quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Retrovisor - 1

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Extractos de posts que dão conta do olhar (prevenido ou desprevenido) do blogger sempre que contempla pelo retrovisor a paisagem da blogosfera
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um gajo, pra ter sempre razão/ Só tem de se queixar às pessoas certas. Queixar-se do chefe aos colegas, dos colegas à familía, da família ao marido, do marido às amigas, das amigas aos amigos, dos amigos ao médico, do médico à funcionária, da funcionária ao chefe e do que sobra ao blog.” Isabel R. (17/10/06)
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Ficha Técnica
Qualidade da vista: Límpida
Estado do viajante: Prevenido
Tipo de espelho: Convexo-generoso
Tom (linguagem vs. rede): Entre Vivace e Presto
Outras impressões: Ver para ter razão, acertar alvo a alvo para expiar demónios, condensar a voz para melhor desabafar. Interessante o modo como o blogger se descreve enquanto espreita pelo retrovisor: "um gajo", i.e., em Inglês "One". Um impessoal pessoalizadíssimo. Fórmula gramatical antitética e também muito portuguesa (dá para dizer "eu" e "todos" ao mesmo tempo). Sobra o "queixume" paródico, o véu aberto, o jorro, o fio da palavra. O post tem o sabor de um olhar pelo retrovisor em hora de ponta. A blogosfera nem sempre se vê a si mesma como um idílio.

Jacqueline du Pré

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Faz hoje 19 anos - corria o ano de 1987 -, estava a ouvi-la e a escrever ao mesmo tempo o meu terceiro romance, No Princípio Era Veneza (sairia depois na Vega em 1990). Nessa altura, Jacqueline du Pré era uma companhia habitual que eu frequentemente escolhia naquele microcosmos entre a folhagem incerta do quintal e as cortinas claras - pareciam velas - que davam para a Palmstraat. Estava a chover como hoje, tinha chegado de Utreque com um saco de compras e lembro-me que coloquei o vinil no gira-discos (também se dizia correntemente, na "aparelhagem"). Era Haydn - uma sonoridade que dava ao ar a espessura de uma lâmina - e, pouco depois, às seis horas, no "Six O'Clock News from the BBC" (parece que estou ainda a ouvir a voz londrina que anunciava o meu jantar) a notícia da morte de Jacqueline surgiu do nada e eu fiquei subitamente estarrecido. E fixei o dia até hoje.

Mini-entrevistas - 43

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O Miniscente continua a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Susana Santos, Chefe do Departamento de Relações Externas do El Corte Ingés em Portugal.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Diz-me que há por aí um mundo virtual inteiro que me passa ao lado. Diz-me também que devemos descobri-lo antes que os que nele habitam nos descubram a nós. O descobridor é, também, por definição e deformação histórica, um conquistador e, se assim for, felizes daqueles que dominam esse admirável mundo paralelo.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Acontecimento propriamente dito não, mas procurei seguir as opiniões que se formaram nalguns blogues acerca desses acontecimentos. Procuro sobretudo aceder às opiniões escritas “a quente”, aos desabafos, às dúvidas dos escritores de blogues, de modo a sentir os impactos que geram determinados factos, sejam políticos, sejam sociais ou culturais.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Não falaria em impacto, mas antes em mudança lenta e, sobretudo, bem mais lenta do que o aconselhável (como é já reduzido o termo "lento". Chegou a ter séculos e agora já só tem um par de anos!). Tratando-se de uma realidade que, em Portugal, não terá mais do que três a quatro anos enquanto fenómeno generalizado, confesso que só ao longo dos últimos dois anos tomei consciência da sua importância e, sobretudo, das dúvidas por ele suscitadas, já de ordem ética, já de orientação profissional.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
A expressão “editorialmente livre” parece indiciar a ausência de quaisquer peias ou critérios editoriais susceptíveis de censurar os conteúdos, pelo que, deste ponto de vista limitado, diria que sim, que é editorialmente livre. Contudo, tratando-se de uma forma de expressão e de comunicação tão extraordinariamente individualista e, portanto, dissemelhante, tantas vezes pouco informada e, na maioria das vezes simplista, é difícil qualificá-la como reduto da liberdade de expressão. Diria que contém a singular particularidade de o ser e de o negar, conforme tenha ou não a capacidade de serem livres os seus autores e, sobretudo, os seus leitores.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino, Maria João Baltazar e Jorge Palinhos. Amanhã: Miguel Martins, jornalista.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Retrovisor

