sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 24

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O Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Luís Carloto Marques, deputado do Grupo Parlamentar do PSD, indicado pelo MPT (círculo de Setúbal).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Creio que se trata de um termo atribuído a uma forma de comunicação. Consulto regularmente alguns blogues, pela importância que dou aos seus autores ou autor.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Existem alguns assuntos regionais que sigo através de um blogue – A-Sul – nomeadamente a urbanização da Flor da Mata. Este blogue tem a particularidade de ser particularmente criativo, sempre actual e vigilante sobre uma autarquia que se caracteriza por um horrenda gestão urbanística.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Nenhum blogue teve impacto na vida pessoal, no sentido de que não alteram profundamente. Creio que a nossa vida é também um somatório de aprendizagens que vamos adicionando diariamente. O blogue como fonte de informação permite-nos isso, o de estarmos melhor informado sobre a nossa sociedade.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito na democracia e considero que é um privilégio viver num país europeu. Não abundam neste nosso globo países com regime democráticos. O de ser “editorialmente livre” está directamente relacionado com o seu estatuto, caso o tenha. Reparem nesta particularidade, os blogues anónimos. Será que são editorialmente livres? Então porque se apresentam na forma anónima? Creio que a liberdade é um bem supremo que nos foi oferecido, pelo que deverá ser acarinhada e vivida com responsabilidade. Como na imprensa escrita, o mesmo se passa na blogosfera, existam quem escolha a estratégia , onde “tudo vale”. De um modo geral esses caminho não lançam frutos que produzam sementes férteis.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça, Manuel Pedro Ferreira e Maria Augusta Babo. Amanhã: Eduardo Côrte-Real, Arquitecto e Prof. universitário

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 23

e
o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Maria Augusta Babo, Prof. Universitária, 52 anos
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Ciberespaço-público. A blogosfera veio fornecer outros contornos e reavivar, senão mesmo dinamizar, uma actividade essencial nas democracias modernas: a discussão pública de acontecimentos ou problemas que dizem respeito à comunidade local, mas também global. O fenómeno da blogosfera portuguesa desenvolveu bastante este tipo de intervenção, mais pública do que privada, ou melhor, reformulando a partilha entre o público e o privado, mas com forte incidência no núcleo de questões que, por dizerem respeito à comunidade, são por natureza públicas: ambiente, terrorismo, política interna e externa, questões de urbanismo, estética e arte, ética e bioética, etc.
Resumindo: reforço manifesto de uma consciência de cidadania.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Sim, vários: guerra no Iraque, conflito israelo-palestiniano ou internamente: nomeação do governo Santana e seus desenvolvimentos, candidatura de Manuel Alegre às presidenciais, entre outros.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Eu própria ter participado num blogue colectivo, abordando essencialmente questões de natureza política e de cidadania. Foi mesmo um vício que, talvez por isso mesmo, acabou por se extinguir.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito. A blogosfera sendo um espaço completamente novo e aberto à participação individual no espaço global, rege-se, a meu ver, pelas regulações pragmáticas de outros tipos de discursos e enunciados. Há, como em outros tipos de dispositivos de comunicação, auto-censura, desenvolvimento de enunciados de natureza argumentativa, polémica, provocatória; discursos intimistas, confessionais, subjectivantes ou humoristas, de crítica e de cariz ensaísta. Penso que a capacidade de intervenção intersubjectiva favorece e enriquece o debate. A experiência do debate público em Portugal precisa deste espaço de discussão, só tem a ganhar com ele e merece que se desenvolva. As utilizações mais desviantes - exposição pública do intimismo mais exacerbado - acontecem no domínio do impresso, como da televisão onde atingiram níveis indescritíveis.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça e Manuel Pedro Ferreira. Amanhã:. Luís Carloto Marques, deputado do Grupo Parlamentar do PSD, indicado pelo MPT (Círculo Eleitoral de Setúbal), 43 anos.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 22

