A ler já hoje
A ser lido por todos. Obrigatoriamente. É um artigo essencial de Medina Carreira. Deixo aqui este extracto:
"Dispersos na nossa sociedade, temos 4,5 milhões de indivíduos que integram uma espécie de "Partido do Estado". Têm em comum a dependência directa do Orçamento e representavam, em 2003: 43 por cento da população residente; 56 por cento do eleitorado; 62 por cento da população com mais de 24 anos de idade. Pensionistas e subsidiados (mais de 3,8 milhões), equivaliam a 70 por cento da população activa. Este "Partido do Estado" absorvia 70 por cento dos impostos cobrados (1980); atinge agora os 85 por cento (2003). O pessoal político dos principais partidos "invade" progressivamente o Estado e pretende mais funcionários, mais pensionistas, mais subsídios e mais subsidiados, porque aí pode angariar mais votos. Os que ainda estão fora do "Partido do Estado" constituem uma minoria cada vez mais desiludida, reduzida e silenciada, e menos influente. Adormecido e enganado, Portugal trilha o caminho para o desastre financeiro do Estado e para uma pobreza mais generalizada dos portugueses. Ninguém nos acode."
domingo, 6 de fevereiro de 2005
sábado, 5 de fevereiro de 2005
Self-fulfilling prophecy
Não há nada como a entrega total à casualidade do acaso. Bate sempre certo. É a forma ideal de transformar uma asserção em facto. Muitas vezes, basta a fé para que chova, noutras é suficiente gritar o nome da nossa equipa para que ela meta golo. Tudo uma questão de convidar a realidade a cumprir o apelo enunciado. De resto, o hábito faz o monge. Ora leiamos o que escreveu J. Carlos de Assis:
"O presidente Lula espera que, tendo sido da Europa o século XIX, e dos Estados Unidos o século XX, o século XXI seja o século do Brasil. Deu-me a impressão de que ele estava lendo o discurso. Se é assim, é mais grave. Trata-se de um delírio coletivo. O presidente acha que sua presença no governo é um fator decisivo, por si mesmo, para melhorar as perspectivas brasileiras, independentemente do que ele faça ou não faça no poder. Dito de outra forma, o Brasil vai melhorar porque tem Lula na Presidência, e não exatamente pelo que Lula vier a fazer nela."
Há quem diga - estou a lembrar-me de F.Kermode - que a nossa relação com a instabilidade do tempo contemporâneo tem três traduções possíveis: esta, o famoso "self-fulfilling prophecy", a também atractiva metáfora da "crise" e ainda a mais clássica, mas sempre actuante "teoria dos ciclos" (de decadências e retomas sucessivas).
Qual preferem?
Não há nada como a entrega total à casualidade do acaso. Bate sempre certo. É a forma ideal de transformar uma asserção em facto. Muitas vezes, basta a fé para que chova, noutras é suficiente gritar o nome da nossa equipa para que ela meta golo. Tudo uma questão de convidar a realidade a cumprir o apelo enunciado. De resto, o hábito faz o monge. Ora leiamos o que escreveu J. Carlos de Assis:
"O presidente Lula espera que, tendo sido da Europa o século XIX, e dos Estados Unidos o século XX, o século XXI seja o século do Brasil. Deu-me a impressão de que ele estava lendo o discurso. Se é assim, é mais grave. Trata-se de um delírio coletivo. O presidente acha que sua presença no governo é um fator decisivo, por si mesmo, para melhorar as perspectivas brasileiras, independentemente do que ele faça ou não faça no poder. Dito de outra forma, o Brasil vai melhorar porque tem Lula na Presidência, e não exatamente pelo que Lula vier a fazer nela."
Há quem diga - estou a lembrar-me de F.Kermode - que a nossa relação com a instabilidade do tempo contemporâneo tem três traduções possíveis: esta, o famoso "self-fulfilling prophecy", a também atractiva metáfora da "crise" e ainda a mais clássica, mas sempre actuante "teoria dos ciclos" (de decadências e retomas sucessivas).
Qual preferem?
O que é uma "Gafe"?
Na secção dedicada ao "leitor", é esta a pergunta de hoje do Jornal do Brasil:
"Quando fala em público, devia Lula ter a seu lado um assessor para evitar gafes?"
Esperam-se respostas. E, já agora, generalizemos o caso.
Na secção dedicada ao "leitor", é esta a pergunta de hoje do Jornal do Brasil:
"Quando fala em público, devia Lula ter a seu lado um assessor para evitar gafes?"
Esperam-se respostas. E, já agora, generalizemos o caso.