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Extractos de posts que dão conta do olhar (prevenido ou desprevenido) do blogger sempre que contempla pelo retrovisor a paisagem da blogosfera
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Já estão seleccionados 50 extractos de posts para iniciarmos a nova rubrica. A banda larga de escolha está a ser a da minha lista de links, tendo começado a pesquisa de baixo para cima, mais concretamente desde o blogue do Paulo José Miranda, A Voz Que Nos Trai - último da lista - até ter chegado há minutos ao blogue de Paulo Querido, Mas Certamente Que Sim. Continuarei até ao primeiro da lista e depois percorrer-se-ão ainda outras vias. Este post é um teste de imagem da nova rubrica que espera poder levar o Miniscente à boleia até Janeiro de 2007.
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A ficha técnica do Retrovisor constará dos seguintes elementos:
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1 - Tom (linguagem vs. rede):
Grave: vagarosamente e solene
Largo: Largo e severo
Lento: Lento qb.
Adagio: Vagaroso e recheado de pathos
Andante: Velocidade do andar humano. Elegância
Andantino: Andar ligeiro, compassado e agradável
Moderato: Nem rápido, nem lento: tom ajustado
Allegro: Ligeiro e alegre
Vivace: Rápido e vivo
Presto: Veloz e animado
2 - Qualidade da Vista:
límpida
baça
obstruída
reflectida
3 - Estado do viajante:
prevenido
desprevenido
4 - Tipo de Espelho:
côncavo-narcísico
convexo-generoso
liso-neutro
e ainda... (5-) Outras impressões
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Retrovisor começa amanhã, dia 19/10/2006.

