e outros lhe sucederão. Confesso que sou muito optimista, nesta matéria.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira. Agenda desta semana (20/11 a 25/11): Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira e Leandro Gejfinbein.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Escrito há 80 anos

O que já foi o tom do cinema e é, hoje em dia, o tom dos blogues
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" Quand, voilà trente ans, les frères Lumière eurent mis au point leur découverte scientifique de la captation de la vie dans son mouvement, tout le monde s’inclina devant l’invention mécanique. On la perfectionna, on s’y intéressa. Le cinématographe put facilement s’imposer en tant qu’instrument de précision. Quand de longues années plus tard, des artistes, des manieurs de pensées découvrirent que le cinéma avait, si j’ose dire, une âme, un sens intellectuel qui lui permettait de sortir du domaine scientifique pour entrer dans celui de l’art avec des forces et des formes inconnues, la tradition s’émut ".
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Germaine Dulac, La Fronde, 1926.

Mini-entrevistas/Série II – 62


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Ana Cláudia Vicente, Investigadora (História Contemporânea), 29 anos (http://quatrocaminhos.blogspot.com - que esta semana se reinicia com um novo fôlego - e o http://amigodopovo.blogspot.com).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera?
Cornucópia de pessoas que se escrevem e se lêem.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
O furacão Katrina, entre o final de Agosto e o princípio de Outubro de 2005. Visitadora frequente dos blogues dos brasileiros Alex Castro e Idelber Avelar, ambos a viver em Nova Orleães, pude acompanhar por outro prisma que não o das cadeias de televisão o impacto da tempestade, o processo de evacuação, a dimensão da destruição da cidade, a criação de redes de apoio através dos próprios blogues, o já famoso resgate de Oliver e o lento regresso a uma certa normalidade.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Li blogues durante cerca de um ano, antes de criar o Quatro Caminhos (http://quatrocaminhos.blogspot.com/). Percebi que não iria trazer nada de novo ao meio, mas queria um canto neste espaço, para me pôr à prova, num registo escrito com pretensões literárias. Enfim, a assunção desse querer foi-me importante. Como o foram, também, o integrar o colectivo d’O Amigo do Povo (http://o-amigodopovo.blogspot.com), e o início ou o estreitamento de relações com outros bloggers.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Livre? Talvez um pouco mais livre que outros instrumentos de comunicação de massas, sim. Cada um posta o que quer, assina ou não. O que é evidente é que essa liberdade não cataliza, necessariamente, comunicação de qualidade."
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira. Agenda desta semana (20/11 a 25/11): Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira e Leandro Gejfinbein.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Mini-entrevistas/Série II – 61


