terça-feira, 19 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 21

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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Luís Graça, jornalista/escritor, 43 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Tecnicamente, a blogosfera será o universo dos blogs, o somatório de todos os que existem. Tudo o que lhes diga respeito. Presumo que os sites poderão ainda ser incluídos no universo da blogosfera, num sentido alargado e generoso, até porque são anteriores e permitiam já interactividade.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Para mim, é fundamental ler os jornais em papel e transporto-os para onde quer que vá ao longo do meu dia. Mas também sigo acontecimentos pelos blogs. Concretamente nos blogs dos amigos. Dou um exemplo: Misantropo Enjaulado, do Paulo Cunha Porto, onde é bastante comentada a actualidade política, cultural ou desportiva. Mas prefiro frequentar blogs das mais variadas proveniências e não os usar como fonte de informação exclusiva no que toca à actualidade. Leio os blogs por questões afectivas e comunicacionais e não em demanda de informação.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Os blogs tiveram um impacto grande na minha vida pessoal. Se os blogs desaparecessem, eu ficava mais "descansado". É que são um terrível vício. "Perco" horas nos blogs. Tendo muitos amigos com blogs, exibo a tendência de me espraiar nas caixas de comentários, num "pingue-pongue" de pergunta/resposta que nos leva a ficar "pregados" ao computador.Por outro lado, não há dúvida de que aprendemos bastante nos blogs. Principalmente a conhecer o Outro, aquele desconhecido que está do outro lado. É um factor comunicacional extraordinário. Através de um blog está-se em todo o lado ao mesmo tempo. Há uma relação muito directa pensamento/palavra/comunicação.Como em tudo, é necessário distinguir o trigo do joio. Muitas pessoas têm blogs por puro exibicionismo e vaidade pessoal, com muito pouco para dizer. Acho perfeitamente supérfluos os blogs que se limitam a fazer actualizações diárias com jogos, uma foto, uma anedota. Esses são pura perda de tempo. O blog terá de ser sempre comunicação, ainda que confessional. Se não possuir uma subjectividade que lhe deverá ser inerente, torna-se um factor de ruído. Um "Playstation" da palavra, um MacDonalds da Net.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Os blogs são a prova mais evidente que o 25 de Abril falhou num capítulo fundamental: a Educação. Porque se a Educação tivesse triunfado, a Liberdade de Expressão seria uma coisa perfeitamente natural nos blogs.
Ora, há muita censura nos blogs. Sei por experiência própria. Já fui vítima disso. Assisti a um debate na livraria Almedina (Atrium Saldanha, Lisboa) e pude constatar como algumas senhoras assumiam um blog como coutada privada, onde as críticas são mal aceites. Achavam perfeitamente natural que se apagasse um comentário, apenas por poder ser "desagradável" ou "má onda".
Falamos de pessoas na casa dos 30 anos. Que deviam compreender as regras da Liberdade de Expressão. Mais curioso: alguns bloggers que têm blogs sobre sexo, com linguagem crua e humorística, são os primeiros a praticar a censura. Exemplo: corrigi de forma divertida uma profusão enorme de erros ortográficos nos comentários. As minhas correcções foram apagadas e recebi um mail a explicar-me que era chato corrigir os erros dos amigos.Repare-se que a minha correcção não pretendia humilhar ninguém.
Mesmo sem censura, há comentários que podem criar um gelo enorme na comunicação. Exemplo: um comentário menos favorável sobre um poema pode ser encarado de forma melodramática pelo seu autor. Há muitas senhoras a publicar poemas de sua autoria na blogosfera. Aprendi que não devemos fazer críticas, ainda que construtivas. Podem compreender que estamos de boa fé, mas ficam sempre muito doridas.
A blogosfera é ainda um espaço em que as pessoas não resistem ao insulto fácil, a coberto do anonimato. Eu penso que devemos deixar o insulto "esvaziar-se". Manter o post no ar e não responder. Não é pela crueza da linguagem que um comentário vai ter muito efeito. Os insultos não passam disso.
Tenho uma experiência recente com um blog meu: Ganda Ordinarice. Prevendo insultos, não pretendendo censurar ninguém, avisei em editorial que podiam insultar à vontade. Sugeri que fossem apenas criativos. E respondo aos amigos através de mail privado. Não na caixa de comentários. Para não "eternizar" diálogos. Por acaso tem havido um número reduzido de comentários, mas eu quis prevenir-me.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro, Francisco Curate e Ivone Ferreira. Amanhã: Manuel Pedro Ferreira, Prof. universitário, 47 anos.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