e
o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Manuel Pedro Ferreira, Professor universitário, 47 anos.
e
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
A palavra «blogosfera» sugere-me uma rede de pontos irradiadores de expressão/ opinião individuais, que mutuamente se potenciam, podendo estruturar-se como comunidades informais em torno de um tema.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Não segui até agora acontecimentos através de blogues. Leio os jornais.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
A participação num blog colectivo de poesia permitiu que tivesse alguns dos meus poemas publicados na Internet. Não é que isso tivesse impacto na minha vida pessoal ou profissional (que nada tem a ver com literatura), mas deu-me alguma satisfação, porque há dois anos que uma editora ficou de os publicar, e nada.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
A blogosfera parece-me tão livre quanto os seus intervenientes estiverem dispostos a sê-lo. Na prática, a exposição pública põe limites à liberdade que cada um se permite.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate, Ivone Ferreira, Luís Graça. Amanhã: Maria Augusta Babo, Prof. Universitária, 52 anos.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Viajar no "Cidade Crónicas"

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Vale a pena passar pelo Cidade Crónicas. É um modo gracioso de viajar. Além do mais, poderei acompanhar-vos como humilde anfitrião.

Mini-entrevistas - 21

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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Luís Graça, jornalista/escritor, 43 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Tecnicamente, a blogosfera será o universo dos blogs, o somatório de todos os que existem. Tudo o que lhes diga respeito. Presumo que os sites poderão ainda ser incluídos no universo da blogosfera, num sentido alargado e generoso, até porque são anteriores e permitiam já interactividade.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Para mim, é fundamental ler os jornais em papel e transporto-os para onde quer que vá ao longo do meu dia. Mas também sigo acontecimentos pelos blogs. Concretamente nos blogs dos amigos. Dou um exemplo: Misantropo Enjaulado, do Paulo Cunha Porto, onde é bastante comentada a actualidade política, cultural ou desportiva. Mas prefiro frequentar blogs das mais variadas proveniências e não os usar como fonte de informação exclusiva no que toca à actualidade. Leio os blogs por questões afectivas e comunicacionais e não em demanda de informação.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Os blogs tiveram um impacto grande na minha vida pessoal. Se os blogs desaparecessem, eu ficava mais "descansado". É que são um terrível vício. "Perco" horas nos blogs. Tendo muitos amigos com blogs, exibo a tendência de me espraiar nas caixas de comentários, num "pingue-pongue" de pergunta/resposta que nos leva a ficar "pregados" ao computador.Por outro lado, não há dúvida de que aprendemos bastante nos blogs. Principalmente a conhecer o Outro, aquele desconhecido que está do outro lado. É um factor comunicacional extraordinário. Através de um blog está-se em todo o lado ao mesmo tempo. Há uma relação muito directa pensamento/palavra/comunicação.Como em tudo, é necessário distinguir o trigo do joio. Muitas pessoas têm blogs por puro exibicionismo e vaidade pessoal, com muito pouco para dizer. Acho perfeitamente supérfluos os blogs que se limitam a fazer actualizações diárias com jogos, uma foto, uma anedota. Esses são pura perda de tempo. O blog terá de ser sempre comunicação, ainda que confessional. Se não possuir uma subjectividade que lhe deverá ser inerente, torna-se um factor de ruído. Um "Playstation" da palavra, um MacDonalds da Net.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Os blogs são a prova mais evidente que o 25 de Abril falhou num capítulo fundamental: a Educação. Porque se a Educação tivesse triunfado, a Liberdade de Expressão seria uma coisa perfeitamente natural nos blogs.
Ora, há muita censura nos blogs. Sei por experiência própria. Já fui vítima disso. Assisti a um debate na livraria Almedina (Atrium Saldanha, Lisboa) e pude constatar como algumas senhoras assumiam um blog como coutada privada, onde as críticas são mal aceites. Achavam perfeitamente natural que se apagasse um comentário, apenas por poder ser "desagradável" ou "má onda".
Falamos de pessoas na casa dos 30 anos. Que deviam compreender as regras da Liberdade de Expressão. Mais curioso: alguns bloggers que têm blogs sobre sexo, com linguagem crua e humorística, são os primeiros a praticar a censura. Exemplo: corrigi de forma divertida uma profusão enorme de erros ortográficos nos comentários. As minhas correcções foram apagadas e recebi um mail a explicar-me que era chato corrigir os erros dos amigos.Repare-se que a minha correcção não pretendia humilhar ninguém.
Mesmo sem censura, há comentários que podem criar um gelo enorme na comunicação. Exemplo: um comentário menos favorável sobre um poema pode ser encarado de forma melodramática pelo seu autor. Há muitas senhoras a publicar poemas de sua autoria na blogosfera. Aprendi que não devemos fazer críticas, ainda que construtivas. Podem compreender que estamos de boa fé, mas ficam sempre muito doridas.
A blogosfera é ainda um espaço em que as pessoas não resistem ao insulto fácil, a coberto do anonimato. Eu penso que devemos deixar o insulto "esvaziar-se". Manter o post no ar e não responder. Não é pela crueza da linguagem que um comentário vai ter muito efeito. Os insultos não passam disso.
Tenho uma experiência recente com um blog meu: Ganda Ordinarice. Prevendo insultos, não pretendendo censurar ninguém, avisei em editorial que podiam insultar à vontade. Sugeri que fossem apenas criativos. E respondo aos amigos através de mail privado. Não na caixa de comentários. Para não "eternizar" diálogos. Por acaso tem havido um número reduzido de comentários, mas eu quis prevenir-me.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate e Ivone Ferreira. Amanhã: Manuel Pedro Ferreira, Prof. universitário, 47 anos.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

