segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Mini-entrevistas/Série II – 53


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é João Pereira Coutinho, colunista, 30 anos (http://www.jpcoutinho.com).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
A memória nostálgica de um tempo em que, com toda a imodéstia, praticamente a criei. Na companhia de Pedro Lomba e Pedro Mexia. A criança chamava-se "A Coluna Infame". Depois foi o dilúvio.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum em especial. Os únicos blogues que sigo e leio não seguem acontecimentos nacionais ou internacionais. Apenas pessoais.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Através deles conheci amigos que leio e prezo. Como um tal de Luís Carmelo.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Não existem formas de expressão editorialmente livres. Por cada palavra escolhida há sempre um critério e uma sentença.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves e José Bragança de Miranda. Agenda desta semana (13/11 a 18/11): João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira.

domingo, 12 de novembro de 2006

O problema do contorno

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O problema, muitas vezes, é pensar os blogues apenas em função do que se passou a celebrar como sendo a área dos media.
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Creio que para pensar os blogues há que tentar ser radicalmente livre face às correspondências que aparecem diante de nós como inevitáveis.
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O universo comunicacional criado pelos blogues (entre a tentação do sublime e o horribilis) é de tal forma novo e singular que qualquer tentativa para o caracterizar deverá estar mais atenta aos seus impactos específicos do que propriamente a essas ou outras correspondências de tipo imediato.

sábado, 11 de novembro de 2006

Mini-entrevistas/II Série - 52


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é José Bragança de Miranda, Professor Universitário (ex- Reflexos de azul electrico I e II).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Diria que é um acrescento do espaço da escrita, em que esta pode ser iluminada pela imagem ou pelo som. O que implica uma alteração de estilo, e desejavelmente do pensar. Mas como todo o acrescento, pode ser mais do mesmo - o da confiscação da palavra por especialistas dos jornais ou dos media -, justamente aquilo de que nos fomos afastando; ou pode abrir para algo de «novo», um confronto com os nossos próprios limites e forças.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Durante algum tempo, não muito, o único acontecimento que reteve a minha atenção nos blogues foram os próprios blogues, que acompanhei in loco e com interesse. Tenho para mim que não existem acontecimentos, tudo o que tinha que acontecer já aconteceu, tratando-se apenas de captar os seus sinais. Nos media existem notícias mas não acontecimentos, mas também se poderia dizer que não existem acontecimentos, mas o «acontecer» ou então um único acontecimento, em curso, que passa por... cada um.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Fui para os blogues por razões egoístas. Numa certa altura, em que esperava algo, nada de demasiado importante e que já quase esqueci, senti-me incapaz de escrever algo de longo e de seguido, e os blogues surgiram-me como uma válvula de escape. Seduzia-me neles a escrita ligeira, curta, sem compromisso. Trata-se de escrever distraídamente ou para estar distraído. Comecei depois a dar-me conta de que os posts diários, e esse é o desafio, o site meter, os outros blogues, amigos e inimigos, se tornavam demasiado pesados. Desisti dos blogues porque exigiam um dispêndio de forças que me esgotava. Como sucede sempre que me canso, mudo de vida e lá os abandonei. Não me lembro de ter revisitado nenhum desde então.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Como em todas as «formas» e «expressões» existem constrangimentos técnicos e estilísticos. A questão não está aí. Talvez o maior problema da blogosfera seja conseguirmos libertar-nos de nós próprios, das nossas ilusões e do nosso desejo de sermos «amados». O subjectivismo desabrido que os blogues propiciam parece-me uma verdadeira ameaça, que também me atingiu, claro. Mas no anonimato, longe da «fábrica do nome», como dizia Elias Canetti, surgem oportunidades fantásticas, que os blogues eventualmente reforçam. Sem evitarem um paradoxo: o sucesso nos blogues constitui o maior perigo, que se volta contra eles. Basta olhar para alguns bloggers que pareciam livres, escravizados mal conseguem pôr a render a mais-valia dos blogues nos jornais e na televisão. As graças forçadas são uma violação da graça.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone, Paulo Gorjão, Bruno Alves e José Bragança de Miranda. Agenda da próxima semana (13/11 a 18/11): João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Perceber a realidade

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A meio desta semana o paradigma mudou: a questão do Iraque deixou de ser objecto explicativo para passar a ser objecto de resolução. Quem não entender esta mudança de ventos, ficará a discutir a corporalidade do éter (o que tem as suas vantagens ficcionais).
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P.S. - Civilizadamente, sou contra a pena de morte em todos os casos.

Encarar a realidade

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Durante milénios, o homem adorou ver-se a si próprio como mera peça de um rebanho, cujo criador havia preparado e significado o mundo até aos ínfimos detalhes. A atitude explicativa que se tornou própria dos modernos ousou fazer do indivíduo um sujeito criador e dono de algumas liberdades (não há liberdade em absoluto). Mas a resistência a esse tremendo risco fez com que se reinventasse o antigo e tutelar rebanho (agora, sob a forma de estado) com o objectivo de retirar ao homem (quase todas) as suas preocupações de ser livre. E quando se tenta, hoje em dia, depurar o imenso edifício do estado, o protesto torna-se ao mesmo tempo numa reacção normal de sobrevivência, mas também numa atitude de recusa de uma liberdade para a qual não houve a mínima preparação.

A actualidade terrorista

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Segundo o Guardian, o recente discurso de Dame Eliza sobre 30 conspirações terroristas que estariam a ser planeadas contra o Reino Unido (proferido ontem, em Queen Mary, na Universidade de Londres) vai ser hoje ainda publicado no site do MI5.