A grande cegueira - 2

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A questão das caricaturas, as recentes palavras do Papa e o discurso cada vez mais redondo dos políticos do Ocidente têm algo em comum: o medo das susceptibilidades. Paradoxalmente, aquilo que devia ser o nosso limite – o respeito pela liberdade e pela democracia – está a tornar-se na prudência e na autocensura temerárias face às susceptibilidades das novas teocracias globais. Para estes males já não há “alter-globalizadores”: esses preferem ombrear na Venezuela, ou em Havana, dando-se a ver claramente como a nova aliança do fascismo mundial. E há quem ache que isso é apenas folclore.

Mini-entrevistas - 20

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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje a convidada é Ivone Ferreira, docente de Retórica na UBI, 30 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Recorrendo a um termo das ciências exactas, a blogosfera será o domínio dos blogues. Isto é, a blogosfera será uma espécie de planeta habitado por blogues e blogueiros, sendo estes últimos uns seres que disponibilizam ou recebem informação através de páginas pessoais na internet.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Penso que ainda consultei um ou dois blogues de jornalistas ligados a diários portugueses de referência, após o 11 de Setembro e durante a guerra no Líbano, mas não “perdi” muito tempo com isso.
Para mim os jornais continuam a ser os jornais: é aí que vou beber informação. Vejo os blogues mais como uma espécie de cadernos culturais, que leio com frequência – alguns deles todos os dias, logo pela manhã, tal como consulto a Lusa e alguns diários on-line – mas que servem mais para abrir horizontes (de leitura, por exemplo) do que para fornecer informação (jornalística).
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
“Impacto” parece-me uma palavra muito forte. Apetecia-me dizer que não tiveram impacto nenhum… Depois penso melhor e reparo que consulto blogues diariamente, que eu própria tenho um blogue, que o uso para dar referências, e que passo bastante tempo com a Internet, não necessariamente à volta dos blogues.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Haverá alguma coisa totalmente livre? Editorialmente? Talvez, mas não passamos a ser editores de nós próprios? Desaparece a figura do editor mas surgem, talvez, figuras com ainda mais poder:
Primeiro, as audiências. Um blogueiro será sempre alguém com alguma vaidade que não se contenta em contemplar-se a si mesmo, ao contrário de Narciso. Se quer ser lido, tratará de adequar os conteúdos que publica ao seu público.
Segundo, nada que façamos é inconsequente. Para além das audiências há leis, e o desrespeito por estas habilita o blogueiro a ser processado pelos conteúdos que publicou.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino, António M. Ferro e Francisco Curate. Amanhã: Luís Graça, jornalista/escritor, 43 anos.