Blogues e Meteoros

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Hoje, no Expresso online:
e r r
O novo niño mimado de la historia humana?
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Há uma questão que qualquer analista de blogues devia colocar a si próprio: que espaço existiria há alguns anos que, hoje em dia, os blogues tenham passado a ocupar? Ou será que um espaço totalmente novo se veio apenas acrescentar a outros espaços já existentes?
Creio que a blogosfera veio maioritariamente responder a horizontes anteriormente existentes, embora tenha também alargado o horizonte com que nos debatemos e exprimimos no quotidiano.
Comecemos pelo primeiro caso. A blogosfera veio de facto ocupar:
1 - O que antes era um espaço de silêncio que se desenvolvia de modo vertical entre alguns emissores localizados e uma vasta cadeia de auditórios (o tempo de incubação e interpretação de um livro, de um filme, de textos publicitários, do discurso político, etc. que hoje aparece a cruzar a meteórica miscelânea temática dos blogues).
2 - O que antes era um espaço apenas potencial de interacção que vivia contido pela própria natureza dos media tradicionais (a reacção face à televisão, face aos espaços de crónica ou face à própria sintaxe das notícias/ imagens que hoje preenchem boa parte dos discursos activos e plurais que se enunciam nos blogues).
3 - O que antes constituía um espaço crítico a partir do qual se descreviam coloquialmente – era “matéria de botequim” – certos mundos de cariz muito empírico (as viagens, os lazeres domésticos, breves reflexões, notas casuísticas, enfim, pequenos actos do dia a dia que hoje aparecem intensamente transpostos em conteúdos da blogosfera).
Passemos ao segundo caso. A blogosfera veio também realmente acrescentar horizonte aos nossos horizontes, sobretudo pelo facto de ter aberto a possibilidade de existência ao que, hoje em dia, pode ser já caracterizado como sendo a “cidadania expressiva” (um imenso jorro “telepático” global que carece ainda de uma adequação das linguagens tradicionais às estruturas do novo meio). Este novo redimensionamento dos horizontes expressivos corresponde a um espaço potencial que anteriormente não estava a ser desenvolvido por diversas razões, sendo as principais o controlo apertado dos mecanismos de edição e o desfasamento entre o desejo de iniciativa expressiva e os meios que a pudessem tornar massificadamente possível. Existirá uma interessante analogia entre este caudal de novas escritas e “escritores” (o número de blogues não deixa de crescer no mundo de modo exponencial) e o final da censura que, no caso português de há trinta e dois anos, toda a inteligentsia pensou que viria acompanhado do anúncio de um número ímpar de obras de qualidade até então ofuscadas do público. Se hoje se sabe que este último facto se traduziu afinal no verdadeiro mito de Abril de 1974 (pondo de lado uma meia dúzia de honrosas excepções), também se pode afirmar que, no caso dos blogues, a optimização massificada da expressão não logrou tornar visíveis, até hoje (salvo a mesma meia dúzia de excepções), novos “génios” anteriormente ofuscados pelo “sistema”.
Ortega Y Gasset percebeu muito bem no seu tempo que muitas vozes que nunca tinham aparecido antes no espaço público haviam subitamente começado a singrar. E baptizou-as, sem grandes ironias (La Rebelión de las masas, 1939), como a voz do “señorito satisfecho” ou do “niño mimado de la historia humana”. Adoraria saber como é que Ortega baptizaria, nos tempos que correm, este novo caudal que procura sagaz e desesperadamente o core de uma renovada expressão.
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Outro Blogues e Meteoros (o Nº5) que me esqueci de publicar no Miniscente (ver aqui no Expresso online):
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De licra lilás como a Madonna
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Muitos portugueses gostariam de ser como o King Kong: peito ainda mais peludo, força instigadora e narinas de intimação para o que desse e viesse. O fenómeno é óbvio quando se olha para o trânsito do nosso país: face aos erros dos outros, os portugueses reagem em cadeia e vociferam como se fossem um híbrido entre o escuteiro impoluto e o vitoriano indignado.
Haveria razão para tais enfados, se todos os portugueses fossem polícias de trânsito, ou se todos estivessem no lugar da consciência dos faltosos, ou ainda se fossem sempre vítimas dos actos destes. Mas mesmo não sendo polícias, nem fantasmas de mentes alheias, nem sequer vítimas, os portugueses continuam a insistir nesta prática. Todos os dias. É coisa que lhes está no sangue.
No fundo, adorariam ter perseguido Jack, o estripador. No fundo, gostariam que a sua consciência fosse sempre a dos outros (criar-se-ia assim um mundo de criaturas liliputianas a dançar sobre uma caixinha que reproduziria sempre a mesma música). No fundo, gostariam de ter sido sempre vítimas, de acarretar culpas pesadas e de se queixarem a tempo inteiro dos infortúnios do destino.
Estas três características do King Kong “português suave” poderiam condensar-se numa única imagem. Imaginemo-la como uma espécie de Júlio César vestido de licra lilás como a Madonna a ler versos de Teixeira de Pascoaes de manhã à noite (ou então, numa versão menos intelectual, a devorar a aura do Padre Sousa Martins). Creio que é um retrato robô bastante aproximado do português inconsolado com o caos do trânsito que, ao fim e ao cabo, ele próprio tanto adula e pratica.
Se colocarmos lado a lado o trânsito e a blogosfera, numa espécie de alegoria menor, é bem possível que ao português inconsolado com o trânsito corresponda um novo tipo de voyeur da blogosfera que anda, aliás, muito em voga.
O retrato robô desse novíssimo voyeur – que acumula também as funções de escuteiro vitoriano – é claro e não tem quaisquer segredos: diz que nunca leu blogues, ou então, se os leu, foi por brevíssimo lapso e tão-só para confirmar a demência informe que os percorre de lés-a-lés e sem excepção.
Pode ser um jornalista com dores da tarimba. Pode ser um académico que trocou a especialização pela cor das joaninhas. Como pode ainda ser o simples desempregado de causas maiores: desses que de tanto sonhar se tornaram na bela adormecida, embora sem terem reparado, tal como Pessoa avisou, que eram eles mesmos “A princesa que dormia”.
A desconfiança face à cidadania electrónica é um sintoma cristalino da excitação destes nossos King Kongs lusitanos (o “Velho do Restelo” não teria o encanto de quem parte a porcelana toda). Por outras palavras e regressando à alegoria: à medida que as novas formas de cidadania se consolidam, neste novo mundo cada vez mais descentrado e aberto, mais a caravana passa e o escutismo impoluto vocifera com a força de um nada. É por isso que, sensivelmente a meio do seu último romance, A Possibilidade de uma ilha, Houellebecq dá a Vincent Greilsamer – personagem meio iniciática – as seguintes palavras: “A única coisa que não é Kitsch é o nada”.
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Para a próxima semana, anuncia-se no Expresso online a crónica "A profecia da ciberpoética".