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Tiago Barbosa Ribeiro, sociólogo (http://kontratempos.blogspot.com/ e http://ppresente.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
O conceito de ‘blogoesfera’ remete-me para uma multiplicidade de redes e interdependências que se cruzam nesse espaço pleno de dinamismo que são os blogues, embora hierarquizando-se internamente. Exercendo-se numa lógica tutelar de democracia radical, a blogoesfera alimenta-se de várias blogoesferas que não têm a mesma visibilidade nem a mesma legitimidade. É algo difícil de ultrapassar, na medida em que o progressivo alargamento de um mapa diário de blogues exigirá mais de nós naquilo que é porventura o nosso bem mais escasso: o tempo. Daí que exista um núcleo central de blogues que são em larga medida a blogoesfera, alheia aos milhares de blogues que chegam todos os dias à rede. Esses blogues estão quase todos associados à produção de opinião social e política, citando-se mutuamente e limitando a projecção de novos blogues. É algo perceptível, para o que também contribuo de uma forma ou de outra, mas não sei se isso será negativo em si mesmo porque não há aqui qualquer filtro que imponha essa direcção. Decorre do entendimento dos autores já existentes sobre a qualidade de um novo blogue e da capacidade que ele tenha de se afirmar nos debates em curso. Não basta a alguém criar um blogue para entrar na blogoesfera, há que ser lido. E se é certo que alguns dos bloggers mais conhecidos o são pela capitalização de uma imagem que já detinham noutros domínios sociais, é líquido que muitos outros se afirmam a partir do seu interior. Acredito que um bom blogue terá sempre leitores, sobretudo entre os outros bloggers. Ou a partir deles.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Exclusivamente, não. E provavelmente nunca o farei, porque não é esse o potencial que neles quero explorar. Interessa-me menos uma tradução factual da realidade, em registo meramente informativo, do que reter os vários eixos que essa realidade me pode oferecer no âmbito de uma opinião livre e bem informada. Há muito que os blogues são parte inalienável das minhas leituras diárias sobre o real, mas não creio que os blogues possam ter -- ou sequer devam -- qualquer lógica concorrencial em relação à generalidade da imprensa clássica. Esse preconceito, aliás, está instalado em alguma imprensa. O que importa salientar é que os blogues têm um papel crítico, de problematização e questionamento, que supera em muito aquilo que os jornais têm para oferecer isoladamente. E aí os jornais deveriam estar mais abertos a tudo o que a blogoesfera propicia em diálogo com eles, porque é sobretudo no domínio da opinião e de ruptura com as lógicas viciosas do «senso comum esclarecido» que a blogoesfera é imprescindível para qualquer actor atento da nossa esfera pública actual.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Talvez na gestão do tempo quotidiano. Passei a integrar os blogues nos meus hábitos diários: quer ao nível das leituras, quer ao nível da produção de conteúdos.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Formalmente, sim. Não existe virtualmente ninguém, nas nossas sociedades democráticas, que não possa abrir um blogue e publicar o que bem entenda. Claro que isso possui uma dupla direcção, porventura perversa, mas que sempre existiu em todas as outras plataformas de edição prévias à rede mundial de computadores: o anonimato. Multiplicam-se os rasgos de bloggers anónimos que «denunciam» episódios obscuros, processos judiciais, plágios literários, conspirações políticas e outras urdiduras mais ou menos fantasiosas. Isso não deve ser confundido com bloggers que, pela sua posição específica (profissional ou outra), necessitam de um pseudónimo para publicar os seus posts. Evidentemente, não há forma de controlar conteúdos escritos sob anonimato que lançam anátemas e que minam o debate, como de resto senti personalizadamente pelas posições que tomei durante a recente ofensiva de Israel contra o Hezbollah. Talvez a indiferença seja uma boa forma de lidar com esses epifenómenos e, pela minha parte, nunca cito ou referencio a ligação para blogues dessa natureza.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira. Agenda desta semana (20/11 a 25/11): Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira e Leandro Gejfinbein.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Mini-entrevistas/Série II - 60


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Paulo Pinto Mascarenhas, jornalista, director da Revista, Atlântico, 40 anos (http://revista-atlantico.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Mercado, talento e liberdade. Não necessariamente por esta ordem. Para qualquer editor ou director de um meio de comunicação social que conheça o meio, a blogosfera pode ser em primeiro lugar um campo extraordinário de contratação - descoberta ou reconhecimento - de novos e antigos talentos que, por uma outra razão, não têm (ou não tinham) espaço nos meios tradicionais. E representa mais liberdade, no sentido em que alarga o campo da opinião e até da investigação “jornalística”. Num país pobre, com um povo dado a poucas leituras, com grupos de comunicação social muito fechados sobre si mesmos, a blogosfera acrescenta liberdade de expressão.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Apenas através dos blogues, julgo que nenhum. Mas já segui acontecimentos sobretudo nacionais que surgiram nos blogues e daí partiram para outros meios de comunicação. Um dos últimos foi o caso do blogue Freedom to Copy vs. Miguel Sousa Tavares. E segui muitos outros também - ou sobretudo – através dos blogues. As reacções à Guerra no Iraque, diversas eleições nacionais e internacionais, por exemplo.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Impacto virtual. Trabalho sempre com um computador à frente, é o meu principal instrumento de trabalho, mas rouba-me também horas de família e descanso em casa. É um vício, mas até agora sem contra-indicações.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Editorialmente é livre, só que isto não quer dizer que cada um de nós não tenha motivações próprias para lá estar e que estas possam decorrer das nossas outras ocupações “cá fora”, sejam profissionais, políticas ou pessoais. O que não se pode dizer é que os blogues sejam objectivos editorialmente, mas quem é que pode afirmar que os outros meios de comunicação o são? Desde que o “bloguiador” não esconda a sua identidade, as suas convicções e as suas diversas motivações, existe sempre liberdade editorial.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira. Agenda desta semana (20/11 a 25/11): Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira e Leandro Gejfinbein.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Pré-publicações


