sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Mini-entrevistas - 4

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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. O convidado de hoje é Nuno Magalhães, deputado do PP pelo círculo de Setúbal, 34 anos.
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1 – O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
A palavra “blogosfera” sugere-me um novo espaço de liberdade de opinião, de debate e de troca de experiências e visões. Esta é, pelo menos, a visão que gostaria de ter. Não escondo que, por vezes, directa ou indirectamente, tenho vislumbrado alguns casos de abusos sob a capa do anonimato, mas tal é um risco que se corre em qualquer espaço de debate democrático e um “preço” que qualquer democrata “paga” sem hesitações…
2 – Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Nenhum em especial. Acompanho esporadicamente alguns blogues mas não de forma diária.
3 – Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Um novo espaço de opinião ao qual, como em relação aos demais, quem defende a causa pública deve estar atento.
4 – Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Como todos os espaços, julgo (e não é mais que uma impressão…) que por vezes é e, noutros casos, não. Obviamente prefiro estes, àqueles, como prefiro os assinados aos anónimos. Como em tudo, a liberdade deve ser exercida com responsabilidade e no respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos demais.
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Nos posts de baixo: entrevistas a Carlos Zorrinho e a Jorge Reis-Sá. Amanhã: José Luís Peixoto, escritor.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Mini-entrevistas - 3

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Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. O convidado de hoje é Jorge Reis-Sá, editor e autor.
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- O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?
Não sou de grupos. Acredito por isso mais na biosfera do que na blogosfera. Até porque, bem vistas as coisas, escrevo um diário de amizade on line. Não sou membro do clube. Assim o não querem os membros, assim o não desejo eu.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Não.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Na vida profissional, alguma coisa. Afinal enquanto editor vou editar e já editei livros a partir de blogues. Na vida pessoal apenas a descoberta de algumas considerações sobre o que escrevo ou sobre a minha pessoa em blogues insuspeitos.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Acredito. Com tudo o que daí advém de bom e mau.
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No post de baixo, entrevista a Carlos Zorrinho.
Amanhã: Nuno Magalhães, deputado do PP pelo círculo de Setúbal.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Mini-entrevistas - 2

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o Miniscente está a publicar uma série de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. O convidado de hoje é Carlos Zorrinho (47 anos, Professor Universitário e actualmente Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico).
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
Intuitivamente penso em rede e em vida, numa comunhão livre e simultaneamente inteligente e complexa, dada a infinidade de conexões possíveis. Por outro lado conduz-me a uma certa ausência de fronteira, mas ao mesmo tempo traduz um sentido de limite em continuo, associado ao próprio conceito de esfera.
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
Não exclusivamente, mas procuro normalmente avaliar se o rumor da blogosfera adere ao visível mediático. Na tectónica da actualidade, os rumores da rede ajudam a prever (e a precaver) os terramotos noticiosos.
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
Quando fui nomeado para as funções que agora exerço (Coordenador do Plano Tecnológico), num contexto mediaticamente muito visível, a leitura dos Blogs fez-me perceber com clareza as expectativas positivas e negativas em relação ao meu potencial desempenho e ao mérito do Plano, algumas razoáveis e outras fruto de preconceitos ou deficiente informação. Procurei ter em conta essas percepções para criar as melhores condições possíveis para o desempenho da missão.
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?
Formalmente sim. Quanto ao resto talvez não seja este o espaço para discutir o que é ser livre na sociedade da informação e na economia do conhecimento. Talvez um dia reflicta sobre isto neste ou noutro "blog".

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Mini-entrevistas - 1

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A partir de amanhã, o Miniscente iniciará uma série regular de entrevistas acerca da blogosfera e dos seus impactos na vida específica dos próprios entrevistados. As pessoas convidadas corresponderão a perfis e a níveis etários bastante variados. As perguntas serão sempre as mesmas:
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- O que é que lhe diz a palavra “blogosfera”?
- Seguiu algum acontecimento nacional ou internacional através de blogues?
- Qual foi o maior impacto que os blogues tiveram na sua vida pessoal?
- Acredita que a blogosfera é uma forma de expressão editorialmente livre?

Flutuações temerárias

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André Moura e Cunha teve a ideia feliz das “frases iniciais exemplares”. É um bom ponto de empatia para uma rentreé blogosférica (existirá tal coisa em área de fluxo?). Estarei atento e contribuirei de vez em quando, até porque as Seis propostas para o próximo milénio de Italo Calvino não saciaram o tema. Hoje lembrei-me da “navegação temerária” convocada por Hans Blumenberg no “incipit” do seu Naufrágio com espectador:
“O homem conduz a sua vida e ergue as suas instituições sobre terra firme. Todavia, procura compreender o curso da sua existência na sua totalidade, de preferência, com a metáfora da navegação temerária.”

O nome da corrupção

Quando se trata do PCP, os registos apontam quase sempre para “irregularidades”, para “alegadas incongruências”, ou para “favorecimentos precipitados”, mas nunca, como em todos os casos do género, para “corrupção”. Por que será? Salvos raras excepções, o impulso dominante dos nossos media tende a escamotear os nomes, trocando-os pela imagem colorida que luz ao espelho: neste caso a sempre aclamada festa do Avante que aí vem para tudo esquecer (podia ter sido “doença prolongada”, ou “renovação partidária”, ou outra máscara retórica qualquer, não é?).

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

A beleza dos diagramas

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A propósito da beleza dos diagramas, evocada por J.Pacheco Pereira, passo a citar um extracto de umas das famosas cartas de Peirce a Lady Welb onde, depois de apresentar as suas categorias (firstness, secondness e thirdness), o autor passa a introduzir os tipos de signos que delas decorrem. Aí compara os ícones (signos que apresentam similaridades com o que denotam) com uma "visão" - "or the sentiment excited by a piece of music considered as representing what the composer intended. Such may be the sinsign (o que acontece agora e aqui), like an individual diagram; say, a curve of the distribution of errors".
Esta "curva" que acolhe as falhas e virtudes do que se vai actualizando - acto a acto da nossa vida - é, no fundo, a alma de todos os nossos prodígios.
Daí, porventura, também, a sua beleza.

A Falha, outra vez

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A Falha, filme de João Mário Grilo (2002) baseado no meu romance do mesmo nome (1998), pode ser revisto logo à noite (uma da manhã, RTP, canal 1).

Férias - 69

Termina hoje, no simbólico número 69, esta longa série de férias. Foram pequenos posts muito variados, tematicamente descentrados, sem preocupações de networking e sobretudo ilibados de toda a carga ilocutória. Olho para trás e sinto-me (narcisicamente) feliz com a experiência e com o tom que não foi planeado, nem pressentido à partida. Com efeito, as férias são um espaço de escorço mais acentuado, no meio do enduring pathos do resto do ano. Nada mais do que isso. Espero não ter desiludido os generosos leitores que permaneceram fiéis a este espaço durante o longo Agosto.
(28/8)

domingo, 27 de agosto de 2006

Férias - 68

Futebol e férias: enquanto reabro o computador de casa, deixo a TVi ligada (em silêncio sepulcral) não vá aparecer, às 19h15, um Benfica-Belenenses.
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p.s. - Furioso pelo facto de a Pública de hoje (links ausentes) não ter integrado o Lusitano de Évora nos clubes míticos portugueses.
(27/8)