A grande cegueira - 2

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A questão das caricaturas, as recentes palavras do Papa e o discurso cada vez mais redondo dos políticos do Ocidente têm algo em comum: o medo das susceptibilidades. Paradoxalmente, aquilo que devia ser o nosso limite – o respeito pela liberdade e pela democracia – está a tornar-se na prudência e na autocensura temerárias face às susceptibilidades das novas teocracias globais. Para estes males já não há “alter-globalizadores”: esses preferem ombrear na Venezuela, ou em Havana, dando-se a ver claramente como a nova aliança do fascismo mundial. E há quem ache que isso é apenas folclore.

Mini-entrevistas - 20

e
o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Ivone Ferreira, docente de Retórica na UBI, 30 anos.
e
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Recorrendo a um termo das ciências exactas, a blogosfera será o domínio dos blogues. Isto é, a blogosfera será uma espécie de planeta habitado por blogues e blogueiros, sendo estes últimos uns seres que disponibilizam ou recebem informação através de páginas pessoais na internet.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Penso que ainda consultei um ou dois blogues de jornalistas ligados a diários portugueses de referência, após o 11 de Setembro e durante a guerra no Líbano, mas não “perdi” muito tempo com isso.
Para mim os jornais continuam a ser os jornais: é aí que vou beber informação. Vejo os blogues mais como uma espécie de cadernos culturais, que leio com frequência – alguns deles todos os dias, logo pela manhã, tal como consulto a Lusa e alguns diários on-line – mas que servem mais para abrir horizontes (de leitura, por exemplo) do que para fornecer informação (jornalística).
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
“Impacto” parece-me uma palavra muito forte. Apetecia-me dizer que não tiveram impacto nenhum… Depois penso melhor e reparo que consulto blogues diariamente, que eu própria tenho um blogue, que o uso para dar referências, e que passo bastante tempo com a Internet, não necessariamente à volta dos blogues.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Haverá alguma coisa totalmente livre? Editorialmente? Talvez, mas não passamos a ser editores de nós próprios? Desaparece a figura do editor mas surgem, talvez, figuras com ainda mais poder:
Primeiro, as audiências. Um blogueiro será sempre alguém com alguma vaidade que não se contenta em contemplar-se a si mesmo, ao contrário de Narciso. Se quer ser lido, tratará de adequar os conteúdos que publica ao seu público.
Segundo, nada que façamos é inconsequente. Para além das audiências há leis, e o desrespeito por estas habilita o blogueiro a ser processado pelos conteúdos que publicou.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro e Francisco Curate. Amanhã: Luís Graça, jornalista/escritor, 43 anos.

