Novo folhetim no Minion
Depois da publicação de The Giant Cloud, tradução inglesa de A nuvem gigante, começa hoje a publicar-se no Minion o meu conto Wild Boar Eye (O olho do javali), em doze episódios (tudo traduções do Bernardo Palmeirim). Passem por lá.
segunda-feira, 28 de março de 2005
UM AMOR CATALÃO
Folhetim à moda clássica
VIGÉSIMO QUARTO EPISÓDIO
(O desconcerto de Albe)
Folhetim à moda clássica
VIGÉSIMO QUARTO EPISÓDIO
(O desconcerto de Albe)
Albe atravessou a cidade durante quase dois dias, de manhã à noite, e não descortinou Edmundo em lado nenhum.
Parou junto a montras e viu-se ingloriamente a segredar rimas antigas.
Caminhou quase sempre alheada à cidade que a seu lado fervilhava, subindo a Calle Pazienza entrando no Campo S. Margherita e, depois, levada pelo andar desconcertado, acabou por embarcar para o Lido.
Que bússola lhe emprestaria o destino? - pensava
O céu ripostava com o silêncio das grandes apoteoses wagnerianas: nuvens intensas, rápidas e a contrastarem com a luminosidade amarelada que ininterruptamente atravessou a chuva miúda e imprevista.
Foi então que um jovem estudante com um violino de baixo do braço espreitou o olhar de Albe.
Um olhar incógnito, intemporal, preso ao grená bacilento das paredes corroídas pela água.
Ao reentrarem no cais junto à Salute, as fachadas surgiram anoitecidas e a sós, como se nada se passasse, mas ambos os nautas se entreolhavam e sorriam com uma candura que parecia congénita, incerta, mas natural. Tão estranha quanto inconfessável.
Veneza, cidade de extraordinários augúrios.
(No próximo episódio, ficar-se-á a saber até onde é que o imponderável teceu o destino veneziano de Albe)
Continua
domingo, 27 de março de 2005
Verão por uma hora
Heitor Villa-Lobos
Há muitas coisas que me ligam ao Domingo de Páscoa. Mas a mais importante é a mudança da hora. E logo a seguir é a "Ária (Cantilena)" da "Bachianas Brasileiras nº 5" que estou agora a ouvir.
sábado, 26 de março de 2005
O país da orla da Páscoa
Hoje entrámos decisivamente no país dos coletes. Só não se sabe, se serão florescentes ou fosforescentes. Uns florescem por si ( como no país à Mourinho), os outros só alumiam de vez em quando entre a persistente obscuridade que é a da sua profunda alma (é como no país à José Gil).
Duas parasceses simétricas e sem procissão: apenas hábitos repentinos e massificados. Eis que chego à janela e vejo o bom português regressado do hipermercado mais próximo, a sorrir com ar alarve, e a ostentar o verde nada vago do seu orgulhoso colete. Só depois virá o dia ressurreição.
Hoje entrámos decisivamente no país dos coletes. Só não se sabe, se serão florescentes ou fosforescentes. Uns florescem por si ( como no país à Mourinho), os outros só alumiam de vez em quando entre a persistente obscuridade que é a da sua profunda alma (é como no país à José Gil).
Duas parasceses simétricas e sem procissão: apenas hábitos repentinos e massificados. Eis que chego à janela e vejo o bom português regressado do hipermercado mais próximo, a sorrir com ar alarve, e a ostentar o verde nada vago do seu orgulhoso colete. Só depois virá o dia ressurreição.
sexta-feira, 25 de março de 2005
quinta-feira, 24 de março de 2005
quarta-feira, 23 de março de 2005
Culturas
Escreve o Bruno:
"Há imensa gente que vê novelas. Há imensa gente que tem blogs. Mas, curiosamente, as únicas expressões culturais que se vêm por essa blogosfera afora esmiuçam livros, poesia, cinema, teatro, ópera."
Cultura da visão ou cultura daquele que está para se vir?
A primeira é genuína e etimologicamente apocalíptica, enquanto a segunda é reflexivamente tensa, doce e agridoce ao mesmo tempo, sobretudo se conjurada de olhos bem fechados.
Escreve o Bruno:
"Há imensa gente que vê novelas. Há imensa gente que tem blogs. Mas, curiosamente, as únicas expressões culturais que se vêm por essa blogosfera afora esmiuçam livros, poesia, cinema, teatro, ópera."
Cultura da visão ou cultura daquele que está para se vir?
A primeira é genuína e etimologicamente apocalíptica, enquanto a segunda é reflexivamente tensa, doce e agridoce ao mesmo tempo, sobretudo se conjurada de olhos bem fechados.
terça-feira, 22 de março de 2005
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