A isto se chama democracia (c/ actualização portuguesa)
(Globo. Ontem em S.Paulo)
"Quem não vai cair na folia, nem gosta de assistir programas de carnaval na TV, não precisa se preocupar: a RCA, concessionária de tevê a cabo em Teresópolis está com uma programação diferenciada nesses dias de carnaval. A concessionária, que distribui mais de 60 canais, divulga programas especiais para os que não gostam das festas de carnaval."
via O Diário de Teresópolis
(Idêntica atitude podiam ter as televisões portuguesas, não em relação ao Carnaval - que por cá é patético, triste e ridículo -, mas em relação à enfadonha campanha eleitoral que amanhã oficialmente começa)
(Globo. Ontem em S.Paulo)
"Quem não vai cair na folia, nem gosta de assistir programas de carnaval na TV, não precisa se preocupar: a RCA, concessionária de tevê a cabo em Teresópolis está com uma programação diferenciada nesses dias de carnaval. A concessionária, que distribui mais de 60 canais, divulga programas especiais para os que não gostam das festas de carnaval."
via O Diário de Teresópolis
(Idêntica atitude podiam ter as televisões portuguesas, não em relação ao Carnaval - que por cá é patético, triste e ridículo -, mas em relação à enfadonha campanha eleitoral que amanhã oficialmente começa)
China e direitos humanos
Leio na Folha de S. Paulo:
"O governo brasileiro escolheu a China como um dos parceiros para investir na troca de experiências sobre direitos humanos. O país asiático é notório freqüentador de relatórios que condenam governos que violam esses direitos regularmente."
Carnaval?
Tenho sincera dificuldade em compreender. Espero comentários das terras do Brasil!
Leio na Folha de S. Paulo:
"O governo brasileiro escolheu a China como um dos parceiros para investir na troca de experiências sobre direitos humanos. O país asiático é notório freqüentador de relatórios que condenam governos que violam esses direitos regularmente."
Carnaval?
Tenho sincera dificuldade em compreender. Espero comentários das terras do Brasil!
Basebol
Ora aí estão 750 mil euros bem gastos. Gerir os recursos na nossa terra está a ser, cada vez mais, uma obra artística à Marcel Duchamp: Urinol na galeira de arte e basebol em Abrantes. Pois então.
Ora aí estão 750 mil euros bem gastos. Gerir os recursos na nossa terra está a ser, cada vez mais, uma obra artística à Marcel Duchamp: Urinol na galeira de arte e basebol em Abrantes. Pois então.
Sinopses
Acabei de publicar no Minitempo as sinopses actualizadas dos meus romances (com excepção do primeiro).
Acabei de publicar no Minitempo as sinopses actualizadas dos meus romances (com excepção do primeiro).
Little is left to tell
Vi o debate na SIC, no passado dia (quando foi?), e até hoje ainda não fui capaz de ter uma reacção de jeito, tal o modo pungente como me tocou.
Apenas entendi agora o que se passou, ao reler o Ohio Impromptu (Improviso de Ohio) de Samuel Beckett. Ou seja: “Little is left to tell”
Vi o debate na SIC, no passado dia (quando foi?), e até hoje ainda não fui capaz de ter uma reacção de jeito, tal o modo pungente como me tocou.
Apenas entendi agora o que se passou, ao reler o Ohio Impromptu (Improviso de Ohio) de Samuel Beckett. Ou seja: “Little is left to tell”
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005
Só fumaça
Portugal é fértil em soluções jurídicas que afirmam A e ao mesmo tempo o seu contrário. Basta um requerimentozinho a uma autarquia para que a excepção se torne campeã entre regras. Para deixar as coisas como estão, não valia a pena conceber sequer uma nova lei. E para imaginar um diploma que mudasse, bastava copiar o irlandês. Agora, assim, é para rirmos. Todos. Fumadores activos, passivos e os outros. Mas esta solução era inevitável, tão portuguesa porque tão vizinha daquele “deixa andar” levemente incomodado com as chatas das mudanças que se sentem “lá fora”.
Portugal é fértil em soluções jurídicas que afirmam A e ao mesmo tempo o seu contrário. Basta um requerimentozinho a uma autarquia para que a excepção se torne campeã entre regras. Para deixar as coisas como estão, não valia a pena conceber sequer uma nova lei. E para imaginar um diploma que mudasse, bastava copiar o irlandês. Agora, assim, é para rirmos. Todos. Fumadores activos, passivos e os outros. Mas esta solução era inevitável, tão portuguesa porque tão vizinha daquele “deixa andar” levemente incomodado com as chatas das mudanças que se sentem “lá fora”.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005
Jogo - 6 (mostrar a vida privada?)
O que “mostra” o exibicionismo?
Dá sobretudo a ver aquilo que é inevitavelmente reenviado para outra e outra coisa. O exibicionismo não “mostra” nenhum objecto, antes o suprime.
A vida privada pode exibir-se e, ao fazê-lo, cria naturalmente uma série de conotações (em princípio encenáveis) sem fim.
Mas isso não significa de modo nenhum que se “mostre”.
O que “mostra” o exibicionismo?
Dá sobretudo a ver aquilo que é inevitavelmente reenviado para outra e outra coisa. O exibicionismo não “mostra” nenhum objecto, antes o suprime.
A vida privada pode exibir-se e, ao fazê-lo, cria naturalmente uma série de conotações (em princípio encenáveis) sem fim.
Mas isso não significa de modo nenhum que se “mostre”.
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