Mini-entrevistas/Série II - 51


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Bruno Alves (http://www.desesperadaesperanca.com).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Pouco mais que uma palavra que, por convenção, designa o conjunto de pessoas que por aqui andam.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Não há nehum acontecimento que tenha seguido exclusivamente através dos blogs. Estes são essencialmente um espaço de opinião, e só de forma secundária de informação.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Passei a ter ainda menos tempo e vontade de interagir com o mundo real.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sim. A única limitação é a da vontade e capacidade do autor do blog, e a aceitação do que este produz pelos seus leitores. Mais livre que isto é impossível.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone e Paulo Gorjão e Bruno Alves. Amanhã: (durante o fim-de-semana): José Bragança de Miranda. Agenda da próxima semana (13/11 a 18/11): João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Mini-entrevistas/Série II - 50 (act.)


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Paulo Gorjão, docente universitário e investigador, 37 anos (http://bloguitica.blogspot.com).
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Associo a palavra blogosfera a uma comunidade, ainda em evolução, cujos actores interactuam entre si, embora nem sempre de forma explícita, e que tem as suas próprias regras e códigos de conduta.
Associo igualmente a um instrumento, importante, de intervenção cívica.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Não sigo nenhum acontecimento nacional ou internacional 'apenas' através de blogues, tal como hoje em dia não sigo nenhum facto apenas através da comunicação social. Dito isto, sem ser 'apenas' através de blogues, as campanhas para as eleições legislativas e presidenciais foram dois momentos em que segui com especial atenção aquilo que ía sendo escrito nos blogues.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O maior impacto tem sido o conjunto de pessoas com quem tenho vindo a manter contacto e com quem nunca teria tido qualquer interacção se não tivesse um blogue e se não lesse blogues.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito que não é nem mais nem menos livre do que outras formas de expressão editorial. A blogosfera é apenas um instrumento e cada um faz dele o uso que quer. Tal como acontece com outros instrumentos.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido, Carlos Leone e Paulo Gorjão Amanhã: Bruno Alves. Durante o fim-de-semana: José Bragança de Miranda. Agenda da próxima semana (13 a 18/11): João Pereira Coutinho, José Pimentel Teixeira, Rititi, Rui Semblano, Altino Torres e José Pedro Pereira.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Mini-entrevistas/Série II - 49


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Carlos Leone (Esplanar), investigador de ciências sociais e humanas e director da revista Prelo (INCM).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Não gosto muito do termo, mas habituo-me a ele com o tempo. É um modo de designar um meio, mais social do que especificamente técnico, de forma simples.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Como não considero polémicas entre blogues acontecimentos (no sentido que julgo que está a dar ao termo), penso que não houve nada que seguisse apenas e só através de blogues.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O maior foi retomar contactos que tinha perdido. Mas suspeito que se me perguntasse o mesmo noutro dia diria que foi conhecer textos (de pessoas que não conheço) que de outro modo muito dificilmente leria. As duas coisas vão, felizmente, linkadas.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Sim, embora nenhuma liberdade seja absoluta e isso nos leve à questão da responsabilidade, à do insulto, à do anonimato, etc., etc., na linha aliás de tudo o que se pode (e deve) observar a respeito de qualquer liberdade, nos blogues e fora deles. Mas a liberdade praticável nos blogues, pelo que vejo, não suscita muita reflexão sobre estes temas, até porque a reflexão tende a dar lugar à discussão dos temas na moda nos media tradicionais, nos quais a auto-reflexão tambem não é propriamente grande. Mas vejo que estou a escrever um post que já escrevi várias vezes.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta, Paulo Querido e Carlos Leone. Amanhã: Paulo Gorjão.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Mini-entrevistas/Série II - 48


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O Miniscente tem estado a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Paulo Querido, jornalista, 46 anos (http://pauloquerido.net/).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Numa palavra? Confusão. Num período? A combinação de tecnologias de auto-edição com os egos inflamáveis de milhares de estreantes na comunicação de massas provocou um terramoto comunicacional de assinaláveis proporções cujas ondas de choque estão a transformar inexoravelmente uma mão cheia de indústrias. Se não for a combinação de tecnologias de selecção e escolha com a capacidade de discernimento dos indivíduos, o ruído sobrepor-se-á à mensagem tornando-se nela e deixando a humanidade entregue ao desnorte do instantâneo e do virtual. A blogosfera aumentou a confusão e com ela aumentou a escolha. Mais do que antes da Internet, o homem precisa de flappers entre ele e a realidade.
- Qual foi o acontecimento (nacional ou internacional) que mais intensamente seguiu apenas através de blogues?
Nenhum. Acontecimentos dessas ordens de grandeza não podem ser seguidos apenas através da "sabedoria das multidões". O blogger comenta, opina, curto-circuita ou retro-alimenta uma informação e com isto contribui para aperfeiçoar o mosaico de escolhas, realçando as pistas certas e erradas. Mas -- excepto casos pontuais que confirmam a regra -- não se espera do blogger a reportagem dos acontecimentos. Não tem a instrumentação para tal. Nem há (ainda?) ferramentas para apurar da blogosfera as sínteses sem as quais não existe informação.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Não foi directamente através deles, como nos casos de estudo, mas sem os blogues não teria conhecido a minha mulher.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Ah, é então uma questão de fé! Nesse caso, acredito.
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Entrevistas anteriores: Série I - Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar, Jorge Palinhos, Susana Santos, Miguel Martins e Manuel Pinto e Jorge Mangas Peña. Série II – Eduardo Pitta e Paulo Querido. Amanhã: Carlos Leone.