sexta-feira, 30 de dezembro de 2005

Desejo-vos um grande 2006!

e,
Como vou partir para outros mundos, aproveito para desejar uma boa entrada no ano que aí vem.
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Um grande 2006!
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(E... já conhecem o "VoipBuster" para desejar boas festas?)

Já saiu (INCM)

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"Ficará diante de nós, numa palavra, um dilema universal: partir definitivamente, ou entregarmo-nos antes ao desamparo da beleza que é, ao fim e ao cabo, a lembrança mais fecunda das nossas origens?
Ou as duas coisas, insustentadamente e ao mesmo tempo?"
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(Só é pena que o preço do livro crie algumas vertigens)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

Há quatro décadas

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Em Dezembro de 1965 estava no 2º ano do liceu. Concluíra o "primeiro período" com notas suficientes e sem quaisquer faltas. A informação, assinada pelo reitor, era enviada para casa (ao encarregado de educação) num postal cor-de-rosa e isento de franquia, devido a uma portaria datada de 7 de Abril de 1899. Lembro-me do arrepio que o postal suscitava (sempre era menor do que antecedia as orais).
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(Havia plátanos despidos na Avenida de S. João de Deus. Ainda lá estão, como se nada se tivesse passado entretanto)

Confissões epistolares

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Tenho andado a mexer em papéis nesta pausa de fim de ano. E acabei agora mesmo de encontrar um conjunto de cartas do Vergílio Ferreira que há muito pensava perdidas. Esta foi escrita a 31 de Julho de 1984 e recebi-a, à época, na minha casa de Amesterdão. Depois de algumas frases iniciais, o teor de VF é revelador:
r
"Não me tem sido amável a vida e isso reflecte-se em todos os níveis de eu ser. Assim a literatura, por exemplo - é o exemplo mais flagrante - está-me em suspenso há muito tempo".
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E... pensar nos livros de VF que viriam a seguir a 1984!
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(Saliento o brilhante Até ao Fim de 1987, a selecção de aforimos Pensar de 1992 e ainda o enigmático e póstumo Carta a Sandra de 1997)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Férias

A ler (a meias com o Ruy Castro sobre Nelson Rodrigues) O Mal no Pensamento Moderno - Uma História Alternativa da Filosofia de Susan Neiman (Gradiva). É uma obra já do pós-09/11 sobre o sentido, a razão e a esperança. Prometedor, até agora.
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(Estado de alma: um alheamento radical face ao que foi a correria do último trimestre do ano)

Swinging

Estava com as colunas de som bem abertas, abri a Batukada e fui verdadeiramente fulminado por um jacto de felictricidade. O resto, o lado profético, já se vê, não passa de simples aura conceptual.
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(Ficou-me do final dos idos de sessenta e do início dos de setenta uma profunda ligação a sons que respiram electricidade pura)

terça-feira, 27 de dezembro de 2005

BI de Maria Filomena Mónica - 2

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Acabei há pouco de ler o livro na íntegra. Deixo, nas linhas que se seguem, algumas opiniões dispersas e enunciadas quase em tempo real:
a) Gosto da dimensão do livro, particularmente ligada ao ethos da primeira pessoa, que enaltece a ambição, o narcisismo, a confiança, o deslumbre e a coragem. Esse aspecto, o mais detestado pela gíria dos leitores locais (pelo que tenho reparado), tem muito mais importância do que os factos que são relatados, sobretudo quando querem assumir alguma pertinência na cenografia histórica da época radiografada.
b) A referência ao “voyeurismo”, que já vi insistentemente inscrita em blogues e na imprensa escrita, também não me parece ter grande razão de ser. Para que se olha, quando se olha para dentro deste livro? Creio que se contempla a errância e o fluir entre vias que jamais se dissociam de alguma desordem (o que acontece em todas as vidas). Como refiro no post de baixo, as elipses que legitimam a montagem deste livro não serão talvez as acordadas pela expectativa habitual de quem se relata a si mesmo. Mas não deixam de ser elipses e o enredo não deixa de ser montagem e construção.
c) Considero mesmo cretino o modo epicizante com que a crítica tem apresentado o livro, como se fosse um inusitado zepelim a irromper na invicta névoa de uma aldeia subterrânea (leia-se o texto da Livraria Leitura sobre o livro: “Num país conservador, católico e hopócrita, o tom cru deste livro poderá chocar”). Numa era em que a dicotomia público vs. privado está clara e celeremente a mudar de sentido (a par de outras dicotomias, tais comos real vs. ficção, verdade vs. sentido, etc.), creio que esses anúncios publicitários são ridículos e mesmo paroquiais.
d) Diria ainda - e esta intuição é polémica e potencialmente injusta - que há neste livro um 'ultra-fascínio' pela redenção inglesa que é mais própria de uma mitifação local (e algo ressentida) do outro do que de uma genuína incorporação e produtividade da tradição estrangeirada. (mas esse factor apenas adensa o interesse peculiar que o livro contém).
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Por baixo fica a impressão, ainda a meio da leitura, de um livro que considero importante (haverá um misto de razões para esta opinião, não literárias ou históricas, que deixo para reflexão posterior).
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(Se este livro simulasse ser um romance que tivesse transposto e mascarado acções, nomes e factos, seria um romance sem qualquer tipo de encanto. A atracção real que o move advém de um outro tipo de ficcionalidade em que se batem a voluntariedade da narração e a involuntariedade da memória)