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Mini-entrevistas - 42

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O Miniscente continua a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Jorge Palinhos, tradutor.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Define-me um conceito muito interessante de fanzine electrónica de alta interactividade e imediatez, em que grupos de interesses específicos partilham rumores e novidades e criam sinergias. As fanzines em papel já se caracterizavam por tudo isso, mas os weblogs vieram tornar o processo mais rápido e global.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Quase todos. Independentemente dos defeitos do meio (enviesamento ideológico, superficialidade, impulso demagógico) é um dos melhores recursos para descobrir informação muitas vezes só subentendida ou mesmo omitida nos media tradicionais.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Deram-me dois ou três anos de muita prática de escrita e o contacto com pessoas com quem partilho afinidades, que de outro modo não conheceria. Foi também, e continua a ser, uma modo importante de aprendizagem e alargar de horizontes culturais e pessoais.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Não. A não ser nos blogs secretos, há sempre o peso editorial de quem lê - muitas vezes são amigos, familiares ou colegas de trabalho, com quem há sempre uma imagem a salvaguardar. Já para não falar do peso da auto-edição, que é uma questão muitíssimo delicada. Quantos se atrevem a passar a escrito uma versão crua e desapiedada da sua vida e personalidade?
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian, Marcelo Bonvicino e Maria João Baltazar. Na próxima Quinta-feira (19/10): Susana Santos, Chefe do Departamento de Relações Externas do El Corte Ingés em Portugal.

Brevemente

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Depois do "Tom dos Blogues", dos aforismos de "Férias" e das "Mini-entrevistas" - ainda em curso -, o Miniscente está quase a dar à luz o "Retrovisor". Na nova secção, o blogger desprevenido vai ser exposto no modo como olha para a blogolândia, enquanto circula na larguíssima via que parece disseminar-se em todos os sentidos e mais um.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Mini-entrevistas - 41

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O Miniscente continua a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Maria João Baltazar, professora de fotografia e investigadora.
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
A palavra "blogosfera" diz-me, somente, aquilo de que é formada: junção de "blog" com o planeta esférico que temos como nosso; um conjunto muito vasto de sujeitos e com possibilidade de crescimento por filiação diária, todos a comentar e pensar o melhor que podem (isto sendo optimista, caso contrário são "lançadas opiniões" cujo interesse se resume a uma ausência de critérios do "falar sobre o que seja com qualquer um"...). Verdade seja dita há blogs e blogs! Esta afirmação tem muito interesse porque, se efectivamente há boas intenções comuns entre pessoas inteligentes, o que se afirmou é também opinião de senso comum e o senso comum é o que de mais comum se pode encontrar para entreter o tempo de tardes chuvosas.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Qual ovelha desgarrada no seu tempo, limito-me a seguir (e ainda assim sem exageros) jornais de fim-de-semana e dia sim, dia não um noticiário.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Quase nulo. Outros enviam links significativos que se vão lendo, por vezes esquecidos ao mesmo tempo. Mas lá fica uma referência e descobrem-se artigos, livros que se podem adquirir numa maravilhosa livraria on-line.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito que é uma forma de expressão não controlável. Acredito que aquilo que se vai expressando é desordenado, sem selecção, escolha, triagem, está lá tudo. O que quer que seja, se existir, existirá por lá.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira, Maria Augusta Babo, Luís Carloto Marques, Eduardo Côrte-real, Lúcia Encarnação, Paulo José Miranda, João Nasi Pereira, Susana Silva Leite, Isabel Rodrigues, Carlos Vilarinho, Cris Passinato, Fernanda Barrocas, Helena Roque, Maria Gabriela Rocha, Onésimo Almeida, Patrícia Gomes da Silva, José Carlos Abrantes, Paulo Pandjiarjian e Marcelo Bonvicino. Próxima entrevista (Terça-feira, 17/10): Jorge Palinhos, tradutor.

