quarta-feira, 31 de agosto de 2005

Intervenções, apoios e arrufos


E hoje, o Instituto Nacional da Aviação Civil sentiu-se obrigado a responder a um jornal francês.
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E hoje cresceram as dúvidas acerca do apoio do estado ao Ciberdúvidas.
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E hoje ficámos ainda a saber, entre alguns arrufos e memórias de incêndios, que o estado se prepara para multar o próprio estado.
Facetas de um enredo (mais) vasto

Da autoria de Brendan O'Neill, esta perspectiva da história da al-Qaeda não deixa de ser interessante.
Fantasmas bizarros da "outra senhora"


Para um blogue que aprecio – há coisas assim –, o treinador Scolari é um fantasma de Oliveira Salazar apenas por não ter posto a jogar na selecção nacional de futebol o senhor Baía. É como se Pinto da Costa fosse um arrebatado capitão de Abril, envolto pela gabardina negra e pelos óculos escuros mais ou menos policiais do tempo da outra senhora.
Há análises que se fazem à “nação” que advêm de teorias antropológicas insondáveis que eu francamente não domino.
Esta é uma delas.
No balanço dos incêndios
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A impaciência traiu António Costa na RTP e deu a ver o modo como os factos, inelutavelmente, ultrapassam os governantes. O discurso político moderno começou por ser a dissimulação desse facto óbvio. Mas António Costa esqueceu tudo isso e preferiu falar em público como se estivesse zangado à mesa de um café, deixando de lado o que se espera de um ministro responsável em tempo de fragilidade e de crise: segurança, compaixão e autoridade (o exemplo inglês de Julho passado e a barbárie natural de Nova Orléans podiam ter servido de exemplo a António Costa para a discrição, para a humildade e para a voz de comando tão necessárias quanto negligenciadas).
Para quem não leu...

"Hace tiempo que los portugueses andan desanimados. El ver arder, por tercer verano consecutivo, sus bosques ha reforzado estos días una introspección interna en un país profundamente deprimido y que no parece poder salir de su malestar. Se le amontonan los problemas y carece, cuando más lo necesitaría, de proyecto de país. La separación entre la clase política y la ciudadanía alimenta este pesimismo.
Los incendios, afortundamente apagados -en parte gracias a una ejemplar colaboración europea-, han puesto de forma desgraciada el foco sobre un campo abandonado por los jóvenes, sobre la desintegración acelerada del mundo rural, y sobre la falta de ordenamiento territorial. Portugal ha cambiado profundamente, para bien, aunque en el camino se olvidó de ese mundo rural. Pero el proceso de modernización y de crecimiento económico con la democratización y la entrada en la hoy Unión Europea ha sido a todas luces positivo, como en España.
Desde hace un quinquenio, ha entrado en una senda en la que no acaba de encontrarse. La economía, a la baja desde 2000, entró en recesión a finales de 2002, y desde entonces no remonta. Ante el encarecimiento del precio del petróleo, ni siquiera se podrá cumplir la tímida previsión del Banco de Portugal de un crecimiento del 0,5% del PIB este año. Mientras, crece el desempleo, del 4,1% en 2001 al 7,2% en la actualidad. Las recetas que han aplicado los diversos Gobiernos no han hecho sino engordar el Estado -hasta un 6,8% del PIB, casi el doble de lo permitido por la pertenencia al euro-, y los impuestos a los ciudadanos.
La depresión tiende a devorar a sus dirigentes, y la crisis de gobernabilidad la alimenta. Antonio Guterres tiró la toalla. Durao Barroso se marchó a Bruselas, y su sucesor, Pedro Santana Lopes, cayó en el caos administrativo. La victoria de José Sócrates ha despertado esperanzas, pero también el joven socialista ha sufrido en carne propia los últimos acontecimientos y, previsiblemente, pagará un precio, aumentado en las zonas devastadas por el fuego, en las municipales de octubre. Tan profunda parece la crisis política, que Mario Soares, a sus 80 años, que lo ha sido todo en Portugal, se ha propugnado como candidato a las elecciones presidenciales de enero, y la derecha mira a Anibal Cavaco Silva como posible contrincante. Son símbolos del pasado, y su candidatura es reflejo de que la nueva generación no ha llenado plenamente el hueco.
Portugal, sin embargo, se recuperará. Si hace unos años logró ponerse en forma para entrar en el euro, puede hacerlo de nuevo y afrontar los nuevos desafíos con el esfuerzo de todos y mediando un gran consenso nacional. Aunque los niveles de confianza de los agentes económicos tienden a empeorar, las empresas están haciendo grandes pasos en su reestructuración. La sociedad civil comienza a despertar y a movilizarse. Es de esperar que logre provocar un cambio en la forma de gobernar y un empuje para las inaplazables, y duras, reformas estructurales que Portugal no puede demorar más. Pero, ante todo, lo que los portugueses deben recuperar, y hay motivos para ello, es ilusión."


(Editorial de El Pais de 28/08/2005)

terça-feira, 30 de agosto de 2005

Corporativas
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Leia-se com atenção o terceiro título mais importante do Público On-line de hoje:


Com a excepção da guerra e da sua imprevisibilidade, os furacões são provavelmente mais perigosos para os jornalistas que fazem a cobertura da sua passagem do que qualquer outro acontecimento."
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E a gente a pensar que os furacãos punham em risco populações, habitações, estruturas viárias e equipamentos petrolíferos. Afinal, é o putativo sofrimento dos jornalistas que se constitui como uma das principais escolhas do mundo imaginado pelos jornalistas. O seu ao seu dono. De facto, para factos de realce, notícias de realce!
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P.S. - ler e ver, a propósito, as "favorite weather porn photos".
Pequeno país

Qual seria o país de que Alegre gostava de ser presidente? Uma espécie de ilha da Madeira em que Jardim recitaria poemas épicos com delonga na voz e alguma nostalgia pelos mártires das suratas marxistas?
Flagrante em Campo de Ourique
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Tomamos o café na esplanada com o cão. De repente, um casal desconhecido está à nossa frente. Ar simpático, traços anafados, compostura dócil.
O marido diz, a certa altura, na direcção da mulher: "Carlota dá um beijo ao cão". A senhora quase se ajoelha e o Ulisses lambe intensamente a cara à senhora.
Seguem depois o seu caminho, sem pressas, como se escutassem a voz de Jacques (le fataliste et son maître): "Et qui est ce qui m'apprendra à moi, pauvre ignorant, si la doctrine du faiseur de miracles est bonne ou mauvaise?"

A alteração

Já esperada, preparada e até simulada, a alteração verificada na Baixa de Mobile, no Alabama, dá-se agora a ver com alguma segurança. Uma acrobacia com rede. Um risco com traço precavido. Um rasgo organizado e quase sem dor. Há quem descubra algo de "porno" nestas congeminações que dançam nas imagens carregadas de alarme (ver post de baixo).
Uma boa questão
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A Wonkette chama-lhe, no seu blogue, "the favorite weather porn photos".
Haverá, porventura, similitudes (subliminares) entre a barbárie natural da Flórida e o discurso de imagens das TVs lusas sobre os incêndios estivais?