BI de Maria Filomena Mónica - 1

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O interesse de um livro também se mede pelo ímpeto com que move e cativa o leitor. Mesmo que se revele abaixo das expectativas, um livro pode colar, ou não, com uma espécie de indução narrativa que está sempre pronta a recolocar o agenciamento, a intriga e, portanto, os destinos possíveis que estão em jogo. Um livro pode até dizer-nos qual a latitude entre a soberba e a humildade com que a sua escrita terá sido engendrada, sem que, com isso, deixemos de rescrever, com algum prazer, cada passo, cada rosto, ou cada rua mais anónima que apareça descrita. Um livro pode gerar empatias e comoções, ou passar despercebido entre mil e um acenos que dão a ver, ao longe, a emoção que passou ao lado. Um livro pode ser útil ao gender, à radiografia pontual de uma comunidade, à depurada fruição de um enredo, à plasticidade do que se diz, ou a nada. Um livro pode adormecer na banca de cabeceira e murmurar-nos, ou não - a nós, leitores - acerca da sua presença durante o tempo que medeia a leitura. Um livro pode incendiar a alma e obrigar-nos a descobrir uma silhueta perdida no calor da nossa memória mais involuntária. Um livro pode dizer-nos os nomes de pessoas reais ou de personagens inventados, sem que isso remeta para realidades verificáveis ou "autorizadas"; no fundo, é o pressentido labirinto das imagens que acaba por trazer ao ser o mundo que faz um nome ser um fantasma, uma figura ou um esboço de pessoa. Um livro que se afirme autobiográfico já nos diz, à partida, que a ficção pretende regressar do esboço imaginário ao perímetro mais preciso de uma experiência que se revê num nome, numa percurso e numa montagem que se quer ver a si própria encenada. Um livro autobiográfico que se diga de si mesmo ser pioneiro (ou que tão-só o sugira em subtexto para que o metatexto e a crítica pública que o sucedem o definam enquanto tal) pode tornar-se algo artificioso. Resumindo: um livro que consiga motivar o leitor, que consiga engendrar com nitidez o espaço de um trajecto, que consiga retratar (com elipses diversas do habitual no meio em que é difundido) a avidez da superação e que, por fim, consiga habilmente dizer de si mesmo ser outro... pode ser um bom livro. Não sei se será, neste caso, mas já li mais de metade. E vou embalado.
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(Um texto de blogue é livre: permite andar à procura do que se quer dizer. Um texto autobiográfico é-o muito menos: permite andar à procura de uma imagem que se quer repor)
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(No início do Verão de 2004, comecei a reunir material para escrever a biografia inventada de uma personalidade muito conhecida e já falecida há umas três décadas. No entanto, o tipo de pesquisa e a incerteza das metas a atingir, acabaram por desmobilizar-me. Porquê?)
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(Curiosamente, o Balanço que o Francisco está a fazer tem muito a ver com o espírito "Bilhete de Identidade", embora muito mais incisivo e sem aquelas "elipses", mas com as outras que também não se esperavam; daí o interesse e, já agora, a oportunidade.)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

O problema do dia

Ser autor declarado na capa de um livro que, ao fim e ao cabo, é escrito por outros (sobre os chamado "Ghostwriters"). Aqui e aqui. Só é estranho que uma história tão antiga acabe por acirrar impaciências num dia tão anónimo com é o dia 26 de Dezembro (ainda se fosse anteontem à noite!).
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(But... they love Hillary)

domingo, 25 de dezembro de 2005

Vivos como as laranjeiras

Não há dia que não projecte uma sombra sobre o seu próprio ronronar. No Natal, no entanto, é possível vislumbrar a penumbra que repousa dentro dessa sombra. Deverá ser esse o milagre: uma metamorfose que não se decifra, mas que atravessa a densidade da grande pausa do ano: o início dos inícios a sussurrar no coração do solstício. E o que comove, no Natal, não é a reunião, a partilha, a repetição, ou o ritual. O que comove, no Natal, é a penumbra que se insinua no olhar. Tão distante ela é de qualquer expiação.
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(This is all bullsheet)