segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Férias - 57

No Público de hoje (Domingo, legenda da página 47): "Alguns publicitários não vêm um grafismo realmente inovador no novo semanário". Na escola primária, o meu professor ensinou-me: vê-se com dois olhos (vêem) e quando se regressa vem-se por um só caminho (vêm). Chega?
(20/8)

sábado, 19 de agosto de 2006

Férias - 56

As férias também nos dão tempo para vasculhar. Ao fazê-lo, dei com este desafio do Bloguítica que vai já fazer um ano no próximo dia 9 de Setembro:
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"O desafio que proponho aos leitores consiste em identificar os casos de laços de parentesco na política. Por exemplo, um líder de uma distrital cujo filho seja deputado. Um governador civil cujo filho faça parte dos órgãos de um partido. Um presidente da câmara cuja mulher seja ministra. E assim sucessivamente. Os dados deverão ser enviados para o email: paulogorjao@gmail.com. Daqui a oito dias tornarei pública uma primeira listagem."
e
Em que terá ficado, no final, este interessantíssimo desafio?
(19/8)

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Férias - 55

Não me oponho feericamente às subvenções estatais dos “gestos contemporâneos”, como escreveu Fiadeiro, ou doutras manifestações de índole “cultural”. Só que o escrutínio em torno da actividade e a exclusividade que se lhe impõe (tal como a que é exigida aos bolseiros da área científica) nem sempre – diria raramente – são dados claros. Esta falta de clareza tem extremado posições nos últimos anos (digamos pós-Expo): de um lado, a incompreensão crescente e legítima do público; do outro lado, a arrogância e (muitas vezes) o isolamento quase autista dos próprios subsidiados. Não sei se os novos instrumentos legais irão corresponder a este extremar de posições. Vai ser uma das discussões (de nicho) da “rentrée”, creio eu.
(18/8)

Férias - 54

Quando o Ocidente passar a julgar os factos unicamente a partir da apoteose das imagens (já faltou mais), tornar-se-á plausível a aparição vitimizada de um novo Hitler vestido porventura com cores islâmicas. Nesse dia, vai ser demasiado tarde para sequer sonhar com uma nostalgia da liberdade.
(18/8)

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Férias - 53

Às sete da manhã, a tempestade fez a praia levantar voo como se o areal, o relvado e os arbustos fossem flamingos frágeis na vazante.
(17/8)

Férias - 52

Leio com interesse um apontamento que se admira com a leitura de A Ignorância de Kundera em (apenas) 24 horas. Devo dizer que, apesar de ter lido de sol a sol as 186 páginas da edição de bolso da ASA, elas não me chegaram sequer a impor uma devoração sôfrega. Foi canoagem intensa mas sempre com brisa de feição: não mais do que isso. Aliás, quem trabalha comigo em temas no mínimo tão labirínticos quanto o são os da problematização kunderiana, de certeza absoluta que é convidado a ler ainda com mais rapidez (pelo menos, em certas circunstâncias).
(17/8)

Férias - 51

A propósito da "crença" e da "rapidez" (este, outro tema kunderiano), é interessante a revelação que surge hoje nos jornais: Marcelo Caetano doutorou-se aos 25 anos e já era catedrático aos 27 anos. Imagine-se que a eficácia facilitista de Bolonha tomava conhecimento destes factos!
(17/8)

Férias - 50

Há argumentos que apenas desvalorizam quem os utiliza. Um bom exemplo disso é o modo como O Estrangeiro de Camus foi tratado e noticiado (a propósito da sua leitura por G. W. Bush). O provedor dos leitores do Público (sem links) deveria hoje ter matéria com que se preocupar. A discórdia política e o reducionismo mais cru e cruel nunca deveriam andar de mãos dadas (pelo menos nesses territórios que o jornalismo reivindica para si, ao sabor íntimo e exclusivo da sua "deontologia").
(16/8)

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Férias - 49

Quando o hiperterrorismo recua das primeiras páginas para o meio dos jornais (ou dos telejornais), sentimo-nos subitamente salvos. Seis séculos depois, as indulgências passaram deste modo a constituir um modo de vida que se paga com o mais alto preço: a ilusão. Onde antes havia crença e fé indefectíveis, há hoje uma miríade de cenários que movem cenários para que acreditemos que nada de anormal se passa afinal à nossa volta. E assim acontece.
(15/8)

Férias - 48

Não, não é Gunter Grass que caiu agora em desgraça. O que caiu - e que sempre esteve estatelado no chão sem que ninguém o quisesse admitir - foi o mito da autoridade moral dos (cito) "intelectuais".
(15/8)