sábado, 16 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 19

e
o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Francisco Curate, Professor e Investigador em Antropologia.
e
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
A palavra “blogosfera” remete-me sempre para o conceito de partilha, sobretudo para uma partilha do que considero, sem qualquer tipo de superioridade moral, de uma personalidade bem pensante, de uma intelectualidade blasé mas crítica; mais do que a partilha de uma moral, ideologias ou valores. Claro que existe também uma tendência para o proselitismo de certas ideias políticas, mas geralmente o sectarismo estriba-se em argumentos fundamentados, o que torna a discussão de ideias muito proveitosa.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Nos derradeiros três anos tenho seguido as matérias nacionais e internacionais de relevo sobretudo através dos blogues. A informação é tão boa ou melhor que nos jornais portugueses, a qualidade da escrita e da opinião é, nalguns blogues de referência, superior à dos jornais, logo, é natural que aqueles se tenham tornado o manancial que nutre a minha ânsia de informação. Na realidade, julgo que a blogosfera, enquanto espaço de opinião crítica, subjugou a imprensa escrita (e nem falo nas televisões, que exalam tenebrosa podridão informativa) pois, para além de ser uma espécie de “Academia de Alcochete” na formação de novos valores da opinião e da crítica, alcança níveis qualitativos médios que não consigo discernir nos jornais.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Os blogues exerceram, indubitavelmente, um impacto substancial na minha vida pessoal. E nem sequer falo de uma impressão sobre a minha forma de escrever ou de pensar. Falo da constituição de uma rede de afinidades, de amizades, de relações que hoje muito prezo.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Ninguém escreve, julgo eu, para não ser lido. Nessa medida, os autores de blogues poderão coarctar a sua liberdade de opinião quando escrevem de encontro ao que os “ seus leitores” querem. De qualquer forma, devido à inexistência de limites – de espaço ou editoriais – as ideias flúem, cruzam-se e polinizam-se de uma forma livre e impensável até há uns anos atrás. O problema (e eu não partilho esta opinião) é que a liberdade editorial permite a produção e acumulação de muito lixo, mas, até aí as orlas se tornam menos sucintas porque muitas vezes o trabalho que catalogamos como lixo é, algumas vezes, uma forma de experimentação que vai muito além da sua compreensão contemporânea.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino e António M. Ferro. Amanhã: Ivone Ferreira, docente de Retórica na UBI.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

A grande cegueira - 1

Até o próprio Papa já não pode citar um imperador bizantino do século XIV.

Mini-entrevistas - 18

e
o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é António Maria Ferro, estudante, 22 anos.
e
- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
De início lembrava-me um jornal clandestino onde todos poderíamos escrever. Fiquei durante bastante tempo à procura dessas vozes anónimas, como quem lê os rabiscos nas casas de banho. Acho que essa força inicial da “blogoesfera” esmoreceu. Mas, continuo a achar interessante esse anonimato.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
De âmbito internacional segui atentamente a polémica entre a Margarida Rebelo Pinto e o João Pedro Jorge. Jamais vou esquecer o termo “marca registada”. De âmbito nacional estive particularmente atento às últimas eleições presidenciais.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Entre Outubro 2003 e Setembro de 2006 escrevi no blog segundo-impacto, que continua sem mim. Iniciei-o simplesmente por curiosidade mas rapidamente percebi que estava a nascer uma experiência interessante. Sinto que trabalhei a minha escrita. Vivo agora o luto do último post.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
É seguramente.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão e Emanuel Vitorino. Amanhã: Francisco Curate, professor e investigador em antropologia.