sábado, 16 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 19

e
o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Francisco Curate, Professor e Investigador em Antropologia.
e
- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
A palavra “blogosfera” remete-me sempre para o conceito de partilha, sobretudo para uma partilha do que considero, sem qualquer tipo de superioridade moral, de uma personalidade bem pensante, de uma intelectualidade blasé mas crítica; mais do que a partilha de uma moral, ideologias ou valores. Claro que existe também uma tendência para o proselitismo de certas ideias políticas, mas geralmente o sectarismo estriba-se em argumentos fundamentados, o que torna a discussão de ideias muito proveitosa.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Nos derradeiros três anos tenho seguido as matérias nacionais e internacionais de relevo sobretudo através dos blogues. A informação é tão boa ou melhor que nos jornais portugueses, a qualidade da escrita e da opinião é, nalguns blogues de referência, superior à dos jornais, logo, é natural que aqueles se tenham tornado o manancial que nutre a minha ânsia de informação. Na realidade, julgo que a blogosfera, enquanto espaço de opinião crítica, subjugou a imprensa escrita (e nem falo nas televisões, que exalam tenebrosa podridão informativa) pois, para além de ser uma espécie de “Academia de Alcochete” na formação de novos valores da opinião e da crítica, alcança níveis qualitativos médios que não consigo discernir nos jornais.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Os blogues exerceram, indubitavelmente, um impacto substancial na minha vida pessoal. E nem sequer falo de uma impressão sobre a minha forma de escrever ou de pensar. Falo da constituição de uma rede de afinidades, de amizades, de relações que hoje muito prezo.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Ninguém escreve, julgo eu, para não ser lido. Nessa medida, os autores de blogues poderão coarctar a sua liberdade de opinião quando escrevem de encontro ao que os “ seus leitores” querem. De qualquer forma, devido à inexistência de limites – de espaço ou editoriais – as ideias flúem, cruzam-se e polinizam-se de uma forma livre e impensável até há uns anos atrás. O problema (e eu não partilho esta opinião) é que a liberdade editorial permite a produção e acumulação de muito lixo, mas, até aí as orlas se tornam menos sucintas porque muitas vezes o trabalho que catalogamos como lixo é, algumas vezes, uma forma de experimentação que vai muito além da sua compreensão contemporânea.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão, Emanuel Vitorino e António M. Ferro. Amanhã: Ivone Ferreira, docente de Retórica na UBI.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

A grande cegueira - 1

Até o próprio Papa já não pode citar um imperador bizantino do século XIV.

Mini-entrevistas - 18

e
o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é António Maria Ferro, estudante, 22 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
De início lembrava-me um jornal clandestino onde todos poderíamos escrever. Fiquei durante bastante tempo à procura dessas vozes anónimas, como quem lê os rabiscos nas casas de banho. Acho que essa força inicial da “blogoesfera” esmoreceu. Mas, continuo a achar interessante esse anonimato.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
De âmbito internacional segui atentamente a polémica entre a Margarida Rebelo Pinto e o João Pedro Jorge. Jamais vou esquecer o termo “marca registada”. De âmbito nacional estive particularmente atento às últimas eleições presidenciais.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Entre Outubro 2003 e Setembro de 2006 escrevi no blog segundo-impacto, que continua sem mim. Iniciei-o simplesmente por curiosidade mas rapidamente percebi que estava a nascer uma experiência interessante. Sinto que trabalhei a minha escrita. Vivo agora o luto do último post.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
É seguramente.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas, António Nunes Pereira, Fernando Negrão e Emanuel Vitorino. Amanhã: Francisco Curate, professor e investigador em antropologia.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 17

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o Miniscente
está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Emanuel Vitorino, Editor da Magna Editora, 27 anos de idade.
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O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
A blogosfera é um fenómeno de massas relativamente recente. Penso que é um fenómeno ainda um pouco “marginal”, pois não tem o impacto de outros meios de informação e divulgação. Mesmo dentro da internet ainda sofre com essa marginalidade, talvez pela quantidade de incontáveis blogs sobre tudo e sobre nada, talvez pelo carácter anónimo de muitos deles, que pode levar aqueles que procuram informação a não terem confiança neste meio da blogosfera. Por outro lado, a blogosfera é um espaço de criação, pois um blog é uma criação do seu titular, condicionada é certo, mas provêm da decisão de alguém em iniciar um projecto.
Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de Blogues?
Concretamente, não me recordo de seguir um acontecimento nacional ou internacional. Tenho, isso sim, o cuidado de recorrer a este meio para obter informações complementares àquelas que obtenho através de outros meios de informação. Para além dessas informações complementares, acompanho a criação literária e artística que é divulgada através da “blogosfera” e que não tem espaço para ser divulgada através de outros meios.
Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Desde há algum tempo que acompanho a criação literária que vai surgindo no ambiente da “blogosfera”, verificando que muita dessa criação tem uma qualidade assinalável dentro do contexto literário nacional. Como tal, e notando que a “blogosfera” é ainda um meio um pouco “marginal” de divulgação, noto que muitos dos “bloguers” anseiam pela publicação e pela divulgação das suas criações num meio mais comum e mais mediático. Iniciei assim um projecto que desse voz e luz a essas criações. A Magna Editora surgiu, também, com esse intuito, ou seja, dar visibilidade aos poetas, aos romancistas, aos contadores de histórias que andam escondidos pela “blogosfera”. Nesse sentido, e como editor da Magna Editora, a “blogosfera” teve e tem uma importância capital na minha vida profissional e pessoal.
Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Penso que neste assunto ainda se fazem algumas confusões quanto ao que é livre, ou não, da expressão através de blogs. Convém distinguir entre liberdade no acesso a um blog e a liberdade no que se publica num blog. Muitas pessoas não são livres de aceder à internet, pois não têm uma vida suficientemente livre para que o possam fazer. Mesmo aqueles que têm acesso à internet têm de o fazer mediados por um conjunto de parcerias que estabelecem as regras desse acesso. Mas não é este tipo de liberdade que está em causa na sua pergunta, antes a liberdade que diz respeito ao que se escreve num blog. E aí penso que a blogosfera é, efectivamente, uma forma de expressão editorialmente livre. É livre nos conteúdos, praticamente todos, na quantidade, na qualidade e em todo o tipo de criação, as barreiras de controle num meio como este são praticamente nulas, e o facto de ser um pouco “marginal” propicia tal situação.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas e António Nunes Pereira e Fernando Negrão. Amanhã: António M. Ferro, estudante, 22 anos.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 16