Leia aqui o que vai estar nas bancas dentro de dias
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O Miniscente vai iniciar dentro de alguns dias uma nova rubrica dedicada apenas a pré-publicações. Embora o leque de editoras interessadas seja bastante razoável, há já cinco que confirmaram a sua efectiva colaboração: Campo das Letras, Colibri, Presença, Mareantes e Vercial. A intenção é clara: intensificar o papel da blogosfera como mediadora activa entre os mundos da edição on e offline. Até breve!
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(é evidente que as pré-publicações são extensivas a propostas directas que os próprios autores - e não apenas as editoras - venham a fazer ao Miniscente).

Mini-entrevistas/Série II – 59


LC
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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Bruno Sena Martins (http://avatares-de-desejo.blogspot.com/).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Para além de me trazer algo do Verão de 2003, momento carnavalesco em que muitos se iniciaram no convívio dos blogues, sugere-me a celebração da defunta oposição entre os vícios privados e as virtudes públicas. Explico: apesar de haver dimensões de opinião e debate que não carregam nada disso, o que mais me cativa naquilo que seja a blogosfera é esse inédito campo de valor quasi-literário que faz dos vícios privados as mais preciosas virtudes públicas. E aqui o vício é tudo aquilo em que insistimos: a reiteração do eu actualizada nos dias que vão passando e nos que jamais nos largam.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que maisintensamente seguiu apenas através de blogues?
Em exclusivo, nenhum, mas aquele que dediquei maior tempo na blogosfera foi aquando da recente guerra no Líbano, creio. A massa crítica que existe na blogosfera mostra-se instigante não só para ver debater diferentes leituras políticas e sócio-históricas, mas também porque se produz frequentemente algo de um "observatório" dos termos em que os eventos são seguidos pelos media tradicionais. Há na blogosfera uma presunção meta-reflexiva que sinceramente me agrada.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O facto de escrever num blogue quase diariamente há mais de três anos, lendo lealmente pessoas que não sabia existirem, é ao mesmo tempo um longo processo de descoberta e também um valioso património de referências. Por isso o impacto é um embutimento pessoal de diferentes hábitos de escrita e leitura.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito, tanto quanto acredito que a liberdade nunca existe sem constrangimentos e ponderações que se querem sábias. Ademais, para aqueles que investem o seu nome ― ou uma identidade continuada no tempo ainda que sob pseudónimo ― o perfil do autor que se vai esboçando, tal como os leitores habituais, constituem-se como um valor cuja preservação vigia eventuais abusos da liberdade ― ao mesmo tempo que pode domesticar uma salutar irreverência editorial. Já os snipers que usam a blogosfera para ataques são outra conversa que tem pouco a ver com a matriz fundadora do meio.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves, José Bragança de Miranda, João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira. Agenda desta semana (20/11 a 25/11): Bruno Sena Martins, Paulo Pinto Mascarenhas, Tiago Barbosa Ribeiro, Ana Cláudia Vicente, Daniel Oliveira e Leandro Gejfinbein.