domingo, 15 de outubro de 2006

Os grandes portugueses

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Para além de alguns esquecimentos mais ou menos sérios ou paródicos (D. Pedro I, Manuelinho de Évora ou João de S. Tomás - no mundo anglo-saxónico, John Poinsot), houve uma gralha realmente lamentável no novo programa da RTP, Os Grandes Portugueses: ao falar-se de Aristides de Sousa Mendes, a emissão esqueceu-se de soletrar em voz alta o próprio nome de Aristides de Sousa Mendes. De resto, o mais interessante centrou-se - e ir-se-á centrar doravante - na adequação das pessoas que vão sendo chamadas a depor. É um pouco como naqueles concursos de dança de salão ou de canto estilo Karaoke: nem sempre a alta ciência vive do registo de invariantes, quanto mais os processos de oniromancia!

O espectro da Venezuela

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Escreve-se hoje no excelente Notas Verbais (e valerá amanhã seguir os episódios que aqui se anunciam):
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"Nesta Segunda-feira, em Nova Iorque, é a primeira volta da eleição pela Assembleia Geral da ONU dos novos membros não permanentes do Conselho de Segurança para o biénio 2007-2009, com contagem de votos dos 192 Estados a cargo da Hungria, Suiça, Brunei, Chile e Quénia.
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Passam à primeira volta – oito canditados para cinco vagas – os países que obtiverem dois terços de votos. Argentina, Dinamarca, Grécia, Japão e Tanzânia terminam no final de 2006 os respectivos mandatos cedendo lugares.
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Venezuela e Guatemala (pelo Grupo de Estados da América/Caraíbas) protagonizam luta a luta mais renhida para ocupar o lugar a ser deixado pela Argentina. Chávez (ontem mesmo a chancelaria de Caracas emoldurou entusiasmo inusitado) assegura que o seu país conseguirá, logo na primeira volta, apoio de dois terços dos 192 membros da ONU, para o qual contará com o respaldo da Liga Árabe, Rússia, China, Irão, Cuba, países do Mercosul (designadamente do Brasil), e ainda de boa parte dos Estados da União Africana – o Chile diz que revela o seu voto sobre a eleição. A Guatemala tem o apoio dos EUA – em entrevista a The Wall Street Journal, no final de Setembro, Condoleezza Rice considerou que entrada da Venezuela no Conselho de Segurança da ONU paralisaria este órgão e que ditaria «o fim do consenso».
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A Guatemala nunca esteve no Conselho de Segurança por onde a Venezuela já passou por quatro vezes (a última vez no biénio 1995-96)
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Indonésia, Coreia do Sul e Nepal, por sua vez, disputam a vaga do Grupo Asiático a ser deixada deixada pelo Japão.
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Nepal e Indonésia, duas vezes no Conselho de Segurança; Coreia do Sul uma única vez (1995-96)
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África do Sul é o único candidato africano a prestar-se para render a Tanzânia.
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A África do Sul nunca foi eleita para o Conselho de Segurança
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Bélgica e Itália são também os únicos contendores do Grupo Europeu Ocidental (para os lugares a vagar pela Dinamarca e Grécia).
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A Bélgica cumpriu já quatro mandatos (o último em 1991-92) e a Itália teve cinco presenças (última em 1995-96)
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Eslováquia, Qatar, Peru, Gana e Congo terminam mandatos no final de 2007. Portugal só deve revelar o sentido de voto (sobretudo entre Venezuela/Guatemala) terminada a contagem ou conhecidos os resultados. Não será assim, Embaixador João Salgueiro?"