e
o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Fernando Negrão, deputado, 50 anos.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Uma união de palavras muito feliz e que nos leva para o novo mundo das comunicações particulares globais, que está a transformar a imprensa tal como a conhecemos, o que acontece através da democratização do "trajecto da palavra", ou seja, agora não só podemos escrever aquilo que é o nosso entendimento acerca das coisas do mundo, como também, querendo, o podemos fazer chegar a poucos, a muitos ou a todos.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Tenho ainda só a curiosidade, falta-me o hábito. Mas quando o tema é relevante, nunca deixo de fazer uma "visita". A nível nacional lembro-me de "consultas" acerca do caso "apito dourado", ou das últimas eleições presidenciais. A nível internacional a consulta tem sido sempre nos piores momentos no que ao terrorismo diz respeito.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
O facto de nos blogues as formas de expressão serem tão variadas e por vezes tão desenquadradas, levam a que por vezes neles se escrevam textos da maior crueldade factual e pessoal, o que só acontece por alguns ainda não terem percebido a relevância desta nova forma de comunicação.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Estamos perante o fenómeno de comunicação mais extenso e mais livre que até hoje terá acontecido, com a particularidade de nem sequer nele existirem regras editoriais. É um caso de efectiva e completa auto-regulação que será interessante acompanhar no futuro.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos, Paulo Tunhas e António Nunes Pereira. Amanhã: Emanuel Vitorino, Editor da Magna Editora, 27 anos de idade.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 15

e
o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é António Nunes Pereira, Arquitecto e Prof. Universitário.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Sem saber muito bem o que quer dizer "blog“, parece-me que blogosfera é um espaço virtual de páginas da internet de indivíduos que, nessas mesmas páginas, exprimem opiniões (muito pessoais) e estabelecem diálogo com os leitores. Provavelmente é um lugar previligiado para esquecer inibições, portanto de real livre expressão. Para além disso, a própria expressão blogosfera remete esta realidade para uma situação comparável à da esfera celeste, tão vasta, indistinda e inabrangente aquela como esta.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Hum.. esta entrevista!
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Até agora, não. Evito mesmo ler blogs, pois os que vi até agora são de uma expressividade algo visceral, muito subjectiva, assim como um local de desabafo em que depressa se pode cair no "dizer mal por dizer“. No entanto, para eu ter uma opinião sobre blogs, deveria conhecer mais.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito que sim, até porque o conteúdo dos blogs deve ser de difícil controlo (por parte de qualquer hipotética entidade censória). Em relação aos blogs, coloca-se me menos a questão da censura, mas mais a questão da extrema subjectividade, que raras vezes me interessa.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro, José Alexandre Ramos e Paulo Tunhas. Amanhã: Fernando Negrão, deputado.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 14

