quinta-feira, 6 de novembro de 2003

Maria Elisa

Desta vez foi de vez. Maria Elisa lá trocou o lugar de deputada pelo lugar de Conselheira na Embaixada de Portugal no Reino Unido. Oxalá consiga honrar o lugar por onde já passaram, nos últimos anos, algumas figuras com F grande.
Bilbao Mayer

Parece que Frank Gehry já assinou o contrato para a edificação do espaço Parque Mayer. Ainda bem. Logo mais, saber-se-ão mais detalhes. Dizem as boas línguas que o arquitecto que repôs Bilbao no mapa tem em vista outra coisa no perímetro português.
Books

Correu bem o lançamento do meu livro. Houve bom debate entre o Nuno Nabais, a Isabel Marcos e a minha mais atordoada voz. Estar no parto é sempre diferente.
No final da sessão, ainda houve tempo para falar do meu próximo romance. Palavra puxa palavra e lá me vi a desfiar o enredo (faz-se com cada coisa!).
Depois de tal espontânea delação, não é que praticamente toda a gente me alertou para o facto de o título do futuro romance não ser o melhor!
Pasme-se o leitor do post, mas jamais pensei que acabasse desta forma um lançamento de um livro sobre semiótica.
Novembro de sortilégios, afinal.
Aproveito para agradecer sinceramente a generosa presença de todos!
Barreirinhas diabinho

"Primeiro, os países nos quais os comunistas no poder [China, Cuba, Vietname, Laos e Coreia do Norte] insistem em que o seu verdadeiro objectivo é a construção de uma sociedade socialista. Apesar de por caminhos diferenciados, complexos e sujeitos a extremas dificuldades, é essencial para a humanidade que alcancem com êxito tal objectivo."
Transcreve o Público e a frase é de Cunhal.
Sem comentários, pois então.

quarta-feira, 5 de novembro de 2003

Assombro épico

De manhã, na rádio, o número dois da Associação de estudantes da Universidade do Minho fazia a comparação do dia: "Se os fans de um clube campeão podem invadir as ruas para comemorar o feito, se os apoiantes de um partido podem bloquear praças e ruas para gritarem vitória depois dum período eleitoral, então também nós podemos cortar estradas e ruas e manifestarmo-nos pelas avenidas de Lisboa" (mais palavra, menos palavra, era isto).
Conclusão: fica a saber-se que a intenção estudantil era afinal o gáudio épico e o assombro vitorioso. Parabéns!
Lua da viagem

Estou de partida para Lisboa. Mais uma vez. Sempre. Como se Lisboa se tivesse tornado numa periferia sempre presente. De onde nunca saio. Talvez por isso o caminho tenha a forma de um vaivém. O teor de uma luz que se espalha sem explicação. O sentido a partilhar o diverso e a vista a repartir o incerto: a ponte, o rio, Monsanto e, antes ainda, o desmembrado fio da autoestrada a divergir no meio da paisagem, entre a imortalidade dos sobreiros e a doçura silenciosa dos muros muito brancos onde já houve lume, vida, pão e uma lua apaixonada e secreta.

terça-feira, 4 de novembro de 2003

Gris

"Gris, gris, l´amour est gris". Parece que foi hoje e ainda me lembro tão bem da voz quase invicta e inocente que serpenteava a melopeia. Olho para o céu e é assim Lisboa, hoje, nesta vaga de boqueirões por onde passo pausadamente em face a face com o rio, do outro lado do spleen em correria viva de buzinão. Em frente, o aço avermelhado de um barco e os guindastes a separarem o joio e a luz inclinadíssima e coada que me leva, por momentos, para outros passeios sem fim à beira do Prinsentgracht. O olhar continua dentro de momentos.
Convite - 5

Volto a convidar todos os leitores e todos os blogues para o lançamento do meu livro Semiótica - uma introdução que terá lugar na Livraria Eterno Retorno (Rua S. Boaventura, 42, Bairro Alto), na próxima Quarta-Feira (amanhã), dia 5/11, pelas 22 horas (só há ciberconvites).
The three men

O Sexo dos Anjos afirma (num discurso que está, todo ele, eivado de sinceridade): "o enraizamento, ou a queda no homem abstracto e uniforme sonhado por todas as engenharias sociais. That's the question!". Mas eu creio, com amizade, que há um terceiro vértice para além desses dois. Não nos punhamos a rir os dois acerca de "terceiras vias". That´s not the point. Trata-se, sim, do homem universal, concreto e sobretudo livre, democrático, propenso à lógica de uma sociabilidade aberta, horizontal, omnipolitana e cosmopolita. Aliás, o primeiro e o terceiro são os grandes e leais aliados contra o pesadelo que o segundo encerra. É ou não é ?

segunda-feira, 3 de novembro de 2003

Frio

Vem aí uma noite fria. O granito a respirar, a árvore pausada e as telhas em silêncio. Depois da espera, virá o fogo. A crepitar na respiração. O fumo a escalar pela noite. Tardio.