Especial 09/11: entrevista a Paulo Tunhas
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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. Hoje o convidado é Paulo Tunhas, Filósofo.
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
A possibilidade de conversas e discussões sem o tipo de mediações que, por exemplo, os jornais exigem. O que – colocando, é verdade, problemas particulares - é uma virtude em si. Tenho a certeza, por exemplo, que muito do que se escreverá hoje e nos dias consecutivos sobre o 11 de Setembro nos blogs será incomparavelmente mais pertinente e informado do que aquilo que poderemos encontrar na maioria dos media - que, para disfarçar a natural indigência, buscam ser subtis fazendo uma sociologia selvagem que é o disfarce fruste (às vezes nem isso) de um convencimento político “de esquerda” (e, mais do que “de esquerda”, do puro e simples medo de pensar). Aposto que nos telejornais de hoje vamos assistir a verdadeiros florilégios de sociologia selvagem. Com a boa consciência que o anti-americanismo e o anti-israelismo – é a sua razão profunda de ser - têm o dom de provocar. Como o interesse do exercício é puramente teratológico, confesso que não vou ver. E não é por má-fé: é porque já sei mesmo (um saber de experiência feito) o que iria ouvir, quase ao mínimo detalhe. Mas vou ler alguns blogs – e jornais, claro.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Todo o pós-11 de Setembro. Quem se lembrar o que era o grosso da cobertura jornalística, noticiosa ou opinante, das sequelas do 11 de Setembro (e não me refiro unicamente, nem sobretudo, à guerra do Iraque), percebe a lufada de ar fresco que veio dos blogs, de muitos blogs. Claro que, nos jornais, havia gente como Pacheco Pereira, Helena Matos, Diogo Pires Aurélio, Vasco Pulido Valente, Vasco Graça Moura, Francisco José Viegas, Esther Muznik, José Manuel Fernandes, entre outros, que, com várias diferenças entre si, não alinhavam na corrupção do espírito reinante. Mas eram uma minoria. De resto, a coisa pouco mudou. Os ataques a Israel e a resposta de Israel ao Hezbollah suscitaram na maioria dos media o mesmo estado de espírito que o 11 de Setembro: as vítimas do ataque eram, por definição, culpadas. E, mais uma vez, os blogs, muitos blogs, portaram-se muito melhor.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Nenhum. Enfim, um que não é exactamente “pessoal”. Quando Fernando Gil e eu (com Danièle Cohn) publicamos o livro Impasses, sobre o pós-11 de Setembro, foram os autores de blogs – o primeiro, creio eu, foi o Pedro Lomba, e agradeço-lho daqui – que começaram a falar do livro, no meio de um silêncio jornalístico nada inocente. E, mesmo quando o livro começou a ser referido nos jornais, as melhores discussões foram as dos blogs. Secundariamente, descobri também que, a par de maior liberdade de espírito (e melhor cabecinha), havia também gente que escrevia muito melhor que a média dos opinantes jornalísticos. O que, não sendo exactamente um prodígio, dá prazer.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Talvez por ignorância, não vejo como podia não ser assim, partindo do princípio que percebo o que quer dizer com “liberdade editorial”. O Luís não se sente “editorialmente livre” no seu blog? Isto, claro, não se permitindo decretar uma talvez apetecível fatwa contra inimigos políticos ou pessoais. Mas isso… O Luís permitir-se-ia, por exemplo, reclamar ardentemente terríveis medidas persecutórias contra a nutricionista totalitária Isabel do Carmo – que fosse forçada a usar o véu islâmico, ou a sofrer as indignidades costumeiras das mulheres no Islão, ou coisas assim? Não se permitia. Mas pode-lhe chamar “nutricionista totalitária”, se quiser. E bem, se me é permitida uma opinião na matéria. Mas o não se permitir a primeira coisa, e permitir-se a segunda, não lhe tira um milimetrozinho de “liberdade editorial”. Dá-lha. Ainda há uma palavrinha ou duas que se podem dizer a favor da democracia e dos bons costumes.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho, Jorge Reis-Sá, Nuno Magalhães, José Luís Peixoto, Carlos Pinto Coelho, José Quintela, Reginaldo de Almeida, Filipa Abecassis, Pedro Baganha, Hans van Wetering, Milton Ribeiro e José Alexandre Ramos. Amanhã: António Nunes Pereira, Arquitecto e Prof. universitário.